Altas temperaturas podem afetar o nível metabólico de determinadas espécies animais, causando desde alteração na fisiologia, comportamentos dos seus organismos, até a dinâmica das populações. Segundo Adriele Karlokoski Cunha de Oliveira, doutoranda em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o principal grupo atingido é o dos ectotérmicos, animais cuja temperatura corporal depende do ambiente externo.

Este processo de adaptação é chamado de termorregulação e pode ser identificado em répteis, anfíbios e na maioria dos peixes. A exposição a climas muito quentes pode levar até a morte dessas espécies. Além disso, sabe-se que a temperatura também é um determinante para o sexo dos seus embriões ainda dentro do ovo, definindo a proporção de machos e fêmeas nas ninhadas e nas populações.

Alterações graves no sexo das espécies podem causar, inclusive, extinções sutis localmente devido ao déficit na reprodução. No entanto, não somente animais endotérmicos são influenciados por alterações climáticas e aves que se reproduzem sazonalmente também podem ser prejudicadas, mostrando mais um fator de reflexo da temperatura que atua sobre a fauna.

Há limites

"Com relação à adaptação às variações térmicas, todo organismo tem uma faixa na qual consegue sobreviver e desempenhar suas funções básicas", diz Adriele. Alguns vertebrados conseguem explorar a heterogeneidade dos ambientes através do comportamento. Porém, ela acrescenta que, a partir do momento em que este limite é negligenciado, funções metabólicas e comportamentais passam a ser alteradas.

A pele úmida dos anfíbios, por exemplo, pode ser prejudicada pela incidência de raios solares; ovos de aves podem sofrer superaquecimento ou resfriamento e comprometer o desenvolvimento do filhote. "De maneira geral, a exposição às temperaturas extremas tende a ser prejudicial, pois o metabolismo dos animais precisa se adaptar, o que nem sempre é possível", completa.

Dependendo da capacidade de adaptação de cada espécie, é possível que algumas sobrevivam e outras não e, portanto, deixem de existir. Essa interferência na cadeia pode parecer sutil, mas é brusca e pode causar alterações não só localizadamente, mas também afetar patamares do ecossistema. Há previsões para o final deste século de aumento do aquecimento da Terra. "O que impressiona nessa questão é a velocidade com a qual esse aquecimento está previsto para acontecer", diz a doutoranda.

Para Adriele, a preocupação em relação ao aquecimento global tem aumentado e está bem pautada, porém é importante que se estude, inclusive, o foco das perturbações sobre as dinâmicas da natureza. "O Brasil, por exemplo, sendo um país megadiverso, ainda tem a sua biodiversidade pouco conhecida e não há informações sobre a biologia de muitas espécies, o que dificulta o entendimento das respostas relacionadas às variações térmicas", conclui.

Fonte: Agência Universitária de Notícias
William Nunes – Jornalista

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Ao invés do açúcar, mel de cacau. Essa substância ainda desconhecida por boa parte da população tem grande quantidade de açúcares redutores, como frutose, sacarose, entre outros, e pode ser utilizada na produção de chocolate doce para substituir parte do açúcar comum. O mel de cacau também possui considerável atividade antioxidante e fibras alimentares, além de índices altos de vitamina C. Essa análise foi feita a partir da pesquisa feita em colaboração entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

A exploração do cacau sempre esteve ligada ao uso de sua polpa enquanto o mel de cacau foi – e ainda é – praticamente desprezado. Segundo a professora Suzana Caetano da Silva Lannes, que coordenou a pesquisa, o mel de cacau é um subproduto do processamento inicial do cacau, antes de sua fermentação.

O sul da Bahia, a maior região produtora de cacau do país, vem sofrendo nos últimos anos com uma doença conhecida como "vassoura-de-bruxa", que atinge principalmente as plantações de cacau e reduz drasticamente a produção e a extensão das lavouras. Por isso, a procura por alternativas de exploração total do fruto é cada vez maior. Apesar disso, o aproveitamento do mel de cacau não atinge 0,5% de toda a sua produção. Todo o resto é descartado. Para a professora Suzana, isso acontece por causa do "pouco conhecimento de suas propriedades, processamento e coleta".

Atualmente, a utilização do mel de cacau se reduz à confecção de geleias e outros doces caseiros. Ele é mais aproveitado pelas microempresas das regiões de produção, principalmente no sul da Bahia, enquanto ainda é quase ignorado pela grande indústria. No ano passado, os pesquisadores da USP e da Uesb entraram com um pedido de patente sobre uma forma de confecção de chocolate utilizando o mel de cacau e com níveis menores de açúcar.

O produto praticamente não apresenta riscos a quem o consome. "O risco é mínimo, [existe] apenas para aqueles alérgicos a alguma substância presente [no mel de cacau]", garantiu Suzana Caetano. O Brasil é o 6º maior produtor de cacau segundo dados de 2010 da Organização Internacional do Cacau, com 161 mil toneladas por ano. O país só fica atrás de Costa do Marfim (1,2 milhões de toneladas), Gana (632 mil toneladas), Indonésia (550 mil), Nigéria (235 mil) e Camarões (209 mil).

Fonte: Agência Universitária de Notícias
Murilo Carnelosso – Jornalista

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