O cenário da atual seca no Sudeste do Brasil, que passa pela pior crise hídrica dos últimos 85 anos, pode durar por 30 anos mais, segundo afirmou o meteorologista e sócio da empresa de consultoria especializada Somar Meteorologia, Paulo Ethichury. Para ele, o clima atual no país obedece a um ciclo de esfriamento do Oceano Pacífico nos últimos anos, que se opõe às décadas de 1980, 1990 e 2000, quando o clima era mais quente.

O início do ano assustou, em termos climáticos, a agroindústria, com um atraso do cultivo da soja e perspectivas de queda da produtividade em outras matérias-primas agrícolas, como o café.

Segundo Ethichury, os períodos de seca mais amplos podem se repetir no ano que vem. “A atual fase é a mesma que vivemos nos anos 1940, também com menores volumes de chuva. Trata-se de um novo ciclo, também chamado de interdecadal, no qual estamos voltando para esta fase seca”, assinalou o especialista, que aponta que os ciclos têm intervalos, às vezes, de 30 anos.

De acordo com Ethichury, é “um ciclo que traz um comportamento climático de padrão mais seco”. “Isso significa que, por exemplo, antes se cultivava milho em ciclos de 130 a 140 dias e hoje esses cultivos são feitos entre 100 e 105 dias para que sejam mais efetivo na época de chuvas”, destacou Ethichury.

A crise hídrica no Sudeste deixou em alerta os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e, principalmente, São Paulo. O sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas, um terço da região metropolitana de São Paulo, já utilizou as duas cotas do chamado “volume morto”, uma reserva técnica adicional dos reservatórios.

As chuvas de fevereiro e março, que superaram a média para esses meses, elevaram parte dos níveis das reservas, mas não o suficiente para melhorar a situação.

A 3ª Conferência da Agroindústria, da qual participaram no final de março centenas de empresários e executivos do setor, expressou a preocupação pelo atual cenário climático do país, que também pode afetar a geração de energia.

“Sabemos que está chovendo, mas chove menos e por isso estamos com problemas nos reservatórios. O calendário agrícola torna-se, então, menor”, acrescentou o meteorologista.

O aquecimento pelo fenômeno do El Niño, segundo Ethichury, ameniza em parte os efeitos do esfriamento do Pacífico, mas a formação de chuvas foi insuficiente e a previsão é similar para os próximos anos. “Sem alarmismo, trata-se de um momento de adequação na alternância de períodos ou décadas mais ou menos chuvosas”, concluiu Ethichury.

Por outro lado, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Antônio Lopes, a seca ajudou a incorporar novas tecnologias e a fomentar a produção de transgênicos no país.

Lopes concordou com Ethichury sobre o fato de que “há uma tendência muito forte na agricultura de produzir com ciclos mais curtos”, principalmente pela falta de chuvas e de abastecimento de água para os cultivos de soja, milho, algodão e feijão.

FONTE: Revista Globo Rural

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Especialista diz que Estados Unidos (EUA), União Europeia (UE) e China lideram corrida para ver quem vai estabelecer o padrão de produção de etanol a partir da celulose. Segundo ele, faltam políticas claras do governo brasileiro para o setor.

Após se tornar o líder no consumo e produção de biocombustíveis, o Brasil perdeu a hegemonia para EUA (em 2003) e União Europeia (2011). O retorno à ponta, porém, será difícil, afirma Sergio Salles-Filho, organizador do livro Futuros do Bioetanol: O Brasil na Liderança, lançado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo ele, o Brasil terá que investir mais na tecnologia de segunda geração dos biocombustíveis — produção de etanol por meio de celulose — e implementar políticas mais concretas para o setor.

“O Brasil investe nessa tecnologia, porém menos que EUA, União Europeia e China”, afirma o engenheiro agrônomo. “Existe uma corrida hoje para ver quem vai estabelecer o padrão de produção de álcool a partir da celulose, mas o Brasil está para trás.”

Deutsche Welle: Após ser líder no consumo de biocombustíveis, o Brasil perdeu a liderança em consumo para os EUA (2003) e União Europeia (2011). Por quê?

Sergio Salles-Filho: O Brasil tinha uma liderança muito mais pelo fato de que a indústria de açúcar e álcool era secular e o país deu início antes dos outros países ao uso sistemático do etanol como combustível para automóveis. Ou seja, desse uso sistemático gerou-se uma política de usar o etanol e, assim, a produção foi aumentada. Era uma liderança frágil, porque era o único país que produzia etanol por meio de cana de açúcar. Os demais países não faziam isso. Como era estava só, o Brasil era líder dele mesmo.

E o que os outros países, como os EUA, fizeram para crescer no setor?

Como boa parte da tecnologia é aberta, a perda da liderança ocorreu de forma rápida. Os EUA focaram muito no etanol de milho. Em menos de cinco anos, dobraram a produção para 50 bilhões de litros. Hoje são quase 60 bilhões. Foi um salto extraordinário porque houve uma política de Estado dizendo que iriam colocar etanol na gasolina.

É possível o Brasil voltar à liderança mundial no setor?

Acho, pessoalmente, isso muito difícil de acontecer, mas não é impossível. Por uma razão: o volume de investimento em novas tecnologias que vem sendo realizado por países desenvolvidos é muito maior do que o do Brasil. As técnicas tradicionais de produção, seja do etanol ou do biodiesel, não têm segredo. Já novas tecnologias, principalmente a partir de celulose, podem mudar a situação no futuro. O Brasil investe nessa tecnologia, porém menos que EUA, União Europeia e China. Existe uma corrida hoje para ver quem vai estabelecer o padrão de produção de álcool a partir da celulose, mas o país está para trás. Ele terá que ampliar os investimentos caso queira retomar a liderança.

O que exatamente precisa ser feito?

É preciso que seja criada uma política para substituir o combustível fóssil, ou seja, ir retirando gradativamente a gasolina do posto e colocando mais etanol à disposição. Mas, em vez disso, o governo federal tomou claramente uma opção pela produção de petróleo. Ele continua investindo em biocombustíveis, mas não dá para comparar, já que são volumes de dinheiro bem diferentes.

Faltam políticas para o setor?

Falta uma política clara do governo federal em relação aos biocombustíveis. Elas chegam a existir, mas não são concretas como, por exemplo, determinar que, em dez anos, o Brasil terá que ter uma frota de 80% rodando com etanol. O que existe é uma política dúbia, em que o governo aposta ao mesmo tempo no petróleo e nos biocombustíveis. Não há problemas nisso, mas, a longo prazo, é criada uma sinalização confusa para os atores públicos e privados que estão envolvidos no setor.

Com o barril de petróleo mais barato, vale a pena ainda investir em biocombustíveis?

O preço do barril de petróleo, que caiu de forma muito intensa, altera completamente qualquer estudo prospectivo sobre o futuro dos biocombustíveis. Isso porque eles existem por uma pressão ambiental, por serem mais adequados ambientalmente e uma alternativa aos derivados do petróleo.
Mas a de decisão sobre investimentos não pode depender tanto do momento. Não se pode estruturar uma indústria de biocombustíveis, incluindo aí a cadeia produtiva, de transporte, distribuição e consumo, e ficar dependendo de uma oscilação do preço do petróleo.

Quais são os principais impulsos atualmente ao investimento em biocombustíveis?

A principal razão para a expansão hoje dos biocombustíveis são as regulações ambientais — como a redução da emissão de carbono — e isso coloca força na produção. Se não fosse a regulamentação ambiental em Europa, EUA e Brasil, além de outros países, de redução de emissão de carbono e substituição de combustíveis fósseis por renováveis, o futuro dos biocombustíveis estaria comprometido.

Como você vê o futuro dos biocombustíveis?

A tendência é a produção de bioetanol a partir de celulose — como fibra, palha e bagaço da própria cana –, mas ela está no início. A vantagem é que se pode extrair o etanol a partir de qualquer biomassa vegetal com celulose. E, assim, vários países têm a chance de entrar no negócio, já que, se um país não consegue produzir cana de açúcar por causa do clima, é possível produzir essa matéria-prima mais indiferenciada.

Hoje existem no mundo cerca de seis a oito plantas em escala industrial para produzir bioetanol com base em celulose, com capacidades muito baixas. As duas maiores — que têm capacidade de produzir 90 milhões de litros por ano e se localizam nos EUA — não conseguem chegar nesse teto por problemas técnicos.

Só em comparação, os EUA produzem quase 60 bilhões de litros por ano de etanol de milho. O Brasil — com a terceira maior planta e capacidade de 80 milhões de litros por ano — começou a produzir no ano passado e está fazendo ajustes para que a operação chegue ao volume de produção que é esperado.

FONTE: Deutsche Welle
Autoria: Fernando Caulyt

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O programa mostra as pesquisas com o grafeno realizadas no Brasil. O grafeno é um nanomaterial que tem como característica ser um excelente condutor de eletricidade. O fato de pesquisadores de Manchester, na Inglaterra, terem conseguido isolar esse material, abriu caminho para pesquisas que querem usar o grafeno na indústria eletrônica, mecânica e médica. O SP Pesquisa visitou centros de excelência no estudo desse nanomaterial e apresenta as maneiras de se obter o grafeno em laboratório.

FONTE: TV Univesp

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O programa mostra as pesquisas com o grafeno realizadas no Brasil. O grafeno é um nanomaterial que tem como característica ser um excelente condutor de eletricidade. O fato de pesquisadores de Manchester, na Inglaterra, terem conseguido isolar esse material abriu caminho para pesquisas que querem usar o grafeno na indústria eletrônica, mecânica e médica. O SP Pesquisa visitou centros de excelência no estudo desse nanomaterial e apresenta as maneiras de se obter o grafeno em laboratório.

FONTE: TV Univesp

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A fim de reduzir o desperdício de alimentos, o o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) quer estimular o consumo das frutas e hortaliças que podem parecer “feias” por terem se desenvolvido com pequenas deformidades ou apresentarem lesões, mas que mantêm intacto seu valor nutricional.

Para a ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) é necessário estimular espaços onde produtores possam vender seus frutos “feios” diretamente ao consumidor a preços mais baixos, evitando mandar para o lixo um produto que seria desprezado caso estivesse na prateleira de um mercado convencional.

“Queremos mostrar aos consumidores que frutas e hortaliças feias podem chegar à mesa com o mesmo sabor e a preços menores. Não estamos falando de produtos podres ou inadequados para o consumo, mas sim daqueles que não são perfeitos, mas que todos nós podemos comer normalmente”, disse a ministra.

De acordo com estudo realizado pela Embrapa em 2000, o país desperdiça em média 30% de todos os frutos e 35% de todas as hortaliças que produz anualmente. Metade dessas perdas ocorre no manuseio e no transporte dos produtos, mas há desperdício também nas centrais de abastecimento e comercialização, nos supermercados e no próprio campo.

Treinamento

O pesquisador da Embrapa Antônio Gomes Soares, responsável pelo estudo, disse que, apesar de a pesquisa ter sido concluída em 2000, pouca coisa mudou. “Em alguns lugares, a qualidade do produto é melhor, mas em termos de perda pouca coisa mudou, porque muitas vezes não se usa embalagem adequada, os frutos perdem qualidade durante o transporte ou devido ao calor excessivo”, afirmou o pesquisador.

Soares disse que é preciso melhorar o treinamento das pessoas que lidam com as frutas e hortaliças, tanto no campo quanto nos centros de distribuição. O pesquisador chamou a atenção também para a condição de transporte e armazenamento dos produtos. “No campo, observamos muitas práticas inadequadas. Não se limpa o fruto direito e os que não estão sadios são jogados na terra, o que contamina outros pés. Isso tudo reduz a qualidade do produto”, acrescentou Antônio Gomes Soares.

Empreendedorismo social em Portugal

Em Lisboa, um projeto de empreendedorismo social lançado em 2013, chamado Cooperativa Fruta Feia, expandiu-se e atualmente já conta com 480 consumidores associados. Segundo a entidade, a iniciativa já conseguiu evitar o desperdício de 81,1 toneladas de alimentos.

Os consumidores da Fruta Feita em Lisboa devem se inscrever previamente junto à cooperativa. Todos os produtos são separados em cestas de dois tamanhos diferentes. Pelo modelo adotado na cooperativa lisboeta, todos os consumidores informam previamente a quantidade que desejam levar para casa. Caso não queira comprar os produtos naquela semana, o associado deve avisar com cinco dias de antecedência, medida que visa a reduzir ao máximo o desperdício.

FONTE: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Assessoria de Comunicação Social do MAPA
Priscilla Mendes – Jornalista
Telefone: (61) 3218-2203

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O Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), foi criado com o objetivo de criar ações que beneficiem o artesão brasileiro. Entre as medidas, estão o apoio a feiras de comercialização do artesanato, cursos de capacitação e gestão. Atualmente, 105 mil profissionais do ramo fazem parte do programa. Mais informações na página do programa.

FONTE: TV NBR

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Instituições de pesquisa de diversas partes do mundo já detectaram que há uma perda sensível de polinizadores a nível mundial. Responsáveis pela transferência de pólen das anteras de uma flor masculina para o estigma de flores femininas, permitindo que aconteça a fecundação, os polinizadores (aves, morcegos, besouros, borboletas, mariposas e abelhas) atuam diretamente na polinização de 75% das variedades de cultivos para alimentação humana, já que 87,5% das espécies de angiospermas não são capazes de se autofecundar.

Nos dias 30 e 31 de março de 2015, a Embrapa e outras instituições de pesquisa participaram da reunião final do Projeto Global GEF/PNUMA/FAO “Conservação e Manejo de Polinizadores para uma Agricultura Sustentável, através da Abordagem Ecossistêmica”, coordenado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e implementado em sete países: Brasil, África do Sul, Índia, Paquistão, Nepal, Gana e Quênia. O objetivo foi compartilhar dados quantitativos sistematizados sobre as perdas populacionais de polinizadores para a elaboração de uma política pública nacional sobre polinizadores.

Durante a reunião, pesquisadores da Embrapa e de mais de 10 instituições brasileiras de pesquisa e ensino apresentaram os principais resultados do projeto. No Brasil, o destaque foram os estudos em áreas de cultivo de algodão, caju, canola, castanha-do-brasil, maçã, melão e tomate. A Embrapa realizou pesquisas com os polinizadores da castanha-do-Brasil (Márcia Maués, Embrapa Amazônia Oriental), com os polinizadores do meloeiro (Lúcia Kiill, Embrapa Semiárido) e com os polinizadores do algodão (Carmen Pires, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia).

A pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Carmen Pires traçou um panorama completo sobre o projeto Polinizadores do Algodoeiro no Brasil, pesquisando as abelhas do algodoeiro (Gossypium hirsutum — Malvaceae) em três biomas nos quais essa cultura tem grande expressão econômica e/ou social: o Cerrado, o sul da região Amazônica e a Caatinga. O projeto foi executado pela Embrapa em parceria com a Embrapa Algodão, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Brasília (UnB).

Segundo a pesquisadora, os estudos foram realizados em dois tipos de áreas agrícolas: duas fazendas de grande extensão de cultivo tradicional com alto grau de mecanização e uso intensivo de insumos agrícolas (Sinop/MT e Cristalina/GO) e duas pequenas propriedades de cultivo convencional com baixo nível tecnológico e sem aplicação de inseticidas (Mundo Novo e Campinaçu, ambas em Goiás). Também foram realizados estudos numa região de Caatinga onde o algodoeiro é cultivado juntamente com outras culturas e em sistema agroecológico (Remígio, Sumé e Prata, todas na Paraíba).

Os objetivos do projeto eram quatro: estabelecer quem eram os visitantes florais do algodoeiro cultivado em diversas regiões do Brasil, sob diferentes sistemas culturais; identificar os potenciais polinizadores dos algodoeiros em cada região; estimar o impacto da cotonicultura sobre os visitantes florais dos algodoeiros nos campos cultivados e em suas imediações e sugerir práticas alternativas para a melhor conservação desses agentes.

Uma alta riqueza de espécies de abelhas foi encontrada durante a pesquisa, que capturou um total de 10.260 indivíduos na Paraíba, 765 no Mato Grosso e 5.981 em Goiás. A espécie de abelha Apis mellifera (abelha do mel) foi a mais abundante, seguida por Trigona spinipes (irapuá), Gaesischia sp., Ptilothrix plumata e Diadasina sp.. Foram aproximadamente 100 espécies na Paraíba, 18 espécies no Mato Grosso e 44 espécies em Goiás.

Os resultados também mostraram que, tanto no plantio convencional quanto no orgânico, as abelhas aumentam a produção do algodoeiro. Embora a produção de algodão não dependa inteiramente da polinização promovida pelos insetos, a pesquisa verificou que ela pode ser aumentada quando as abelhas visitam as flores do algodoeiro.

Os estudos realizados em Sinop (MT), entre 2011 e 2012, mostraram que os plantios que ficavam próximos a matas secundárias de floresta nativa, que apresentavam maior riqueza de abelhas, tiveram maior porcentagem de fibra, mais sementes por fruto e maior produtividade comparados com plantios localizados a 2 km de distância das matas.

Os experimentos realizados no Nordeste comprovaram o que foi observado no Mato Grosso. “A produtividade foi incrementada em 27% em relação à média produzida na safra 2011/2012 com a presença de somente quatro espécies de abelhas (Appis mellifera e mais três espécies silvestres) na área. De maneira que é possível dizer que o benefício da visitação das abelhas para a produção dos algodoeiros é real”, afirma Carmen Pires.

Por esse motivo, uma das recomendações do projeto é preservação das áreas cobertas por vegetação nativa nas proximidades dos campos cultivados e a inserção, no manejo das culturas agrícolas, de práticas que favoreçam os polinizadores, como a redução do uso de defensivos agrícolas — principal causa de mortalidade de abelhas. “Nossos dados mostraram que nas áreas de algodoeiro agroecológico foram observadas aproximadamente três vezes mais espécies de abelhas visitando os algodoeiros do que nas áreas de produção convencional”, explica a pesquisadora.

Outras recomendações feitas pela pesquisa é a diversificação dos cultivos para garantir fonte de alimento (pólen e néctar) para as abelhas durante maior período do ano, além de atrair maior diversidade de espécies; e a utilização do sistema de Plantio Direto (sem revolvimento do solo) para favorecer as abelhas que constroem ninhos no solo.

A pesquisadora complementa: “Para garantir a presença das abelhas nos cultivos agrícolas, é fundamental que os agricultores minimizem os impactos ambientais, procurando mudanças progressivas que os levem a sistemas de produção mais amigáveis para o ambiente. Em longo prazo, os próprios agricultores serão os principais beneficiados por um ambiente saudável”.

Brasil é o 5º produtor mundial de algodão

A cultura do algodão está entre as dez principais do mundo, e o Brasil, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é o 5º maior produtor mundial, sendo o 1º em produtividade (não irrigado) e o 3º país exportador. A produção anual de algodão gira em torno de dois milhões de toneladas de fibra, plantados numa área de 1,1 milhão de hectares espalhada pelo Centro-Oeste, região Sul-Amazônica e Nordeste. A influência positiva das abelhas é observada tanto em grandes quanto em pequenas áreas de produção, com aumento do número de sementes, da produção por hectare e do peso dos capulhos.

FONTE: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Irene Santana – Jornalista
Telefone: (61) 3448-4768

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A importância das abelhas na polinização da Canola foi um dos temas do 8º Curso de Capacitação e Difusão de Tecnologia em Canola, que aconteceu em 26 de março de 2015, na Embrapa Trigo. O evento, promovido em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), contou com mais de 200 participantes.

A Canola possui mecanismos de autopolinização, mas a presença de insetos polinizadores pode aumentar o percentual de flores fecundadas e o rendimento de grãos da cultura. Pesquisas conduzidas pela Rede Brasileira para Polinização de Canola (parceria entre PUC/RS, Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária e Universidade de Caxias do Sul) avaliaram o impacto na presença das abelhas em lavouras de Canola do Rio Grande do Sul. O objetivo foi quantificar a importância das abelhas e outros insetos polinizadores no rendimento das lavouras.

Foram realizados estudos durante a floração da Canola em três municípios gaúchos: Esmeralda, Estrela e Guarani das Missões. A metodologia contou com três comparações: lavoura aberta (processo natural de polinização), lavoura coberta (livre de abelhas) e polinização manual flor a flor.

As avaliações identificaram mais de 38 espécies de insetos polinizadores, e verificaram que a abelha Apis mellifera é a espécie mais abundante e importante, representando em média 76% dos polinizadores nas lavouras.

De acordo com a pesquisadora Betina Blochtein, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), os resultados foram surpreendentes: a visitação livre de abelhas aumentou entre 17% (híbrido Hyola 420) a 30% (Hyola 61) a produtividade de Canola. “Isso é só lucro, o produtor não teve custos para atingir esse aumento na produção de grãos”, conta Betina.

Segundo a pesquisadora, a maior presença das abelhas aumentou o número de síliquas e o peso dos grãos de Canola. O efeito sobre o rendimento de grãos depende da densidade de polinizadores na lavoura, das condições meteorológicas durante o período de floração (abelhas não toleram frio abaixo de 15ºC) e da variedade de Canola (diferenças na duração da floração). De modo geral, o estudo indica que a polinização não só melhora o rendimento de grãos da cultura, mas também contribui para uniformidade e precocidade da formação de síliquas.

O impacto do uso de colmeias próximas a lavouras de Canola também está na geração de renda adicional através da produção do mel de Canola, com alta valorização no mercado europeu, mas ainda pouco explorado no Brasil.

Embora o uso de agrotóxicos geralmente seja menor no cultivo de Canola em comparação a outras culturas de grãos, é preciso atenção do produtor no uso dos defensivos para favorecer a presença dos insetos polinizadores, já que as abelhas são extremamente sensíveis aos resíduos de agrotóxicos.

Outro fator importante para o fortalecimento das populações de abelhas na área é a diversificação da paisagem para a conservação de ninhos e oferta de alimentos para as espécies nativas. Como as abelhas voam distâncias relativamente curtas (300 m a 3 km), torna-se necessária a manutenção de áreas semi-naturais como capões, afloramentos rochosos, madeiras secas próximas às lavouras e vegetação espontânea com flores nas margens de estradas.

Infelizmente, em algumas lavouras, nós não encontramos uma única abelha. Talvez o fator nem seja a condução da lavoura, mas a paisagem uniforme, com imensas lavouras contínuas, sem locais de refúgio para os insetos, desfavorecendo a presença de abelhas”, explica Betina Blochtein.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Omar Tomm, para que o trabalho das abelhas possa se traduzir em lucros na lavoura, é preciso seguir uma série de cuidados com o manejo da Canola: empregar inseticidas somente quando atingir o nível de dano econômico; identificar e indicar os defensivos e o manejo que sejam menos danosos aos insetos polinizadores e que apresentem o menor risco de resíduos no mel; se for imprescindível, a aplicação de defensivos deve ser realizada fora do horário de visitação de abelhas (antes das 9 e após as 17 horas); sempre que possível, as colmeias devem ser fechadas ou removidas para reduzir a exposição dos polinizadores aos agrotóxicos.

FONTE: Embrapa Trigo
Joseani M. Antunes – Jornalista
Telefone: (54) 3316-5860
E-mail: trigo.imprensa@embrapa.br

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Nem todo mundo sabe o que é “exutório” ou “isolinha”. Para traduzir estes e outros quase 500 termos da área de recursos hídricos, já está disponível para consulta o Thesaurus de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA).

O Thesaurus é recomendado pela Portaria ANA nº 149/2015 como subsídio para elaboração de documentos técnicos na instituição e também pode ser utilizado por estudantes e demais interessados na temática.

O Thesaurus conta com definições formuladas internamente para os termos, assim como conceitos utilizados por outras instituições, como: Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH); Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama); a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam); entre outras instituições.

FONTE: Agência Nacional de Águas
Assessoria de Comunicação da ANA
Raylton Alves – Jornalista

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