O índice que acompanha os preços das commodities (produtos primários com cotação internacional) teve, em dezembro, queda de 1,24%, na comparação com novembro. De janeiro a dezembro, o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), medido mensalmente pelo Banco Central (BC), aumentou 5,47%. O IC-Br é calculado com base na variação em reais dos preços de produtos primários negociados no exterior. Para isso, o BC observa os produtos relevantes para a dinâmica dos preços ao consumidor no Brasil.

No mês passado, o segmento de energia (petróleo, gás natural e carvão) foi o principal responsável pela queda de preços, com índice de 13%. O segmento de metal (alumínio, minério de ferro, cobre, estanho, zinco, chumbo e níquel) também registrou queda, de 1,25%. O segmento agropecuário (carne de boi, algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho, café, arroz e carne de porco) teve alta de 0,99% no índice de commodities.

O Índice Internacional de Preços de Commodities (CRB), calculado pelo Commodity Research Bureau, registrou alta de 1,4% em novembro e de 9,26% em 12 meses.

IBGE: preço ao produtor cresce 1,16% de outubro para novembro

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) cresceu 1,16% em novembro do ano passado [2014], 0,5 ponto percentual superior ao mês imediatamente anterior. Com o resultado, de outubro a novembro a taxa acumulada no ano passou de 2,75% para 3,94%: alta de 1,19 ponto percentual.

O IPP foi divulgado ontem (07/01/15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta de novembro reflete aumento em 20 das 23 atividades pesquisadas, em relação a outubro, com as maiores variações ocorrendo nos segmentos de fumo (2,90%), papel e celulose (2,33%) e outros equipamentos de transporte (2,26%).

Já as atividades que exerceram as maiores influências na composição da taxa foram alimentos (com 0,29 ponto percentual); refino de petróleo e produtos de álcool (0,20); veículos automotores (0,12) e metalurgia (com 0,11 ponto percentual).

Já no acumulado do ano, alta de 3,94%, as atividades que tiveram as maiores variações percentuais foram metalurgia (10,48%), bebidas (8,92%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,42%) e calçados e artigos de couro (7,96%); com as maiores contribuições percentuais verificadas também em metalurgia (0,80 ponto percentual), veículos automotores (0,68), refino de petróleo e produtos de álcool (0,57) e outros produtos químicos (com 0,28 ponto percentual).

Em novembro, os preços dos alimentos apresentaram alta de 1,45%, a maior variação desde a taxa de 1,55% de setembro de 2013. Nos 15 meses que separam setembro de 2013 de novembro de 2014, houve sete resultados negativos e oito positivos. Com esse resultado, a maior influência no indicador das indústrias de transformação (1,16%) foi também a do setor de alimentos, com contribuição de 0,66%, primeiro resultado positivo da série no ano.

A atividade refino de petróleo e produtos de álcool registrou variação de 1,80% em novembro de 2014 com relação a outubro, invertendo resultado negativo do mês anterior. No ano, o setor acumula alta de 5,11%, enquanto o indicador dos últimos 12 meses registra elevação de 8,19%.

Os produtos em destaque para o indicador mensal foram álcool etílico, asfalto, cimento asfáltico ou outros resíduos de petróleo ou de minerais betuminosos (mistura de hidrocarbonetos de consistência sólida, usada na produção de asfalto, pinturas e impermeabilização) e óleo diesel e outros óleos combustíveis, todos com variações positivas, e querosenes de aviação com variação negativa.

A fabricação de veículos automotores registrou em novembro variação de 1,03% no indicador mensal, alcançando 6,25% no acumulado do ano. Com relação aos últimos 12 meses, o índice da atividade registrou alta de 5,87%.

Com esses resultados, segundo o IBGE, a atividade exerceu a segunda maior influência sobre o acumulado do ano, e a terceira maior influência sobre o índice mensal do IPP. Entre os produtos mais importantes para o resultado mensal, veículo para mercadorias a diesel é o único produto que apresenta resultado negativo e se destaca tanto em termos de influência quanto pela sua variação.

FONTE: Agência Brasil
Mariana Branco e Nielmar de Oliveira – Repórteres
Graça Adjuto e José Romildo – Edição

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 26 milhões para a Pure Energy implantar a primeira fábrica de painéis fotovoltaicos do Brasil. O empreendimento será construído no município de Marechal Deodoro (Alagoas).

A operação, aprovada no âmbito do Plano Inova Energia, representará 75% do investimento total e é a primeira aprovação do BNDES para um projeto de empresa que vai operar na cadeia de fornecedores de energia solar. O apoio reflete a política do Banco de estímulo ao desenvolvimento dessa cadeia.

O projeto da Pure Energy, startup controlada pela construtora alagoana Cerutti, prevê a nacionalização de componentes dos painéis fotovoltaicos em projeto de desenvolvimento conjunto com empresas brasileiras, a exemplo da Adelco (microinversores) e Solinova, startup criada na Universidade de São Paulo (USP).

A Solinova atuará como parceira neste projeto, agregando conhecimento para o desenvolvimento das inovações propostas no plano de negócios da Pure Energy, tendo em vista ser composta de especialistas e mestres em energias renováveis.

Vale destacar que a nacionalização dos painéis fotovoltaicos será feita segundo a nova regra de credenciamento da Finame prevista no Plano de Nacionalização Progressiva (PNP) do setor de geração de energia solar.

Financiamento

Serão financiadas 90% das despesas gerais do projeto (R$ 11,9 milhões) com recursos do Fundo Clima — Subprograma Energias Renováveis e 90% dos gastos em Inovação (R$ 4,6 milhões) pelo Fundo Clima — Subprograma Projetos Inovadores.

O total a ser gasto com equipamentos nacionais, R$ 1,7 milhão, será financiado através do Programa BNDES de Sustentação do Investimento — Subprograma PSI Bens de capital. O BNDES também financiará 90% da compra de equipamentos importados sem similar nacional, no valor de R$ 7,5 milhões.

O projeto

A planta industrial será instalada no Pólo Industrial Multifabril José Aprígio Vilela, no município de Marechal Deodoro, Alagoas, em um terreno de 80.000 m². Uma área do terreno será destinada para a construção de uma usina de geração de energia solar fotovoltaica com capacidade de cerca de 1 MW. Esse sistema suprirá o consumo de energia da fábrica e servirá de campo de testes para os desenvolvimentos e adaptações previstos no projeto.

A tecnologia a ser adotada pela Pure Energy é a de silício cristalino e foi escolhida devido a sua ampla aceitação no mercado e por ser uma tecnologia já dominada. A linha de produção foi desenhada para a fabricação de painéis fotovoltaicos com a tecnologia mais moderna dessa rota tecnológica.

FONTE: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

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Há muitos anos, o queijo nada mais era do que apenas um dos recursos para se prolongar a vida útil do leite. Hoje, é um dos alimentos mais apreciados do mundo e representa um território fértil para quem gosta de experiências gastronômicas, com versões como o stilton salpicado de ouro ou o casu marzu, povoado por larvas de mosca vivas e típico da ilha da Sardenha, na Itália.

Mas você não precisa ser um grande conhecedor para apreciar esses alimentos que são praticamente castelos de microrganismos. Cada um é uma casa construída por bactérias e fungos, e cada um tem seu estilo arquitetônico próprio, de acordo com o gosto de seus habitantes.

A acumulação de bactérias começa ao se misturar o leite com lactobacilos ou estreptococos para torná-lo ácido. Uma enzima adicionada “corta” a ponta das proteínas do leite. Sem essa ponta, as proteínas literalmente caem para fora do leite em aglomerados sólidos, agarrando-se a glóbulos de gordura pelo caminho.

Os fabricantes de queijo coam esses aglomerados, ou coalhos, e os espremem para preparar o queijo para a maturação. É nesse processo de maturação que outros micróbios começam a aplicar suas próprias características.

Veja o exemplo do roquefort, um queijo pontilhado por fendas azuladas. O “operário” aqui é o Penicillium roqueforti, um fungo que vive naturalmente nas cavernas francesas onde o autêntico queijo roquefort é maturado, apesar de fabricantes de todo o mundo poderem adicionar esse componente para criar um efeito semelhante.

Criaturas caprichosas

O P. Roqueforti é uma criatura sensível. Ele gosta de ar, mas pode morrer se for exposto a muito oxigênio. Então os fabricantes espetam o queijo com varetas metálicas, fazendo buracos pequenos e protegidos onde os fungos ficarão em segurança para se multiplicar. Uma vez acomodados, eles segregam enzimas que quebram as gorduras do queijo em ácidos graxos, o que confere a ele o sabor ligeiramente saponificado, e em metilcetonas, que lhe garante o odor característico.

Esses fungos produzem toxinas que provocam danos ao coração, pulmões, fígado e rins quando dados a ratos de laboratório. Mas no habitat do queijo, essas substâncias são quebradas em formas nada nocivas.

Queijos curados moles, como o camembert, também abrigam fungos. O Penicillium camemberti é o principal habitante, instalando-se na superfície e produzindo enzimas que lançam uma reação em cadeia até o miolo do queijo. Ao digerir lactato, esses microrganismos tornam o queijo mais ácido na superfície do que no centro, o que leva os íons de fosfato de cálcio, antes bem abrigados na estrutura do queijo, a migrar para a superfície.

A mudança na acidez e a movimentação do íon faz o interior do queijo amolecer. Na superfície, uma nova digestão de proteínas produz amônia, que se difunde pelo queijo e dá ao camembert seu cheiro tão singular. Esse complexo leva-e-traz é complementado por uma variedade enorme de reações químicas.

Já os queijos de casca lavada, como o epoisses ou o limburger, que são banhados em salmoura várias vezes durante o processo de maturação, servem de abrigo para as bactérias do gênero Brevibacterium linens. Esse micróbio dá a esses alimentos o polêmico “cheiro de chulé”, ao produzir moléculas como o ácido butanoico e o ácido isovalérico.

Não por acaso, essas mesmas bactérias vivem na nossa pele e são responsáveis pelo odor que sai dos nossos pés quando transpiramos. Mas, apesar do aroma, os queijos feitos com B. linens costumam ser altamente apreciados pelos iniciados.

Outras versões, como o cheddar, são produzidas por processos mais suaves de maturação. Esse tipo de queijo tende a envelhecer apenas com os lactobacilos que iniciam a fabricação, sem muita adição de novas colônias de microrganismos. Mas eles abrigam uma gama de combinações de moléculas de odores e sabores, tornando-o alimentos bastante complexos. O gosto de um cheddar pode ser ao mesmo tempo salgado, aveludado e ligeiramente doce.

A ciência dos sabores

Na realidade, falar de queijos é quase como falar de vinhos. Existe todo um vocabulário que só os profissionais conhecem.

Séculos de experiências práticas nos deram a incrível variedade de queijos que temos hoje em dia. A ciência ainda está separando cada família de micróbios responsáveis por isso, e tentando entender seus hábitos e seus talentos.

Normalmente, os pesquisadores começam com uma lista de moléculas em um determinado queijo e uma amostra de bactérias e estudam como estas podem produzir as primeiras.

Mas quanto mais aprendemos sobre esses detalhes, mais fascinantes os queijos se tornam.

Por isso, da próxima vez que você estiver fatiando um desses castelos construídos por microrganismos, lembre-se da contribuição deles.

Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Future.

FONTE: BBC Brasil
Veronique Greenwood

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Mudas florestais de qualidade dependem de viveiros bem planejados, sementes de qualidade fisiológica e genética e um bom processo de produção. Um viveiro de produção de mudas florestais de espécies nativas tem as mesmas necessidades de um viveiro de espécies comerciais: boa estrutura, disponibilidade de água de qualidade, iluminação solar intensa, fácil acesso e boa drenagem. E a estrutura precisa contar com um bom local para armazenamento de sementes e estufas para as diversas fases de formação das mudas. Durante toda a fase de viveiro, além dos cuidados com a produção da muda, o viveirista tem que estar atento à ocorrência de pragas e doenças.

Veja este vídeo na TV AGROSOFT:

FONTE: Dia de Campo na TV

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A cidade de São Roque de Minas, no centro-oeste mineiro, foi palco do lançamento da marca Região do Queijo da Canastra. A iguaria é um dos mais legítimos representantes da gastronomia mineira, tombada como Patrimônio Cultural e certificada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), com o selo Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP), que garante sua origem.

O projeto conduzido pelo Sebrae em Minas Gerais, em parceria com a Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan), conta com a adesão de 25 produtores que fabricam a iguaria de forma artesanal. “Buscamos o desenvolvimento da região a partir do queijo, da valorização das tradições e do modo de vida da sua gente”, afirmou o analista técnico do Sebrae e gestor do projeto, Ricardo Boscaro.

Os 25 produtores representam apenas uma mínima parcela do total regional. De acordo com Aprocan, a região (que fica no nascimento do lendário Rio São Francisco) localizada nos sopés da Serra da Canastra, concentra cerca de 800 produtores, distribuídos por sete municípios — além de São Roque tem Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, Tapiraí e Vargem Bonita. Um dos produtores, Allan Diego da Silva, que junto com a esposa Valéria produz 10 queijos/dia, resumiu a importância do lançamento. “Meu pai queria que eu estudasse mais, que trabalhasse com outra coisa, mas eu gosto mesmo é de fazer queijo. Agora, estou me formando como queijeiro”.

A produção total nos sete municípios chega a 16 mil quilos por dia. A altitude e o clima são determinantes para as características do produto e contribuem para definir o terroir. Os queijos, além saborosos têm lastro. “Se fossem trabalhadores de uma fábrica, esta seria a maior do país”, disse o diretor-técnico do Sebrae em Minas Gerais, Luiz Márcio Pereira, referindo-se às centenas de pequenos produtores e às toneladas de produtos que saem por dia das queijarias.

Na cidade de Medeiros foi construído o Centro de Qualidade que, registrado no Sistema Brasileiro de Inspeção (SISBI), está autorizado a vender o produto fora das fronteiras de Minas Gerais. Item praticamente obrigatório na cozinha do brasileiro, um queijo como este consome na sua fabricação de 10 a 12 litros de leite cru integral, cultura láctea natural (pingo), coalho e sal.

O início da produção remonta ao século 19, quando era consumido exclusivamente no ambiente familiar. Na época das chuvas, com a pastagem mais nutritiva para o gado, a produção excedia o necessário e era transportada por tropeiros no lombo de animais, passando a ser comercializada em vários locais. A qualidade do queijo trouxe-lhe o reconhecimento de consumidores de várias regiões. O reconhecimento trouxe a fama e esta exportou o jeito mineiro da gente que vive de fazer queijo canastra. “O queijo é minha vida, meu espírito, meu ser”, costuma dizer o produtor João Carlos Leite, presidente da Aprocan.

Avanço

O lançamento da marca Região do Queijo da Canastra é parte integrante do trabalho que é desenvolvido pelo Sebrae em Minas Gerais junto aos produtores da Serra da Canastra. “Por meio da organização de um grupo de produtores e trabalhando sua identidade com foco em novos mercados, nosso objetivo é fortalecer sua marca e origem junto aos diversos compradores e consumidores”, ressalta o analista do Sebrae Minas, Ricardo Boscaro.

As ações do Sebrae começaram em 2013. Os produtores foram orientados sobre a importância do trabalho em grupo, o fortalecimento do associativismo, a revisão do regulamento de uso da Indicação de Procedência e a análise do mercado. A união dos produtores resultou, agora, no lançamento da marca própria, com novo posicionamento frente ao mercado e consequente o fortalecimento do Queijo da Canastra, dos produtores e do território.

“É o desenvolvimento da região a partir do queijo, da valorização das tradições e do modo de vida da sua gente”, resume o analista. Novas ações serão desenvolvidas a partir de 2015 visando a ativação das estratégias definidas neste ano.

FONTE: Agência Sebrae de Notícias

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A presidente Dilma Rousseff sancionou lei que obriga a construção de eclusas junto a hidrelétricas em rios de potencial energético – Lei 13.081/15. As eclusas corrigem o desnível causado pela barragem das hidrelétricas e restabelecem a navegação dos rios.

Pela lei, a exigência de construir a eclusa deve estar prevista nos contratos entre o poder público e a iniciativa privada para exploração energética. O custo do licenciamento ambiental e da construção nas obras situadas em águas da União será arcado pelo Ministério dos Transportes.

A nova lei tem origem em projeto do Senado Federal (PL 5335/09), analisado por comissão especial e aprovado pela Câmara dos Deputados em 2014.

O relator do projeto na comissão especial, deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), disse que ao menos oito bacias hidrográficas deveriam ser beneficiadas pelas eclusas. Ele também atribuiu ao Estado a responsabilidade de pagar pelas eclusas, como forma de não punir os consumidores com altas tarifas de energia elétrica.

Nesse ponto, a nova lei tem artigo específico para proibir o repasse às contas de energia dos custos do serviço de operação e de manutenção das eclusas.

Transporte hidroviário

O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, acredita que a malha hidroviária pode ser rompida nas áreas das barragens, o que prejudicaria o transporte hidroviário. Segundo o deputado, as eclusas podem mudar esse cenário.

“Se a artéria do transporte hidroviário for interrompida, o anteparo seria, mais ou menos, como criar um abismo em uma rodovia. Imagine a BR-101 com um abismo no meio, não pode se passar daqui para lá e de lá para cá. A hidrelétrica, nesse sentido, sem eclusa, fica exatamente isso. Seria pouco eficiente criar um anteparo no rio sem que ele cumpra essa função de transporte de carga e de pessoas em qualquer lugar do País”, disse Alceu Moreira.

A exigência em relação às eclusas prevista na nova lei não se aplica às barragens de baixo aproveitamento, às construídas ou em construção e as que já passaram pelo processo licitatório.

Leia a íntegra da proposta: PL-5335/2009.

FONTE: Agência Câmara
Reportagem — Emanuelle Brasil
Edição — Pierre Triboli

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As primeiras declarações dos novos ministros Kátia Abreu (Agricultura) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) colocaram em evidência as diferenças que existem entre as duas pastas. Enquanto o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tem historicamente foco maior nos grandes produtores, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) funciona como o contraponto, dando especial atenção à população rural mais pobre.

Estridente e polêmica, Abreu jogou a tensão no ventilador ao declarar ao jornal Folha de S.Paulo, em entrevista publicada no dia 5 de janeiro de 2015, que “latifúndio não existe mais” no país e que a reforma agrária deve ser “pontual, para os vocacionados (para o campo)”.

No dia 6, Ananias reagiu em seu discurso de posse, ao dizer que “ignorar ou negar a permanência da desigualdade e da injustiça é uma forma de perpetuá-las”. “Por isso, não basta continuar derrubando as cercas do latifúndio; é preciso derrubar também as cercas que nos limitam a uma visão individualista e excludente do processo social”, disse.

Reiteradas vezes ele destacou a importância de se cumprir a “função social” da propriedade, preceito previsto na Constituição segundo o qual o imóvel rural deve ser produtivo, preservar o meio ambiente e cumprir as leis trabalhistas. Caso contrário, tem de ser desapropriado para reforma agrária, afirma a Carta Magna.

O consultor Rui Daher, da Biocampo Desenvolvimento Agrícola, nota que a diferença entre os dois ministérios não é de hoje. Ele observa que “o Ministério da Agricultura tem um aspecto mais burocrático, regulatório, que atende mais às reivindicações de recursos e financiamento para grandes culturas de exportação”.

Em outras palavras, explica, a pasta tem atuado “mais como se fosse uma subsidiária do Ministério da Fazenda para distribuir recursos para a grande agricultura”. Fora isso, basicamente o órgão realiza a aprovação de novos insumos agrícolas e agrotóxicos, acrescenta Daher. “É uma estrutura que ficou muito parada no tempo”, afirma o especialista.

Daher destaca que o comando do Ministério da Agricultura está há anos nas mãos do PMDB (desde 2007), sendo comandado por pessoas “pouco entendidas” na área. Ele considera que Kátia Abreu, apesar de problemas graves como o desdém pelos povos indígenas, é um avanço sob esse ponto de vista, pois conhece bem o setor.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por sua vez, sempre esteve subordinado ao PT desde que Lula assumiu a presidência em 2003. Sua atuação durante todo o período se focou nas causas sociais, com especial atenção à reforma agrária e aos pequenos produtores, que respondem por 80% das 5 milhões de propriedades agrícolas, afirma o consultor.

“Esse segmento foi muito apoiado nos últimos anos e, para dar continuidade a isso no segundo mandato da Dilma, acredito que a melhor escolha que ela podia ter feito é do Patrus Ananias, que já foi ministro do Desenvolvimento Social (onde desenvolveu o Bolsa Família) e tem um viés muito mais voltado para esse lado”.

Obrigação

O geógrafo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Ariovaldo Umbelino, especialista em reforma agrária, também frisa a diferença entre as duas pastas e minimiza a relevância das declarações de Kátia Abreu. Segundo ele, a reforma agrária é atribuição do MDA, enquanto o Ministério da Agricultura cuida da “produção capitalista” e não deve intervir no assunto.

Ele destaca que a distribuição das terras que não cumprem sua função social “não depende da vontade de ministro A ou B” porque a Constituição Federal obrigada o governo a realizá-la. Segundo o artigo 184 da Carta, “compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária”.

Umbelino observa que a reforma agrária ganhou fôlego no primeiro mandato do presidente Lula, mas perdeu ritmo no seu segundo mandato e no da presidente Dilma Rousseff. Uma das justificativas da atual presidente para a redução dos novos reassentamentos é que seu governo privilegiou a melhoria da estrutura dos que já existem, garantindo mais acesso a recursos e orientação técnica.

Na avaliação do especialista, o ministro Patrus Ananias, nome histórico do PT, tem poder político para fazer frente ao crescente prestígio de Kátia Abreu junto à presidente e intensificar novamente esse processo. A ministra foi nomeada apesar da resistência do próprio PMDB, que preferia a manutenção de Neri Geller no comando da Agricultura.

A aproximação com entre as duas começou quando Dilma ainda era ministra da Casa Civil e foi diagnosticada com câncer em 2009. Segundo relato da senadora ao programa “Poder e Política” do portal UOL, na ocasião ela escreveu uma carta à presidente se solidarizando no processo de tratamento. Depois disso, a ligação das duas se intensificou quando Abreu foi recebida algumas vezes pela presidente na condição de representante do setor agrícola, já que ela presidia a CNA.

“Os ministros todos têm poder igual. Se a presidente vai escutar a ministra ou o ministro, aí é outra história”, disse Umbelino.

Diálogo

Apesar do claro embate entre os dois novos ministros em torno da reforma agrária, ambos acenaram para o diálogo em seus discursos de posse.

Abreu fez um pronunciamento no dia 5 de janeiro muito mais conciliador do que a entrevista concedida à Folha de S.Paulo, na qual, além de negar a existência do latifúndio, declarou que os conflitos fundiários com indígenas ocorrem porque eles “saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção”.

Já no seu discurso, a ministra, que é odiada por ambientalistas, defendeu o uso sustentável da água e disse que “há alternativas para produzir sem comprometer o meio ambiente”. Além disso, afirmou que seu ministério não fará segregação.

“Este será o ministério dos produtores rurais, sem nenhuma espécie de divisão ou segregação, e das empresas. Será um ministério da produção. Mas será acima de tudo um ministério do diálogo. Um ministério dos brasileiros”, afirmou Abreu, encerrando seu discurso.

Já Ananias, afirmou em seu pronunciamento que o MDA vai “buscar ações concertadas com todos os ministérios e órgãos públicos nacionais que tenham conosco áreas afins e complementares”.

Brecha?

Rui Daher prevê uma convivência difícil e pouco harmoniosa entre os dois, mas vê uma possibilidade de tanto Abreu quanto Ananias se abrirem para um trabalho mais colaborativo.

“Acho que há uma grande vantagem aí: a Kátia tem pretensões políticas maiores, e o Patrus tem uma sensibilidade social muito grande. Então, há uma possibilidade que ele faça a Kátia Abreu sair desse reinado ruralista e descer até o lado das interações sociais. Por um lado, a escolha (dos dois) tem um potencial que antes não existia”, analisa.

Além disso, vale notar que a própria presidente Dilma Rousseff, conhecida pelo seu estilo centralizador e gosto em intervir diretamente nos ministérios, quer puxar a atuação do Ministério da Agricultura para a área social.

A presidente deu orientação direta à nova ministra para que aumente a classe média rural. Katia Abreu assume com uma meta objetiva de dobrar o tamanho da classe C no campo.

Hoje, segundo dados citados pela ministra em seu discurso, 15% dos mais de 5 milhões de produtores rurais estão na classe C, enquanto 70% estão na D e E. Abreu prometeu maior assistência técnica e oportunidade aos pequenos produtores como caminho para atingir o objetivo da presidente.

FONTE: BBC Brasil
Mariana Schreiber

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Uma aeronave não tripulada pode mudar a forma de se fazer agronegócio no Brasil ao possibilitar observação e reconhecimento territorial de forma contínua, dia e noite, e também a coleta ininterrupta de dados. O ScanEagle, é o Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) da Boeing com inovação e tecnologia de ponta e que pode ser um grande auxiliar do agronegócio brasileiro.

A receita encontrada pela Boeing para potencializar a chamada “agricultura de precisão” é a combinação dos VANTs com outras fontes de dados, obtidos, inclusive, por satélites de observação da Terra. Trata-se de um campo da ciência conhecido como sensoriamento remoto. E é nisso que apostam os pesquisadores da Boeing Pesquisa e Tecnologia Brasil (BR e T – Brasil).

Exceto no caso de dados coletados em laboratório, onde as condições são controladas, existem hoje basicamente três níveis de sensoriamento remoto para a coleta de dados das plantações: o de campo, quando se leva o equipamento para a área de interesse e ali os dados são coletados; o aéreo, em que os sensores que coletam os dados são embarcados em aeronaves tripuladas; e o orbital, no qual os sensores estão a bordo de satélites que orbitam a Terra a aproximadamente 700 km de altitude.

Contudo, todos esses níveis de sensoriamento remoto têm limitações. Os dados coletados em campo são muito precisos, mas envolvem um alto custo de operação e, em geral, limitam-se a cobrir áreas pequenas.

Por outro lado, os dados obtidos por sensores a bordo de satélites cobrem grandes áreas e de maneira sistemática, mas muitas vezes são limitados à passagem dos satélites quando o céu não está nublado, o que é um problema em regiões tropicais como o Brasil. O uso de aeronaves tripuladas pode ser uma solução, mas envolve um custo extremamente elevado de operação e, além de depender de condições meteorológicas favoráveis, também depende de técnicos extremamente especializados.

As vantagens dos VANTs em relação a outros sistemas

É aí que entram os VANTs, com suas inúmeras vantagens para as aplicações de sensoriamento remoto na agricultura. Entre elas: a possibilidade de coletar dados a qualquer momento, sistematicamente, e em curtos intervalos de tempo; a capacidade de voar abaixo das nuvens e coletar dados mesmo em dias nublados; a facilidade de manuseio do equipamento; a gama de sensores que podem ser utilizados; e o custo de operação, que tende a diminuir à medida que a tecnologia se populariza.

O intervalo de tempo entre duas aquisições consecutivas de dados sobre a mesma área, que em termos técnicos é conhecido como “resolução temporal”, é bastante otimizado. “Um satélite passa sobre determinada área hoje; se estiver nublado, você só terá chance de uma nova imagem depois de duas semanas; se estiver nublado novamente, só daqui a um mês. Para a agricultura, isso pode ser um tempo muito grande”, argumenta Marcio Pupin Mello, coordenador de pesquisa em Sensoriamento Remoto e Agricultura de Precisão da BR e T-Brasil. Um VANT pode sobrevoar determinada área todos os dias ou até diversas vezes no mesmo dia.

É possível integrar inúmeros tipos de sensores, ou câmera, nos VANTs, desde uma câmera comercial mais simples, como aquelas geralmente utilizadas por atletas que praticam esportes radicais, até sensores mais complexos, com centenas de bandas espectrais que vão do visível até o infravermelho. A partir daí, literalmente, o céu é o limite: pode-se verificar quão sadia está a vegetação, se há falhas no plantio, se determinado trecho da área plantada está mais desenvolvido que outro, se o calor, umidade ou a luminosidade estão adequados para cada cultura agrícola, entre outras possibilidades.

“Muitas vezes, é muito mais simples e barato para o produtor usar um VANT para sobrevoar e monitorar uma região do que comprar uma imagem de satélite ou usar um avião tripulado”, explica Mello, que é doutor em Sensoriamento Remoto.

Próximo passo

O uso de VANTs no Brasil, entretanto, ainda não está regulamentado. “A Boeing tem bastante conhecimento adquirido com o uso das tecnologias de VANTs pelo mundo, incluindo aplicações em agricultura de precisão. Aqui no Brasil, estamos trabalhando com parceiros nacionais e criando juntos tecnologia e conhecimento”, afirma o pesquisador. “Precisamos concentrar esforços, junto com as autoridades aeronáuticas, para promover o uso profissional do VANT no país, só assim poderemos tirar total proveito de seu uso nas aplicações para a agricultura”, completa Mello.

FONTE: Portal Terra

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O índice que acompanha os preços das commodities (produtos primários com cotação internacional) teve, em dezembro, queda de 1,24%, na comparação com novembro. De janeiro a dezembro, o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), medido mensalmente pelo Banco Central (BC), aumentou 5,47%. O IC-Br é calculado com base na variação em reais dos preços de produtos primários negociados no exterior. Para isso, o BC observa os produtos relevantes para a dinâmica dos preços ao consumidor no Brasil.

No mês passado, o segmento de energia (petróleo, gás natural e carvão) foi o principal responsável pela queda de preços, com índice de 13%. O segmento de metal (alumínio, minério de ferro, cobre, estanho, zinco, chumbo e níquel) também registrou queda, de 1,25%. O segmento agropecuário (carne de boi, algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho, café, arroz e carne de porco) teve alta de 0,99% no índice de commodities.

O Índice Internacional de Preços de Commodities (CRB), calculado pelo Commodity Research Bureau, registrou alta de 1,4% em novembro e de 9,26% em 12 meses.

IBGE: preço ao produtor cresce 1,16% de outubro para novembro

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) cresceu 1,16% em novembro do ano passado [2014], 0,5 ponto percentual superior ao mês imediatamente anterior. Com o resultado, de outubro a novembro a taxa acumulada no ano passou de 2,75% para 3,94%: alta de 1,19 ponto percentual.

O IPP foi divulgado ontem (07/01/15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta de novembro reflete aumento em 20 das 23 atividades pesquisadas, em relação a outubro, com as maiores variações ocorrendo nos segmentos de fumo (2,90%), papel e celulose (2,33%) e outros equipamentos de transporte (2,26%).

Já as atividades que exerceram as maiores influências na composição da taxa foram alimentos (com 0,29 ponto percentual); refino de petróleo e produtos de álcool (0,20); veículos automotores (0,12) e metalurgia (com 0,11 ponto percentual).

Já no acumulado do ano, alta de 3,94%, as atividades que tiveram as maiores variações percentuais foram metalurgia (10,48%), bebidas (8,92%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,42%) e calçados e artigos de couro (7,96%); com as maiores contribuições percentuais verificadas também em metalurgia (0,80 ponto percentual), veículos automotores (0,68), refino de petróleo e produtos de álcool (0,57) e outros produtos químicos (com 0,28 ponto percentual).

Em novembro, os preços dos alimentos apresentaram alta de 1,45%, a maior variação desde a taxa de 1,55% de setembro de 2013. Nos 15 meses que separam setembro de 2013 de novembro de 2014, houve sete resultados negativos e oito positivos. Com esse resultado, a maior influência no indicador das indústrias de transformação (1,16%) foi também a do setor de alimentos, com contribuição de 0,66%, primeiro resultado positivo da série no ano.

A atividade refino de petróleo e produtos de álcool registrou variação de 1,80% em novembro de 2014 com relação a outubro, invertendo resultado negativo do mês anterior. No ano, o setor acumula alta de 5,11%, enquanto o indicador dos últimos 12 meses registra elevação de 8,19%.

Os produtos em destaque para o indicador mensal foram álcool etílico, asfalto, cimento asfáltico ou outros resíduos de petróleo ou de minerais betuminosos (mistura de hidrocarbonetos de consistência sólida, usada na produção de asfalto, pinturas e impermeabilização) e óleo diesel e outros óleos combustíveis, todos com variações positivas, e querosenes de aviação com variação negativa.

A fabricação de veículos automotores registrou em novembro variação de 1,03% no indicador mensal, alcançando 6,25% no acumulado do ano. Com relação aos últimos 12 meses, o índice da atividade registrou alta de 5,87%.

Com esses resultados, segundo o IBGE, a atividade exerceu a segunda maior influência sobre o acumulado do ano, e a terceira maior influência sobre o índice mensal do IPP. Entre os produtos mais importantes para o resultado mensal, veículo para mercadorias a diesel é o único produto que apresenta resultado negativo e se destaca tanto em termos de influência quanto pela sua variação.

Fonte: Agência Brasil
Mariana Branco e Nielmar de Oliveira – Repórteres
Graça Adjuto e José Romildo – Edição

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As micro e pequenas empresas que quiserem aderir ao novo Simples Nacional terão até o dia 30 de janeiro de 2015 para fazer o pedido. Criado em 2006, o programa possibilita o pagamento de até oito tributos federais em apenas uma guia, podendo reduzir em até 40% o imposto.

O Simples Nacional ou Supersimples é destinado ao micro e pequeno empresário que fatura até R$ 3,6 milhões por ano. Este ano, uma mudança nas regras estendeu o benefício para 142 categorias, como engenheiros, médicos, advogados, odontólogos, jornalistas, corretores, arquitetos, veterinários, psicólogos, profissionais de terapia ocupacional, acupuntura, podologia e fonoaudiologia.

A data de 30 de janeiro é destinada às empresas que já estão em atividade. Para as empresas em início de atividade, o prazo para solicitação de opção é 30 dias contados do último deferimento de inscrição (municipal ou estadual, caso exigíveis), desde que não tenham decorridos 180 dias da data de abertura constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Quando aceita, a opção produz efeitos a partir da data da abertura do CNPJ. Após esse prazo, a opção somente será possível no mês de janeiro do ano-calendário seguinte.

A adesão deve ser feita no portal do Simples Nacional. Durante o período da opção, é possível fazer a regularização de eventuais pendências que impeçam o ingresso no Simples Nacional. Também é permitido o cancelamento da solicitação.

Fonte: Agência Brasil
Luciano Nascimento – Repórter
Graça Adjuto – Edição

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