Fonte: Faemg

Espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do País, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) sinalizou recessão técnica da economia brasileira após encerrar o segundo trimestre com queda de 0,13%, registrando duas reduções consecutivas no ano.

Os números divulgados ontem pelo Banco Central apontaram ainda alta de 0,30% em junho sobre o mês anterior, uma forte desaceleração em relação à taxa de 1,1% em maio, segundo dado revisado que desconsidera os efeitos sazonais.

Na comparação com junho de 2018, o IBC-Br apresentou queda de 1,75% e, no acumulado em 12 meses, teve alta de 1,08%.

O segundo trimestre terminou com retração de 0,7% na produção industrial do País e, em junho, a redução foi de 0,6%.




O volume de serviços recuou 1% e apresentou o pior resultado para o mês em quatro anos. Por outro lado, as vendas no varejo registraram ganhos de 0,1% no mês, mas ainda assim encerraram o segundo trimestre com queda.

Os dados do PIB do segundo trimestre serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 29 de agosto. No primeiro trimestre, a economia do Brasil teve recuo de 0,2% na comparação com os últimos três meses de 2018, segundo a instituição.

Para o economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, a sinalização de uma recessão técnica pode levar uma mensagem negativa para os agentes econômicos em termos de formação de perspectivas para o andamento da economia no restante do ano.

“Esse resultado mostra que, pelo menos na primeira metade do ano, as políticas fiscais e monetárias ainda não surtiram efeito para possibilitar um crescimento econômico mais consistente. Essa queda leva a uma leitura negativa por parte dos agentes econômicos e as perspectivas e confiança que esses agentes têm para os próximos seis meses tendem a ser negativamente afetadas”, afirma.

No entanto, Almeida ressalta o peso da sazonalidade para o comércio, que, historicamente, tende a apresentar melhores resultados no segundo semestre devido à concentração de importantes datas comemorativas, injeção de renda na economia via 13º salário e geração de empregos temporários no fim do ano.

“Apesar desse resultado negativo no primeiro calendário, existem alguns fatores que colaboram para aumentar a atividade econômica do comércio e ainda levam certo otimismo para os empresários no segundo semestre”, enfatiza.

O economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Eudésio Eduim da Silva, também ressalta que a economia do País efetivamente não está em recessão, mas que os indicativos apontam para essa possibilidade caso ocorram eventos, no curto prazo, que possam reverter a situação econômica.

Ele destaca ainda que, do ponto de vista da oferta, todos os setores se comportaram aquém do esperado. A indústria e o setor de serviços apresentaram variação negativa enquanto o comércio se manteve estável. Sendo assim, embora o consumo das famílias tenha melhorado de maneira moderada, os investimentos seguem estagnados.

“A conjuntura como um todo tem mostrado que a confiança do empresário na economia está muito baixa e, se ele não investir, provoca reflexos no mercado de trabalho. Não existe uma perspectiva de curto prazo para melhorar de maneira significativa a taxa de desemprego”, alerta.

Agronegócio – Na análise da coordenadora de assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, a atuação do governo federal tem sido eficaz, com estratégias para buscar um direcionamento e sinalização melhores. Para ela, são necessárias medidas com foco em equilíbrio fiscal, competitividade, melhora de serviços e liberalização econômica para melhorar o ambiente econômico e permitir que os produtores invistam e tenham condições de continuar atendendo às demandas.

“Qualquer sinalização ou investimento realizados provocam uma resposta positiva devido a toda a produtividade e o sustentáculo que o setor produtivo e o agronegócio têm nos últimos anos. Por isso são necessárias essas ações positivas para criar um ambiente melhor na economia e dar continuidade aos investimentos e reverter essa situação”, comenta.

Ela lembra que a previsão de crescimento para o PIB no ano ainda é positiva e acredita que o agronegócio tem muito a contribuir nesse sentido. Outro ponto importante para Aline Veloso são medidas que busquem a geração de empregos e a formalização de micro e pequenas empresas, além da disponibilidade de recursos que pode influenciar positivamente o consumo voltado para alimentação ou produtos vinculados ao setor.

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