Represa Paiva de Castro, também conhecida como Represa do Juqueri, em Franco da Rocha

Comitês de bacias hidrográficas podem utilizar uma ferramenta de gestão que já se mostrou eficaz para eleger projetos prioritários na gestão dos recursos hídricos. O método foi testado em um projeto piloto desenvolvido pelo doutorando Marcos Sartori, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), junto ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT). A orientação do trabalho foi do professor Antonio Carlos Zuffo.

De mais de 100 milhões de reais disponíveis em 2019, o Comitê do Alto Tietê alocou 62 milhões, deixando uma reserva para os próximos investimentos. “É melhor investir no que é de fato necessário do que pulverizar recursos já tão escassos. Isso mostra eficiência na aplicação da ferramenta”, pontuou Marcos. Os investimentos são relacionados ao tratamento de esgoto, controles de cheias, recuperação de mananciais, etc.

Em resumo, o método descrito como “apoio multicritério à decisão”, propõe que os membros do comitê estruturem seus pontos de vista sob a forma gráfica, como organogramas e “árvores de problemas”. A partir daí os chamados “decisores”, ou atores do processo, devem criar critérios para avaliar os projetos recebidos. As alternativas são comparadas e ordenadas, passando previamente por um critério de rejeição. Só então é criada uma espécie de ranking de propostas, de acordo com as necessidades da bacia.

“O método não é estritamente objetivo, ele também considera a subjetividade ao estruturar decisões justas, transparentes, de melhor compromisso com os valores dos decisores, considerando aspectos econômicos, sociais e ambientais”, ressalta o autor.

No Estado de São Paulo são 21 comitês, segundo dados da pesquisa. São órgãos colegiados, formados por membros dos poderes públicos e sociedade civil organizada, responsáveis sobretudo pela formulação dos planos de bacias e indicação de projetos prioritários para preservar e recuperar os recursos naturais.

Marcos Sartori (direita) e seu orientador Antonio Carlos Zuffo, da FEC

O autor da pesquisa escreve: “O desafio de alocar fundos públicos não é uma tarefa trivial. Sobretudo em um Comitê de Bacia Hidrográfica, órgão colegiado, descentralizado, democrático e composto por representantes com aspirações e interesses difusos em torno do tema água”. Marcos observa que há conflitos de valores e de objetivos entre os interessados nas decisões a serem tomadas. Há diferentes relações e assimetrias de poder, basta tomar como exemplo o Estado e uma associação.

O método contribui para a melhoria do processo de seleção de programas e projetos, mas também serviços e obras. “Algumas vantagens são o aumento de comprometimento dos atores envolvidos, maior transparência na utilização dos recursos públicos, diminuição dos conflitos de interesse e maior agilidade nas decisões”, destaca.

Marcos explica a origem dos recursos disponibilizados pelos comitês do Estado de São Paulo. O maior montante vem da cobrança pelo uso da água, que incide sobre a captação, o consumo e lançamento de efluentes dos usuários outorgados. Outra fonte é a compensação pelos usos hidroenergéticos, ou seja, o uso da água para a geração de energia. Os critérios estabelecidos pelos diferentes comitês são publicados anualmente em deliberações que servem de base para escolher o que será financiado.

O pesquisador foi convidado para integrar a Câmara Técnica de Gestão de Investimentos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, órgão responsável por elaborar a proposta de deliberação com os critérios para os investimentos. Ele atuou como um facilitador orientando as atividades do grupo de acordo com o método proposto na pesquisa.

O trabalho acabou resultando no desenvolvimento de um fator de prioridade que multiplica a nota atribuída a um projeto. O fator “K” acabou incluído nas deliberações de 2019 para as chamadas de projetos. Marcos Sartori entende que esta foi a maior contribuição da pesquisa até agora.

FONTE

Unicamp
Patricia Lauretti

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Empresa-filha da Unicamp, a NeuralMind disponibiliza de forma inédita e gratuita um algoritmo do Google no idioma português brasileiro

NeuralMind, empresa-filha da Unicamp instalada no Parque Científico e Tecnológico, atua com inteligência artificial e acaba de disponibilizar, de forma inédita e gratuita, um algoritmo do Google treinado para o idioma português brasileiro.

No caso, trata-se do código aberto da plataforma, chamado Bidirectional Encoder Representations from Transformers (BERT), que foi liberado em dezembro e tem o objetivo de tornar as buscas mais precisas por processar a linguagem natural. Ou seja, a ferramenta compreende melhor o que os usuários desejam encontrar com suas palavras-chaves a partir desse novo processo.

Segundo o Google, 15% das pesquisas realizadas em sua plataforma por dia são inéditas, o que justifica o desenvolvimento do algoritmo para oferecer resultados mais precisos. Essa é apenas uma das aplicabilidades do código para a inteligência artificial, conforme explica o professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp e diretor técnico da NeuralMind, Roberto Lotufo.

“O exemplo de busca precisa do Google é apenas uma das várias aplicabilidades de uso do BERT. Por exemplo, na NeuralMind, utilizamos o BERT em outras tarefas de processamento de linguagem natural como extração de dados, sejam eles nomes de pessoas, endereços, instituições e datas”, esclarece Lotufo.

Apesar dos benefícios do código, o Google distribuiu o algoritmo com treinamento apenas em inglês, mandarim e multilíngue, uma versão genérica usada para as demais línguas não contempladas. Como a versão genérica não é tão eficaz quanto um treinamento em uma linguagem específica, diversas entidades pelo mundo resolveram treinar a ferramenta em sua própria língua.

“No Brasil, treinamos o BERT Português, pois apresenta resultados melhores do que se usássemos o BERT-multilíngue. Agora, o algoritmo está disponível gratuitamente para difundir a tecnologia no Brasil e outros países de língua portuguesa, o que pode contribuir com o avanço da pesquisa e desenvolvimento de produtos nessa área, como os chatbots”, ressalta o docente sobre o feito inédito no país.

No treinamento, a empresa-filha teve que usar um texto extenso no idioma português brasileiro, sendo utilizado o corpus de texto gratuito Brazilian Web as Corpus (BrWaC). Lotufo lembra que o treinamento “foi um trabalho hercúleo, de vários dias das máquinas do Google Cloud, além de várias semanas de preparação dos dados”, mas com o resultado positivo.

Hoje, as empresas ou desenvolvedores que desejarem adotar a solução podem acessá-la no GitHub da NeuralMind, uma plataforma de hospedagem de código-fonte utilizado pela empresa-filha.

Mais informações no site da empresa.

FONTE

Agência de Inovação da Unicamp
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GoBots surgiu com a proposta de facilitar o trabalho de lojas virtuais. Foto: Antoninho Perri

A opção de fazer compras on-line facilita e muito a vida na correria do dia a dia. Mas só até surgir a primeira dúvida. “Tem o meu número? Quando o produto chega? Posso parcelar no boleto?” Com a ideia de facilitar a vida de quem gerencia um e-commerce e oferecer ao cliente uma experiência próxima a das lojas físicas, ex-alunos da Unicamp criaram a GoBots, startup que desenvolve robôs de inteligência artificial e os implementa em lojas virtuais. O sistema se encarrega de atender os consumidores de forma rápida e eficiente, reduzindo as tarefas dos administradores dos sites.

Os robôs funcionam respondendo a questões e dúvidas dos clientes, nos espaços de chat dos sites. Para atender os clientes com agilidade e precisão, eles se utilizam de um banco de informações gerais pré-programadas pela GoBots e, com base nas informações trocadas nos diálogos com os clientes, aprendem novas respostas e consegue responder ainda mais rápido.

Outro diferencial é que cada loja ou site tem seu próprio robô, com informações específicas acessadas apenas pela loja, como dados do estoque e histórico de compras dos clientes, o que garante a privacidade. Porém, se for necessário, informações gerais podem ser trocadas entre robôs diferentes, o que também ajuda no aperfeiçoamento dos sistemas.

Criada em 2017, a tecnologia da GoBots estreou no mercado já com uma prova de fogo, no site de uma grande rede de livrarias em plena Black Friday. Na época, tudo deu certo. Hoje os robôs da empresa atendem mais de 130 lojas e sites de e-commerce. Agora em 2020, a GoBots se prepara para duas inovações: ampliar sua atuação para outros países da América Latina e aliar seu desenvolvimento às pesquisas realizadas pela universidade.

“O risco era não empreender”

A iniciativa partiu de Victor Hochgreb e Samuel Birocchi. Formados em Engenharia de Computação pela Unicamp, eles tiveram a ideia de criar algum tipo de solução para o mercado que envolvesse a inteligência artificial. Juntamente com Daniel Buglia, formado em administração pela Universidade Metodista de São Paulo e amigo de Victor desde os tempos de colégio, pensaram como eles poderiam aplicar o recurso em coisas mais simples do cotidiano. “A gente não tinha uma ideia muito clara de que íamos acabar trabalhando com lojas on-line, mas a gente apostava muito na inteligência artificial como uma forma de conseguir acessar milhões de pessoas. Cada vez mais as pessoas têm celular, o acesso à internet está crescendo no mundo, e a gente pensou: ‘imagina se houvesse um robozinho que conseguisse falar com milhões de pessoas, qual impacto a gente conseguiria gerar?”, explica Victor.

Até então, sistemas de inteligência artificial eram mais complexos de serem implementados nas empresas, além de resolverem problemas muito específicos. Samuel conta que foi graças à participação deles em um programa de aceleração que foi possível ampliar essa perspectiva e tornar o uso de robôs mais próximo das tarefas comuns do comércio. “Nós fazíamos projetos personalizados, softwares personalizados. Aí começamos a pensar em um produto que a gente pudesse vender em escala. Analisamos o design thinking dos sites e identificamos esse nicho, essa dor do lojista, que tem muitos pedidos, muita gente para atender, e não consegue. Por usar a inteligência artificial, a gente consegue ter a mente do robô e usá-la para vários clientes”, comenta o jovem empresário.

Da esquerda para a direita: Daniel Buglia, Samuel Birocchi e Victor Hochgreb. Foto: Antoninho Perri

Para dar início à empresa, eles fizeram uma opção corajosa. Os três trabalhavam em grandes empresas, consolidadas no mercado, mas pensaram que poderiam fazer muito mais a diferença se tivessem a liberdade de por em prática o que acreditam como mais promissor. “Existe o risco de você não empreender. Acho que entrar em uma empresa tradicional e fazer carreira nela também é ficar um pouco preso a ela ao longo dos anos. Eu tinha acabado de me formar, não tenho filhos, acho que é um momento muito bom que eu poderia me arriscar. Em outras situações poderia não ser possível”, explica Victor.

Outro fator que motivou os rapazes foi a consciência de que, depois de receberem uma formação sólida na universidade pública, era a hora de retribuir o investimento feito pela sociedade. “A Unicamp é uma universidade pública, o povo investiu na gente, então temos a responsabilidade de devolver isso. Acho que a gente pode devolver isso desenvolvendo tecnologias novas, causando impacto”, avalia Samuel.

Parceria em pesquisas e malas prontas para o Chile

Recentemente, a GoBots teve aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) um Projeto de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Com ele, a startup vai abrir as portas para que alunos de graduação e pós-graduação realizem pesquisas que envolvam inteligência artificial e o desenvolvimento de novas tecnologias.

“É um projeto que vamos começar em março, com recursos da Fapesp. Com o grupo de pesquisa, vamos melhorar ainda mais a inteligência artificial. Temos um professor responsável do Instituto de Computação, o Júlio César dos Reis, ele é nosso parceiro. Esses projetos aprovados pela Fapesp recebem verba para bolsistas e compra de materiais, então vamos ter bolsas de estudo para quem quiser pesquisar inteligência artificial aqui na GoBots, sempre com um viés científico, mas para o PIPE é necessário ter uma aplicação de mercado. No nosso caso encaixou muito bem”, explica Victor.

Eles também começam o ano de malas prontas rumo a Santiago, no Chile. A empresa foi selecionada para participar do programa de aceleração Startup Chile. Daniel é quem vai representá-los no país durante nove meses. Lá, eles vão receber consultorias e apoio no processo de expansão da GoBots junto a empresas chilenas  e, segundo as expectativas dos jovens empreendedores, em toda a América Latina. “É um programa de aceleração global, o objetivo deles é fomentar o negócio local. Eles trazem essas empresas com alto potencial de crescimento, fazem um aporte financeiro nessas empresas para que elas montem uma operação por lá, aluguem espaço, abram conta, contratem funcionários. Nossa expectativa é de abrir um braço comercial da GoBots no Chile, começar a prospectar clientes locais e, para o futuro, a gente imagina trazer clientes de outros países por meio dessa unidade”, conta Daniel.

FONTE

Unicamp
Felipe Mateus

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