Consuma menos gordura, coma tantas porções de carboidratos e não passe de 2 mil calorias diárias. As clássicas recomendações dos nutricionistas estão com os dias contados. O Ministério da Saúde acaba de lançar uma cartilha que promete revolucionar a forma como o brasileiro vê a alimentação. Em vez de classificá-los simplesmente como carboidratos, proteínas e lipídeos, o novo Guia Alimentar para a População Brasileira faz uma divisão entre alimentos naturais, processados e ultraprocessados. É nisso que as pessoas devem prestar atenção na hora de escolher o que vão pôr no prato.

Nem todo alimento de peixe, por exemplo, é saudável. O fresco é. Contém boas doses de proteína, vitaminas e minerais. O atum e a sardinha em lata estão um degrau abaixo. Eles recebem da indústria altas quantidades de sal e óleo para serem conservados. Apesar de manter parte dos nutrientes, o processamento altera o alimento original: o óleo aumenta a densidade calórica do peixe e o excesso de sódio é associado a doenças do coração. O peixe empanado já é outra história. Para fazer os nuggets, a indústria usa gordura vegetal hidrogenada, corantes, realçadores de sabor, ingredientes prejudiciais à saúde. São tantas adições, que, quando o alimento é ultraprocessado, não sobra praticamente nada do original – apenas o nome, o que dá uma falsa impressão a quem consome o produto.

O mesmo raciocínio vale para leite, queijo e bebida láctea; milho verde, em conserva e cereal matinal; trigo (em farinha ou em grão), pão caseiro e pão de forma (inclusive o integral).

Para manter a saúde, a regra de ouro do guia é priorizar os alimentos naturais ou minimamente processados, como o tradicional arroz com feijão. Óleos, sal e açúcar, com moderação, temperam sem alterar a qualidade nutricional do prato. As conservas, os queijos e os pães artesanais entram em pequenas quantidades, para compor pratos baseados em alimentos frescos. Já produtos como lasanha pronta, macarrão instantâneo e embutidos devem ser evitados.

Ricos em açúcares, gorduras, com teor elevado de sódio, pouca fibra e alta densidade energética, os ultraprocessados têm uma composição nutricional desbalanceada. Estão diretamente relacionados à obesidade e a outras doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e vários tipos de câncer.

“Essa abordagem que deixa claro o quanto os produtos ultraprocessados não são saudáveis é inédita” afirma Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional (Opsan) da Universidade de Brasília (UnB).

Não bastam nutrientes

Preocupados com o avanço da obesidade, os especialistas perceberam que não bastava só orientar ingerir mais ou menos carboidratos, proteínas, gorduras. Até porque isso pode levar a um pensamento errado de que basta consumir qualquer produto que tenha os nutrientes para estar bem alimentado.

Hoje é fácil encontrar embalagens de bebidas lácteas, achocolatados e barrinhas de cereais anunciando vitaminas, minerais e fibras. Esses nutrientes, porém, não têm os mesmos efeitos do que os encontrados, por exemplo, numa maçã. É o alimento em si — com toda a sinergia dos seus compostos — que faz a diferença para a saúde, e não o nutriente isolado.

“É comprovado que os nutrientes adicionados pela indústria não reproduzem os mesmos efeitos que os de alimentos in natura. Eles podem até ser danosos — ressalta Maria Laura da Costa Louzada, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universidade de São Paulo (USP), que participou do projeto.

Os industrializados, porém, estão cada dia mais presentes na mesa nacional. Por isso, a nova classificação do guia – que não coloca mais no mesmo grupo o arroz e o cereal matinal, por exemplo – ganha importância.

O feijão ainda é o alimento preferido dos brasileiros, mas vem perdendo espaço dos anos 70 para cá. E não só ele. Pesquisas mostram que alimentos tradicionais, como arroz, carne, leite, ovos, tiveram um decréscimo intenso. Em compensação, refrigerante, salsicha, sorvetes e comida pronta congelada começaram a encher a geladeira das famílias.

Cerca de um quarto das crianças de 5 a 10 anos comem biscoitos recheados, balas e doces praticamente todo dia, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2009. O refrigerante é outra preferência nacional: 23,3% dos brasileiros tomam a bebida, ao menos, cinco vezes por semana. Por outro lado, só 26,3% comem a quantidade adequada de hortaliças e frutas.

Um dado interessante é que a compra de sal, açúcar e óleo, ingredientes básicos para cozinhar, também reduziu. Não é um bom sinal, entretanto. É um péssimo sinal. Mostra é que estamos parando de comer comida de verdade. Os ultraprocessados estão tomando o lugar dos alimentos tradicionais. E o preço não justifica a troca: no Brasil, ainda é mais barato preparar refeições em casa que consumir produtos prontos. Na Inglaterra, por exemplo, isso não acontece.

É nos países de renda baixa e média que os ultraprocessados encontram mais terreno para crescer. No Brasil, saltaram de menos de 20% nos anos 1980 para, em 2009, 28% do total das calorias ingeridas. Bem abaixo, ainda, dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Nesses países, o índice ultrapassa os 50%.

Com 70% ainda de calorias vindas de alimentos frescos, o Brasil tem uma janela de oportunidade para reverter o quadro: “Os países que têm uma cultura culinária mais forte, como Brasil e França, têm menos uso hoje de industrializados. A força da alimentação tradicional é uma das barreiras para frear essa transição” afirma Maria Laura.

Cultura à mesa

Com linguagem fácil, o novo guia, elaborado em parceria com o Nupens (USP) e com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), pretende alcançar toda a população, e não só os profissionais da saúde. O texto está disponível na internet e os 60 mil exemplares impressos vão para hospitais e escolas. Segundo o Ministério da Saúde, o próximo passo é desenvolver estratégias para divulgar o conteúdo, entre elas vídeos e cursos de autoaprendizagem.

Outra originalidade do guia é que ele valoriza a cultura culinária de todas as regiões. Fala de comida caseira, e não só de alimentos isolados. Essa novidade brasileira tem gerado repercussão internacional.

Um dos mais importantes sites americanos de notícias, o Vox, classificou o guia brasileiro como o melhor do mundo: “Eles não agrupam os alimentos em grupos. Em vez disso, focam em refeições e estimulam a cozinhar em casa”. Michael Pollan, autor de livros como Em Defesa da Comida, classificou o guia como radical. Marion Nestlé, professora da New York University, elogiou o texto por ser baseado em comida. E o jornal da Associação Mundial de Nutrição em Saúde Pública (WPHNA, na sigla em inglês) destacou, na edição de dezembro, o foco em refeições e nas dimensões sociais e culturais da alimentação.

O guia mostra que é possível ter uma alimentação saudável seguindo a tradição da cozinha brasileira. As recomendações foram baseadas no que comem no dia a dia os 20% de brasileiros que, segundo a POF 2009, mantêm hábitos alimentares tradicionais. Entre os exemplos, café com leite, tapioca, cuscuz, a dupla arroz com feijão, farinha de mandioca, angu, pernil, jiló, abóbora e até feijoada.

“Tem uma sabedoria na cultura. Tanto na comida quanto nas festas e religiões” diz Sônia Hirsch, jornalista e escritora de 19 livros sobre alimentação e saúde, como Meditando na Cozinha.

Em um dos capítulos, o guia reforça que essa sabedoria está presente também quando se combinam num prato alimentos típicos do país. Por isso, preparar uma refeição com arroz, feijão, carne e mandioca, por exemplo, é bem diferente – para a saúde, a cultura, a sociedade – do que comprar lasanha congelada.

“É importante manter uma relação verdadeira com a comida, porque o corpo é de verdade, a mente é de verdade. E comida de verdade traz benefícios inegáveis à saúde, porque ela não tem só nutrientes, tem energia também” destaca Sônia.

Onde e como são tão importantes quanto o que comer

O que muita gente ainda não se dá conta é de que o ambiente é capaz de decidir o que as pessoas vão comer. Em frente à TV, no ônibus ou na rua, as escolhas, em geral, são alimentos prontos para consumo, como biscoitos, doces, salgadinhos de pacote. Afinal, não exigem garfo nem faca e estão disponíveis em todo lugar: da farmácia ao posto de gasolina. À mesa, porém, come-se mais comida “de verdade”, como frango, macarrão e legumes. O modo de comer também é mais saudável: envolve cozinhar, colocar a mesa e, se possível, compartilhar o momento.

“O ambiente está o tempo todo colocando em risco a nossa decisão de fazer escolhas saudáveis. A importância desse aspecto é uma novidade do guia” avalia a professora Elisabetta Recine, da UnB.

Comer mais ou menos, fator-chave para o ganho de peso, também tem a ver com o ambiente. Ingere menos calorias quem come com atenção, devagar, em local tranquilo. A distração — que hoje não é só da TV: tem celular, tablet, notebook — atrapalha o cérebro a entender quando é hora de parar de comer.

“É muito difícil sentir a mesma saciedade comendo duas bolachas ou as mesmas calorias num prato de comida. O cérebro fica enganado com o volume menor e aí comemos mais” explica Maria Laura Louzada, da USP.

Quem já tentou comer só uma batatinha do pacote sabe que controlar a vontade é um desafio. Também, pudera. Açúcares, gorduras e aditivos deixam os ultraprocessados extremamente saborosos. E as embalagens são gigantes. “É maior o risco do consumo involuntário de calorias e maior, portanto, o risco de obesidade”, diz o guia.

“O problema da obesidade é muito complexo. Envolve o ato de comer, o ambiente, os padrões de consumo” diz Maria Laura.

O guia tem o objetivo também de impedir o avanço da doença no Brasil. Se a fome até pouco tempo atrás assustava o país, hoje o que preocupa é o excesso de peso.

Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram um aumento expressivo e contínuo da obesidade desde a década de 80. Os últimos dados, de 2013, indicam que metade dos adultos está acima do peso ideal e 17,5% estão obesos. Entre as crianças, 33% estão acima do peso. Com esses números, já somos o quinto lugar no ranking mundial do excesso de peso. Realidade que pesa também sobre os cofres públicos: o SUS gasta R$ 488 milhões por ano com a obesidade e doenças relacionadas, como diabetes, cardiopatias e câncer de mama.

“O resgate da qualidade alimentar é muito importante, mas estamos em um contexto que dificulta isso” diz Roberta Cassani, da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban).

A oferta de alimentos frescos pode ser um desses obstáculos para quem quer se alimentar de forma saudável. Além de onipresentes, os ultraprocessados investem pesado em propaganda. Mais de dois terços dos comerciais sobre alimentos na TV anunciam fast food, guloseimas, refrigerantes. A maioria, dirigida a crianças e adolescentes. Para o Ministério da Saúde, o poder público pode atuar com regulamentação da publicidade e taxação. O México, por exemplo, aumentou a tributação sobre refrigerantes e tem tido resultados positivos.

“É preciso dar condições para as pessoas abandonarem os ultraprocessados. Elas precisam saber que eles não fazem bem à saúde, precisam poder comprar alimentos frescos e saber cozinhar. O ambiente tem que colaborar” afirma Elisabetta.

Projetos pedem rótulos mais informativos e claros

Na embalagem, o destaque é para a laranja. Mas dentro da caixinha do néctar não é ela que impera. Pela lei, 40% apenas são suco. Os 60% restantes são água e açúcar. O rótulo até diz isso, mas nem todo mundo percebe. As letras miúdas não ajudam a dar destaque à lista de ingredientes, que traz a composição do alimento em ordem decrescente.

“A lista é a informação mais útil para o consumidor fazer escolhas saudáveis. Se você quer um cereal matinal e o primeiro ingrediente é açúcar, então ele não é uma boa opção” explica Francine Lima, criadora do canal Do Campo à Mesa, no YouTube.

No Senado Federal, projetos querem tornar essas informações mais claras e acessíveis ao consumidor. Um deles (PLS 126/2014), do ex-senador Jayme Campos, sugere o uso de recursos gráficos, como ícones, para que o consumidor saiba de imediato do que é feito o produto. Ideia semelhante já é adotada pelo Reino Unido, que usa as cores do sinal de trânsito para simbolizar a quantidade de gordura, açúcar e sódio. Se for alta, é vermelho; média, amarelo; e baixa, verde.

No Brasil, a medida está em debate pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Francine, que participa da discussão na agência, propõe que a composição dos produtos seja dividida em três listas: alimento, ingrediente culinário (açúcar, sal, gordura) e aditivo. Assim, ficaria mais fácil, afirma, identificar os ultraprocessados.

“No caso do refresco em pó, com essa separação, você veria que ele não tem alimento quase nenhum e uma lista bem grande de aditivos, além de açúcar.”

Outra proposta no Senado Federal quer justamente advertir sobre os males do açúcar. Pelo texto, de José Medeiros (PLS 8/2015), os rótulos das bebidas adoçadas (refresco, néctar, refrigerante) devem trazer textos e imagens de alerta, como nos maços de cigarro, sobre os problemas do consumo excessivo de açúcar. “A ideia é impactar, chamar a atenção para a obesidade e ajudar a conscientizar as pessoas” diz o senador.

O teor de açúcar nas bebidas prontas surpreende. Uma caixinha (200 ml) de néctar de fruta pode ter 20 g; e uma lata de refrigerante (355 ml), 37 g. Sozinhas, essas bebidas já fornecem quase o limite de açúcar diário. O máximo deve ser 50g/dia (cerca de 5 colheres de sopa), recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O açúcar está escondido também em ketchup, mostarda, molho de tomate. A grande parte do açúcar consumido no mundo vem justamente de produtos como esses, não vistos como doces. Preocupada com isso, a OMS acaba de lançar diretrizes para limitar as adições do ingrediente pela indústria. Com o mesmo objetivo, projeto de Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) quer fixar teor máximo para açúcar e gorduras nos industrializados (PLS 106/2010).

Para ajudar quem come fora de casa, o senador propõe, no PLS 489/2011, que restaurantes e lanchonetes divulguem a composição nutricional dos alimentos. Para Valadares, faltam informações para o consumidor: “Devemos focar na educação, mostrando ao consumidor que ele é que detém o poder da escolha. E, com a informação nutricional, vamos ajudá-lo a priorizar a saúde” afirma.

10 passos para uma alimentação saudável

01 – Faça dos alimentos naturais a base da alimentação

02 – Use óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades

03 – Limite o consumo de produtos processados

04 – Evite os ultraprocessados

05 – Coma com regularidade e atenção e, se possível, com companhia

06 – Faça compras em locais que ofereçam alimentos frescos, como feiras

07 – Desenvolva, exercite e partilhe habilidades culinárias

08 – Planeje o tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece

09 – Fora de casa, dê preferência a comidas feitas na hora

10 – Seja crítico quanto à publicidade de alimentos

FONTE: Agência Senado
Fernanda Vidigal – Jornalista

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Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, verificou se o desempenho das funções ecossistêmicas que determinam a qualidade da água é dependente da presença de florestas. O estudo coordenado pelo professor Silvio Frosini de Barros Ferraz, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq, analisou a bacia hidrográfica do rio Corumbataí, no interior de São Paulo. Os pesquisadores concluíram que os remanescentes florestais podem ser ferramentas poderosas para o manejo da qualidade da água de sistemas aquáticos em região de atividades agrícolas intensivas.

A sustentabilidade dos recursos hídricos passa, necessariamente, pelo componente florestal presente em cada ecossistema. “Sistemas florestais naturais são potencialmente o melhor uso do solo para a proteção dos recursos hídricos, enquanto que as práticas agrícolas tendem a alterar as características físicas, químicas e biológicas das águas”, comenta Ferraz.

O docente coordenou um projeto que analisou o papel dos remanescentes florestais nas funções ecossistêmicas de riachos de cabeceira e manutenção da qualidade da água em microbacias agrícolas. “Para que o Brasil consolide o uso de florestas, especialmente ripárias, como ferramenta de manejo ainda é necessário aprofundar o entendimento sobre as influências específicas de cada uso da terra em riachos, bem como os efeitos das florestas sobre as funções ecológicas de riachos que determinam a qualidade da água”, complementa Ferraz.

Bacia Hidrográfica

Três estudos foram conduzidos na bacia hidrográfica do rio Corumbataí, no Estado de São Paulo. No primeiro foi analisada a influência de fragmentos florestais que diferem em tamanho e estágio de sucessão sobre a qualidade da água de riachos drenando áreas de pastagem e de cana de açúcar. No segundo, foi investigada a influência direta de matas ciliares sobre as funções ecológicas de riachos, como o metabolismo aquático, visando entender como as práticas agrícolas em áreas de cana podem ser ou não atenuadas pela presença de floresta ripária.

Finalmente, foi avaliado se há sobreposição dessas florestas sobre as áreas hidrologicamente sensíveis (AHS). “Procuramos entender se o desempenho das funções ecossistêmicas que determinam a qualidade da água é dependente da presença de florestas sobre as AHS”.

O projeto foi encerrado em 2013 e mostrou que os remanescentes florestais mais densos e antigos, e que se sobrepõem quase que totalmente dentro das AHS podem ser ferramentas poderosas para o manejo da qualidade da água de sistemas aquáticos em região de atividades agrícolas intensivas, especialmente, em áreas de plantações de cana de açúcar.

“Este tipo de informação é altamente pertinente ao uso sustentável de recursos hídricos de superficiais no Brasil, dado o cenário de expansão da agricultura intensiva e da produção de energia renovável, e corroboram a hipótese da recuperação induzida de áreas ripárias como sendo AHS”.

FONTE: Agência USP de Notícias
Caio Albuquerque – Jornalista

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Em um estudo inédito realizado no nordeste do estado de São Paulo, especificamente nas cidades de Ribeirão Preto, Jaboticabal, Monte Alto e Sertãozinho, durante mais de quatro anos, a bióloga Fabiana Palmeira Fragoso coletou dados sobre a presença de insetos polinizadores, como abelhas, moscas e borboletas, nos ambientes em processo de restauração florestal. Ela lembra que essa é uma região com grande degradação ambiental, o que torna quase impossível a restauração por meio de regeneração natural e, portanto, é imprescindível o plantio de árvores.

Nessa região, as matas são formadas, principalmente, por Florestas Estacionais Semideciduais, um tipo de vegetação pertencente ao bioma da Mata Atlântica e que ocorre em regiões que possuem duas estações climáticas bem definidas, o inverno seco e o verão chuvoso. No Brasil, elas ocupam as regiões de transição entre as zonas úmidas costeiras, onde temos as florestas ombrófilas sempre verdes, e as zonas mais áridas do interior do continente. Segundo a bióloga, no nordeste do estado de São Paulo, a Floresta Estacional Semidecidual foi quase que totalmente substituída pela cana de açúcar e outras culturas, havendo hoje pouca vegetação remanescente.

Os resultados da pesquisa mostraram que, logo nos primeiros anos de plantio para recuperação de áreas degradadas dessas florestas, os insetos polinizadores retornam, e que as grandes responsáveis por esse fenômeno são, na verdade, as plantas que se regeneram espontaneamente. Em sua maioria, essas são as chamadas plantas ruderais, que são plantas que conseguem se desenvolver em ambientes fortemente perturbados pela ação humana.

“No meu estudo, foi interessante notar que, além das espécies arbóreas plantadas, existem muitas outras que chegam espontaneamente na área e que também florescem em grande quantidade. A maior parte dessas espécies são plantas herbáceas e arbustivas como Emilia ou serralhinha (Emilia fosbergii), Melão-de-são-caetano (Mormodica charantia), Serralha (Sonchus oleraceus), Corriola (Ipomea cairica), Gervão (Stachytarpheta cayennensis), Cambará (Lantana câmara), etc. Nos estágios iniciais da restauração poucas espécies das árvores plantadas atingem a maturidade e produzem flores, com isso ofertam poucos recursos aos insetos”, afirma Fabiana.

Manejo de áreas com cultivo específico

O trabalho desenvolvido por Fabiana tem implicações práticas para o manejo de áreas restauradas. Também mostra a importância de alguns destes insetos na manutenção das comunidades em processo de restauração. “Estes dados têm aplicações nos casos onde houver preocupação particular com a recuperação das interações planta?polinizador”.

A pesquisadora cita como exemplo as restaurações que visam melhorar o serviço da polinização para áreas de cultivo próximas. “Podemos usar o conhecimento gerado para manejar tanto plantas quanto polinizadores, de modo a se tentar aumentar a biodiversidade local nas florestas restauradas. Com a introdução de certas espécies de plantas, é possível atrair determinado grupo de polinizadores que sejam também eficientes na polinização de algum cultivo de interesse”, destaca Fabiana.

A bióloga lembra que a presença destes animais em qualquer ambiente é extremamente importante porque eles são responsáveis pela polinização, um processo que permite a reprodução sexual da maioria das plantas. Na ausência de polinizadores, diz, várias espécies vegetais não conseguem produzir frutos ou sementes e, consequentemente, não deixam descendentes.

“No caso específico de áreas restauradas, seu restabelecimento é essencial não somente para a perpetuação da floresta implantada, como também pode fazer dela local fonte de espécies fornecedoras de um serviço ecológico de grande valor, já que os animais polinizadores também polinizam diversas frutas e legumes que consumimos como alimento”.

Eles se tornam ainda mais importantes em ambientes como a Mata Atlântica, considerada ambiente altamente diverso, por conterem um número muito maior de espécies do que outros ecossistemas, como, por exemplo, as florestas temperadas do hemisfério norte. Segundo estudos já publicados, a Mata Atlântica abriga mais de 20 mil espécies de plantas, incluindo muitas espécies raras e endêmicas — ou seja, espécies que só ocorrem nesse ambiente. “A grande biodiversidade e as altas taxas de endemismo ocorrem não somente para as plantas, mas também com animais vertebrados e invertebrados”.

No Brasil ainda são poucos os estudos com comunidades de visitantes e polinizadores, em especial em Mata Atlântica. Segundo Fabiana, na sua revisão bibliográfica foram encontradas duas teses, uma delas na Floresta Baixa Montana Semidecídua no sul do estado de São Paulo, e a outra na Floresta Ombrófila Densa, no Paraná. “O foco dos dois estudos foi um pouco diferente do meu, já que compararam áreas restauradas com áreas regeneradas naturalmente. Ambos descobriram que, pelo menos nos estágios iniciais da restauração, o plantio de árvores não leva a diferenças nas comunidades de polinizadores quando comparado à regeneração natural”.

O estudo Restabelecimento das interações entre plantas e visitantes florais em áreas restauradas de Floresta Estacional Semidecidual foi desenvolvido na Faculdade Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), com orientação da professora Elenice Mouro Varanda e a defesa aconteceu no final de 2014.

Mais informações

Pesquisadora Fabiana Palmeira Fragoso
E-mail: fabianapfragoso@gmail.com

FONTE: Agência USP de Notícias
Rita Stella – Jornalista

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A substituição da vegetação natural das encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira pelo plantio de eucalipto aumenta o volume de chuva sobre as áreas mais altas e, consequentemente, os riscos de deslizamentos de terra nessas regiões serranas durante a estação chuvosa – entre dezembro e fevereiro.

A constatação é de uma pesquisa de doutorado realizada pela tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Viviane Regina Algarve, no âmbito do Projeto Temático Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option, apoiado pela Fapesp.

“Observamos que a mudança da vegetação natural por eucalipto nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira altera as trocas de energia entre a superfície e a atmosfera, modificando o padrão de circulação de vento que ocorre entre o vale e a montanha e, em razão disto, o transporte de calor e umidade para o topo das serras”, disse Regina Célia dos Santos Alvalá, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e orientadora do estudo, à Agência Fapesp.

“O aumento da convergência de umidade sobre os topos das montanhas facilita a formação e alimentação de nuvens, nevoeiros e tempestades”, explicou.

De acordo com dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas, há mais de 6 milhões de hectares de florestas de eucalipto dos gêneros Pinnus e Eucalyptus no Brasil, em regiões com diferentes topografias e padrões de chuva.

Em São Paulo, as plantações de eucalipto estão concentradas em cidades situadas próximas das Serras do Mar e da Mantiqueira, à exceção de Ribeirão Preto.

Com o aumento da demanda por celulose e madeira, as plantações de eucalipto têm sido expandidas para encostas íngremes em municípios próximos a essas duas regiões serranas do estado.

Em razão dessa e de outras mudanças no uso e cobertura da terra — como a conversão para área de pastagem –, que têm ocorrido nas últimas décadas nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira, está aumentando o volume de chuvas sobre as áreas mais altas dessas regiões serranas, o que pode resultar em riscos de deslizamentos, apontam os autores do estudo.

“Como o eucalipto é uma vegetação de porte alto, absorve muita radiação e, com isso, altera os balanços de energia e de água entre a superfície e a atmosfera. Isso acaba culminando em um aumento do volume de chuvas”, disse Alvalá.

Os pesquisadores analisaram séries históricas de dados de chuvas, referentes ao período de 1961 a 1990, de 25 estações meteorológicas distribuídas por municípios localizados próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.

“Observamos que, embora as alterações mais significativas no volume de chuvas tenham ocorrido sobre as áreas mais elevadas das Serras do Mar e da Mantiqueira, também houve um aumento do número de episódios de chuvas em algumas áreas na região do Vale do Paraíba”, afirmou Alvalá.

Projeções

A fim de avaliar os impactos da conversão de áreas de floresta para plantio de eucalipto ou para pastagem no regime de chuva das Serras do Mar e da Mantiqueira, os pesquisadores fizeram projeções usando o modelo climático regional ETA-CPTEC, com resolução espacial de 10 quilômetros, desenvolvido pelo Inpe.

As projeções indicaram que tanto a troca da vegetação natural por plantio de eucalipto como para área de pastagem levam ao aumento no volume diário de chuvas durante o verão, principalmente sobre as áreas mais elevadas das regiões serranas.

“A análise dos dados observacionais do período entre 1941 e 2012 e as simulações com o modelo meteorológico ETA para o período entre 1981 e 1990 indicam que as mudanças no uso e cobertura da terra observadas nas Serras do Mar e da Mantiqueira causaram o aumento no volume de chuvas em algumas áreas dessas regiões serranas”, avaliou Alvalá.

“Esse tipo de diagnóstico da evolução da mudança de uso da terra e suas implicações climáticas são essenciais para orientar tomadores de decisão de órgãos governamentais e da Defesa Civil na identificação de áreas de risco”, afirmou.

Em outro estudo, publicado no International Journal of Geo-Information, os pesquisadores avaliaram a suscetibilidade ao deslizamento de terra em áreas ocupadas por plantações de eucalipto em diferentes fases de desenvolvimento, ou convertidas em áreas de pastagem, em 16 municípios próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.

Os resultados do estudo indicaram que as áreas convertidas para pastagem apresentam os maiores níveis de suscetibilidade, seguidas pelas que receberam novas plantações de eucalipto e as ocupadas por moradias.

“Há uma preocupação sobre a área crescente de plantações de eucalipto em encostas íngremes no Estado de São Paulo uma vez que não há estudos específicos sobre o impacto do reflorestamento em processos de movimento de massa”, ressaltam os autores do estudo.

De acordo com os pesquisadores, o eucalipto tem diferentes fases de desenvolvimento, que podem contribuir em maior ou menor escala para a ocorrência de deslizamentos de terra.

No estágio inicial de desenvolvimento — que dura entre dois e três anos –, as árvores de eucalipto possuem uma grande quantidade de folhas, que bloqueiam a exposição do solo à luz solar, tornando-o mais úmido e vulnerável a deslizamentos.

Já na fase adulta, diminui a quantidade de folhas das árvores de eucalipto, permitindo que a luz solar atinja e reduza a vulnerabilidade do solo.

Durante a fase da colheita do eucalipto, contudo, o solo fica completamente exposto à chuva e aumenta sua taxa de erosão, o que pode deflagrar deslizamentos de terra, apontam os autores do estudo.

“A taxa de erosão de uma área de colheita de eucalipto pode ser até quatro vezes maior do que a de uma região com vegetação preservada”, destacam.

FONTE: Agência Fapesp
Elton Alisson – Jornalista

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) abre 242 vagas em cargos de níveis médio e superior para concurso público. Desse total, 17 são reservadas para pessoas com deficiência e 45 para cotistas. O edital foi divulgado no dia 6 de abril de 2015 no Diário Oficial da União (DOU).

As vagas são em unidades do Inmet em Brasília, Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Goiânia, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Manaus. Os salários variam entre R$ 3.045,83 e R$ 11.993,69, e as oportunidades são para carreiras em pesquisa científica, tecnologia, gestão, planejamento e infraestrutura em ciência e tecnologia.

Podem concorrer às vagas de ensino superior os profissionais das seguintes áreas: meteorologia, estatística, hidrologia, ciência da computação, agronomia, analistas em ciência e tecnologia nas áreas de meteorologia, estatística, jornalismo, publicidade, advocacia, administração, contabilidade e economia.

Para as vagas de nível médio, o concurso selecionará assistente em ciência e tecnologia nas especialidades de auxiliar de meteorologia, assistente TI, técnico em contabilidade e técnico administrativo, e técnico nas especialidades de meteorologia, informática, laboratório, eletrônica e operacional.

As inscrições estão abertas até 23 de abril, exclusivamente pelo site www.consulplan.net. A taxa para efetuar a prova é de R$ 45,00 (nível superior) e R$ 22,50 (nível médio).

FONTE: Revista Globo Rural

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Enquanto membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT) reúnem-se em frente ao Congresso Nacional para protestar contra o projeto de lei que regulamenta a terceirização, atos em várias capitais brasileiras ocorreram ontem (07/04/15). Os diretórios estaduais da CUT programaram atos públicos na tarde de ontem em Belo Horizonte, Belém, Curitiba, Recife, Florianópolis e Aracaju. As manifestações incluem entrega de panfletos, atividades culturais e discursos contra o projeto, que estende a liberação das terceirizações das atividade-meio para as atividades-fim das empresas.

“Isso significa a precarização do trabalho. Nós sabemos que os trabalhadores terceirizados recebem 25% a menos do que os diretos e trabalham três horas semanais a mais. Com o PL, a gente não sabe, no momento das indenizações, quem é que vai pagar. Se o contratante ou a contratada. Vai acabar com a igualdade de direitos e condições de trabalho”, disse o presidente da CUT-Bahia, Cedro Silva, em ato ocorrido esta manhã, em Salvador.

Cerca de 300 pessoas, de acordo com os organizadores, participaram do ato na capital baiana. Por volta das 5 horas de ontem, sindicalistas panfletaram no Aeroporto Internacional de Salvador. Depois, às 9 horas, foram para a porta da Federação das Indústrias do Estado da Bahia ( Fieb) dar continuidade ao ato. Em seguida, caminharam pelas ruas do bairro Costa Azul distribuindo informativos explicando os motivos pelos quais são contra o projeto, que já tramita há cerca de dez anos no Congresso.

Em São Paulo, cerca de 200 pessoas, segundo a Polícia Militar (PM), caminharam da Secretaria Estadual de Saúde em direção à Praça da República, no centro da cidade. O ato terminou por volta das 14 horas, no chamado Dia Nacional de Luta em Defesa dos Trabalhadores.

PL 4330/2004: entenda o que diz o projeto sobre terceirização de trabalhadores

O PL 4330/2004 tem alguns pontos polêmicos como, por exemplo, o artigo que permite a terceirização em qualquer tipo de atividade em empresas privadas, públicas e de economia mista.

O ponto prevê a contratação de funcionários terceirizados em atividades meio (serviço necessário, mas que não é a atividade principal da empresa) e atividades fim (atividade principal da empresa). Atualmente, a terceirização é permitida apenas para atividades meio.

Os críticos à proposta (que foi feita pelo deputado Sandro Mabel em 2004) apontam que direitos dos trabalhadores podem ser feridos se houver aprovação deste ponto. Quando alguém é contratado para prestar um serviço não está coberto pela CLT.

A CUT, por exemplo, destaca que “se o PL for votado como está, a precarização nas relações de trabalho será indiscriminada no Brasil, prejudicando milhões de trabalhadores e trabalhadoras e abrindo caminho para que outros tantos sejam prejudicados”.

Outro ponto que tem gerado divergência é o que deixa a cargo da empresa terceirizada as responsabilidades sobre problemas trabalhistas. Esse ponto pode eximir empresas contratantes (e teoricamente com mais estrutura) de eventuais problemas com os trabalhadores.

Quem defende a lei diz que a aprovação deve aumentar a formalização de empregados. A alegação é de que há muitos terceirizados que estão na informalidade. A Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), representada por Paulo Skaf, aponta que cerca 700 mil postos de trabalho seriam gerados com a aprovação do projeto.

A formalização também é uma preocupação do ministro da Fazenda Joaquim Levy. Durante conversa com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, Levy pediu que o projeto ajude no aumento da arrecadação de FGTS.

Confira o texto do projeto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

FONTE: Agência Brasil
Marcelo Brandão e Edgard Matsuki – Repórter
Fábio Massalli – Edição

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As emissoras de televisão começam a veicular hoje (08/04/15) as campanhas obrigatórias sobre o calendário para o fim das transmissões analógicas em canal aberto. O teste será iniciado em novembro deste ano, no município de Rio Verde (GO), mas as datas de desligamentos começam em abril do ano que vem, no Distrito Federal e em mais 11 cidades do entorno da capital, onde os comerciais serão veiculados na programação local.

Com o desligamento da TV analógica, a programação aberta ficará disponível apenas em formato digital, o que vai melhorar a qualidade de som e imagem da programação. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estipulou o prazo até novembro de 2018 para que todos os municípios do Brasil tenham a transmissão digital. Pelo cronograma previsto, em 2015 também começam as transmissões exclusivamente digitais nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e do Rio de Janeiro. O desligamento do sinal analógico deve atingir 30 milhões de famílias.

Quem já tem um aparelho de televisão digital deve instalar a antena para receber o sinal digitalizado. Mas quem tem modelos de televião mais antigos deve instalar a antena e um aparelho conversor, que pode custar menos de R$ 100, segundo a Anatel.

“A palavra de ordem é incluir todos os brasileiros nessa nova televisão digital, com melhor qualidade de som e imagem. Para isso, a gente já tem trabalhado com a indústria e com o varejo para que haja promoções e disponibilidade de equipamentos, para que toda a população possa ser atendida com a compra de equipamentos e antenas e a capacidade necessária para assistir a televisão digital, no Brasil”, disse o conselheiro da Anatel, Rodrigo Zerbone.

Com a transição para a TV digital, a faixa de radiofrequência ocupada pela TV analógica será liberada e utilizada por empresas de telecomunicações para a prestação de serviços móveis de quarta geração (4G). As operadoras de telefonia que venceram o leilão deverão distribuir aparelhos e antenas para todas as famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. As companhias devem investir R$ 3,6 bilhões no pagamento de custos para essa transição.

O desligamento do sinal analógico será feito a partir do momento em que o sinal digital esteja disponibilizado a, no mínimo, 93% dos domicílios da região. A população de cada localidade será informada do desligamento um ano antes que ele ocorra, com inserções diárias na programação televisiva. É o que começa a ocorrer hoje no Distrito Federal e na cidade goiana de Rio Verde: a letra A vai aparecer no alto da tela da TV para indicar que o canal ainda é analógico. Uma tarja com informações como a data do desligamento e as formas de tirar dúvidas sobre o fim das transmissões analógicas também será veiculada.

Quem usa antena parabólica ou é assinante de TV a cabo não terá que passar por nenhuma adaptação. Os detalhes das mudanças, como fazer a adaptação e o cronograma de desligamento de todo o Brasil estão disponíveis no site www.vocenatvdigital.com.br ou no telefone 147.

FONTE: Agência Brasil
Sayonara Moreno – Repórter
Marcos Chagas – Edição

Colaborou Sabrina Craide

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Jerome Michaud-Lariviere estava sentado num jardim num dia aparentemente sem vento, quando, de repente, uma ideia lhe ocorreu. Apesar da quietude ao seu redor, ele percebeu que as folhas das árvores se moviam, e logo pensou: “Há energia ali, por que não aproveitá-la?”

Daí surgiu a chamada árvore eólica. A empresa de Michaud-Lariviere, a NewWind (“Novos Ventos”, em tradução livre) já construiu dois protótipos utilizando princípios da biometria, ou seja, imitando a natureza para solucionar problemas.

No pequeno escritório da NewWind em Paris, a gerente de estudos aerodinâmicos Julia Revuz mostra um cone verde de 70 centímetros de altura, a chamada “aerofolha”. Trata-se de uma turbina eólica do tipo Savonius, inventada pelo finlandês Sigurd Johannes Savonius em 1922.

Numa árvore eólica de design italiano, o tronco e os galhos são feitos de metal prateado e há 72 “aerofolhas”. O tamanho dessas miniturbinas e o fato delas girarem em torno de seu próprio eixo proporcionam duas vantagens fundamentais em relação aos modelos convencionais: elas são silenciosas e possuem um tempo rápido de reação. “Quando a velocidade do vento varia, a turbina eólica consegue se adaptar”, diz Revuz.

Energia eólica nas cidades

A França tem cerca de 2 mil usinas eólicas e planeja construir outras 8 mil, tanto no interior do país quanto offshore (em alto mar). Entretanto, algumas cidades já demonstram interesse nas árvores eólicas como forma de gerar energia para os centros urbanos.

Anne Ged é diretora da Agência do Clima de Paris, que planeja dobrar a parcela da energia renovável na matriz energética da capital francesa, chegando a 25% até 2020.

Ela vê as árvores eólicas de maneira positiva, afirmando que elas poderão servir como uma espécie de vitrine para a energia renovável. “Precisamos de artefatos atraentes nos espaços públicos para aumentar a conscientização sobre energia renovável”, diz.

A NewWind estima que uma árvore eólica deverá custar cerca de 25 mil euros (cerca de 84.850 reais). Cada uma produziria energia suficiente para abastecer o equivalente a 15 postes de luz ou uma estação de abastecimento de carros elétricos ou ainda uma pequena residência, excluindo-se o aquecimento.

A empresa diz que as árvores eólicas irão produzir eletricidade ao preço de 32 centavos de euro por quilowatt, que considera “competitivo”. Mas mesmo que saia a um preço mais alto do que a média do mercado, Ged diz valeria a pena investir nas árvores eólicas em cidades como Paris, Londres ou Berlim, que já manifestaram interesse pelo artefato.

“Quando falamos em inovação, não faz sentido pensar em retorno a curto prazo”, diz. “Mas essa inovação poderá resultar em outras ideias que podem beneficiar outras tecnologias ou processos, levando a um modelo comercial mais eficiente.”

“Meia verdade”

Alexandre Gady, presidente da Sociedade para a Proteção de Paisagens e Estética na França, se opõe ao que descreve como a natureza deformadora das usinas eólicas. Ele diz que esse tipo de energia floresceu porque as pessoas a veem como uma alternativa limpa às fontes de energia convencionais. Entretanto, ele insiste que isso é apenas uma meia verdade, porque a natureza intermitente dessa fonte de energia significa que sempre haverá a necessidade de combustíveis fósseis ou da energia nuclear como reserva.

Apesar disso, Gady vê as inovadoras estruturas arbóreas como um avanço em termos de usinas eólicas. “A escala é bem menor e mais sedutora” quando comparada à das usinas convencionais, “cujas turbinas medem até 150 metros da base até o topo da lâmina”, observa.

Ele também aprecia o componente artístico da árvore eólica, que, em sua opinião, é uma tentativa de construir algo que possa se encaixar na paisagem. As árvores poderão contribuir para aumentar a aceitação da energia eólica na França, que, segundo Gady, lida com mais processos legais visando o deslocamento ou o desmantelamento das usinas eólicas do que qualquer outro país do mundo.

Um protótipo da árvore eólica será instalado em Paris antes da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada na cidade em dezembro de 2015. A esperança é que o modelo dissemine a ideia inovadora pelo mundo.

FONTE: Deutsche Welle
Autoria: John Laurenson

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O Google acabou de apresentar uma nova forma de computadores com Chrome OS – um dongle que se conecta a qualquer aparelho com entrada HDMI. Ele se chama Chromebit e não é só mais um dos vários USB de streaming: ele é um computador completo que liga diretamente na sua TV por menos de US$ 100.

E como isso é possível? Bem, não é exatamente uma ideia nova. A Intel recentemente anunciou o Intel Compute Stick, um dongle HDMI de US$ 150 que faz a mesma coisa com o Windows 8.1. E companhias chinesas vendem há mais de um ano dongles HDMI com o processador Rockchip RK3288 que roda Android. E agora que o Google lançou Chromebooks com o mesmo processador Rockchip, nada mais lógico que lançar um dongle também.

Mas isso faz desde novo Chromebit da Asus menos impressionante? Nem um pouco. Ele é portátil, fofo, vem em três cores atrativas e tem um suporte giratório na base, deixando bem mais fácil de conectar o cabo HDMI. (Se você quer saber, acho que todos os dongles deveriam vir com um desse).

Além do processador Rockchip RK2388 (com gráficos quad-core Mali 760), ele vem também com 2GB de RAM, 16GB de armazenamento, WiFI 2×2 dual-band 802.11ac, Bluetooth 4.0 e uma única entrada USB 2.0 na outra ponta. Não é o PC mais poderoso que você poderia conectar a sua TV, mas não é ruim para a experiência no sistema operacional baseada em um navegador. O Google também espera fazer sucesso em pequenos negócios e países do terceiro mundo graças ao preço e fácil manuseio do Chromebit.

Ele estará disponível no meio de 2015 e não será o único Chromebit. Ceasar Sengupta, vice presidente de gerenciamento de produtos, nos conta que ele espera que outras companhias também construam os próprios dongle-PC. Ah, e não espere que o Chromecast suma. O Google diz que o USB de streaming é um produto separado que supre necessidades diferentes.

FONTE: Gizmodo
Sean Hollister

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Sucesso em 2014, os cursos à distância da Università del Caffè Brazil (UDC) estão novamente com inscrições abertas, via Internet, durante 2015, sem limite de vagas. A partir da confirmação da inscrição, os alunos terão dois meses para realizar as atividades propostas, todas em ambiente online.

Destinados a produtores, gestores de fazendas, engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas da área de café, profissionais e estudantes interessados, os cursos são:

– Gestão de Agronegócios (Prof. Dr. Samuel Giordano)

– Tecnologia para o Preparo do Café de Qualidade (Dr. Aldir Teixeira)

– Adequação Ambiental na Cafeicultura (Profa. Me. Lina Maria Inglez de Sousa)

– Manejo de Águas Residuárias do Café (Eng. Cesar Candiano)

– Manejo Integrado de Pragas do Cafeeiro (Prof. Dr. Pedro Yamamoto)

Há descontos, na taxa de inscrição, para cafeicultores fornecedores da illycaffè e grupos acima de 10 pessoas. O investimento total do curso é R$ 200.

Para inscrições e mais informações, acesse http://universidadedocafe.com.

Outros contatos: dilmass@fia.com.bre e (11) 3818-4005.

A UDC resulta de uma parceria da illycaffè com o Centro de Conhecimentos em Agronegócios (Pensa), programa de pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Instituto de Administração (FIA).

FONTE: ADS Comunicação Corporativa
Aline Lima – Jornalista
Telefone: (11) 5090-3035

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