Fonte: Embrapa

A restrição de água é um grande desafio para as atividades agropecuárias e, nos últimos anos, várias regiões tiveram índices de chuva abaixo das médias históricas. Nesse contexto, ganham cada vez mais relevância as tecnologias que permitem um melhor desempenho da produção agrícola em áreas com restrições hídricas.

Plantas mais resistentes à seca têm sido foco de pesquisas em Minas Gerais, por causa da ocorrência de chuvas irregulares e abaixo das médias, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do estado.




Leidy Rufino, pesquisadora da Epamig em Montes Claros, destaca que a escassez hídrica fez muitos produtores perderem pastagens e lavouras nos últimos anos. A partir daí, tiveram início os trabalhos com palma forrageira e capim Buffel.

A palma forrageira tem 10 de matéria seca, ou seja, a cada 10 Kg da planta, 9 Kg são de água. Por isso, é considerada também uma fonte para dessedentação animal. Em alguns casos extremos, é uma reserva de água para o gado. Como alimento, tem muito carboidrato, mas pouca fibra, e não é capaz de fornecer a quantidade de proteína necessária para os animais se manterem bem.

“É preciso associar uma fonte de fibra para os ruminantes não terem diarreia. Pode ser usada a fibra que o produtor tiver disponível na propriedade, como capim seco ou silagem. Também se deve associar uma fonte de proteína para complementar o alimento. Neste caso, a fonte mais barata é ureia”, explica a pesquisadora.

Há mais de uma forma de uso da palma na alimentação animal. “O mais comum é colher da lavoura, picar e fornecer para o gado. Para facilitar a vida do produtor, é possível colher e guardar a palma à sombra por até 16 dias, sem prejuízo da qualidade”, afirma Leidy. Também pode ser feito o pastejo direto.

É possível ainda fazer silagem de palma, mas a pesquisadora explica que esse procedimento não se justifica. “Por que fazemos silagem? Para guardar alimento no período de escassez. No entanto, a palma fica bem no campo nesses períodos. Não precisa ser ensilada”.

A recomendação é de que a palma pode substituir de 40 a 50 do volumoso usado na alimentação animal. Para vacas de alta produção, essa porcentagem de substituição não deve ultrapassar 30 .

Já o capim Buffel é recomendado para a região semiárida por ser mais resistente à seca do que outras gramíneas. “O Buffel precisa de 400 mm para vegetar bem, enquanto a braquiária precisa de 800 mm”, comenta a pesquisadora.

Uma desvantagem do Buffel é sua baixa produção de massa. “A entrada de animais é feita com 30 cm de altura. Ele não é exigente em disponibilidade de água, mas é exigente em fertilidade. A formação da pastagem não é fácil. O Buffel prefere o solo arenoso ao argiloso e não tolera alagamento”, completa a pesquisadora.

Para o plantio, que pode ser feito a lanço, Leidy recomenda de 5 a 10 Kg de sementes por hectare. É preciso ter atenção, pois a semente de Buffel apresenta dormência. Então, deve-se plantar semente produzida no ano anterior. A principal forma de utilização do Buffel na alimentação animal é o pastejo direto.

Um problema que pode ocorrer é o ataque de cigarrinha das pastagens. Nesse caso, assim que se identifica a presença da praga, deve ser feito o controle com uso de inseticida.

Outro fator importante ao considerar a escassez de chuvas é a possibilidade de uso racional e econômico de água em irrigação.

O professor João Carlos Ferreira Borges, da Universidade Federal de São João del-Rei, explica que existem alternativas para viabilizar a produção de forrageiras em regiões com restrições hídricas, onde a irrigação precisa ser feita com a máxima eficiência. O professor cita três modelos para pequenos produtores: irrigação por sulco, com mangueira Santeno, e por microaspersor.

Em área demonstrativa na Embrapa Milho e Sorgo, os três modelos foram instalados em lavoura de capim-elefante, cultivar BRS Capiaçu.

O Capiaçu foi escolhido por apresentar alta produtividade de forragem, independentemente do clima. Já a escolha do tipo de irrigação varia de acordo com o consumo de água disponível e as características do solo. “Foram feitas duas avaliações para medir este consumo nos três sistemas. O mais econômico e mais eficiente foi o microaspersor”, explicou o assistente Roberto de Jesus das Neves, da Embrapa Milho e Sorgo.

Em regiões com restrições hídricas, é também fundamental o aproveitamento eficiente da água de chuva para o desenvolvimento rural. O agrônomo Luciano Cordoval de Barros, da Embrapa Milho e Sorgo, trabalha com tecnologias sociais que favorecem esse aproveitamento: Barraginhas e lagos de múltiplo uso.

Essas tecnologias garantem a sustentabilidade hídrica para agricultores familiares de regiões semiáridas e subúmidas de diversos estados do Brasil. São sistemas que viabilizam o suprimento de água para o consumo humano, a irrigação de pequenas lavouras e hortas, a dessendentação de animais e a criação de peixes.

 “Para produzir água, precisamos de chuva. No nosso projeto, indicamos um técnico, já treinado, para ensinar os produtores como construir a Barraginha e como captar a água. E cada propriedade tem a sua característica, por isso, o produtor é que vai indicar os lugares onde ocorrem as enxurradas. Quanto mais locais com enxurradas, mais Barraginhas poderão ser construídas”, explicou Cordoval.

Já o lago de múltiplo uso é impermeabilizado com lona de plástico comum. Sua construção também é rápida e tem baixo custo de implantação, quando comparado aos lagos construídos com lonas especiais.

As tecnologias para produção agropecuária em ambientes com restrições hídricas foram apresentadas durante a 12ª Semana de Integração Tecnológica, realizada em Sete Lagoas entre os dias 20 e 24 de maio.



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