O evento aconteceu em Santo Antônio de Goiás, durante todo o dia 22 de fevereiro. A abertura foi feita pelo chefe de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Unidade, Elcio Guimarães, e pela pesquisadora Flávia Alcântara, que coordenou o Dia de Campo ao lado de Glays Matos, também da Embrapa Arroz e Feijão.
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As tecnologias foram apresentadas em quatro estações, com os temas: “Quintal Agroecológico”, “Melhoramento de Feijão em Sistema Agroecológico”, “Insumos Agroecológicos” e “Bioenergia”. As duas últimas, foram coordenadas e apresentadas pelo IFGoiano, Câmpus Urutaí, e UFG, respectivamente.

Nesta edição, o Dia de Campo passou a ser Multi-institucional, tendo por realizadores, além da Embrapa Arroz e Feijão, a Universidade Federal de Goiás (UFG), Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica de Goiás (ADAO), Instituto Federal de Goiás (IFG), Instituto Federal Goiano (IFGoiano), Associação dos Produtores Agroecológicos de Anápolis e Região (APROAR), Comissão de Produção Orgânica de Goiás (CPOrg-GO/Ministério da agricultura), EMATER/GO, Centro Estadual de Referência em Medicina Integrativa e Complementar (CREMIC). O chefe de P&D falou sobre o crescimento e desta transformação do Dia de Campo, que deixou de ter em seus parceiros apenas participantes, tornando-os coorganizadores, o que demonstra a importância de produzir trabalhos conjuntos, visto o sucesso que rendeu. Elcio falou também sobre a grandeza das ações realizadas pelos agricultores que se dedicam à Agroecologia. “Há uma mensagem simples passada aqui, no sucesso desses 15 anos em que estamos nesta área: somos capazes de produzir diversas culturas de forma agroecológica! Se vocês saírem daqui acreditando que é possível trabalhar desta forma, teremos alcançado nosso principal objetivo”, disse ele.

A pesquisadora Flávia Alcântara cumprimentou, de início, os dois responsáveis pela gestão de campo da Fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão, Marcos Antônio Rodrigues de Oliveira e Wilson Luiz de Oliveira Primo, pela dedicação que permite a realização do evento a cada ano, sempre com as melhores condições de trabalho. Ela concluiu as boas-vindas, cumprimentando aos presentes e que se dedicam aos meios agroecológicos de atuação, homenageando a todos por meio de quatro mulheres que, por seus trabalhos, se transformaram ícones do movimento ecologista no planeta: Vandana Shiva, filósofa e ecoativista indiana, fundadora da Navdanya, ONG que promove a biodiversidade de sementes, as plantações orgânicas e os direitos de agricultores; Dona Dijé, brasileira, fundadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, no Maranhão, que lutou pela regulamentação do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, representando mais de cinco milhões de brasileiros, entre indígenas, quilombolas, seringueiros e outras dezenas de grupos; Rachel Carson, bióloga marinha, ambientalista e escritora americana, que alertou o mundo para o impacto ambiental de fertilizantes e pesticidas. É considerada uma das principais ativistas no trabalho de preservar o mundo para as gerações futuras; e Ana Maria Primavesi, uma das pioneiras na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de maneira integrada com o meio ambiente. A compreensão do solo como um organismo vivo e com diversos níveis de interação com a planta foi uma das contribuições de Primavesi para a agronomia.

O dia de campo e seus temas
Quintal Agroecológico

A primeira estação do Dia de Campo da fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão teve como tema “Quintal Agroecológico”. A Dra. Mara Rubia, do CREMIC, foi a responsável pela apresentação de plantas com propriedades medicamentosas, destacando algumas, como a Carqueja e o Hortelã, bastante conhecidos da população, definidos por ela como portadores de excelentes efeitos medicinais no tratamento dos sistemas digestivo e hepático. “Hoje em dia, as pessoas estão se cuidando muito pouco, intoxicadas pela alimentação, pelo consumo de produtos químicos. Estas duas plantas agem muito bem nesses casos”, afirma a pesquisadora. O Hortelã, segundo ela, é indicado também para combater a ansiedade, a presença de gorduras no corpo e em processos virais ou bacterianos do sistema respiratório. Outra planta que teve sua utilização ressaltada nesta estação foi o Açafrão, pela ação antialérgica, nos casos de doenças da pele, com cicatrizante e anti-inflamatório.

A pesquisadora do CREMIC, entre outros pontos, esclareceu sobre a forma correta de utilização das plantas, a dose ideal e o tempo de tratamento, afirmando que muitas doenças ocorrem por conta de estilos de vida e alimentação inadequados e as plantas podem colaborar com a sustentação da qualidade da saúde. “As plantas medicinais são importantes para ajudar na prevenção de problemas, mas é preciso saber como usá-las”, disse Mara Rúbia.

Este tema, Quintal Agroecológico, já havia sido abordado no ano passado, com as Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANC), apresentadas pela engenheira agrônoma, Taís Ferreira de Almeida, pesquisadora da Emater-GO, e pelo fitotecnista Nuno Rodrigues Madeira, pesquisador da Embrapa Hortaliças.

Insumos Agroecológicos

O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Agroecologia (NEPA), do Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí, foi responsável pela segunda estação: “Insumos Agroecológicos”.  Sob a orientação do prof. Dr. Milton Sérgio Dornelles, diversos estudantes da Instituição abordaram conteúdos como: princípios e técnicas para manejo ecológico do solo e da biodiversidade; uso do fosfato natural de rocha, pó de rocha, gesso agrícola, microrganismos eficazes (ME), composto orgânico, bokashi e resíduos agrícolas, inoculantes e sementes crioulas, entre outros materiais.

Um dos destaques trazidos ao evento pelo prof. Milton Dornelles é o biofertilizante a base de jaca, em substituição aos materiais que usa comumente, como melado e açúcar mascavo, que são muito caros. O produto é feito com todas as partes do fruto da jaqueira, trituradas em liquidificador ou, se em grande escala, em triturador de silagem. “O uso integral da fruta foi a melhor forma, eu tentei primeiro só com os favos, mas, com a casca e os caroços, o biofertilizante ficou enriquecido de proteína e minerais, como o fósforo, foi melhor ainda”, diz o pesquisador. Segundo ele, uma jaca de 10 quilos é suficiente para produzir 50 litros do biofertilizante, ativando os microrganismos eficazes tão bem quanto os melhores produtos já experimentados, o que torna essa fórmula algo muito barato e bem acessível. O uso de pó de rocha foi outro ponto destacado, visto a grande exigência das culturas da adição de potássio para boa produtividade.

À tarde, o professor ministrou a oficina sobre Biofertilizantes Líquidos, momento em que realizou na prática as explicações teóricas da estação. Foi produzido biofertilizante simples, com água, esterco (EM e carbono), leite e açúcar (fontes de energia); e outros dois, que adotam os mesmos ingredientes, um enriquecido com pó de rocha ou fosfato (minerais), outro com capim picado como fonte de carbono, substituindo o esterco.

Melhoramento Genético de Feijão para Sistemas Agroecológicos

Os pesquisadores Joaquim Cáprio e Thiago Lívio foram os responsáveis por apresentar esse trabalho. Nesse caso, todo o processo de geração de novas cultivares é conduzido, privilegiando a conservação ambiental, biodiversidade e ciclos biológicos.

Na Fazendinha, por exemplo, são utilizados adubos verdes. Crotalária e milheto são cultivados no início das chuvas de verão e, após 45 dias, são cortados e incorporados ao solo. Posteriormente, é feito o plantio de feijão e aplicação a lanço de fertilizante fosfatado à base de pó de rocha. Já para o controle de pragas, são preparadas caldas para pulverização das plantas, a partir de extratos de neem e de pimenta.

As etapas do programa de melhoramento de feijão são realizadas em áreas com esse manejo e envolvem o desenvolvimento de populações e seleção de plantas, estabelecimento de linhagens, a montagem de ensaios até chegar à recomendação final de novas variedades. O pesquisador Joaquim Cáprio que trabalha com a cultura do feijão desde a década de 1960 mostrou as linhagens do tipo carioca, preto e mulatinho que poderão se tornar cultivares, voltadas ao segmento da agroecologia e da agricultura familiar. Ele destacou uma das principais mudanças que ocorreu na planta de feijão nos últimos 20 anos, realizada na estrutura da planta, que deixou de ter porte mais rasteiro para adquirir uma arquitetura ereta.

“Quando eu comecei a trabalhar com feijão, as vagens encostavam no chão e, quando chovia, estragava a colheita e manchava os grãos. Com o programa de melhoramento, isso foi mudando. Hoje existem variedades com a extremidade das últimas vagens de até uns 12 centímetros acima do solo. Além disso, o fenótipo da planta de feijão é bem mais fechado e em pé, sendo difícil encontrar uma linhagem dessas de feijão que acame”, afirmou Joaquim Cáprio.

A cultura do feijão possui peso dentro da agricultura familiar do País e é estabelecida nas pequenas propriedades rurais com baixo uso de insumos externos. Em levantamento feito em 2018 com dados do Banco Mundial e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estima-se que a agricultura familiar seja responsável por 70% da produção de feijão no Brasil.

Bioenergia

A quarta estação, “Bioenergia”, trouxe os resultados de pesquisas desenvolvidas em conjunto por várias instituições, sendo apresentadas por Wilson Mozena Leandro (UFG), Joachim Werner Zang (Instituto Federal de Goiás-IFG) e Pricila Vetrano Rizzo (Núcleo Avançado da Embrapa Gado de Leite, Regional Centro-Oeste). O objetivo deste trabalho é o desenvolvimento integrado da água-resíduos-energia-alimento, para apoiar a produção agroecológica em comunidades rurais. No Dia de Campo, foram demonstradas as produções de bioenergia e de biofertilizantes, que podem ser produzidos a partir do capim ou de resíduos da propriedade rural.

Sobre a utilização do capim para bioenergia, foram destacadas espécies que podem ser cultivadas para produção de biomassa como, por exemplo, o capim elefante BRS Capiaçu, desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite. “Com estas e outras espécies de capim, tem-se uma produção de biomassa que pode ser utilizada para vários fins. O capim é triturado e colocado num biodigestor, com microrganismos líquidos que fermentam todo o resíduo e geram energia, como o biogás”, esclareceu Mozena.

Pricila Vetrano apresentou a fossa séptica biodigestora, tecnologia de saneamento básico rural, desenvolvida pela Embrapa Instrumentação, que trata o esgoto do vaso sanitário da propriedade rural, transformando-o em biofertilizante. Este é um sistema de baixo custo, fácil instalação e manejo que, quando instalada, evita a poluição do solo e da água e ainda permite que o esgoto tratado seja aproveitado para adubação de árvores frutíferas, por exemplo.

A pesquisa com bioenergia integra ações para a agricultura familiar financiadas pelo CNPq – Projeto CVT; e Fapeg/Fundação Newton – junto com University College London (UCL) de Londres, e está sendo utilizado em propriedades de Goiás. Conta, ainda, com o apoio da chamada pública Nexus, lançada em agosto de 2017 para financiar estudos de soluções sustentáveis em segurança hídrica, energética e alimentar, apresentando os resultados de pesquisas de várias instituições, entre elas, a Embrapa Arroz e Feijão.

Ao final do evento, aconteceu a Feira Agroecológica, realizada em parceria com a Associação de Produtores Orgânicos de Anápolis e Região (APROAR) e a Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica em Goiás (ADAO). Os agricultores ligados a estas instituições comercializaram produtos como mel, pólen, rapadura, hortaliças e frutas, entre outros.

Realização:

·  Embrapa Arroz e Feijão;

·  Universidade Federal de Goiás (UFG);

·  Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica de Goiás (ADAO);

·  Instituto Federal de Goiás (IFG);

·  Instituto Federal Goiano (IFGoiano);

·  Associação dos Produtores Agroecológicos de Anápolis e Região (APROAR);

·  Comissão de Produção Orgânica de Goiás (CPOrg-GO/Ministério da agricultura);

·  EMATER/GO;

·  Centro Estadual de Referência em Medicina Integrativa e Complementar (CREMIC);

·  Grupo de Estudos em Manejo Agroecológico dos Solos, do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) APINAJÉ/UFG;

Núcleo de Pesquisa em Agroecologia (NEPA) da UFG.

O evento aconteceu em Santo Antônio de Goiás, durante todo o dia 22 de fevereiro. A abertura foi feita pelo chefe de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Unidade, Elcio Guimarães, e pela pesquisadora Flávia Alcântara, que coordenou o Dia de Campo ao lado de Glays Matos, também da Embrapa Arroz e Feijão. As tecnologias foram apresentadas em quatro estações, com os temas: “Quintal Agroecológico”, “Melhoramento de Feijão em Sistema Agroecológico”, “Insumos Agroecológicos” e “Bioenergia”. As duas últimas, foram coordenadas e apresentadas pelo IFGoiano, Câmpus Urutaí, e UFG, respectivamente.

Nesta edição, o Dia de Campo passou a ser Multi-institucional, tendo por realizadores, além da Embrapa Arroz e Feijão, a Universidade Federal de Goiás (UFG), Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica de Goiás (ADAO), Instituto Federal de Goiás (IFG), Instituto Federal Goiano (IFGoiano), Associação dos Produtores Agroecológicos de Anápolis e Região (APROAR), Comissão de Produção Orgânica de Goiás (CPOrg-GO/Ministério da agricultura), EMATER/GO, Centro Estadual de Referência em Medicina Integrativa e Complementar (CREMIC). O chefe de P&D falou sobre o crescimento e desta transformação do Dia de Campo, que deixou de ter em seus parceiros apenas participantes, tornando-os coorganizadores, o que demonstra a importância de produzir trabalhos conjuntos, visto o sucesso que rendeu. Elcio falou também sobre a grandeza das ações realizadas pelos agricultores que se dedicam à Agroecologia. “Há uma mensagem simples passada aqui, no sucesso desses 15 anos em que estamos nesta área: somos capazes de produzir diversas culturas de forma agroecológica! Se vocês saírem daqui acreditando que é possível trabalhar desta forma, teremos alcançado nosso principal objetivo”, disse ele.

A pesquisadora Flávia Alcântara cumprimentou, de início, os dois responsáveis pela gestão de campo da Fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão, Marcos Antônio Rodrigues de Oliveira e Wilson Luiz de Oliveira Primo, pela dedicação que permite a realização do evento a cada ano, sempre com as melhores condições de trabalho. Ela concluiu as boas-vindas, cumprimentando aos presentes e que se dedicam aos meios agroecológicos de atuação, homenageando a todos por meio de quatro mulheres que, por seus trabalhos, se transformaram ícones do movimento ecologista no planeta: Vandana Shiva, filósofa e ecoativista indiana, fundadora da Navdanya, ONG que promove a biodiversidade de sementes, as plantações orgânicas e os direitos de agricultores; Dona Dijé, brasileira, fundadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, no Maranhão, que lutou pela regulamentação do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, representando mais de cinco milhões de brasileiros, entre indígenas, quilombolas, seringueiros e outras dezenas de grupos; Rachel Carson, bióloga marinha, ambientalista e escritora americana, que alertou o mundo para o impacto ambiental de fertilizantes e pesticidas. É considerada uma das principais ativistas no trabalho de preservar o mundo para as gerações futuras; e Ana Maria Primavesi, uma das pioneiras na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de maneira integrada com o meio ambiente. A compreensão do solo como um organismo vivo e com diversos níveis de interação com a planta foi uma das contribuições de Primavesi para a agronomia.

O dia de campo e seus temas
Quintal Agroecológico

A primeira estação do Dia de Campo da fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão teve como tema “Quintal Agroecológico”. A Dra. Mara Rubia, do CREMIC, foi a responsável pela apresentação de plantas com propriedades medicamentosas, destacando algumas, como a Carqueja e o Hortelã, bastante conhecidos da população, definidos por ela como portadores de excelentes efeitos medicinais no tratamento dos sistemas digestivo e hepático. “Hoje em dia, as pessoas estão se cuidando muito pouco, intoxicadas pela alimentação, pelo consumo de produtos químicos. Estas duas plantas agem muito bem nesses casos”, afirma a pesquisadora. O Hortelã, segundo ela, é indicado também para combater a ansiedade, a presença de gorduras no corpo e em processos virais ou bacterianos do sistema respiratório. Outra planta que teve sua utilização ressaltada nesta estação foi o Açafrão, pela ação antialérgica, nos casos de doenças da pele, com cicatrizante e anti-inflamatório.

A pesquisadora do CREMIC, entre outros pontos, esclareceu sobre a forma correta de utilização das plantas, a dose ideal e o tempo de tratamento, afirmando que muitas doenças ocorrem por conta de estilos de vida e alimentação inadequados e as plantas podem colaborar com a sustentação da qualidade da saúde. “As plantas medicinais são importantes para ajudar na prevenção de problemas, mas é preciso saber como usá-las”, disse Mara Rúbia.

Este tema, Quintal Agroecológico, já havia sido abordado no ano passado, com as Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANC), apresentadas pela engenheira agrônoma, Taís Ferreira de Almeida, pesquisadora da Emater-GO, e pelo fitotecnista Nuno Rodrigues Madeira, pesquisador da Embrapa Hortaliças.

Insumos Agroecológicos

O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Agroecologia (NEPA), do Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí, foi responsável pela segunda estação: “Insumos Agroecológicos”.  Sob a orientação do prof. Dr. Milton Sérgio Dornelles, diversos estudantes da Instituição abordaram conteúdos como: princípios e técnicas para manejo ecológico do solo e da biodiversidade; uso do fosfato natural de rocha, pó de rocha, gesso agrícola, microrganismos eficazes (ME), composto orgânico, bokashi e resíduos agrícolas, inoculantes e sementes crioulas, entre outros materiais.

Um dos destaques trazidos ao evento pelo prof. Milton Dornelles é o biofertilizante a base de jaca, em substituição aos materiais que usa comumente, como melado e açúcar mascavo, que são muito caros. O produto é feito com todas as partes do fruto da jaqueira, trituradas em liquidificador ou, se em grande escala, em triturador de silagem. “O uso integral da fruta foi a melhor forma, eu tentei primeiro só com os favos, mas, com a casca e os caroços, o biofertilizante ficou enriquecido de proteína e minerais, como o fósforo, foi melhor ainda”, diz o pesquisador. Segundo ele, uma jaca de 10 quilos é suficiente para produzir 50 litros do biofertilizante, ativando os microrganismos eficazes tão bem quanto os melhores produtos já experimentados, o que torna essa fórmula algo muito barato e bem acessível. O uso de pó de rocha foi outro ponto destacado, visto a grande exigência das culturas da adição de potássio para boa produtividade.

À tarde, o professor ministrou a oficina sobre Biofertilizantes Líquidos, momento em que realizou na prática as explicações teóricas da estação. Foi produzido biofertilizante simples, com água, esterco (EM e carbono), leite e açúcar (fontes de energia); e outros dois, que adotam os mesmos ingredientes, um enriquecido com pó de rocha ou fosfato (minerais), outro com capim picado como fonte de carbono, substituindo o esterco.

Melhoramento Genético de Feijão para Sistemas Agroecológicos

Os pesquisadores Joaquim Cáprio e Thiago Lívio foram os responsáveis por apresentar esse trabalho. Nesse caso, todo o processo de geração de novas cultivares é conduzido, privilegiando a conservação ambiental, biodiversidade e ciclos biológicos.

Na Fazendinha, por exemplo, são utilizados adubos verdes. Crotalária e milheto são cultivados no início das chuvas de verão e, após 45 dias, são cortados e incorporados ao solo. Posteriormente, é feito o plantio de feijão e aplicação a lanço de fertilizante fosfatado à base de pó de rocha. Já para o controle de pragas, são preparadas caldas para pulverização das plantas, a partir de extratos de neem e de pimenta.

As etapas do programa de melhoramento de feijão são realizadas em áreas com esse manejo e envolvem o desenvolvimento de populações e seleção de plantas, estabelecimento de linhagens, a montagem de ensaios até chegar à recomendação final de novas variedades. O pesquisador Joaquim Cáprio que trabalha com a cultura do feijão desde a década de 1960 mostrou as linhagens do tipo carioca, preto e mulatinho que poderão se tornar cultivares, voltadas ao segmento da agroecologia e da agricultura familiar. Ele destacou uma das principais mudanças que ocorreu na planta de feijão nos últimos 20 anos, realizada na estrutura da planta, que deixou de ter porte mais rasteiro para adquirir uma arquitetura ereta.

“Quando eu comecei a trabalhar com feijão, as vagens encostavam no chão e, quando chovia, estragava a colheita e manchava os grãos. Com o programa de melhoramento, isso foi mudando. Hoje existem variedades com a extremidade das últimas vagens de até uns 12 centímetros acima do solo. Além disso, o fenótipo da planta de feijão é bem mais fechado e em pé, sendo difícil encontrar uma linhagem dessas de feijão que acame”, afirmou Joaquim Cáprio.

A cultura do feijão possui peso dentro da agricultura familiar do País e é estabelecida nas pequenas propriedades rurais com baixo uso de insumos externos. Em levantamento feito em 2018 com dados do Banco Mundial e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estima-se que a agricultura familiar seja responsável por 70% da produção de feijão no Brasil.

Bioenergia

A quarta estação, “Bioenergia”, trouxe os resultados de pesquisas desenvolvidas em conjunto por várias instituições, sendo apresentadas por Wilson Mozena Leandro (UFG), Joachim Werner Zang (Instituto Federal de Goiás-IFG) e Pricila Vetrano Rizzo (Núcleo Avançado da Embrapa Gado de Leite, Regional Centro-Oeste). O objetivo deste trabalho é o desenvolvimento integrado da água-resíduos-energia-alimento, para apoiar a produção agroecológica em comunidades rurais. No Dia de Campo, foram demonstradas as produções de bioenergia e de biofertilizantes, que podem ser produzidos a partir do capim ou de resíduos da propriedade rural.

Sobre a utilização do capim para bioenergia, foram destacadas espécies que podem ser cultivadas para produção de biomassa como, por exemplo, o capim elefante BRS Capiaçu, desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite. “Com estas e outras espécies de capim, tem-se uma produção de biomassa que pode ser utilizada para vários fins. O capim é triturado e colocado num biodigestor, com microrganismos líquidos que fermentam todo o resíduo e geram energia, como o biogás”, esclareceu Mozena.

Pricila Vetrano apresentou a fossa séptica biodigestora, tecnologia de saneamento básico rural, desenvolvida pela Embrapa Instrumentação, que trata o esgoto do vaso sanitário da propriedade rural, transformando-o em biofertilizante. Este é um sistema de baixo custo, fácil instalação e manejo que, quando instalada, evita a poluição do solo e da água e ainda permite que o esgoto tratado seja aproveitado para adubação de árvores frutíferas, por exemplo.

A pesquisa com bioenergia integra ações para a agricultura familiar financiadas pelo CNPq – Projeto CVT; e Fapeg/Fundação Newton – junto com University College London (UCL) de Londres, e está sendo utilizado em propriedades de Goiás. Conta, ainda, com o apoio da chamada pública Nexus, lançada em agosto de 2017 para financiar estudos de soluções sustentáveis em segurança hídrica, energética e alimentar, apresentando os resultados de pesquisas de várias instituições, entre elas, a Embrapa Arroz e Feijão.

Ao final do evento, aconteceu a Feira Agroecológica, realizada em parceria com a Associação de Produtores Orgânicos de Anápolis e Região (APROAR) e a Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica em Goiás (ADAO). Os agricultores ligados a estas instituições comercializaram produtos como mel, pólen, rapadura, hortaliças e frutas, entre outros.

Realização:

·  Embrapa Arroz e Feijão;

·  Universidade Federal de Goiás (UFG);

·  Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica de Goiás (ADAO);

·  Instituto Federal de Goiás (IFG);

·  Instituto Federal Goiano (IFGoiano);

·  Associação dos Produtores Agroecológicos de Anápolis e Região (APROAR);

·  Comissão de Produção Orgânica de Goiás (CPOrg-GO/Ministério da agricultura);

·  EMATER/GO;

·  Centro Estadual de Referência em Medicina Integrativa e Complementar (CREMIC);

·  Grupo de Estudos em Manejo Agroecológico dos Solos, do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) APINAJÉ/UFG;

Núcleo de Pesquisa em Agroecologia (NEPA) da UFG.

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