O Fala Carlão esteve em São Paulo com executivos da Semex, e o papo foi sobre o futuro promissor do nelore na América Latina e sobre os excelentes resultados da Semex em 2018. Ainda na capital paulista, Carlão conversou com Luis Fernando Tamassia sobre o novo cargo de liderança global que passa a ocupar na DSM e sobre a missão de levar para o mundo o melhor da pecuária nacional e trazer para o Brasil as novidades e o melhor da experiência mundial no setor. A equipe seguiu para Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde Carlão conversou com o empresário e pecuarista Duda Biagi sobre as expectativas positivas de recuperação do mercado de carne. E na sede da Publique, em Porangaba, Carlão recebeu executivos da SBC. A prosa foi sobre o investimento em novos protocolos e a perspectiva de alcançar novos mercados. Confira!

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Gostosas, nutritivas e feitas sob medida para o mercado de alimentos saudáveis e funcionais, que cresce a passos largos no mundo – 12,3% ao ano, em média, de acordo com dados da agência Euromonitor International – as nozes, castanhas e frutas secas ainda não têm o mercado que merecem no Brasil. Enquanto o volume de exportações do Chile, por exemplo, cresceu seis vezes em 10 anos (2007-2017), o do Brasil ficou estagnado em aproximadamente US$ 200 milhões. Para discutir os principais gargalos desse setor no País e buscar soluções inovadoras para ampliar o mercado interno e externo, o presidente da recém-criada Associação Brasileira de Nozes e Castanhas e Frutas Secas (ABNC), José Eduardo Camargo, visitou no dia 14 de fevereiro a sede da Embrapa em Brasília, acompanhado do presidente da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), Eduardo Weisberg.

Segundo Camargo, que também é diretor da Divisão de Nozes e Castanhas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Associação foi criada em 2017 para unir forças em prol do desenvolvimento dessas cadeias produtivas de forma sustentável e competitiva no Brasil, com foco no aumento da produção, comercialização e consumo, além da geração de renda e crescimento das agroindústrias.

Ele explica que das oito nozes e castanhas mais consumidas no mundo (avelã, amêndoa, amendoim, pecã, pistache, macadâmia, castanhas e nozes), quatro são produzidas no Brasil: a de caju, do Brasil (também conhecida como do Pará), macadâmia e noz pecã. Mais recentemente, o baru, que é uma castanha originária do bioma Cerrado, vem ganhando espaço no mercado interno, mas ainda não é reconhecida no exterior. No mundo, esse mercado movimenta cerca de US$ 35 bilhões e cresce cerca de 6% ao ano. “Na Califórnia, por exemplo, a produção de amêndoas, pistache e nozes ocupa uma área superior a 560 mil hectares e gera benefícios financeiros da ordem de US$ 10 bilhões”, enfatiza.

O Brasil ainda está muito longe disso, como explica o presidente da ABNC, mas há muito potencial de crescimento. Segundo ele, o Brasil já foi o maior produtor mundial de castanha do Pará, com 23% do cultivo mundial. Hoje está em oitavo lugar nesse ranking.

De olho no mercado orgânico

Camargo destaca que as castanhas e nozes merecem um espaço mais solene no cenário agrícola brasileiro. Além de fontes comprovadas de gordura boa, todos os anos novas pesquisas comprovam mais benefícios desses produtos, como redução do colesterol e de triglicerídeos no sangue, entre outros.

Por isso, desde que foi criada, a ABNC tem como objetivo estreitar o contato com parceiros nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e fomento no País. “Já estivemos no BNDES, MAPA e chegamos à Embrapa, que é uma referência no crescimento e consolidação do agronegócio brasileiro”, ressalta Camargo.

Eles foram recebidos pelo secretário de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Bruno Brasil, e pelo assessor da Diretoria Executiva, Ruy Fontes, e destacaram como principal expectativa em relação à Empresa o desenvolvimento de soluções biológicas e sustentáveis para o controle de pragas e doenças dessas oleaginosas. “Precisamos entrar com força no mercado de produtos orgânicos, mas ainda somos muito dependentes de defensivos químicos no Brasil”, ressaltou Camargo, lembrando que o desenvolvimento de variedades com tolerância à seca também está na mira da ABNC.

Ele ressalta ainda a necessidade de mais pesquisadores dedicados aos estudos com essas oleaginosas.

Macadâmia: produção é mais fácil do que parece

Outro objetivo da instituição é aumentar a produção de macadâmia no Brasil. O País possui hoje 6.500 hectares cultivados com esse produto. São Paulo é o maior produtor, com 2.200 hectares, seguido de Espírito Santo e Rio de Janeiro.

“Aonde dá café, dá macadâmia”, comenta Camargo, lembrando que a produção dessa noz é muito satisfatória só que os resultados financeiros são obtidos a longo prazo. “Não há outro produto com a rentabilidade da macadâmia”, afirma o presidente da Associação, que também é proprietário da QueenNut, de Dois Córregos, em São Paulo.

A produtividade média é de 4 a 5 toneladas por hectare, mas trata-se de um investimento a longo prazo, uma vez que a produção começa entre quatro a cinco anos após o plantio e a árvore chega à idade adulta e de maior produção a partir de 12 anos. “Em São Paulo, por exemplo, com a proibição da queima da cana-de-açúcar a produção de macadâmia passou a ser uma alternativa para quem tem áreas em que não é possível colher cana com máquinas”, pontua.

Objetivo é aliar pesquisa e produção

O objetivo dos representantes da ABNC é estreitar a cooperação técnica com a Embrapa em prol do mercado de nozes e castanhas no Brasil. Segundo Weisberg, já há algumas ações em parceria com as unidades de Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ), Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE). Essas iniciativas estão voltadas, principalmente, às cadeias produtivas de sorvete e cosmético. “Um dos estudos pretende desenvolver sorvetes enriquecidos com ferro e cálcio para atletas, idosos e crianças”, explica o presidente da ABIS.

Outra ideia é desenvolver produtos diferenciados para o mercado de acordo com as peculiaridades dos biomas brasileiros.

Bruno Brasil apresentou a estrutura da Embrapa, que hoje conta com 9733 empregados, sendo 2425 pesquisadores, distribuídos nas 42 unidades de pesquisa da Empresa em todas as regiões brasileiras.

Segundo ele, entre os anos de 2008 a 2019, 51 projetos de pesquisa da Embrapa envolvendo estudos com nozes e castanhas foram executados ouainda estão em execução, abrangendo aproximadamente R$ 15 milhões e sete unidades do sudeste, nordeste e centro-oeste. Entre as principais culturas-alvo, destacam-se a castanha de caju (49%) e a do Pará/Brasil (41%).

Inovação aberta é o caminho

O secretário explicou aos representantes da ABNC as mudanças estruturais iniciadas na Embrapa há cerca de um ano com o objetivo de mudar o foco de atuação da Empresa de produção para inovação. De acordo com ele, a inovação aberta – modelo no qual pesquisa e setor produtivo constroem juntos os projetos é o caminho para estreitar a parceria com o setor produtivo de nozes e castanhas, entre outros.

A partir de março de 2019, parte do orçamento de pesquisa da Empresa será dedicado exclusivamente a parcerias com o setor produtivo, de forma descentralizada, ágil e em fluxo contínuo sem necessidade de editais. Até 2022, a expectativa é que esse número chegue a 50%.

Segundo Brasil, a expectativa é facilitar a formação de parcerias com as unidades de pesquisa da Embrapa. “Com essas mudanças estruturais, os representantes do setor produtivo não precisarão mais procurar a sede da Empresa ou esperar por editais para discutir ações integradas. Todas as unidades estarão aptas a fazer isso de forma ágil e flexível”, enfatizou.

O secretário explicou ainda que a contrapartida das empresas depende do porte de cada parceiro, podendo variar de um terço (33%) do projeto até zero, no caso de inovação social direcionada a pequenos agricultores.

O novo modelo de atuação despertou bastante o interesse dos representantes da Associação, que ficaram de enviar ao secretário de P&D as demandas por escrito para embasar a formação de futuras parcerias entre as instituições.

Gostosas, nutritivas e feitas sob medida para o mercado de alimentos saudáveis e funcionais, que cresce a passos largos no mundo – 12,3% ao ano, em média, de acordo com dados da agência Euromonitor International – as nozes, castanhas e frutas secas ainda não têm o mercado que merecem no Brasil. Enquanto o volume de exportações do Chile, por exemplo, cresceu seis vezes em 10 anos (2007-2017), o do Brasil ficou estagnado em aproximadamente US$ 200 milhões. Para discutir os principais gargalos desse setor no País e buscar soluções inovadoras para ampliar o mercado interno e externo, o presidente da recém-criada Associação Brasileira de Nozes e Castanhas e Frutas Secas (ABNC), José Eduardo Camargo, visitou no dia 14 de fevereiro a sede da Embrapa em Brasília, acompanhado do presidente da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), Eduardo Weisberg.

Segundo Camargo, que também é diretor da Divisão de Nozes e Castanhas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Associação foi criada em 2017 para unir forças em prol do desenvolvimento dessas cadeias produtivas de forma sustentável e competitiva no Brasil, com foco no aumento da produção, comercialização e consumo, além da geração de renda e crescimento das agroindústrias.

Ele explica que das oito nozes e castanhas mais consumidas no mundo (avelã, amêndoa, amendoim, pecã, pistache, macadâmia, castanhas e nozes), quatro são produzidas no Brasil: a de caju, do Brasil (também conhecida como do Pará), macadâmia e noz pecã. Mais recentemente, o baru, que é uma castanha originária do bioma Cerrado, vem ganhando espaço no mercado interno, mas ainda não é reconhecida no exterior. No mundo, esse mercado movimenta cerca de US$ 35 bilhões e cresce cerca de 6% ao ano. “Na Califórnia, por exemplo, a produção de amêndoas, pistache e nozes ocupa uma área superior a 560 mil hectares e gera benefícios financeiros da ordem de US$ 10 bilhões”, enfatiza.

O Brasil ainda está muito longe disso, como explica o presidente da ABNC, mas há muito potencial de crescimento. Segundo ele, o Brasil já foi o maior produtor mundial de castanha do Pará, com 23% do cultivo mundial. Hoje está em oitavo lugar nesse ranking.

De olho no mercado orgânico

Camargo destaca que as castanhas e nozes merecem um espaço mais solene no cenário agrícola brasileiro. Além de fontes comprovadas de gordura boa, todos os anos novas pesquisas comprovam mais benefícios desses produtos, como redução do colesterol e de triglicerídeos no sangue, entre outros.

Por isso, desde que foi criada, a ABNC tem como objetivo estreitar o contato com parceiros nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e fomento no País. “Já estivemos no BNDES, MAPA e chegamos à Embrapa, que é uma referência no crescimento e consolidação do agronegócio brasileiro”, ressalta Camargo.

Eles foram recebidos pelo secretário de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Bruno Brasil, e pelo assessor da Diretoria Executiva, Ruy Fontes, e destacaram como principal expectativa em relação à Empresa o desenvolvimento de soluções biológicas e sustentáveis para o controle de pragas e doenças dessas oleaginosas. “Precisamos entrar com força no mercado de produtos orgânicos, mas ainda somos muito dependentes de defensivos químicos no Brasil”, ressaltou Camargo, lembrando que o desenvolvimento de variedades com tolerância à seca também está na mira da ABNC.

Ele ressalta ainda a necessidade de mais pesquisadores dedicados aos estudos com essas oleaginosas.

Macadâmia: produção é mais fácil do que parece

Outro objetivo da instituição é aumentar a produção de macadâmia no Brasil. O País possui hoje 6.500 hectares cultivados com esse produto. São Paulo é o maior produtor, com 2.200 hectares, seguido de Espírito Santo e Rio de Janeiro.

“Aonde dá café, dá macadâmia”, comenta Camargo, lembrando que a produção dessa noz é muito satisfatória só que os resultados financeiros são obtidos a longo prazo. “Não há outro produto com a rentabilidade da macadâmia”, afirma o presidente da Associação, que também é proprietário da QueenNut, de Dois Córregos, em São Paulo.

A produtividade média é de 4 a 5 toneladas por hectare, mas trata-se de um investimento a longo prazo, uma vez que a produção começa entre quatro a cinco anos após o plantio e a árvore chega à idade adulta e de maior produção a partir de 12 anos. “Em São Paulo, por exemplo, com a proibição da queima da cana-de-açúcar a produção de macadâmia passou a ser uma alternativa para quem tem áreas em que não é possível colher cana com máquinas”, pontua.

Objetivo é aliar pesquisa e produção

O objetivo dos representantes da ABNC é estreitar a cooperação técnica com a Embrapa em prol do mercado de nozes e castanhas no Brasil. Segundo Weisberg, já há algumas ações em parceria com as unidades de Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ), Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE). Essas iniciativas estão voltadas, principalmente, às cadeias produtivas de sorvete e cosmético. “Um dos estudos pretende desenvolver sorvetes enriquecidos com ferro e cálcio para atletas, idosos e crianças”, explica o presidente da ABIS.

Outra ideia é desenvolver produtos diferenciados para o mercado de acordo com as peculiaridades dos biomas brasileiros.

Bruno Brasil apresentou a estrutura da Embrapa, que hoje conta com 9733 empregados, sendo 2425 pesquisadores, distribuídos nas 42 unidades de pesquisa da Empresa em todas as regiões brasileiras.

Segundo ele, entre os anos de 2008 a 2019, 51 projetos de pesquisa da Embrapa envolvendo estudos com nozes e castanhas foram executados ouainda estão em execução, abrangendo aproximadamente R$ 15 milhões e sete unidades do sudeste, nordeste e centro-oeste. Entre as principais culturas-alvo, destacam-se a castanha de caju (49%) e a do Pará/Brasil (41%).

Inovação aberta é o caminho

O secretário explicou aos representantes da ABNC as mudanças estruturais iniciadas na Embrapa há cerca de um ano com o objetivo de mudar o foco de atuação da Empresa de produção para inovação. De acordo com ele, a inovação aberta – modelo no qual pesquisa e setor produtivo constroem juntos os projetos é o caminho para estreitar a parceria com o setor produtivo de nozes e castanhas, entre outros.

A partir de março de 2019, parte do orçamento de pesquisa da Empresa será dedicado exclusivamente a parcerias com o setor produtivo, de forma descentralizada, ágil e em fluxo contínuo sem necessidade de editais. Até 2022, a expectativa é que esse número chegue a 50%.

Segundo Brasil, a expectativa é facilitar a formação de parcerias com as unidades de pesquisa da Embrapa. “Com essas mudanças estruturais, os representantes do setor produtivo não precisarão mais procurar a sede da Empresa ou esperar por editais para discutir ações integradas. Todas as unidades estarão aptas a fazer isso de forma ágil e flexível”, enfatizou.

O secretário explicou ainda que a contrapartida das empresas depende do porte de cada parceiro, podendo variar de um terço (33%) do projeto até zero, no caso de inovação social direcionada a pequenos agricultores.

O novo modelo de atuação despertou bastante o interesse dos representantes da Associação, que ficaram de enviar ao secretário de P&D as demandas por escrito para embasar a formação de futuras parcerias entre as instituições.

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Um trabalho de pesquisa inédito, em metodologia e alcance, reunirá dados sobre a cadeia produtiva do peixe mais cultivado do Brasil, a tilápia (Oreochromis niloticus). O estudo faz parte do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil (BRS Aqua)” (veja quadro abaixo).

Por meio de um questionário on-line, poderão participar da pesquisa produtores dos dez maiores polos nacionais de produção da espécie: oeste do Paraná; norte do Paraná; Vale do Itajaí; Ilha Solteira (divisa entre SP e MS); submédio São Francisco (divisa entre PE, BA e AL); Reservatório Boa Esperança (PI); Serra da Mesa e Cana Brava (GO); Três Marias (MG); Furnas (MG); e Reservatórios Orós e Castanhão (CE). Juntos, ele s representam mais de 60% da produção nacional de tilápia.

A ideia é coletar informações como custos de produção, disponibilidade de crédito, tecnologias utilizadas, acesso aos mercados, nível de qualificação da mão de obra local, disponibilidade de insumos e equipamentos e até as condições de infraestrutura na região, como a existência de estradas e o acesso a energia elétrica.

A previsão é que esse trabalho de coleta termine em março e o processamento das informações seja concluído no segundo semestre deste ano. Haverá uma segunda etapa com questionário voltado para a indústria de pescado. Com os dados a serem divulgados, os pesquisadores querem entender melhor como estão organizados cada um desses polos produtivos e poderão subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas à piscicultura.

Um projeto para impulsionar a aquicultura nacional

O BRS Aqua reúne ações de pesqu isa e de transferência de tecnologia, envolve mais de 20 Unidades da Embrapa, cerca de 270 empregados da empresa e recursos financeiros de diferentes fontes.

São quase R$ 45 milhões do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (que estão sendo executados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq) e, como contrapartida, outros R$ 6 milhões da própria Embrapa. A tilápia é uma das quatro espécies que estão sendo trabalhadas no âmbito do projeto, que também tem ações com tambaqui, camarão cinza e bijupirá.

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Pesquisadora Lícia Lundstedt detalha o projeto BRS Aqua no programa Conexão Ciência

Abordagem quantitativa é inovadora

Na primeira etapa da pesquisa, participarão os piscicultores. Foi elaborado um questionário específico para eles, com questões cujas respostas vão permitir traçar um panorama dessas regiões produtoras também do ponto de vista quantitativo. “Essa metodologia é inovadora por incorporar indicadores quantitativos que permitem melhor comparação entre os polos estudados. Haja vista que a maioria dos estudos de cadeia de valor são essencialmente qualitativos. Além disso, estudos dessa natureza em aquicultura são inéditos no Brasil e mesmo no exterior”, conta o coordenador desse trabalho, Manoel Pedroza, pesquisador da área de Economia da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO).

O cientista conta que, em etapa posterior, o trabalho será expandido a outros atores da cadeia de valor da tilápia – com atuação na indústria. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a PeixeBR, Francisco Medeiros, afirma que “o conhecimento dos principais polos de produção não tem importância somente para os produtores, mas também para toda a indústria, de ração, processamento de pescado, fármacos, aditivos e equipamentos”.

Ele defende a necessidade de esse tipo de trabalho ser permanente. “Nós da cadeia de produção da piscicultura necessitamos de informações mais detalhadas de mercado, dados que sejam acompanhados regularmente, para que possamos planejar melhor o nosso negócio, avaliar o que estamos fazendo e tomar decisões a curto, médio e longo prazos baseados em dados e não em suposições. Portanto, se faz necessário que esse trabalho seja contínuo”, coloca.

Com o participar

Neste primeiro momento, para que os dados coletados retratem adequadamente como se organiza cada um dos dez polos produtivos trabalhados, os pesquisadores pedem o envolvimento dos produtores. Os interessados em participar da pesquisa podem acessar este link. As respostas são rápidas.

O produtor se beneficiará dos dados coletados

Pedroza entende que, ao conhecer tanto os fatores positivos como os negativos de seu polo de atuação, o piscicultor poderá planejar melhor suas atividades, otimizando as vantagens e minimizando os gargalos do próprio polo produtivo. Dessa maneira, será possível aproveitar melhor as condições favoráveis da região e cobrar das instituições responsáveis a solução de problemas que esteja m atrapalhando a expansão sustentável da atividade.

Subsídio para políticas públicas

O trabalho também vai contribuir com a gestão pública e as instituições responsáveis pela formulação de políticas para o setor. O pesquisador da Embrapa acredita que os dados a serem obtidos vão permitir a identificação dos principais fatores que afetam o desenvolvimento da atividade, tanto os que o impulsionam, como os que o dificultam. “A partir dessas informações, será possível orientar as políticas públicas que de fato apoiem os produtores, evitando assim erros históricos ligados a investimentos públicos mal planejados”, analisa. Questões ligadas à utilização de águas da União para a produção em tanques-rede, por exemplo, poderão ser resolvidas conhecendo-se melhor a atuação profissional dos produtores.

Pedroza ressalta que o projeto não pretende fazer uma classificação ou ranqueamento entre os polos. A proposta entender o que cada região oferece aos produtores ali localizados sejam condições favoráveis ou não à atividade.

Produção de tilápia no Brasil

De acordo com dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a tilápia continua sendo a espécie de peixe mais criada no país. Naquele ano, a espécie foi responsável por 58,4% da produção nacional da piscicultura. Esse volume é mais de três vezes maior que o da segunda espécie mais criada no país, o tambaqui (Colossoma macropomum), que respondeu por 18,2% da produção nacional de 2017. Entre as regiões geográficas, o Sul do Brasil permaneceu na liderança, produzindo 42% da tilápia brasileira; em seguida, vêm o Sudeste e o Nordeste. Os estados que mais produziram foram Paraná, São Paulo e Minas Gerais. As informações são do estudo Produção da Pecuária Municipal, divulgado anualmente pelo IBGE.

Um trabalho de pesquisa inédito, em metodologia e alcance, reunirá dados sobre a cadeia produtiva do peixe mais cultivado do Brasil, a tilápia (Oreochromis niloticus). O estudo faz parte do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil (BRS Aqua)” (veja quadro abaixo).

Por meio de um questionário on-line, poderão participar da pesquisa produtores dos dez maiores polos nacionais de produção da espécie: oeste do Paraná; norte do Paraná; Vale do Itajaí; Ilha Solteira (divisa entre SP e MS); submédio São Francisco (divisa entre PE, BA e AL); Reservatório Boa Esperança (PI); Serra da Mesa e Cana Brava (GO); Três Marias (MG); Furnas (MG); e Re servatórios Orós e Castanhão (CE). Juntos, eles representam mais de 60% da produção nacional de tilápia.

A ideia é coletar informações como custos de produção, disponibilidade de crédito, tecnologias utilizadas, acesso aos mercados, nível de qualificação da mão de obra local, disponibilidade de insumos e equipamentos e até as condições de infraestrutura na região, como a existência de estradas e o acesso a energia elétrica.

A previsão é que esse trabalho de coleta termine em março e o processamento das informações seja concluído no segundo semestre deste ano. Haverá uma segunda etapa com questionário voltado para a indústria de pescado. Com os dados a serem divulgados, os pesquisadores querem entender melhor como estão organizados cada um desses polos produtivos e poderão subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas à piscicultura.

Um projeto para impulsionar a aquicultura nacionaltrong>

O BRS Aqua reúne ações de pesquisa e de transferência de tecnologia, envolve mais de 20 Unidades da Embrapa, cerca de 270 empregados da empresa e recursos financeiros de diferentes fontes.

São quase R$ 45 milhões do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (que estão sendo executados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq) e, como contrapartida, outros R$ 6 milhões da própria Embrapa. A tilápia é uma das quatro espécies que estão sendo trabalhadas no âmbito do projeto, que também tem ações com tambaqui, camarão cinza e bijupirá.

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Pesquisadora Lícia Lundstedt detalha o projeto BRS Aqua no programa Conexão Ciência

Abordagem quantitativa é inovadora

Na primeira etapa da pesquisa, participarão os piscicultores. Foi elaborado um questionário específico para eles, com questões cujas respostas vão permitir traçar um panorama dessas regiões produtoras também do ponto de vista quantitativo. “Essa metodologia é inovadora por incorporar indicadores quantitativos que permitem melhor comparação entre os polos estudados. Haja vista que a maioria dos estudos de cadeia de valor são essencialmente qualitativos. Além disso, estudos dessa natureza em aquicultura são inéditos no Brasil e mesmo no exterior”, conta o coordenador desse trabalho, Manoel Pedroza, pesquisador da área de Economia da Embrapa Pesca e Aq uicultura (TO).

O cientista conta que, em etapa posterior, o trabalho será expandido a outros atores da cadeia de valor da tilápia – com atuação na indústria. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a PeixeBR, Francisco Medeiros, afirma que “o conhecimento dos principais polos de produção não tem importância somente para os produtores, mas também para toda a indústria, de ração, processamento de pescado, fármacos, aditivos e equipamentos”.

Ele defende a necessidade de esse tipo de trabalho ser permanente. “Nós da cadeia de produção da piscicultura necessitamos de informações mais detalhadas de mercado, dados que sejam acompanhados regularmente, para que possamos planejar melhor o nosso negócio, avaliar o que estamos fazendo e tomar decisões a curto, médio e longo prazos baseados em dados e não em suposições. Portanto, se faz necessário que esse trabalho seja contínuo”, c oloca.

Como participar

Neste primeiro momento, para que os dados coletados retratem adequadamente como se organiza cada um dos dez polos produtivos trabalhados, os pesquisadores pedem o envolvimento dos produtores. Os interessados em participar da pesquisa podem acessar este link. As respostas são rápidas.

O produtor se beneficiará dos dados coletados

Pedroza entende que, ao conhecer tanto os fatores positivos como os negativos de seu polo de atuação, o piscicultor poderá planejar melhor suas atividades, otimizando as vantagens e minimizando os gargalos do próprio polo produtivo. Dessa maneira, será possível aproveitar melhor as condições favoráveis da região e cobrar das instituições responsáveis a solução de problemas que estejam atrapalhando a expansão sustentável da atividade.

Subsídio para políticas públicas

O trabalho também vai contribuir com a gestão pública e as instituições responsáveis pela formulação de políticas para o setor. O pesquisador da Embrapa acredita que os dados a serem obtidos vão permitir a identificação dos principais fatores que afetam o desenvolvimento da atividade, tanto os que o impulsionam, como os que o dificultam. “A partir dessas informações, será possível orientar as políticas públicas que de fato apoiem os produtores, evitando assim erros históricos ligados a investimentos públicos mal planejados”, analisa. Questões ligadas à utilização de águas da União para a produção em tanques-rede, por exemplo, poderão ser resolvidas conhecendo-se melhor a atuação profissional dos produtores.

Pedroza ressalta que o projeto não pretende fazer uma classifica ão ou ranqueamento entre os polos. A proposta é entender o que cada região oferece aos produtores ali localizados sejam condições favoráveis ou não à atividade.

Produção de tilápia no Brasil

De acordo com dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a tilápia continua sendo a espécie de peixe mais criada no país. Naquele ano, a espécie foi responsável por 58,4% da produção nacional da piscicultura. Esse volume é mais de três vezes maior que o da segunda espécie mais criada no país, o tambaqui (Colossoma macropomum), que respondeu por 18,2% da produção nacional de 2017. Entre as regiões geográficas, o Sul do Brasil permaneceu na liderança, produzindo 42% da tilápia brasileira; em seguida, vêm o Sudeste e o Nordeste. Os estados que mais produziram foram Paraná, São Paulo e Minas Gerais. As informações são do estudo Produ ão da Pecuária Municipal, divulgado anualmente pelo IBGE.

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Estudos realizados por pesquisadoras da Embrapa Meio Ambiente (SP) avaliaram a bioatividade de extratos de quatro plantas no combate às lagartas Helicoverpa armigera e Anticarsia gemmatalis, duas importantes pragas agrícolas. As cientistas descobriram que os extratos das espécies vegetais Clerodendrum splendens, Conyza canadensis, Tithonia diversifolia e Vernonanthura westiniana produzem efeitos com potencial para controlar os insetos, como redução de peso ou do consumo de folhas e, no caso da A.gemmatalis, foram encontrados efeitos inseticidas com até 80% de mortalidade. Os resultados abrem oportunidades para o desenvolvimento de produtos naturais a serem usados em cultivos orgânicos, ou mesmo o emprego dessas plantas para a síntese de novos compostos inseticidas.

As cientistas avaliaram cada planta diluída em quatro diferentes solventes (água, diclorometano – DCM, hexano e metanol) e constatar am que os extratos de todas as espécies vegetais avaliadas causaram redução no ganho de peso das lagartas. Isso ocorreu em pelo menos um dos solventes. À exceção de T. diversifolia, todas as espécies vegetais também provocaram a redução no consumo foliar de lagartas em algum dos solventes avaliados.

“O objetivo foi avaliar se os extratos feitos com cada uma das quatro espécies de plantas apresentam ação inseticida ou nociva ao desenvolvimento das lagartas de H. armigera e A. gemmatalis, via ingestão,” conta a pesquisadora da Embrapa Jeanne Prado, uma das autoras do estudo.

A intrincada relação entre plantas e insetos

A pesquisadora Jeanne Prado explica que a relação entre insetos e plantas é regulada por substâncias denominadas aleloquímicos que, ao serem liberadas pelos vegetais, são percebidas pelos insetos e podem agir como estímulos sobre seu comportamento ou altera r características do seu ciclo. Se o estímulo emitido pela planta for positivo, o inseto se dirigirá a ela (substância atraente); caso seja negativo, irá em direção contrária (substância repelente). Após contato com a planta, outro estímulo positivo levará à picada ou à mordida de prova (substância incitante) ou, no caso de um estímulo negativo, o inseto não provará da planta e se afastará (substância supressora). Por fim, após a prova, o inseto pode receber estímulo para continuar se alimentando (fagoestimulante) ou para parar com a alimentação (fagoinibitória).

Atualmente, o controle de lagartas é realizado principalmente pelo uso de agrotóxicos e plantas transgênicas Cry1Ac, proteína do Bacillus thuringiensis que apresenta efeito tóxico sobre o inseto. Entretanto, o aumento no número de indivíduos resistentes a essas moléculas em uso no mercado e o surgimento de insetos híbridos (como os oriund os do cruzamento entre Helicoverpa armigera e H. zea) têm reduzido a eficácia dessas abordagens e impulsionado a busca por novos produtos para controle dessas pragas.

Lagartas de A. gemmatalis consumiram maior área de folhas contendo extratos metanólicos de C. canadensis e T. diversifolia do que de folhas contendo somente água (dentro das análises de cada espécie vegetal), sugerindo que pode existir, nesses extratos, substâncias agindo como fagoestimulantes (veja quadro ao lado) a esses insetos.

Entretanto, o consumo elevado de uma planta nem sempre representa vantagens aos insetos, uma vez que pode haver nas folhas outras substâncias com efeitos de antibiose, que causam mortalidade ou redução de tamanho, peso, longevidade e fecundidade. Situação semelhante ocorreu quando lagartas de H. armigera alimentaram-se de folhas contendo o extrato metanólico de V. westiniana. O extrato não alterou o a petite das lagartas nas primeiras 24 horas e ainda aumentou o consumo foliar após 48 horas de avaliação. Porém reduziu o peso de pupas, indicando um efeito de antibiose.

Extratos inseticidas

Dois extratos se destacaram pelo potencial inseticida contra a A. gemmatalis. O de C. splendens, em DCM ou em hexano, causou mortalidade acima de 60% em lagartas, além de redução no ganho de peso de larvas e de pupas. O extrato metanólico de V. westiniana, por sua vez, provocou mortalidade superior a 80% na população de lagartas de A. gemmatalis e, por isso, foi selecionado para avaliação sobre lagartas de H. armigera. “Usamos esse procedimento devido a dificuldades de multiplicação da espécie H. armigera em quantidade suficiente para realizar todos os bioensaios de avaliação de compostos”, explica Jeanne Prado.

Entretanto, apesar da alta mortalidade provocada em lagartas de A. ge mmatalis, o mesmo extrato metanólico de V. westiniana causou mortalidade de apenas 20% da população avaliada de lagartas de H. armigera.

Helicoverpa armigera é o próximo alvo

Os alvos

Conhecida como lagarta-da-soja, A. gemmatalis é considerada praga principal dessa leguminosa, sendo um importante inseto desfolhador na sojicultura nacional. A espécie H. armigera possui grande capacidade de dispersão. Em sua fase larval pode se alimentar de mais de 60 famílias de plantas e se encontra hoje distribuída em todo o território nacional, atacando principalmente o milho, feijão e algodão, além da soja.

A resistência de populações de H. armigera a moléculas inseticidas é alvo de diversos estudos e tem sido associada a características intrínsecas da espécie como: hábito alimentar altamente polífa go, ciclo de desenvolvimento curto, alta capacidade de dispersão e alta variabilidade genética. Por isso, novos bioensaios com H. armigera devem ser realizados utilizando os extratos vegetais que foram avaliados somente para A. gemmatalis, considerando as diferenças em suas relações interespecíficas e de resposta à defesa das plantas.

As etapas seguintes também vão abranger a identificação das moléculas responsáveis pela ação de antibiose ou antixenose observada nos extratos, seu mecanismo de ação e a avaliação se essas moléculas são capazes de afetar organismos não alvo como, por exemplo, outros insetos.

As cientistas esperam que esse trabalho gere alternativas de produtos a serem empregados em estratégias de manejo integrado dessas pragas (MIP) em campo.

Parte das informações desse estudo executado pelas pesquisadoras Jeanne Marinho-Prado, Sonia Queiroz, Simone Prado e Marta Assis estão em um boletim de pesquisa disponível na internet.

Estudos realizados por pesquisadoras da Embrapa Meio Ambiente (SP) avaliaram a bioatividade de extratos de quatro plantas no combate às lagartas Helicoverpa armigera e Anticarsia gemmatalis, duas importantes pragas agrícolas. As cientistas descobriram que os extratos das espécies vegetais Clerodendrum splendens, Conyza canadensis, Tithonia diversifolia e Vernonanthura westiniana produzem efeitos com potencial para controlar os insetos, como redução de peso ou do consumo de folhas e, no caso da A.gemmatalis, foram encontrados efeitos inseticidas com até 80% de mortalidade. Os resultados abrem oportunidades para o desenvolvimento de produtos naturais a serem usados em cultivos orgânicos, ou mesmo o emprego dessas plantas para a síntese de novos compostos inseticidas.

As cientistas avali aram cada planta diluída em quatro diferentes solventes (água, diclorometano – DCM, hexano e metanol) e constataram que os extratos de todas as espécies vegetais avaliadas causaram redução no ganho de peso das lagartas. Isso ocorreu em pelo menos um dos solventes. À exceção de T. diversifolia, todas as espécies vegetais também provocaram a redução no consumo foliar de lagartas em algum dos solventes avaliados.

“O objetivo foi avaliar se os extratos feitos com cada uma das quatro espécies de plantas apresentam ação inseticida ou nociva ao desenvolvimento das lagartas de H. armigera e A. gemmatalis, via ingestão,” conta a pesquisadora da Embrapa Jeanne Prado, uma das autoras do estudo.

A intrincada relação entre plantas e insetos

A pesquisadora Jeanne Prado explica que a relação entre insetos e plantas é regulada por substâncias denominadas aleloquímicos que, ao serem lib eradas pelos vegetais, são percebidas pelos insetos e podem agir como estímulos sobre seu comportamento ou alterar características do seu ciclo. Se o estímulo emitido pela planta for positivo, o inseto se dirigirá a ela (substância atraente); caso seja negativo, irá em direção contrária (substância repelente). Após contato com a planta, outro estímulo positivo levará à picada ou à mordida de prova (substância incitante) ou, no caso de um estímulo negativo, o inseto não provará da planta e se afastará (substância supressora). Por fim, após a prova, o inseto pode receber estímulo para continuar se alimentando (fagoestimulante) ou para parar com a alimentação (fagoinibitória).

Atualmente, o controle de lagartas é realizado principalmente pelo uso de agrotóxicos e plantas transgênicas Cry1Ac, proteína do Bacillus thuringiensis que apresenta efeito tóxico sobre o inseto. Entretanto, o aumento no número de indivíduos resistentes a essas moléculas em uso no mercado e o surgimento de insetos híbridos (como os oriundos do cruzamento entre Helicoverpa armigera e H. zea) têm reduzido a eficácia dessas abordagens e impulsionado a busca por novos produtos para controle dessas pragas.

Lagartas de A. gemmatalis consumiram maior área de folhas contendo extratos metanólicos de C. canadensis e T. diversifolia do que de folhas contendo somente água (dentro das análises de cada espécie vegetal), sugerindo que pode existir, nesses extratos, substâncias agindo como fagoestimulantes (veja quadro ao lado) a esses insetos.

Entretanto, o consumo elevado de uma planta nem sempre representa vantagens aos insetos, uma vez que pode haver nas folhas outras substâncias com efeitos de antibiose, que causam mortalidade ou redução de tamanho, peso, longevidade e fecundidade. Situação semelhante ocorreu quando lagartas de H. armigera alimentaram-se de folhas contendo o extrato metanólico de V. westiniana. O extrato não alterou o apetite das lagartas nas primeiras 24 horas e ainda aumentou o consumo foliar após 48 horas de avaliação. Porém reduziu o peso de pupas, indicando um efeito de antibiose.

Extratos inseticidas

Dois extratos se destacaram pelo potencial inseticida contra a A. gemmatalis. O de C. splendens, em DCM ou em hexano, causou mortalidade acima de 60% em lagartas, além de redução no ganho de peso de larvas e de pupas. O extrato metanólico de V. westiniana, por sua vez, provocou mortalidade superior a 80% na população de lagartas de A. gemmatalis e, por isso, foi selecionado para avaliação sobre lagartas de H. armigera. “Usamos esse procedimento devido a dificuldades de multiplicação da espécie H. armigera em quantidade suficiente para realizar todos os bioensaios de avaliação de compostos”, explica Jeanne Prado.

Entretanto, apesar da alta mortalidade provocada em lagartas de A. gemmatalis, o mesmo extrato metanólico de V. westiniana causou mortalidade de apenas 20% da população avaliada de lagartas de H. armigera.

Helicoverpa armigera é o próximo alvo

Os alvos

Conhecida como lagarta-da-soja, A. gemmatalis é considerada praga principal dessa leguminosa, sendo um importante inseto desfolhador na sojicultura nacional. A espécie H. armigera possui grande capacidade de dispersão. Em sua fase larval pode se alimentar de mais de 60 famílias de plantas e se encontra hoje distribuída em todo o território nacional, atacando principalmente o milho, feijão e algodão, além da soja.

A resistência de populações de H. armigera a moléculas inseticidas é alvo de diversos estudos e tem sido associada a características intrínsecas da espécie como: hábito alimentar altamente polífago, ciclo de desenvolvimento curto, alta capacidade de dispersão e alta variabilidade genética. Por isso, novos bioensaios com H. armigera devem ser realizados utilizando os extratos vegetais que foram avaliados somente para A. gemmatalis, considerando as diferenças em suas relações interespecíficas e de resposta à defesa das plantas.

As etapas seguintes também vão abranger a identificação das moléculas responsáveis pela ação de antibiose ou antixenose observada nos extratos, seu mecanismo de ação e a avaliação se essas moléculas são capazes de afetar organismos não alvo como, por exemplo, outros insetos.

As cientistas esperam que esse trabalho gere alternativas de produtos a serem empregados em estratégias de manejo integrado dessas pragas (MIP) em campo.

Parte das informações desse estudo executado pelas pesquis adoras Jeanne Marinho-Prado, Sonia Queiroz, Simone Prado e Marta Assis estão em um boletim de pesquisa disponível na internet.

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As cultivares de arroz de grão preto SCS 120 Ônix e de grão vermelho BRS 902 são as que contêm os maiores teores de compostos bioativos, sendo as mais eficientes em neutralizar radicais livres. Essa é a conclusão dos testes realizados pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão (GO), com o objetivo de identificar a presença de compostos capazes de prevenir o envelhecimento das células do organismo humano.

A pesquisa comparou amostras do grão integral cozido de quatro cultivares de arroz colorido. Usando método laboratorial para obter extratos fitoquímicos do conteúdo das amostras, o estudo isolou o fenol, um tipo de composto conhecido nos alimentos ligado à atividade antioxidante. Ele se apresenta sob duas formas: a primeira, livre; e a segunda, complexada. Para ambas, foram medidas as concentrações.

Compostos fenólicos são moléculas presentes em alimentos de origem vegetal. A maior ingestão dessas estruturas químicas pode aumentar a eficácia da sua função protetora contra danos oxidativos, ligados ao envelhecimento, nas células. Esses compostos protegem as células ao promover o sequestro dos chamados radicais livres, moléculas que em grande quantidade podem danificar células sadias (veja quadro no fim da matéria). Os compostos fenólicos são categorizados como livres ou compostos, quando são associados a açúcares e proteínas.

Seis vezes mais compostos fenólicos

O melhor resultado para compostos fenólicos livres foi o da cultivar BRS 902 de grão vermelho. Já para os compostos fenólicos complexados, o alcance mais promissor ocorreu com a SCS 120 Ônix (grão preto). Comparativamente, essas cultivare s apresentaram 14% mais compostos fenólicos livres do que as outras variedades em teste com menor teor. Na avaliação dos compostos fenólicos complexados, o resultado foi 17% a mais no grão preto. Se comparadas ao arroz branco, em média, as cultivares de grão colorido possuem seis vezes mais compostos fenólicos.

Para medir a atividade antioxidante, os extratos de compostos fenólicos, em suas duas formas, foram testados em laboratório quanto à capacidade de reação e sequestro de radicais livres por dois métodos denominados pelas siglas DPPH e ABTS.

História dos grãos coloridos

O arroz colorido é originário da China, onde é cultivado há mais de quatro mil anos e está associado a tradições cerimoniais e culturais. Em países do sudeste asiático, o grão preto é conhecido como arroz roxo, arroz proibido, arroz do paraíso e arroz do rei. Entre suas origens, havia variedades que eram reservadas apenas ao consumo de imperadores.

No Brasil, o grão preto possui uma história recente de cultivo e de consumo, sendo um marco para a cultura o lançamento da primeira cultivar, a IAC 600, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em 2001.

Diferentemente, o arroz vermelho é o mais antigo em cultivo no mundo e o primeiro a chegar ao País, plantado desde o século 16, introduzido pelos portugueses no início da nossa colonização. Atualmente, o cultivo desse tipo de arroz está concentrado no Semiárido nordestino, único território conhecido em todo o Hemisfério Ocidental onde ainda continua sendo plantado e ingrediente cativo, ao lado do feijão-verde, de vários pratos nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia.

As cultivares SCS 120 Ônix e BRS 902 foram desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Embrapa, respectivamente.

Para a responsável pela pesquisa de tipos especiais de arroz da Epagri, Ester Wickert, as cultivares de grão colorido são um diferencial atrativo para o rizicultor. “Grãos de pericarpo colorido, preto ou vermelho, têm maior valor de mercado, até porque têm uma produção menor, em termos de área, mas não de produtividade, e têm seu consumo associado à melhor qualidade de vida, uma vez que oferecem maior quantidade de compostos fenólicos, considerados importantes agentes antioxidantes”, diz Wickert. Trabalhando na Estação Experimental em Itajaí (SC), ela considera também que há espaço para variedades de arroz colorido em diferentes formatos de grão: longo-fino, longos, curtos ou arredondados, associados ainda a características de aroma e teor de amilose.

De acordo com a cientista, o aumento da demanda por grãos de arroz com atributos espec iais é um dos motivos que fez com que a Epagri desenvolvesse variedades de grão colorido, adaptadas às condições de cultivo de Santa Catarina, cujo sistema de produção é formado essencialmente por pequenas propriedades com mão de obra familiar.

Mais valorizado que o arroz branco

O arroz de grão colorido está ligado a nichos de mercado, sendo comercialmente mais valorizado do que o arroz branco tradicional. Para impulsionar o setor, falta ainda que o consumidor conheça melhor as características funcionais desses grãos para a saúde e bem-estar, além de aumentar a disponibilidade desses produtos no mercado, oferecendo mais opções de cultivares adaptadas às diferentes regiões brasileiras de cultivo.

Origem genética da cor

A coloração natural do grão integral de arroz existe por causa do predomínio de dois grupos de substâncias: as antocianinas (no arroz preto) e as proanto cianidinas (no arroz vermelho), que pertencem à classe química dos compostos fenólicos, ou seja, cor e saúde estão juntas, andando de mãos dadas.

A origem dessas pigmentações é de natureza genética, controlada por genes localizados nos cromossomos 1 e 4 do genoma do arroz. A literatura científica entende que a coloração está ligada à defesa da planta contra agentes causadores de doença e pragas, além de contribuir em funções fisiológicas da semente, como maturação e dormência. Os pesquisadores acreditam que o arroz branco seja uma derivação do grão colorido.

O pesquisador José Manoel Colombari Filho, coordenador do programa de melhoramento de arroz especial da Embrapa, explica que o arroz colorido recebe destaque pela atratividade de seus grãos, pois somente ele pode agregar a cor como um quinto atributo de qualidade à elaboração de pratos diferenciados, já que a diversificação de formatos, sabores, aromas e texturas também é encontrada no arroz integral não colorido.

“É por isso que, atualmente, a demanda pelo arroz colorido está crescendo rapidamente. Esse produto é muito atrativo a consumidores que apreciam a alta gastronomia e novas experiências gastronômicas, como também àqueles que buscam uma alimentação saudável, associada muitas vezes à produção orgânica, com alimentos ricos em propriedades nutracêuticas que favorecem a longevidade, com atividades antioxidante, anticarcinogênica, antialérgica, anti-inflamatória e hipoglicêmica”, diz Colombari.

De acordo com o cientista, não existem dados oficiais sobre a dimensão do mercado de grãos especiais no País, mas estima-se que seja de cerca de 1% e que poderá dobrar de tamanho nos próximos três anos. Os grãos coloridos são comercializados com valores pelo menos cinco vezes acima do arroz branco.

Colombari conta ainda que a pesquisa da Embrapa já está desenvolvendo cultivares de arroz colorido de alto potencial agronômico e com qualidade de grãos que agregue ainda mais valor ao produto nacional: “Se por um lado, no plano nacional, essa realidade acaba conferindo ao arroz colorido o caráter de produto agrícola de nicho de mercado, por outro lado, o mesmo produto poderá abrir oportunidades para o Brasil explorar mercados externos”.

A Embrapa já desenvolveu duas cultivares de grão vermelho, BRS 901 e BRS 902, e, em breve, há a previsão de lançamento da primeira cultivar de grão preto.

Ação de radicais livres

O corpo gera energia a partir da respiração celular, quando ocorre o consumo de oxigênio e ao mesmo tempo a oxidação de combustíveis celulares, como a glicose e ácidos graxos. Esse metabolismo gera subprodutos, conhecidos como radicais livres. Essas moléculas são instáveis e quimicamente reativas e podem ter como efeitos indesejáveis o envelhecimento celular.

No entanto, o organismo humano dispõe de um sistema de desintoxicação do excesso de radicais livres, capaz de neutralizar suas ações prejudiciais. E o melhor é que existem substâncias que podem ajudar nessa tarefa. Por exemplo, compostos fenólicos vindos da ingestão de alimentos possuem função protetora contra danos oxidativos. Quanto maior a ingestão de alimentos que auxiliem nesse processo, menor será o envelhecimento celular.

As cultivares de arroz de grão preto SCS 120 Ônix e de grão vermelho BRS 902 são as que contêm os maiores teores de compostos bioativos, sendo as mais eficientes em neutralizar radicais livres. Essa é a conclusão dos testes realizados pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão (GO), com o objetivo de identificar a presença de compostos capazes de prevenir o envelhecimento das células do organismo humano.

A pesquisa comparou amostras do grão integral cozido de quatro cultivares de arroz colorido. Usando método laboratorial para obter extratos fitoquímicos do conteúdo das amostras, o estudo isolou o fenol, um tipo de composto conhecido nos alimentos ligado à atividade antioxidante. Ele se apresenta sob duas formas: a primeira, livre; e a segunda, complexada. Para ambas, foram medidas as concentrações.

Compostos fenólicos são moléculas presentes em alimentos de origem vegetal. A maior ingestão dessas estruturas químicas pode aumentar a eficácia da sua função protetora contra danos oxidativos, ligados ao envelhecimento, nas células. Esses compostos protegem as células ao promover o sequestro dos chamados radicais livres, moléculas que em grande quantidade podem danificar células sadias (veja quadro no fim da matéria). Os compostos fenólicos são categorizados como livres ou compostos, quando são associados a açúcares e proteínas.

Seis vezes mais compostos fenólicos

O melhor resultado para compostos fenólicos livres foi o da cultivar BRS 902 de grão vermelho. Já para os compostos fenólicos complexados, o alcance mais promissor ocorreu com a SCS 120 Ônix (grão preto). Comparativamente, essas cultivares apresentaram 14% mais compostos fenólicos livres do que as outras variedades em teste com menor teor. Na avaliação dos compostos fenólicos complexados, o resultado foi 17% a mais no grão preto. Se comparadas ao arroz branco, em média, as cultivares de grão colorido possuem seis vezes mais compostos fenólicos.

Para medir a atividade antioxidante, os extratos de compostos fenólicos, em suas duas formas, foram testados em laboratório quanto à capacidade de reação e sequestro de radicais li vres por dois métodos denominados pelas siglas DPPH e ABTS.

História dos grãos coloridos

O arroz colorido é originário da China, onde é cultivado há mais de quatro mil anos e está associado a tradições cerimoniais e culturais. Em países do sudeste asiático, o grão preto é conhecido como arroz roxo, arroz proibido, arroz do paraíso e arroz do rei. Entre suas origens, havia variedades que eram reservadas apenas ao consumo de imperadores.

No Brasil, o grão preto possui uma história recente de cultivo e de consumo, sendo um marco para a cultura o lançamento da primeira cultivar, a IAC 600, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em 2001.

Diferentemente, o arroz vermelho é o mais antigo em cultivo no mundo e o primeiro a chegar ao País, plantado desde o século 16, introduzido pelos portugueses no início da nossa colonização. Atualmente, o cultivo desse tipo de arroz está concentrado no Semiárido nordestino, único território conhecido em todo o Hemisfério Ocidental onde ainda continua sendo plantado e ingrediente cativo, ao lado do feijão-verde, de vários pratos nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia.

As cultivares SCS 120 Ônix e BRS 902 foram desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Embrapa, respectivamente.

Para a responsável pela pesquisa de tipos especiais de arroz da Epagri, Ester Wickert, as cultivares de grão colorido são um diferencial atrativo para o rizicultor. “Grãos de pericarpo colorido, preto ou vermelho, têm maior valor de mercado, até porque têm uma produção menor, em termos de área, mas não de produtividade, e têm seu consumo associado à melhor qualidade de vida, uma v ez que oferecem maior quantidade de compostos fenólicos, considerados importantes agentes antioxidantes”, diz Wickert. Trabalhando na Estação Experimental em Itajaí (SC), ela considera também que há espaço para variedades de arroz colorido em diferentes formatos de grão: longo-fino, longos, curtos ou arredondados, associados ainda a características de aroma e teor de amilose.

De acordo com a cientista, o aumento da demanda por grãos de arroz com atributos especiais é um dos motivos que fez com que a Epagri desenvolvesse variedades de grão colorido, adaptadas às condições de cultivo de Santa Catarina, cujo sistema de produção é formado essencialmente por pequenas propriedades com mão de obra familiar.

Mais valorizado que o arroz branco

O arroz de grão colorido está ligado a nichos de mercado, sendo comercialmente mais valorizado do que o arroz branco tradicional. Para impulsionar o setor, falta ainda que o consumidor conh eça melhor as características funcionais desses grãos para a saúde e bem-estar, além de aumentar a disponibilidade desses produtos no mercado, oferecendo mais opções de cultivares adaptadas às diferentes regiões brasileiras de cultivo.

Origem genética da cor

A coloração natural do grão integral de arroz existe por causa do predomínio de dois grupos de substâncias: as antocianinas (no arroz preto) e as proantocianidinas (no arroz vermelho), que pertencem à classe química dos compostos fenólicos, ou seja, cor e saúde estão juntas, andando de mãos dadas.

A origem dessas pigmentações é de natureza genética, controlada por genes localizados nos cromossomos 1 e 4 do genoma do arroz. A literatura científica entende que a coloração está ligada à defesa da planta contra agentes causadores de doença e pragas, além de contribuir em funções fisiológicas da semente, como maturação e dormência. O s pesquisadores acreditam que o arroz branco seja uma derivação do grão colorido.

O pesquisador José Manoel Colombari Filho, coordenador do programa de melhoramento de arroz especial da Embrapa, explica que o arroz colorido recebe destaque pela atratividade de seus grãos, pois somente ele pode agregar a cor como um quinto atributo de qualidade à elaboração de pratos diferenciados, já que a diversificação de formatos, sabores, aromas e texturas também é encontrada no arroz integral não colorido.

“É por isso que, atualmente, a demanda pelo arroz colorido está crescendo rapidamente. Esse produto é muito atrativo a consumidores que apreciam a alta gastronomia e novas experiências gastronômicas, como também àqueles que buscam uma alimentação saudável, associada muitas vezes à produção orgânica, com alimentos ricos em propriedades nutracêuticas que favorecem a longevidade, com atividades antioxidante, anticarcinogê nica, antialérgica, anti-inflamatória e hipoglicêmica”, diz Colombari.

De acordo com o cientista, não existem dados oficiais sobre a dimensão do mercado de grãos especiais no País, mas estima-se que seja de cerca de 1% e que poderá dobrar de tamanho nos próximos três anos. Os grãos coloridos são comercializados com valores pelo menos cinco vezes acima do arroz branco.

Colombari conta ainda que a pesquisa da Embrapa já está desenvolvendo cultivares de arroz colorido de alto potencial agronômico e com qualidade de grãos que agregue ainda mais valor ao produto nacional: “Se por um lado, no plano nacional, essa realidade acaba conferindo ao arroz colorido o caráter de produto agrícola de nicho de mercado, por outro lado, o mesmo produto poderá abrir oportunidades para o Brasil explorar mercados externos”.

A Embrapa já desenvolveu duas cultivares de grão vermelho, BRS 901 e BRS 902, e, em breve, há a previsão de lançamento da primeira cu ltivar de grão preto.

Ação de radicais livres

O corpo gera energia a partir da respiração celular, quando ocorre o consumo de oxigênio e ao mesmo tempo a oxidação de combustíveis celulares, como a glicose e ácidos graxos. Esse metabolismo gera subprodutos, conhecidos como radicais livres. Essas moléculas são instáveis e quimicamente reativas e podem ter como efeitos indesejáveis o envelhecimento celular.

No entanto, o organismo humano dispõe de um sistema de desintoxicação do excesso de radicais livres, capaz de neutralizar suas ações prejudiciais. E o melhor é que existem substâncias que podem ajudar nessa tarefa. Por exemplo, compostos fenólicos vindos da ingestão de alimentos possuem função protetora contra danos oxidativos. Quanto maior a ingestão de alimentos que auxiliem nesse processo, menor será o envelhecimento celular.

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O Dia de Campo na TV desta semana apresenta algumas pesquisas da Embrapa alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ligado à erradicação da fome e à promoção de uma agricultura sustentável (ODS 2) – uma das 17 metas estabelecidas pelas Nações Unidas (ONU) em 2015 para se alcançar a dignidade e desenvolvimento humano nos próximos 15 anos.

Neste contexto, destaca as atividades da Estação Experimental Cascata (EEC) da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS). Em atividade desde 1938, o espaço trabalha hoje com foco na agricultura familiar e de base ecológica.

No local, a sustentabilidade da agricultura é promovida por meio da adaptação para sistemas de produção orgânicos, do incentivo à transição agroecológica, do desenvolvimento de variedades para a agricultura orgânica, do uso de insumos biológicos, entre outros.

No âmbito da erradicação da fome, são trabalhados temas que garantem renda e segurança alimenta r, como o desenvolvimento de variedades mais nutritivas e produtivas, o incentivo à avicultura colonial, o investimento em plantas alimentícias não-convencionais (pancs) e o resgate das sementes crioulas e valorização de seus guardiões.

Em âmbito nacional, o Projeto BioFort, coordenado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ), busca desenvolver e disseminar cultivares biofortificadas a fim de garantir segurança nutricional das comunidades em vulnerabilidade social.

Mas, a sustentabilidade da agricultura também é trabalhada em escala mais intensiva pela Embrapa, com envolvimento de diferentes Unidades distribuídas pelo país. Dentre os temas pesquisados nesse sentido estão a racionalização no uso de agroquímicos e o incentivo à utilização de estratégias como a Integração Lavoura-Pecuária-Florestas (ILPF), por exemplo.

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Saiba como sintonizar.

No site http://www.embrapa.br/diacampo você acessa a grade completa da programação, além de reportagens dos programas.

O Dia de Campo na TV desta semana apresenta algumas pesquisas da Embrapa alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ligado à erradicação da fome e à promoção de uma agricultura sustentável (ODS 2) – uma das 17 metas estabelecidas pelas Nações Unidas (ONU) em 2015 para se alcançar a dignidade e desenvolvimento humano nos próximos 15 anos.

Neste contexto, destaca as atividades da Estação Experimental Cascata (EEC) da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS). Em atividade desde 1938, o espaço trabalha hoje com foco na agricultura familiar e de base ecológica.

No local, a sustentabilidade da agricultura é promovida por meio da adaptação para sistemas de produção orgânicos, do incentivo à transição agroecológica, do desenvolvimento de variedades para a agricultura orgânica, do uso de insumos biológicos, entre outros.

No âmbito da erradicação da fome, são trabalhados temas que garantem renda e segurança alimentar, como o desenvolvimento de variedades mais nutritivas e produtivas, o incentivo à avicultura colonial, o investimento em plantas alimentícias não-convencionais (pancs) e o resgate das sementes crioulas e valorização de seus guardiões.

Em âmbito nacional, o Projeto BioFort, coordenado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ), busca desenvolver e disseminar cultivares biofortificadas a fim de garantir segurança nutricional das comunidades em vulnerabilidade social.

Mas, a sustentabilidade da agricultura também é trabalhada em escala mais intensiva pela Embrapa, com envolvimento de diferentes Unidades distribuí das pelo país. Dentre os temas pesquisados nesse sentido estão a racionalização no uso de agroquímicos e o incentivo à utilização de estratégias como a Integração Lavoura-Pecuária-Florestas (ILPF), por exemplo.

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Saiba como sintonizar.

No site http://www.embrapa.br/diacampo você acessa a grade completa da programação, além de reportagens dos programas.

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Na primeira semana de fevereiro, a Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ) firmou parceria com o CREA-RJ dando início às atividades do Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos) no estado do Rio de Janeiro. Segundo o chefe geral do centro de pesquisa carioca, José Carlos Polidoro, o programa vai gerar cerca de 100 empregos diretos temporários para profissionais do CREA.

O Pronasolos pretende mapear o território brasileiro e gerar dados com diferentes graus de detalhamento para subsidiar políticas públicas, auxiliar gestão territorial, embasar agricultura de precisão e apoiar decisões de concessão do crédito agrícola, entre muitas outras aplicações. Orçado em até R$ 3 bilhões de reais, o Pronasolos deve gerar ganhos de R$40 bilhões ao País dentro de uma década, de acordo com especialistas.

Das etapas que compõem o PronaSolos, que prevê 30 anos de atividades, a primeira é a formação de recursos humanos, com o treinamento de profissionais de agronomia e áreas afins a partir do Rio de Janeiro abrindo vagas para engenheiros agrônomos e florestais, geólogos, geógrafos e técnicos agrícolas.

“O primeiro curso de 40 horas ministrado no CREA, será a “pedra fundamental” da formação desses recursos humanos para que eles atuem no PronaSolos a curto, médio e longo prazo”, diz Polidoro.

O PronaSolos conta com o apoio da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ), que também esteve presente na reunião na sede do Conselho. “O PronaSolos tem conexão com uma de nossas atribuições, que é a atualização profissional. Um curso com essa qualidade, unindo CREA e Embrapa Solos, traz grandes oportunidades para nosso associado”, frisou Leonel Rocha Lima, presidente da AEARJ.

O CREA-RJ reconhece a relevância do PronaSolos e apoiará o programa dando suporte na capacitação profissional. Nós acreditamos que será muito importante por vários motivos: primeiro porque é uma ação do Governo Federal, liderada pela Embrapa; segundo porque pode gerar empregos e capacitação para os profissionais. Começar pelo Rio de Janeiro, e no nosso Conselho é motivo de satisfação e alegria”, comentou Luiz Antonio Cosenza, presidente do CREA-RJ, que espera que a capacitação vá ao encontro dos anseios dos profissionais que procuram emprego.

O convênio Embrapa Solos/CREA-RJ terá suporte do ‘Progredir’, o programa permanente de aperfeiçoamento profissional do conselho fluminense.

Em breve, pelos canais da Embrapa Solos e do CREA, serão divulgadas informações sobre a abertura das inscrições para o curso.

Contribuição no texto: CREA-RJ

Na primeira semana de fevereiro, a Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ) firmou parceria com o CREA-RJ dando início às atividades do Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos) no estado do Rio de Janeiro. Segundo o chefe geral do centro de pesquisa carioca, José Carlos Polidoro, o programa vai gerar cerca de 100 empregos diretos temporários para profissionais do CREA.

O Pronasolos pretende mapear o território brasileiro e gerar dados com diferentes graus de detalhamento para subsidiar políticas públicas, auxiliar gestão territorial, embasar agricultura de precisão e apoiar decisões de concessão do crédito agrícola, entre muitas outras aplicações. Orçado em até R$ 3 bilhões de reais, o Pronasolos deve gerar ganhos de R$40 bilhões ao País dentro de uma década, de acordo com especialistas.

Das etapas que compõem o PronaSolos, que prevê 30 anos de atividades, a primeira é a formação de recursos humanos, com o treinamento de profissionais de agronomia e áreas afins a partir do Rio de Janeiro abrindo vagas para engenheiros agrônomos e florestais, geólogo s, geógrafos e técnicos agrícolas.

“O primeiro curso de 40 horas ministrado no CREA, será a “pedra fundamental” da formação desses recursos humanos para que eles atuem no PronaSolos a curto, médio e longo prazo”, diz Polidoro.

O PronaSolos conta com o apoio da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ), que também esteve presente na reunião na sede do Conselho. “O PronaSolos tem conexão com uma de nossas atribuições, que é a atualização profissional. Um curso com essa qualidade, unindo CREA e Embrapa Solos, traz grandes oportunidades para nosso associado”, frisou Leonel Rocha Lima, presidente da AEARJ.

O CREA-RJ reconhece a relevância do PronaSolos e apoiará o programa dando suporte na capacitação profissional. “Nós acreditamos que será muito importante por vários motivos: primeiro porque é uma ação do Governo Federal, liderada pela Embrapa; segundo porque pode gerar empregos e capacitação para os profissionais. Começar pelo Rio de Janeiro, e no nosso Conselho é motivo de satisfação e alegria”, comentou Luiz Antonio Cosenza, presidente do CREA-RJ, que espera que a capacitação vá ao encontro dos anseios dos profissionais que procuram emprego.

O convênio Embrapa Solos/CREA-RJ terá suporte do ‘Progredir’, o programa permanente de aperfeiçoamento profissional do conselho fluminense.

Em breve, pelos canais da Embrapa Solos e do CREA, serão divulgadas informações sobre a abertura das inscrições para o curso.

Contribuição no texto: CREA-RJ

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A história, as peculiaridades e os desafios da vitivinicultura do Vale do São Francisco, no Nordeste brasileiro, foram tema do segundo episódio da série de documentários Vinhos do Brasil, produzida e veiculada pela TV NBR. O trabalho foi resultado de uma parceria com a Embrapa.

O episódio destaca a região como um grande produtor e exportador de frutas, o que é possível por meio da irrigação, que utiliza as águas do rio São Francisco. Neste contexto é que se insere, ao lado do tradicional cultivo de uvas de mesa na região, também a produção de uvas finas para a elaboração de vinhos e espumantes com características do Semiárido.

No vídeo, as pesquisadoras Patrícia Coelho de Souza Leão e Aline Biasoto Marques abordam alguns dos trabalhos realizados pela empresa na região. Patrícia fala das avaliações das variedades de videiras e sua adaptação ao ambiente semiárido. Também destaca o diferencial da região de poder colher uvas em qualquer época do ano. Já Aline explica os trabalhos que são desenvolvidos no Laboratório de Enologia da Unidade. Ela cita as características dos vinhos do Vale do São Francisco e os estudos que são feitos para oferecer novas alternativas para os produtores.

Além dos estudos realizados pela Embrapa, o documentário mostra as experiências das vinícolas instaladas na região e o incentivo que a vitivinicultura dá ao desenvolvimento econômico e do enoturismo na região. Também apresenta os trabalhos de pesquisa e ensino na Escola do Vinho, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE).

A série Vinhos do Brasil foi idealizada por Bernardo Castro e dirigida por Alessandro Oliveira, que também realizou as entrevistas, e por Daniel Paranayba, responsável pela fotografia do documentário. O primeiro episódio abordou a vitivinicultura da Serra Gaúcha, realizado em parceria com a Embrapa Uva e Vinho (assista aqui).

Clique aqui para assistir ao documentário Vinhos do Brasil – Vale do São Francisco.

A história, as peculiaridades e os desafios da vitivinicultura do Vale do São Francisco, no Nordeste brasileiro, foram tema do segundo episódio da série de documentários Vinhos do Brasil, produzida e veiculada pela TV NBR. O trabalho foi resultado de uma parceria com a Embrapa.

O episódio destaca a região como um grande produtor e exportador de frutas, o que é possível por meio da irrigação, que utiliza as águas do rio São Francisco. Neste contexto é que se insere, ao lado do tradicional cultivo de uvas de mesa na região, também a produção de uvas finas para a elaboração de vinhos e espumantes com características do Semiárido.

No vídeo, as pesquisadoras Patrícia Coelho de Souza Leão e Aline Bia soto Marques abordam alguns dos trabalhos realizados pela empresa na região. Patrícia fala das avaliações das variedades de videiras e sua adaptação ao ambiente semiárido. Também destaca o diferencial da região de poder colher uvas em qualquer época do ano. Já Aline explica os trabalhos que são desenvolvidos no Laboratório de Enologia da Unidade. Ela cita as características dos vinhos do Vale do São Francisco e os estudos que são feitos para oferecer novas alternativas para os produtores.

Além dos estudos realizados pela Embrapa, o documentário mostra as experiências das vinícolas instaladas na região e o incentivo que a vitivinicultura dá ao desenvolvimento econômico e do enoturismo na região. Também apresenta os trabalhos de pesquisa e ensino na Escola do Vinho, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE).

A série Vinhos do Brasil foi idealizada por Bernardo Castro e dirigida por Alessa ndro Oliveira, que também realizou as entrevistas, e por Daniel Paranayba, responsável pela fotografia do documentário. O primeiro episódio abordou a vitivinicultura da Serra Gaúcha, realizado em parceria com a Embrapa Uva e Vinho (assista aqui).

Clique aqui para assistir ao documentário Vinhos do Brasil – Vale do São Francisco.

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Clonagem pode ajudar pecuária brasileira a aumentar produtividade Pesquisa apresentada durante a FAPESP Week London busca tornar mais eficiente geração de embriões viáveis, melhorar taxa de gestações bem-sucedidas e deixar o gado mais produtivo (Foto: Eduardo Cesar/Revista Pesquisa FAPESP)

14 de fevereiro de 2019

André Julião, de Londres | Agência FAPESP – Cientistas do Brasil começam a compreender certos mecanismos que podem levar à maior eficiência na clonagem de bovinos – passo importante para aumentar a produtividade da pecuária. Os pesquisadores encontraram fatores que determinam se o embrião clonado tem potencial ou não de se desenvolver e indicam se a gestação será bem-sucedida.

Atualmente, a taxa de produção de embriões a partir da clonagem varia entre 35% e 40%, considerada satisfatória e próxima da taxa de sucesso de embriões gerados in vitro. No entanto, apenas uma pequena fração das gestações de embriões clonados resulta no nascimento de bezerros.

Um aumento nessa taxa seria uma saída para gerar animais mais produtivos. A pesquisa foi apresentada durante a FAPESP Week London, ocorrida nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2019.

Desde o nascimento, em 1996, da ovelha Dolly – primeiro mamífero clonado de uma célula adulta somática –, a clonagem evoluiu bastante. No caso dos bovinos, porém, a eficiência da técnica não permite seu uso em larga escala.

“Quando comecei a fazer clonagem no fim dos anos 1990 e início dos 2000, a taxa de produção de embriões a partir de clones era muito baixa, 3% a 7%. Hoje ela está compatível com a da fecundação in vitro, às vezes até melhor. A taxa de gestação também é satisfatória, entre 25% e 50%. Mas a perda gestacional ainda é muito grande. Numa série de trabalhos que fizemos com a iniciativa privada até 2008, dos quase mil embriões que transferimos para as vacas, apenas 53 resultaram em bezerros”, disse Flávio Vieira Meirelles, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP).

Meirelles estuda formas de melhorar as taxas de sucesso de nascimento de clones por meio de um projeto financiado pela FAPESP, num acordo de cooperação com o Biotechnological and Biological Sciences Research Council, do Reino Unido.

Reprogramação celular

A chave para os resultados esperados pode estar na descoberta de microvesículas presentes em células somáticas dentro do folículo, estrutura que dá origem ao ovócito (célula germinativa feminina), que por sua vez origina o óvulo.

“Dentro dessas microvesículas estão os fatores ligados à reprogramação do ovócito que vão controlar a parte epigenética da célula [processos bioquímicos que controlam a ativação ou silenciamento de genes]. Essa é uma maneira pela qual o ovócito adquire a capacidade de se tornar uma célula capaz de reprogramar qualquer outra”, disse.

Essas microvesículas poderão ser também detectadas no sangue da vaca prenhe de um clone ainda no início da gestação. Pela análise dos microRNAs presentes nas microvesículas, será possível determinar se a gestação tem potencial de ir a termo.

“Precisamos saber o que está acontecendo para aumentar a qualidade do embrião e, então, melhorar o número de indivíduos que nascem saudáveis”, disse.

A compreensão desse mecanismo abrirá caminho para que embriões de clones sejam tão eficientes quanto os gerados por fecundação in vitro. A partir daí, será possível fazer clones em larga escala. As dificuldades atuais fazem com que apenas alguns poucos reprodutores sejam gerados a partir de clonagem e com alto custo.

“Diferentemente de aves e suínos, que têm bastante descendentes e intervalos de geração curtos, cada vaca só da à luz um bezerro por vez. E o tempo entre uma geração e outra é de três a cinco anos. Isso influencia como será gerada uma nova população. Usar a biotecnologia da reprodução para gerar populações consistentes vai permitir superar esses desafios”, disse.

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