Com a necessidade de recomposição de áreas degradadas em Mato Grosso, nos últimos anos vêm aumentando no estado a quantidade de iniciativas coordenadas por instituições governamentais e não governamentais visando a adequação ambiental. Muitas dessas ações foram apresentadas e discutidas na última quarta-feira durante um ciclo de palestras sobre o tema realizado pela Embrapa Agrossilvipastoril e pela Rede de Sementes do Cerrado (RSC) em Sinop (MT).

Exemplos como o trabalho realizado em Alta Floresta, visando a recuperação de 4 mil nascentes, ou o da Rede de Sementes do Xingu, que organiza uma rede de coletores de sementes de espécies nativas visando a produção de mudas e a semeadura de vegetação nativa nas cabeceiras do rio Xingu, ou ainda a criação do Programa Mato-grossense de Municípios Sustentáveis foram alguns dos trabalhos expostos.

"Fiquei bastante impressionado com o estado de Mato Grosso. Acho que é o estado que está fazendo o maior movimento para que as coisas aconteçam. Eprincipalmente nessa organização dos sistemas de produção de sementes florestais que é bastante incipiente ainda em outros estados. Eaqui já está dando um passo muito importante que é ação dos municípios com projetos de adequação", avalia o coordenador do projeto Semeando o Bioma Cerrado, José Rosalvo Andrigueto.

Além de dar visibilidade às diferentes iniciativas, o evento discutiu aspectos de legislação e tecnologia sobre a produção de sementes e mudas. Foi também uma forma de promover a troca de informações entre os envolvidos na cadeia da recomposição de áreas degradadas.

"A agente vê que muitas dessas ações se encontram no sentido das propostas, dos objetivos e da forma de atuação. Isso demonstra que a gente partilha valores e que precisamos fortalecer estas relações, para de fato construir processos que não sejam apenas modelos pontuais, mas que apresentem uma forma de atuar com implicações em legislações, em articulações junto a esfera pública. Para que isso represente ganhos para nossas políticas públicas e também para as legislações que amparam o setor de sementes e restauração no Brasil", avalia o engenheiro florestal do Instituto Socioambiental Danilo Urzedo.

Para o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Ingo Isernhagen, o evento buscou ainda formar um grupo de pessoas para discutir permanentemente a questão em prol da superação dos desafios do setor.

"Esse evento tenta trazer estas experiências para formar um núcleo técnico em Mato Grosso para discutir isso de uma forma mais ampla e até para influenciar políticas públicas, linhas de pesquisa e linhas de crédito", analisa.

Organização da cadeia

As atividades de adequação ambiental são muito recentes e ainda estão sendo estruturadas. Um dos aspectos importantes é a necessidade de organização da cadeia, gerando oferta e demanda de sementes e mudas de qualidade e alternativa de renda para os produtores rurais que necessitam se adequar. Dessa forma, em muitos dos projetos em andamento em Mato Grosso é possível ver duas frentes de atuação.

Uma delas atua no início do processo, organizando rede de coletores de sementes, como a Rede de Sementes do Portal da Amazônia, a Rede de Sementes do Cerrado e a Rede de Sementes do Xingu. Nesse processo atuam agricultores familiares, extrativistas e assentados da reforma agrária. Por meio de casas de sementes coletivas, eles conseguem se organizar para comercializar a produção.

Outro viés do trabalho é a garantia de renda aos produtores que precisam adequar suas propriedades, de modo conscientizá-los de que o reflorestamento não irá trazer perdas em sua produção. Nesse processo é feita a assistência técnica buscando a adoção de tecnologias de manejo que possibilitem aumento da produtividade usando áreas menores. Outra ação é o plantio de espécies nativas que possam gerar renda no futuro, seja na coleta de frutos e essências, ou no manejo sustentável de madeira.

"Quando a gente pensa em alternativa de geração de renda, precisamos olhar para as duas pontas da cadeia. Ao mesmo tempo em que ela tem que articular propostas para estabelecer alternativas para as comunidades que vão coletar semente, ela também tem que apontar um caminho para o fazendeiro que irá plantar floresta", explica Danilo Urzedo.

Tecnologia de adequação

Outro aspecto ainda em estágio inicial quando se trata de adequação ambiental é a tecnologia disponível para utilização. De acordo com o pesquisador Ingo Isernhagen existem poucos resultados de pesquisa sobre espécies florestais nativas e muitas vezes o conhecimento utilizado é apropriado de outras áreas.

"Na verdade tudo que está sendo feito pelas ONGs, pelas secretarias municipais de meio ambiente e por nós na Embrapa é incorporar um pouco do conhecimento popular e das tecnologias conhecidas para o manejo das sementes agrícolas para que as sementes florestais se tornem mais viáveis do ponto de vista da germinação e estabelecimento, para melhorar a qualidade na ponta final, seja para a produção de mudas, seja para a semeadura direta para a recomposição de áreas degradadas", explica.

Ingo ressalta, entretanto, a dificuldade ainda encontrada quando o assunto são as espécies florestais nativas devido ao desconhecimento da ecologia das espécies, como época de florescimento, intervalo de produção, por exemplo. Além disso, a diversidade de espécies amplia os desafios da ciência.

"Uma coisa que é curiosa é que quando a gente fala de restauração ecológica, não necessariamente a gente está buscando um padrão, uma coisa só, um melhoramento genético. A gente quer é a diversidade. Então é por isso que temos muitos conflitos sobre o que se faz para a recomposição em larga escala, sobre o que a lei está trazendo e quais os métodos que a ciência está utilizando para gerar este conhecimento. Então tem muita coisa ainda para conhecer. Temos de fazer experimentos de uma forma mais controlada, usando um pouco do aprendizado de campo do pessoal que está fazendo isso em Mato Grosso, tentando resgatar os problemas que estão tendo para reproduzir isso do ponto de vista da ciência", explica Isernhagen.

Pesquisa em campo

Buscando trazer algumas das respostas às inúmeras perguntas do setor, a Embrapa Agrossilvipastoril está coordenando uma pesquisa sobre a recomposição de reserva legal em áreas de transição Cerrado Amazônia. Atualmente o projeto conta com experimentos implantadas em Canarana, Campo Novo do Parecis, Guarantã do Norte e em Sinop. Uma nova área de avaliação será instalada brevemente em Vilhena (RO).

Nestes experimentos são avaliadas diferentes configurações de recomposição, utilizando somente espécies nativas, nativas consorciadas com exóticas comerciais, plantio de mudas, semeadura direta, semeadura a lanço e condução de regeneração natural.

A pesquisa ainda está em fase inicial, mas a médio e longo prazo espera-se avaliar, entre outros, aspectos ambientais, agronômicos, silviculturais, microclima, balanço de carbono, efeito do manejo da área, apropriação pela fauna, além dos aspectos econômicos envolvidos em todo o processo.

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril
Gabriel Faria – Jornalista
Telefone: (66) 3211-4227

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A época de farta oferta de uva foi antecipada este ano. Enquanto ano passado a produção se intensificou depois da segunda quinzena de dezembro de 2014, desta vez as frutas já estão amadurecendo desde o final do mês passado. As parreiras cheias e coloridas são um atrativo para os olhos e paladar. Porém, a produtividade este ano reduziu e alguns produtores adotaram medidas para agregar valor ao produto.

Na propriedade de Albino Corazza Neto na beira do Rio Toledo na Linha Sperafico, no Paraná, por exemplo, a maior parte da venda está ocorrendo pelo sistema colha e pague. "Funciona basicamente assim: a pessoa vem, escolhe no pé os cachos que quer, colhe, pesa, paga e leva", detalha o produtor. Ele cita que é uma oportunidade de aproximar o consumidor da produção.

Corazza comenta que percebeu que muitas pessoas nunca conheceram um parreiral de uvas e viu na colheita uma chance de apresentar esta beleza a seus clientes. " Evirou um programa de família, muita gente vem, se encanta e faz disso uma diversão", relata ao indicar que estão sendo oferecidas duas variedades da fruta, a Niágara e a Isabel.

As vantagens deste tipo de venda atingem os consumidores e o produtor. "O cliente tem a chance de colher o que quer, escolher uma fruta direto do pé, de qualidade, muito fresca. Se ele compra no mercado estará optando por uma uva que foi colhida muito antes", detalha. Já para quem produz os benefícios também são grandes, porque diminui a mão de obra, evita atravessadores e agrega valor. O quilo da uva Niágara está sendo vendido a R$ 4,00 e da Isabel a R$ 3,00.

Porém, o produtor alerta que quem desejar fazer a colheita para a compra deve se antecipar porque este ano a produção será menor, tanto em volume como em período. "Devido ao clima, como não teve geadas e a temperatura foi maior, a poda ocorreu mais rápido e o amadurecimento foi antes também. Anos anteriores tínhamos uvas até o final de janeiro e desta vez será apenas até o final de dezembro", informa.

Produtividade

Mas, se por um lado, a uva amadureceu mais cedo, do outra produtividade foi menor. "A carga diminuiu bastantes, uns 30% da Niágara e até uns 50% da Isabel", pontua ao justificar com dois fatores, a aplicação do agrotóxico e o excesso de chuva no momento da floração.

O produtor plantou este ano 2,5 hectares de uva, a maior parte com essas duas variedades para a mesa, mas também reservou uma área para a Vênus e a Bordô. "Embora a Bordô e a Isabel sejam boas para produção de vinho, desta vez, devido á baixa produtividade vamos apostar mais na venda para a mesa mesmo, porque o retorno é mais imediato", indica.

Mas, mesmo com as alternativas para tentar aumentar a rentabilidade, os lucros este ano serão menores. Corazza afirma que a diminuição no volume, com a manutenção do preço de custo, de cerca de 40% do valor do produto, irá certamente trazer impactos. "Porque produziu muito pouco. Já teve anos que tiráramos de 15 a 20 toneladas por hectare e este ano estamos prevendo 13 mil quilos em toda a área", finaliza.

FONT E

Jornal do Oeste

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O Plano de Apoio Conjunto à Inovação Tecnológica Agrícola no Setor Sucroenergético (Paiss Agrícola), lançado em fevereiro de 2014 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), chega ao final do ano com 35 projetos enquadrados de 29 empresas, totalizando quase R$ 2 bilhões. O valor supera a dotação prevista inicialmente pelo programa, de R$ 1,48 bilhão – anunciou no dia 17 de dezembro, em seminário no Rio de Janeiro (RJ), o diretor da Área Industrial do banco, Julio Cesar Maciel Ramundo.

"É uma resposta grande do setor privado", disse Ramundo à Agência Brasil, e salientou que o balanço é "extremamente positivo. "Acreditamos que o desenvolvimento tecnológico que virá na parte agrícola é fundamental para todo o modelo de etanol de segunda geração, que será disseminado no Brasil nas próximas décadas."

Segundo Ramundo, 2014 termina com quatro plantas de etanol de segunda geração aprovadas pelo BNDES e Finep, dentro do programa. "Este talvez seja o símbolo dessa política." Ramundo lembrou que há três anos o Brasil, apesar de ser o detentor da melhor produtividade na área de combustíveis renováveis líquidos no mundo, não tinha iniciativas de destaque na tecnologia para o etanol de segunda geração.

"Desenhamos uma agenda e conseguimos ter, em prazo curtíssimo, planos de negócios de centenas de milhões de reais por parte do setor empresarial – e aí estamos falando de empreendedores brasileiros e multinacionais –, e ao final deste ano já temos duas plantas de segunda geração operando, e ontem (16) aprovamos a terceira em escala comercial."

Trata-se da fábrica da Abengoa Bioenergia Agroindústria, que será integrada ao processo tradicional que a empresa tem no município de Pirassununga, em São Paulo. Com financiamento de R$ 309,6 milhões, a planta terá capacidade nominal de produção de 64 milhões de litros de etanol por safra.

Outra planta em escala piloto foi implantada no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Julio Ramundo informou que esses projetos foram apoiados na fase do desenvolvimento tecnológico, porque as rotas são alternativas e compõem um portfólio de tecnologias. "Neste momento do desenvolvimento tecnológico, é muito importante ter alternativas que vão desde plantas totalmente dedicadas à nova tecnologia a plantas que se acoplam à base produtiva do etanol de primeira geração, porque, no futuro, poderemos ter, na fase de difusão tecnológica, diferentes alternativas para a introdução da tecnologia."

Ramundo comemorou o fato de o Brasil ter saído de uma fase de inexpressividade no quadro do desenvolvimento tecnológico do etanol de segunda geração para uma posição de vanguarda. "No Hemisfério Sul, não existe nenhuma planta de etanol de segunda geração". Em Alagoas, foi inaugurada há poucos meses uma das plantas de implantação mais rápida do país, do grupo GranBio.

Os projetos do Paiss Agrícola têm cinco linhas, que vão da adaptação de máquinas até a transgenia, que é o desenvolvimento de novas variedades de cana, passando por sistemas integrados de manejo, planejamento e controle da produção – técnicas mais ágeis e eficientes de propagação de mudas e adaptação de sistemas industriais para culturas energéticas compatíveis ou complementares com o sistema agroindustrial do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

Fonte: Agência Brasil
Alana Gandra – Repórter
Stênio Ribeiro – Edição

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O Brasil está a poucos passos de aprovar a liberação comercial de eucalipto transgênico. Sem ter realizado devidamente os estudos para avaliar os impactos e riscos dessa tecnologia, poderemos ser o primeiro país a liberar comercialmente o plantio de árvores transgênicas no mundo.

A liberação de árvores transgênicas requer maior precaução tendo em vista que as árvores têm ciclos bem mais longos de vida e a sua interação com o meio ambiente é bem mais complexa do que a interação de plantas anuais, como a soja e o milho. A liberação do eucalipto transgênico exige uma preocupação ainda maior, uma vez que boa parte da produção de mel brasileira é oriunda do pólen dos eucaliptos.

O eucalipto transgênico foi desenvolvido pela empresa FuturaGene, uma subsidiária da Suzano Papel e Celulose, a segunda maior produtora de celulose de eucalipto do mundo. De acordo com a empresa, o eucalipto transgênico pode elevar a produtividade do volume de madeira em até 20% em relação ao eucalipto convencional.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela autorização do uso de transgênicos no Brasil, realizou, em setembro de 2014, uma audiência pública sobre o eucalipto transgênico. Com o objetivo de acelerar o processo de liberação de seu produto, a audiência pública foi solicitada pela própria empresa. Essa audiência contou com a presença maciça de funcionários da empresa e foi um espaço insuficiente para um debate mais aprofundado com a sociedade civil. Vários questionamentos levantados pela sociedade civil e por gestores públicos não foram devidamente respondidos.

No relatório de biossegurança apresentado pela empresa à CTNBio, consta como justificativa, para a não realização de uma avaliação mais aprofundada, a reduzida disponibilidade de tempo e a liberação tardia dos recursos destinados a financiar as pesquisas sobre os efeitos do eucalipto transgênico. Baseando-se nessa desculpa, a FuturaGene eximiu-se de realizar o estudo sobre as proteínas do mel, o efeito desse mel sobre as bactérias da flora intestinal, a possibilidade de transferência dos genes transgênicos para os micro-organismos e os possíveis efeitos tóxicos, mutagênicos e teratogênicos (efeito sobre fetos), entre outros.

Além disso, sob as mais diversas justificativas, outras análises obrigatórias deixaram de ser realizadas e estudos relevantes mais específicos, como a análise dos impactos da plantação de eucalipto transgênico sobre a disponibilidade da água, também não foram feitos da forma adequada. Parte dos estudos de campo ainda está em andamento. Mesmo sem a realização das devidas análises de impacto e risco e sem obtenção de resultados das pesquisas que ainda estão em curso, a empresa apressou-se em solicitar a audiência pública para acelerar a liberação do eucalipto transgênico.

Qual seria a atitude esperada da CTNBio diante da "estratégia" da empresa de alegar falta de recursos financeiros e de tempo, entre outras justificativas, para não realizar a devida avaliação de impacto e de risco? O esperado seria determinar a realização dos estudos e paralisar os procedimentos para a liberação até que as devidas avaliações estivessem concluídas ou aceitar essas justificativas e dar andamento ao processo?

O esperado de uma comissão que deve zelar pela proteção da saúde humana e do meio ambiente seria determinar a realização de novos estudos e a conclusão dos que estão em curso. Mas, não foi isso o que aconteceu. Sem que fossem realizados os estudos necessários, a CTNBio deu andamento ao processo e a Subcomissão Setorial Permanente de Saúde Humana e Animal do colegiado aprovou, em novembro, a liberação comercial do eucalipto transgênico. Agora, falta a aprovação na Subcomissão Setorial Permanente das Áreas Vegetal e Ambiental, para que posteriormente o pedido de liberação possa ser encaminhado à plenária para a aprovação final.

Até recentemente, a CTNBio estava sem representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), os quais foram nomeados após a realização da referida audiência pública. Além disso, os cargos (titular e suplente) de especialista de meio ambiente a ser indicados pela sociedade civil e nomeados pelo MMA continuam vagos. A dimensão ambiental está enfraquecida na composição da CTNBio e, a despeito disso, ela tem dado continuidade à aprovação dos transgênicos. Em abril, por exemplo, o colegiado aprovou a liberação comercial do mosquito transgênico Aedes aegypti para combater a dengue sem que os especialistas da área ambiental estivessem presentes. Aspectos relevantes como o impacto desses mosquitos sobre o saneamento ambiental e o controle biológico de pragas não foram avaliados com a ausência desses especialistas.

É importante recordar uma decisão política que facilitou a aprovação dos transgênicos no Brasil. Em 2007, o então presidente Lula sancionou uma lei que reduziu o número de votos necessários à liberação de transgênicos, que passou de dois terços dos membros da comissão à maioria simples. Como a CTNBio tem 27 membros, o número de votos necessários à aprovação caiu de 18 para 14. Essa diferença de quatro votos foi essencial para "destravar" a liberação dos transgênicos. Mais de 90% das plantas transgênicas permitidas hoje no país foram liberadas após essa mudança.

Postura irresponsável

A postura do Estado brasileiro frente aos transgênicos não tem sido de responsabilidade. Além dos riscos de sua liberação sem os estudos adequados, hoje o consumidor brasileiro não têm sequer seu direito à informação respeitado, para que possa escolher consumir ou não transgênico, pois nem a rotulagem tem sido cumprida. A liberação da primeira árvore transgênica no mundo não pode ser mais um exemplo da omissão do Estado brasileiro frente aos riscos e impactos que os transgênicos podem oferecer.

Caso o eucalipto transgênico seja liberado sem as pesquisas necessárias, não é apenas a saúde humana e ambiental que poderá ser prejudicada. Aspectos socioeconômicos também poderão ser afetados. O Brasil é o segundo maior exportador de mel orgânico do mundo. Essa atividade poderá ser prejudicada, uma vez que as normas de orgânicos não permitem transgênicos e haverá riscos de as áreas de produção orgânica de mel serem afetadas pelo pólen de eucaliptos transgênicos. Além disso, ao aprovar a liberação do eucalipto transgênico, o Brasil estará caminhando na contramão do mercado internacional, tendo em vista que a certificação Forest Stewardship Council (FSC) não admite que produtos oriundos de árvores transgênicas sejam certificados.

A questão de fundo sobre os transgênicos não é mais ser contra ou a favor dessa tecnologia. Hoje, os transgênicos (infelizmente para uns e felizmente para outros) são uma realidade que a sociedade precisa saber como lidar e definir quais limites irá impor. Uma das questões essenciais refere-se aos interesses dos diversos atores e como estes estão sendo representados. Se a CTNBio optar por autorizar a liberação comercial da primeira árvore transgênica no mundo sem que os devidos estudos tenham sido realizados, ela terá considerado os interesses da empresa acima dos da sociedade e do meio ambiente.

Que legitimidade tem a comissão, que tem como competência legal proceder à análise da avaliação de risco e emitir decisão técnica sobre a biossegurança dos transgênicos, se ela não exige da empresa os estudos necessários e assim favorece o interesse privado em detrimento do interesse público? A continuar a tendência atual, talvez esteja mais do que na hora de a sociedade brasileira exigir uma mudança da estrutura e da forma de atuação da CTNBio.

Fonte: Instituto Sociambiental

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O lançamento do Guia dos Parques Estaduais de Minas Gerais, ocorrido no dia 15 de dezembro de 2014, representa mais uma opção para que os amantes da natureza conheçam melhor as riquezas do Estado. A publicação reúne fotografias, mapas e informações que auxiliarão os visitantes na preparação de suas viagens.

A elaboração do Guia é fruto de uma parceria entre o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Editora Horizonte. O projeto busca valorizar as unidades de conservação estaduais de Minas e incentivar a visitação.

Na publicação estão reunidos roteiros de passeios, dados sobre fauna e flora, geografia, história e cultura regional, localização e informações sobre atrativos no entorno das unidades de conservação. Os dados são referentes a 16 dos 38 parques estaduais mineiros e dois monumentos naturais. O visitante poderá conhecer qual o destino que melhor se enquadra no seu roteiro.

Entre os Parques detalhados no Guia estão os já famosos Ibitipoca, Rio Doce e Itacolomi e outros menos conhecidos, mas igualmente belos e importantes para a conservação da natureza como: Serra das Araras, Pau Furado e Mata do Limeiro. Cada um deles apresentam paisagens únicas e mostram um pouco da riqueza dos três biomas encontrados em Minas: a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga.

Clique aqui para acessar a página na internet do Guia Parques Estaduais de Minas Gerais. Se preferir, baixe gratuitamente a publicação no app Editora Horizonte para iOS e Android.

Fonte: Agência Minas

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Há 250 mil anos os representantes da nossa espécie exploravam a Terra e se deslocaram para cada território do nosso planeta. Este homem sábio imortalizou sua presença através de gloriosas obras: túmulos e monumentos dedicados aos Deuses. A escrita, arquitetura e a medicina completam estes exemplos que expressam a grandiosidade dos nossos antepassados. Fonte: Univesp TV

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O Plenário do Senado Federal aprovou substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 209/2007, que regulamenta a construção de eclusas e outros dispositivos de transposição em rios com barragens. Desta forma, os projetos para novas usinas hidrelétricas devem prever a construção simultânea de eclusas para permitir maior navegabilidade nas hidrovias. A matéria segue para sanção presidencial.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) teve participação ativa nas discussões e na aprovação da proposta, por entender que o projeto facilitará o uso das hidrovias para escoar a produção agropecuária. Segundo o vice-presidente diretor da CNA, José Ramos Torres de Melo Filho, e o consultor de logística e infraestrutura da entidade, Luiz Antônio Fayet, que participaram de vários debates sobre o tema, este modal traz menos danos ao meio ambiente, além de reduzir os custos de produção com o barateamento do frete.

Torres de Melo lembrou o esforço empreendido há quase uma década pela presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, que, em pronunciamentos no Senado e em peregrinações pelos órgãos públicos, sempre defendeu e alertou sobre a importância da navegabilidade dos rios brasileiros. "As hidrovias são o meio de transporte mais barato e menos poluente e o Brasil, desde a década de 1950, não deu prioridade ao modelo", ressaltou.

O vice-presidente da CNA também destacou a atuação do deputado federal Eduardo Sciarra (PSD-PR), relator do projeto na Câmara, "que elaborou texto conciliando os interesses dos órgãos encarregados de executar a política nacional de hidrovias, dando ao assunto racionalidade e objetivos claros".

O texto aprovado, cujo relator no Senado foi Francisco Dornelles (PP-RJ), exclui da regra de construção de eclusas em usinas hidrelétricas as barragens com aproveitamento de até 50 mil megawatts, assim como aquelas em construção na época da promulgação da nova lei. A proposta estabelece também que a manutenção da navegabilidade na barragem é função do responsável pela exploração do reservatório.

O projeto estabelece, ainda, que a operação e a manutenção de eclusas constituem serviço público, que poderá ser prestado diretamente ou indiretamente pelo poder público. A construção deverá ser precedida de declaração de reserva de disponibilidade hídrica. No caso dos rios de domínio da União, a declaração será solicitada pelo Ministério dos Transportes quando se tratar de exploração direta pelo poder público.

Quando se tratar de concessão, o órgão responsável por requerer o documento será a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Para exploração de hidrelétrica, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) continua sendo o órgão competente, como já prevê a legislação. No processo de concessão de eclusa ou outro dispositivo de transposição de nível, o poder concedente poderá dar prioridade ao concessionário de geração de energia que opera a barragem. Para isso, no entanto, o interessado deverá constituir outra pessoa jurídica com fins específicos. Essa nova empresa poderá explorar diretamente a eclusa ou contratar prestadores de serviço para isso, desde que tenha autorização prévia do poder concedente.

Fonte: Agência CNA
Telefone: (61) 2109-1411

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A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está com inscrições abertas para concursos que selecionarão professores para atuação em unidades de cinco campi da instituição. Há vagas para lecionar nos campi de São Paulo, Guarulhos, Diadema, São José dos Campos e Osasco.

No campus da capital paulista, por exemplo, há vagas para as áreas de Fonoaudiologia, Neurologia e Pediatria.

Para o campus de Diadema, há cinco concursos (nas áreas de Estatística, Engenharia e Biologia) e um processo seletivo para professor adjunto substituto na área de Ciências Biológicas.

O prazo de inscrição e o valor dos salários devem ser verificados caso a caso.

O link para conferir os editais é http://concurso.unifesp.br.

Fonte: Agência Fapesp

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