Quer conhecer o futuro do gado nelore na América Latina? – EP 102

O Fala Carlão esteve em São Paulo com executivos da Semex, e o papo foi sobre o futuro promissor do nelore na América Latina e sobre os excelentes resultados da Semex em 2018. Ainda na capital paulista, Carlão conversou com Luis Fernando Tamassia sobre o novo cargo de liderança global que passa a ocupar na DSM e sobre a missão de levar para o mundo o melhor da pecuária nacional e trazer para o Brasil as novidades e o melhor da experiência mundial no setor. A equipe seguiu para Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde Carlão conversou com o empresário e pecuarista Duda Biagi sobre as expectativas positivas de recuperação do mercado de carne. E na sede da Publique, em Porangaba, Carlão recebeu executivos da SBC. A prosa foi sobre o investimento em novos protocolos e a perspectiva de alcançar novos mercados. Confira!

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Setor produtivo de nozes e castanhas busca apoio da Embrapa para alavancar mercado no Brasil

Gostosas, nutritivas e feitas sob medida para o mercado de alimentos saudáveis e funcionais, que cresce a passos largos no mundo – 12,3% ao ano, em média, de acordo com dados da agência Euromonitor International – as nozes, castanhas e frutas secas ainda não têm o mercado que merecem no Brasil. Enquanto o volume de exportações do Chile, por exemplo, cresceu seis vezes em 10 anos (2007-2017), o do Brasil ficou estagnado em aproximadamente US$ 200 milhões. Para discutir os principais gargalos desse setor no País e buscar soluções inovadoras para ampliar o mercado interno e externo, o presidente da recém-criada Associação Brasileira de Nozes e Castanhas e Frutas Secas (ABNC), José Eduardo Camargo, visitou no dia 14 de fevereiro a sede da Embrapa em Brasília, acompanhado do presidente da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), Eduardo Weisberg.

Segundo Camargo, que também é diretor da Divisão de Nozes e Castanhas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Associação foi criada em 2017 para unir forças em prol do desenvolvimento dessas cadeias produtivas de forma sustentável e competitiva no Brasil, com foco no aumento da produção, comercialização e consumo, além da geração de renda e crescimento das agroindústrias.

Ele explica que das oito nozes e castanhas mais consumidas no mundo (avelã, amêndoa, amendoim, pecã, pistache, macadâmia, castanhas e nozes), quatro são produzidas no Brasil: a de caju, do Brasil (também conhecida como do Pará), macadâmia e noz pecã. Mais recentemente, o baru, que é uma castanha originária do bioma Cerrado, vem ganhando espaço no mercado interno, mas ainda não é reconhecida no exterior. No mundo, esse mercado movimenta cerca de US$ 35 bilhões e cresce cerca de 6% ao ano. “Na Califórnia, por exemplo, a produção de amêndoas, pistache e nozes ocupa uma área superior a 560 mil hectares e gera benefícios financeiros da ordem de US$ 10 bilhões”, enfatiza.

O Brasil ainda está muito longe disso, como explica o presidente da ABNC, mas há muito potencial de crescimento. Segundo ele, o Brasil já foi o maior produtor mundial de castanha do Pará, com 23% do cultivo mundial. Hoje está em oitavo lugar nesse ranking.

De olho no mercado orgânico

Camargo destaca que as castanhas e nozes merecem um espaço mais solene no cenário agrícola brasileiro. Além de fontes comprovadas de gordura boa, todos os anos novas pesquisas comprovam mais benefícios desses produtos, como redução do colesterol e de triglicerídeos no sangue, entre outros.

Por isso, desde que foi criada, a ABNC tem como objetivo estreitar o contato com parceiros nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e fomento no País. “Já estivemos no BNDES, MAPA e chegamos à Embrapa, que é uma referência no crescimento e consolidação do agronegócio brasileiro”, ressalta Camargo.

Eles foram recebidos pelo secretário de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Bruno Brasil, e pelo assessor da Diretoria Executiva, Ruy Fontes, e destacaram como principal expectativa em relação à Empresa o desenvolvimento de soluções biológicas e sustentáveis para o controle de pragas e doenças dessas oleaginosas. “Precisamos entrar com força no mercado de produtos orgânicos, mas ainda somos muito dependentes de defensivos químicos no Brasil”, ressaltou Camargo, lembrando que o desenvolvimento de variedades com tolerância à seca também está na mira da ABNC.

Ele ressalta ainda a necessidade de mais pesquisadores dedicados aos estudos com essas oleaginosas.

Macadâmia: produção é mais fácil do que parece

Outro objetivo da instituição é aumentar a produção de macadâmia no Brasil. O País possui hoje 6.500 hectares cultivados com esse produto. São Paulo é o maior produtor, com 2.200 hectares, seguido de Espírito Santo e Rio de Janeiro.

“Aonde dá café, dá macadâmia”, comenta Camargo, lembrando que a produção dessa noz é muito satisfatória só que os resultados financeiros são obtidos a longo prazo. “Não há outro produto com a rentabilidade da macadâmia”, afirma o presidente da Associação, que também é proprietário da QueenNut, de Dois Córregos, em São Paulo.

A produtividade média é de 4 a 5 toneladas por hectare, mas trata-se de um investimento a longo prazo, uma vez que a produção começa entre quatro a cinco anos após o plantio e a árvore chega à idade adulta e de maior produção a partir de 12 anos. “Em São Paulo, por exemplo, com a proibição da queima da cana-de-açúcar a produção de macadâmia passou a ser uma alternativa para quem tem áreas em que não é possível colher cana com máquinas”, pontua.

Objetivo é aliar pesquisa e produção

O objetivo dos representantes da ABNC é estreitar a cooperação técnica com a Embrapa em prol do mercado de nozes e castanhas no Brasil. Segundo Weisberg, já há algumas ações em parceria com as unidades de Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ), Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE). Essas iniciativas estão voltadas, principalmente, às cadeias produtivas de sorvete e cosmético. “Um dos estudos pretende desenvolver sorvetes enriquecidos com ferro e cálcio para atletas, idosos e crianças”, explica o presidente da ABIS.

Outra ideia é desenvolver produtos diferenciados para o mercado de acordo com as peculiaridades dos biomas brasileiros.

Bruno Brasil apresentou a estrutura da Embrapa, que hoje conta com 9733 empregados, sendo 2425 pesquisadores, distribuídos nas 42 unidades de pesquisa da Empresa em todas as regiões brasileiras.

Segundo ele, entre os anos de 2008 a 2019, 51 projetos de pesquisa da Embrapa envolvendo estudos com nozes e castanhas foram executados ouainda estão em execução, abrangendo aproximadamente R$ 15 milhões e sete unidades do sudeste, nordeste e centro-oeste. Entre as principais culturas-alvo, destacam-se a castanha de caju (49%) e a do Pará/Brasil (41%).

Inovação aberta é o caminho

O secretário explicou aos representantes da ABNC as mudanças estruturais iniciadas na Embrapa há cerca de um ano com o objetivo de mudar o foco de atuação da Empresa de produção para inovação. De acordo com ele, a inovação aberta – modelo no qual pesquisa e setor produtivo constroem juntos os projetos é o caminho para estreitar a parceria com o setor produtivo de nozes e castanhas, entre outros.

A partir de março de 2019, parte do orçamento de pesquisa da Empresa será dedicado exclusivamente a parcerias com o setor produtivo, de forma descentralizada, ágil e em fluxo contínuo sem necessidade de editais. Até 2022, a expectativa é que esse número chegue a 50%.

Segundo Brasil, a expectativa é facilitar a formação de parcerias com as unidades de pesquisa da Embrapa. “Com essas mudanças estruturais, os representantes do setor produtivo não precisarão mais procurar a sede da Empresa ou esperar por editais para discutir ações integradas. Todas as unidades estarão aptas a fazer isso de forma ágil e flexível”, enfatizou.

O secretário explicou ainda que a contrapartida das empresas depende do porte de cada parceiro, podendo variar de um terço (33%) do projeto até zero, no caso de inovação social direcionada a pequenos agricultores.

O novo modelo de atuação despertou bastante o interesse dos representantes da Associação, que ficaram de enviar ao secretário de P&D as demandas por escrito para embasar a formação de futuras parcerias entre as instituições.

Gostosas, nutritivas e feitas sob medida para o mercado de alimentos saudáveis e funcionais, que cresce a passos largos no mundo – 12,3% ao ano, em média, de acordo com dados da agência Euromonitor International – as nozes, castanhas e frutas secas ainda não têm o mercado que merecem no Brasil. Enquanto o volume de exportações do Chile, por exemplo, cresceu seis vezes em 10 anos (2007-2017), o do Brasil ficou estagnado em aproximadamente US$ 200 milhões. Para discutir os principais gargalos desse setor no País e buscar soluções inovadoras para ampliar o mercado interno e externo, o presidente da recém-criada Associação Brasileira de Nozes e Castanhas e Frutas Secas (ABNC), José Eduardo Camargo, visitou no dia 14 de fevereiro a sede da Embrapa em Brasília, acompanhado do presidente da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), Eduardo Weisberg.

Segundo Camargo, que também é diretor da Divisão de Nozes e Castanhas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Associação foi criada em 2017 para unir forças em prol do desenvolvimento dessas cadeias produtivas de forma sustentável e competitiva no Brasil, com foco no aumento da produção, comercialização e consumo, além da geração de renda e crescimento das agroindústrias.

Ele explica que das oito nozes e castanhas mais consumidas no mundo (avelã, amêndoa, amendoim, pecã, pistache, macadâmia, castanhas e nozes), quatro são produzidas no Brasil: a de caju, do Brasil (também conhecida como do Pará), macadâmia e noz pecã. Mais recentemente, o baru, que é uma castanha originária do bioma Cerrado, vem ganhando espaço no mercado interno, mas ainda não é reconhecida no exterior. No mundo, esse mercado movimenta cerca de US$ 35 bilhões e cresce cerca de 6% ao ano. “Na Califórnia, por exemplo, a produção de amêndoas, pistache e nozes ocupa uma área superior a 560 mil hectares e gera benefícios financeiros da ordem de US$ 10 bilhões”, enfatiza.

O Brasil ainda está muito longe disso, como explica o presidente da ABNC, mas há muito potencial de crescimento. Segundo ele, o Brasil já foi o maior produtor mundial de castanha do Pará, com 23% do cultivo mundial. Hoje está em oitavo lugar nesse ranking.

De olho no mercado orgânico

Camargo destaca que as castanhas e nozes merecem um espaço mais solene no cenário agrícola brasileiro. Além de fontes comprovadas de gordura boa, todos os anos novas pesquisas comprovam mais benefícios desses produtos, como redução do colesterol e de triglicerídeos no sangue, entre outros.

Por isso, desde que foi criada, a ABNC tem como objetivo estreitar o contato com parceiros nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e fomento no País. “Já estivemos no BNDES, MAPA e chegamos à Embrapa, que é uma referência no crescimento e consolidação do agronegócio brasileiro”, ressalta Camargo.

Eles foram recebidos pelo secretário de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Bruno Brasil, e pelo assessor da Diretoria Executiva, Ruy Fontes, e destacaram como principal expectativa em relação à Empresa o desenvolvimento de soluções biológicas e sustentáveis para o controle de pragas e doenças dessas oleaginosas. “Precisamos entrar com força no mercado de produtos orgânicos, mas ainda somos muito dependentes de defensivos químicos no Brasil”, ressaltou Camargo, lembrando que o desenvolvimento de variedades com tolerância à seca também está na mira da ABNC.

Ele ressalta ainda a necessidade de mais pesquisadores dedicados aos estudos com essas oleaginosas.

Macadâmia: produção é mais fácil do que parece

Outro objetivo da instituição é aumentar a produção de macadâmia no Brasil. O País possui hoje 6.500 hectares cultivados com esse produto. São Paulo é o maior produtor, com 2.200 hectares, seguido de Espírito Santo e Rio de Janeiro.

“Aonde dá café, dá macadâmia”, comenta Camargo, lembrando que a produção dessa noz é muito satisfatória só que os resultados financeiros são obtidos a longo prazo. “Não há outro produto com a rentabilidade da macadâmia”, afirma o presidente da Associação, que também é proprietário da QueenNut, de Dois Córregos, em São Paulo.

A produtividade média é de 4 a 5 toneladas por hectare, mas trata-se de um investimento a longo prazo, uma vez que a produção começa entre quatro a cinco anos após o plantio e a árvore chega à idade adulta e de maior produção a partir de 12 anos. “Em São Paulo, por exemplo, com a proibição da queima da cana-de-açúcar a produção de macadâmia passou a ser uma alternativa para quem tem áreas em que não é possível colher cana com máquinas”, pontua.

Objetivo é aliar pesquisa e produção

O objetivo dos representantes da ABNC é estreitar a cooperação técnica com a Embrapa em prol do mercado de nozes e castanhas no Brasil. Segundo Weisberg, já há algumas ações em parceria com as unidades de Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ), Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE). Essas iniciativas estão voltadas, principalmente, às cadeias produtivas de sorvete e cosmético. “Um dos estudos pretende desenvolver sorvetes enriquecidos com ferro e cálcio para atletas, idosos e crianças”, explica o presidente da ABIS.

Outra ideia é desenvolver produtos diferenciados para o mercado de acordo com as peculiaridades dos biomas brasileiros.

Bruno Brasil apresentou a estrutura da Embrapa, que hoje conta com 9733 empregados, sendo 2425 pesquisadores, distribuídos nas 42 unidades de pesquisa da Empresa em todas as regiões brasileiras.

Segundo ele, entre os anos de 2008 a 2019, 51 projetos de pesquisa da Embrapa envolvendo estudos com nozes e castanhas foram executados ouainda estão em execução, abrangendo aproximadamente R$ 15 milhões e sete unidades do sudeste, nordeste e centro-oeste. Entre as principais culturas-alvo, destacam-se a castanha de caju (49%) e a do Pará/Brasil (41%).

Inovação aberta é o caminho

O secretário explicou aos representantes da ABNC as mudanças estruturais iniciadas na Embrapa há cerca de um ano com o objetivo de mudar o foco de atuação da Empresa de produção para inovação. De acordo com ele, a inovação aberta – modelo no qual pesquisa e setor produtivo constroem juntos os projetos é o caminho para estreitar a parceria com o setor produtivo de nozes e castanhas, entre outros.

A partir de março de 2019, parte do orçamento de pesquisa da Empresa será dedicado exclusivamente a parcerias com o setor produtivo, de forma descentralizada, ágil e em fluxo contínuo sem necessidade de editais. Até 2022, a expectativa é que esse número chegue a 50%.

Segundo Brasil, a expectativa é facilitar a formação de parcerias com as unidades de pesquisa da Embrapa. “Com essas mudanças estruturais, os representantes do setor produtivo não precisarão mais procurar a sede da Empresa ou esperar por editais para discutir ações integradas. Todas as unidades estarão aptas a fazer isso de forma ágil e flexível”, enfatizou.

O secretário explicou ainda que a contrapartida das empresas depende do porte de cada parceiro, podendo variar de um terço (33%) do projeto até zero, no caso de inovação social direcionada a pequenos agricultores.

O novo modelo de atuação despertou bastante o interesse dos representantes da Associação, que ficaram de enviar ao secretário de P&D as demandas por escrito para embasar a formação de futuras parcerias entre as instituições.

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Pesquisa retrata principais polos de criação de tilápia do Brasil

Um trabalho de pesquisa inédito, em metodologia e alcance, reunirá dados sobre a cadeia produtiva do peixe mais cultivado do Brasil, a tilápia (Oreochromis niloticus). O estudo faz parte do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil (BRS Aqua)” (veja quadro abaixo).

Por meio de um questionário on-line, poderão participar da pesquisa produtores dos dez maiores polos nacionais de produção da espécie: oeste do Paraná; norte do Paraná; Vale do Itajaí; Ilha Solteira (divisa entre SP e MS); submédio São Francisco (divisa entre PE, BA e AL); Reservatório Boa Esperança (PI); Serra da Mesa e Cana Brava (GO); Três Marias (MG); Furnas (MG); e Reservatórios Orós e Castanhão (CE). Juntos, ele s representam mais de 60% da produção nacional de tilápia.

A ideia é coletar informações como custos de produção, disponibilidade de crédito, tecnologias utilizadas, acesso aos mercados, nível de qualificação da mão de obra local, disponibilidade de insumos e equipamentos e até as condições de infraestrutura na região, como a existência de estradas e o acesso a energia elétrica.

A previsão é que esse trabalho de coleta termine em março e o processamento das informações seja concluído no segundo semestre deste ano. Haverá uma segunda etapa com questionário voltado para a indústria de pescado. Com os dados a serem divulgados, os pesquisadores querem entender melhor como estão organizados cada um desses polos produtivos e poderão subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas à piscicultura.

Um projeto para impulsionar a aquicultura nacional

O BRS Aqua reúne ações de pesqu isa e de transferência de tecnologia, envolve mais de 20 Unidades da Embrapa, cerca de 270 empregados da empresa e recursos financeiros de diferentes fontes.

São quase R$ 45 milhões do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (que estão sendo executados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq) e, como contrapartida, outros R$ 6 milhões da própria Embrapa. A tilápia é uma das quatro espécies que estão sendo trabalhadas no âmbito do projeto, que também tem ações com tambaqui, camarão cinza e bijupirá.

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Pesquisadora Lícia Lundstedt detalha o projeto BRS Aqua no programa Conexão Ciência

Abordagem quantitativa é inovadora

Na primeira etapa da pesquisa, participarão os piscicultores. Foi elaborado um questionário específico para eles, com questões cujas respostas vão permitir traçar um panorama dessas regiões produtoras também do ponto de vista quantitativo. “Essa metodologia é inovadora por incorporar indicadores quantitativos que permitem melhor comparação entre os polos estudados. Haja vista que a maioria dos estudos de cadeia de valor são essencialmente qualitativos. Além disso, estudos dessa natureza em aquicultura são inéditos no Brasil e mesmo no exterior”, conta o coordenador desse trabalho, Manoel Pedroza, pesquisador da área de Economia da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO).

O cientista conta que, em etapa posterior, o trabalho será expandido a outros atores da cadeia de valor da tilápia – com atuação na indústria. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a PeixeBR, Francisco Medeiros, afirma que “o conhecimento dos principais polos de produção não tem importância somente para os produtores, mas também para toda a indústria, de ração, processamento de pescado, fármacos, aditivos e equipamentos”.

Ele defende a necessidade de esse tipo de trabalho ser permanente. “Nós da cadeia de produção da piscicultura necessitamos de informações mais detalhadas de mercado, dados que sejam acompanhados regularmente, para que possamos planejar melhor o nosso negócio, avaliar o que estamos fazendo e tomar decisões a curto, médio e longo prazos baseados em dados e não em suposições. Portanto, se faz necessário que esse trabalho seja contínuo”, coloca.

Com o participar

Neste primeiro momento, para que os dados coletados retratem adequadamente como se organiza cada um dos dez polos produtivos trabalhados, os pesquisadores pedem o envolvimento dos produtores. Os interessados em participar da pesquisa podem acessar este link. As respostas são rápidas.

O produtor se beneficiará dos dados coletados

Pedroza entende que, ao conhecer tanto os fatores positivos como os negativos de seu polo de atuação, o piscicultor poderá planejar melhor suas atividades, otimizando as vantagens e minimizando os gargalos do próprio polo produtivo. Dessa maneira, será possível aproveitar melhor as condições favoráveis da região e cobrar das instituições responsáveis a solução de problemas que esteja m atrapalhando a expansão sustentável da atividade.

Subsídio para políticas públicas

O trabalho também vai contribuir com a gestão pública e as instituições responsáveis pela formulação de políticas para o setor. O pesquisador da Embrapa acredita que os dados a serem obtidos vão permitir a identificação dos principais fatores que afetam o desenvolvimento da atividade, tanto os que o impulsionam, como os que o dificultam. “A partir dessas informações, será possível orientar as políticas públicas que de fato apoiem os produtores, evitando assim erros históricos ligados a investimentos públicos mal planejados”, analisa. Questões ligadas à utilização de águas da União para a produção em tanques-rede, por exemplo, poderão ser resolvidas conhecendo-se melhor a atuação profissional dos produtores.

Pedroza ressalta que o projeto não pretende fazer uma classificação ou ranqueamento entre os polos. A proposta entender o que cada região oferece aos produtores ali localizados sejam condições favoráveis ou não à atividade.

Produção de tilápia no Brasil

De acordo com dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a tilápia continua sendo a espécie de peixe mais criada no país. Naquele ano, a espécie foi responsável por 58,4% da produção nacional da piscicultura. Esse volume é mais de três vezes maior que o da segunda espécie mais criada no país, o tambaqui (Colossoma macropomum), que respondeu por 18,2% da produção nacional de 2017. Entre as regiões geográficas, o Sul do Brasil permaneceu na liderança, produzindo 42% da tilápia brasileira; em seguida, vêm o Sudeste e o Nordeste. Os estados que mais produziram foram Paraná, São Paulo e Minas Gerais. As informações são do estudo Produção da Pecuária Municipal, divulgado anualmente pelo IBGE.

Um trabalho de pesquisa inédito, em metodologia e alcance, reunirá dados sobre a cadeia produtiva do peixe mais cultivado do Brasil, a tilápia (Oreochromis niloticus). O estudo faz parte do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil (BRS Aqua)” (veja quadro abaixo).

Por meio de um questionário on-line, poderão participar da pesquisa produtores dos dez maiores polos nacionais de produção da espécie: oeste do Paraná; norte do Paraná; Vale do Itajaí; Ilha Solteira (divisa entre SP e MS); submédio São Francisco (divisa entre PE, BA e AL); Reservatório Boa Esperança (PI); Serra da Mesa e Cana Brava (GO); Três Marias (MG); Furnas (MG); e Re servatórios Orós e Castanhão (CE). Juntos, eles representam mais de 60% da produção nacional de tilápia.

A ideia é coletar informações como custos de produção, disponibilidade de crédito, tecnologias utilizadas, acesso aos mercados, nível de qualificação da mão de obra local, disponibilidade de insumos e equipamentos e até as condições de infraestrutura na região, como a existência de estradas e o acesso a energia elétrica.

A previsão é que esse trabalho de coleta termine em março e o processamento das informações seja concluído no segundo semestre deste ano. Haverá uma segunda etapa com questionário voltado para a indústria de pescado. Com os dados a serem divulgados, os pesquisadores querem entender melhor como estão organizados cada um desses polos produtivos e poderão subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas à piscicultura.

Um projeto para impulsionar a aquicultura nacionaltrong>

O BRS Aqua reúne ações de pesquisa e de transferência de tecnologia, envolve mais de 20 Unidades da Embrapa, cerca de 270 empregados da empresa e recursos financeiros de diferentes fontes.

São quase R$ 45 milhões do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (que estão sendo executados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq) e, como contrapartida, outros R$ 6 milhões da própria Embrapa. A tilápia é uma das quatro espécies que estão sendo trabalhadas no âmbito do projeto, que também tem ações com tambaqui, camarão cinza e bijupirá.

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Pesquisadora Lícia Lundstedt detalha o projeto BRS Aqua no programa Conexão Ciência

Abordagem quantitativa é inovadora

Na primeira etapa da pesquisa, participarão os piscicultores. Foi elaborado um questionário específico para eles, com questões cujas respostas vão permitir traçar um panorama dessas regiões produtoras também do ponto de vista quantitativo. “Essa metodologia é inovadora por incorporar indicadores quantitativos que permitem melhor comparação entre os polos estudados. Haja vista que a maioria dos estudos de cadeia de valor são essencialmente qualitativos. Além disso, estudos dessa natureza em aquicultura são inéditos no Brasil e mesmo no exterior”, conta o coordenador desse trabalho, Manoel Pedroza, pesquisador da área de Economia da Embrapa Pesca e Aq uicultura (TO).

O cientista conta que, em etapa posterior, o trabalho será expandido a outros atores da cadeia de valor da tilápia – com atuação na indústria. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a PeixeBR, Francisco Medeiros, afirma que “o conhecimento dos principais polos de produção não tem importância somente para os produtores, mas também para toda a indústria, de ração, processamento de pescado, fármacos, aditivos e equipamentos”.

Ele defende a necessidade de esse tipo de trabalho ser permanente. “Nós da cadeia de produção da piscicultura necessitamos de informações mais detalhadas de mercado, dados que sejam acompanhados regularmente, para que possamos planejar melhor o nosso negócio, avaliar o que estamos fazendo e tomar decisões a curto, médio e longo prazos baseados em dados e não em suposições. Portanto, se faz necessário que esse trabalho seja contínuo”, c oloca.

Como participar

Neste primeiro momento, para que os dados coletados retratem adequadamente como se organiza cada um dos dez polos produtivos trabalhados, os pesquisadores pedem o envolvimento dos produtores. Os interessados em participar da pesquisa podem acessar este link. As respostas são rápidas.

O produtor se beneficiará dos dados coletados

Pedroza entende que, ao conhecer tanto os fatores positivos como os negativos de seu polo de atuação, o piscicultor poderá planejar melhor suas atividades, otimizando as vantagens e minimizando os gargalos do próprio polo produtivo. Dessa maneira, será possível aproveitar melhor as condições favoráveis da região e cobrar das instituições responsáveis a solução de problemas que estejam atrapalhando a expansão sustentável da atividade.

Subsídio para políticas públicas

O trabalho também vai contribuir com a gestão pública e as instituições responsáveis pela formulação de políticas para o setor. O pesquisador da Embrapa acredita que os dados a serem obtidos vão permitir a identificação dos principais fatores que afetam o desenvolvimento da atividade, tanto os que o impulsionam, como os que o dificultam. “A partir dessas informações, será possível orientar as políticas públicas que de fato apoiem os produtores, evitando assim erros históricos ligados a investimentos públicos mal planejados”, analisa. Questões ligadas à utilização de águas da União para a produção em tanques-rede, por exemplo, poderão ser resolvidas conhecendo-se melhor a atuação profissional dos produtores.

Pedroza ressalta que o projeto não pretende fazer uma classifica ão ou ranqueamento entre os polos. A proposta é entender o que cada região oferece aos produtores ali localizados sejam condições favoráveis ou não à atividade.

Produção de tilápia no Brasil

De acordo com dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a tilápia continua sendo a espécie de peixe mais criada no país. Naquele ano, a espécie foi responsável por 58,4% da produção nacional da piscicultura. Esse volume é mais de três vezes maior que o da segunda espécie mais criada no país, o tambaqui (Colossoma macropomum), que respondeu por 18,2% da produção nacional de 2017. Entre as regiões geográficas, o Sul do Brasil permaneceu na liderança, produzindo 42% da tilápia brasileira; em seguida, vêm o Sudeste e o Nordeste. Os estados que mais produziram foram Paraná, São Paulo e Minas Gerais. As informações são do estudo Produ ão da Pecuária Municipal, divulgado anualmente pelo IBGE.

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