DORIA QUER REPETIR EM 2022 ESTRATÉGIA DE FHC EM 1994

Fonte: Kennedy Alencar

O PSDB está se afastando de Jair Bolsonaro para tentar viabilizar a candidatura presidencial do governador de São Paulo, João Doria. O plano é tentar repetir em 2022 a estratégia vitoriosa de Fernando Henrique Cardoso em 1994.

Naquele ano, FHC fez uma aliança entre o PSDB e o PFL, que hoje é o Democratas. Doria tenta colocar em prática a mesma estratégia.

Depois de um período de proximidade com Bolsonaro, fundamental para que fosse eleito governador de São Paulo no segundo turno em outubro passado, Doria está tomando distância do presidente da República.




Ainda que de forma indireta, meio nas entrelinhas nas entrevistas, o governador paulista tem criticado a articulação política do governo, a falta de clareza na estratégia econômica e a quantidade de crises criadas pelo próprio Bolsonaro, seus filhos políticos e aliados de extrema-direita, como o escritor Olavo de Carvalho.

Partidários de Doria dizem que ele tem um plano claro. Quer fazer uma chapa presidencial tendo como vice ACM Neto, presidente do DEM e prefeito de Salvador. Tem procurado estreitar laços com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A ideia de políticos ligados a Doria é convencer Rodrigo Maia a disputar o governo do Rio.

Mais: como o apresentador de TV Luciano Huck voltou a se movimentar para ser candidato à Presidência, tucanos têm procurado apontar outro caminho. Avaliam que, inexperiente, Huck deveria se candidatar a prefeito do Rio de Janeiro.

Assim, a chapa ideal de uma aliança entre PSDB e DEM em 2022 teria Doria na cabeça para presidente. ACM Neto na vice pelo DEM. Rodrigo Maia, do DEM, para governo do Rio. E Luciano Huck, eventualmente filiado ao PSDB, como candidato à sucessão do prefeito Marcelo Crivella.

Tucanos avaliam que FHC poderia convencer Huck a concorrer a prefeito, mas interlocutores do apresentador dizem que ele acha a prefeitura pequena demais para suas ambições políticas.

Maia e Huck têm sonhos presidenciais próprios, mas o presidente da Câmara não conseguiu viabilizar sua candidatura no ano passado e o apresentador desistiu duas vezes. Já Doria busca se mostrar como um nome de centro-direita mais denso politicamente e mais preparado administrativamente do que Bolsonaro para conduzir os rumos do país.

O tucano sabe que Bolsonaro poderá tentar a reeleição, mas já participou de conversas de bastidor nas quais o presidente sinalizou que poderia se contentar com um mandato.

O PSDB avalia que o ministro da Justiça, Sergio Moro, emite sinais dúbios, ora parece querer ir para o Supremo Tribunal Federal, ora parece desejar se lançar à Presidência em caso de naufrágio administrativo de Bolsonaro.

Em resumo, o movimento de levar o PSDB claramente a ocupar um espaço de centro e centro-direita, afastando-se da extrema-direita e da centro-esquerda, é parte da estratégia daqueles que trabalham para eleger Doria presidente da República em 2022.

Ouça o comentário feito hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:



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