O chichá é uma árvore que pode chegar até 20 metros de altura, tendo flores vermelhas. (Foto: João Medeiros)
Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) identificou potenciais funcionais na fruta chichá (Sterculia striata), uma espécie de amendoim mais conhecida como amendoim-de-pau ou amendoim-de-macaco. O estudo, coordenado pela Professora Titular Aposentada, Maria das Graças Lins Brandão, foi desenvolvido pela pesquisadora Sarah Prates, com a colaboração de um grupo de pesquisadores, durante o seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Realizada entre março de 2016 e abril de 2018, a pesquisa teve como objetivo avaliar o potencial bioativo das amêndoas do chichá. A ideia era aproveitar o fruto como alimento funcional e disponibilizar mais informações e conhecimentos para sociedade.

A planta estudada foi coletada na região de Januária, Minas Gerais, área de proteção Ambiental Rio Pandeiros. Já os experimentos foram realizados na própria UFMG. Durante o desenvolvimento do estudo, os pesquisadores encontraram no chichá a presença de rutina, compostos bioativos que estão entre os antioxidantes naturais mais eficazes. “A rutina possui ação oxidante, anti-inflamatórios, antiviral e anticancerígena. Alguns estudos já demonstraram seus efeitos benéficos no tratamento de várias doenças, incluindo hepatotoxicidade, doenças gastrointestinais e diabetes. Estudos em animais a sugerem como um fármaco eficiente no tratamento da isquemia encefálica e da doença inflamatória intestinal”, afirma Sarah.

Além da rutina, no óleo extraído da amêndoa do chichá também foi encontrada uma predominância de ácidos graxos insaturados, que ao serem consumidos podem ser convertidos em energia para o corpo humano.

Para Sarah Prates a pesquisa é significativa porque além de disponibilizar informações importantes sobre a fruta, que é pouco conhecida, foi possível caracteriza-la como um alimento com potencial funcional. Além disso, pode ser uma maneira de resguardar a planta. “O mais importante deste estudo é poder, através dos resultados alcançados, disponibilizar informações e conhecimento que possam contribuir para a preservação e conservação desta planta. Considerando, principalmente, que é uma planta nativa do nosso país e, infelizmente, está ameaçada de extinção” disse.

No entanto, mais estudos devem ser realizados com a fruta e com o seu óleo, para avaliar os efeitos do seu consumo e o impacto nutricional. “Existem alguns estudos realizados com a Sterculia striata, porém este trabalho é inédito, principalmente, em relação aos experimentos de bioacessibilidade que avaliam o que, de fato, fica disponível para absorção no organismo após o consumo do alimento”, pontua.

O que é o chichá

O chichá é uma árvore que pode chegar até 20 metros de altura, tendo flores vermelhas. Seus frutos são uma espécie de cápsula verde, que fica vermelha quando madura. Ao amadurecer, esse invólucro se abre e expõe seus frutos comestíveis, que são semelhantes a uma amêndoa de cor preta.

A fruta está distribuída em todas as regiões do Brasil, principalmente na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica e com exceção da região Sul. Segundo a pesquisadora, os moradores da região em que foram coletadas as frutas, relataram consumir a amêndoa in natura e torrada, porém ainda não existe um cultivo agrícola da planta na área.

 

FONTE

FAPEMIG
Texto: Vitor Hugo Silva

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Uma pesquisa desenvolvida por um bolsista da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) pode mudar a forma de cultivo de alface em Sergipe. A prática faz uso de biofertilizantes na produção da hortaliça e o produto natural pode ser usado para nutrir e proteger outros tipos de mudas e culturas perenes.

No estudo foram utilizados três tipos biofertilizantes: o Biogeo, derivado da decomposição de matérias animais ou vegetais; a Manipueira, resultada da prensa da mandioca; e os Microrganismos Eficientes (EM), que aumentam a diversidade dos organismos que vivem no solo. Por motivos estratégicos a variedade escolhida da hortaliça foi a lisa, também conhecida como Orelha de Burro, seu ciclo curto de 45 dias permitiu resultados mais imediatos.

O pesquisador do projeto, Luciano Santos de Jesus, é estudante de Tecnologia em Agroecologia no Instituto Federal de Sergipe (IFS), do campus de São Cristóvão. Para o graduando, o projeto foi um sucesso, com alto índice de capacidade, uma vez que foi possível desenvolver uma cultura adaptável, que é a alface, com um resultado de curto prazo, devido o ciclo dessa cultura.

“Foram usados 35 vasos, com aproximadamente cinco quilos do solo, selecionado e peneirado, e sete tipos de tratamento. No final do projeto, dentre os três tipos de biofertilizantes, para essa variedade de alface, o que melhor apresentou resultados foi a manipueira”, explica.

O resultado da pesquisa está disponível no IFS e é um atrativo para os interessados em tecnologia social, uma vez que a adubação foliar é utilizada com materiais acessíveis, de baixo custo e de base orgânica e ecológica, que gera o interesse em pequenos produtores e extensionistas rurais. “Com o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), os alunos das instituições de ensino superior e de pesquisa do estado de Sergipe, podem realizar seus projetos com todos recursos necessários”, explica o diretor presidente da Fapitec, José Heriberto.

O estudo, que foi finalizado este ano, teve como orientadora, a professora Liamara Perim, e como voluntários, os graduandos Francisco Marcelo Azevedo e Ingrid Santos Figueiredo. Uma das conquistas do projeto foi a premiação na 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada ano passado, em Aracaju. A pesquisa foi escolhida como a melhor na área de ciências agrárias.

FONTE

FAPITEC
Fotos: Divulgação

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Gráfico apresenta os dados consolidados das sugestões de mudança na alimentação dos brasileiros em gramas diários (Imagem: Faperj)
Preocupado com a melhoria da dieta da população e em formular uma proposta em acordo com os hábitos culturais e o custo dos alimentos, o pesquisador do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/Uerj) Eliseu Verly Júnior está trabalhando com uma grande base de dados para traçar o perfil ideal da dieta para diferentes grupos sociais e regionais. O nutricionista trabalha com os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e uma subpesquisa, também do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chamada Inquérito Nacional de Alimentação. Da POF, extrai dados de compras de mais de 55 mil domicílios e cruza estas informações com a rotina de alimentação de mais de 30 mil indivíduos. A pesquisa conta com apoio da FAPERJ por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, em que foi contemplado.

O estudo parte do pressuposto de que a mudança de dieta é necessária, mas que o custo dos alimentos e as características locais podem tornar inviáveis escolhas alimentares mais saudáveis. “A partir dos dados do IBGE, nós estamos analisando como as pessoas se alimentam e a viabilidade, dada a renda familiar e o que elas já gastam com a alimentação, terem uma alimentação adequada”, explica o pesquisador. Para exemplificar, o nutricionista cita como exemplo o consumo de peixe na Região Norte do País, que é maior quando comparada com as demais regiões. De acordo com Verly Júnior, o menor custo, a grande aceitabilidade local, e sua qualidade nutricional o tornam um alimento fundamental, cujo consumo deve ser incentivado.

Outra vertente inclui o impacto ambiental, ou seja, como escolhas saudáveis, culturalmente aceitáveis e acessíveis, podem contribuir para redução do impacto ambiental a partir da alimentação. Ele cita como exemplo a produção de carne vermelha, que, segundo diversos estudos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos internacionais, tem contribuição considerável nas mudanças climáticas. Nesse caso, o estudo sugere que se reduza o consumo de carne vermelha em todo o Brasil. “Esses são dados consolidados, mas também estamos trabalhando com diversos estratos sociais e suas diferenças regionais”, detalha.

De acordo com os dados preliminares obtidos com a pesquisa, de modo geral, a refeição ideal do brasileiro poderia conter menos arroz, que seria compensado com mais feijão; menos carne vermelha e processados, e mais peixe e salada. Ainda segundo o estudo, o consumo de ovo deveria ser mais incentivado nas regiões Norte e Nordeste, onde esse alimento tem uma boa aceitabilidade. Já o frango poderia ser mais consumido nos quatro cantos do país, com exceção da Região Centro-Oeste, onde o consumo de carne vermelha já é elevado. Outra classe de alimentos que pode ter seu consumo aumentado na refeição diária é o de laticínios. E os alimentos prontos para consumo, tais como salgadinhos, molhos, biscoitos, vários tipos de pratos prontos ou semiprontos e refrigerantes, devem ser diminuídos em todo o País. “O consumo de alimentos ultra-processados é associado ao maior consumo calórico e estudos recentes tem sugerido associação com obesidade e outras doenças crônicas”, explica o nutricionista.

Ainda em andamento, a pesquisa pretende encontrar uma combinação de alimentos em diversidade e quantidade suficiente para atender a um conjunto de recomendações nutricionais, seguras e que sejam factíveis de serem adotadas pela população.A pesquisa também está avaliando a compatibilidade entre uma alimentação saudável, com maior quantidade de frutas e hortaliças, e o risco de consumo excessivo de resíduos de agrotóxicos presentes nos alimentos. Para isso, os dados de consumo de alimentos serão relacionados com os obtidos pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para – 2013/2015) em que foram analisadas 12.051 amostras de 25 alimentos de origem vegetal.

Ainda em andamento, a pesquisa pretende encontrar uma combinação de alimentos em diversidade e quantidade suficiente para atender a um conjunto de recomendações nutricionais, seguras e que sejam factíveis de serem adotadas pela população.

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Cristiano Nogueira / USP A campestre Philodryas livida vem perdendo espaço para a agricultura mecanizadaCristiano Nogueira / USP

 

Atlas recolhe informações sobre as áreas de ocorrência de todas as espécies registradas no país, mapeia biodiversidade e detecta regiões prioritárias para novos inventários
De cor laranja-avermelhada e tamanho modesto (não passa de 50 centímetros), a serpente da espécie Phalotris lativittatus é naturalmente rara e de distribuição geográfica bastante restrita. Como se não bastasse, sua incidência no estado de São Paulo, onde é endêmica (só existe ali), vem diminuindo cada vez mais devido à perda de hábitat em remanescentes do Cerrado paulista – fragmentado e degradado nas últimas décadas pelo avanço das cidades, da agricultura e da pecuária. Estima-se que a área de ocorrência da serpente seja um pouco maior que 2 mil quilômetros quadrados (km²), agravando sua situação de espécie quase ameaçada de extinção na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Phalotris lativittatus é uma das 412 espécies registradas no Atlas de serpentes brasileiras, publicado na forma de artigo científico em edição especial da revista South American Journal of Herpetology, de dezembro de 2019. Com 274 páginas e assinado por 32 pesquisadores, a maioria do Brasil, o trabalho descreve em detalhe a distribuição geográfica de todas as espécies de serpentes encontradas até agora no país, com base em mais de 163 mil exemplares preservados desde o século XVIII em 140 coleções biológicas de universidades e museus de história natural e coleções biológicas do Brasil e do mundo.

“Foram aproximadamente nove anos organizando e georreferenciando uma síntese de informações produzidas ao longo de muitas décadas sobre uma das faunas de serpentes mais ricas do planeta”, diz o biólogo Cristiano Nogueira, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e coordenador do trabalho. Por trás da publicação está uma base de dados que reúne todos os registros conhecidos e validados das espécies em todo o continente sul-americano, e pode servir como ferramenta para novos estudos em biogeografia e biodiversidade. “O atlas reúne um esforço inigualável de amostragem feito por gerações de pesquisadores e instituições”, observa Nogueira.

Resultados preliminares, divulgados em 2015 por Pesquisa FAPESP, já indicavam que algumas espécies haviam perdido até 80% da área de floresta ou campos que ocupavam três décadas antes. Agora, com o mapeamento concluído, é possível ter uma visão mais abrangente e atual do problema, afirma o biólogo, ressaltando que os mapas localizam detalhadamente onde estão as serpentes nos diversos biomas brasileiros.

A maior parte das espécies tem distribuição restrita no país e no continente sul-americano. São localizadas em poucos pontos dentro de zonas relativamente pequenas, como a já mencionada Phalotris lativittatus ou Philodryas arnaldoi, endêmica das florestas de araucária. As espécies de distribuição restrita, diz Nogueira, são as mais sensíveis aos impactos humanos – é mais fácil provocar a extinção de um animal que existe apenas em uma área pequena.

Uma serpente que vem perdendo hábitat é Erythrolamprus carajasensis, endêmica da parte sul da Amazônia, por onde passa o chamado arco do desmatamento, região da floresta amazônica que sofre mais com queimadas e invasões. Outra é a corre-campo Philodryas livida, uma espécie que vive apenas em regiões de topos de planalto onde a vegetação se limita a capins, ervas e árvores muito esparsas, nos chamados campos limpos ou campos sujos do Cerrado brasileiro. É o tipo de território que vem sendo amplamente utilizado pela agricultura mecanizada para a produção de milho e soja, por exemplo.

“Observando os mapas vemos que Philodryas livida era encontrada em São Paulo, mas hoje não há mais registro no estado”, diz o biólogo Otavio Marques, do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, em São Paulo, e coautor do Atlas de serpentes. “Os únicos encontros recentes estão no Parque Nacional das Emas, em Goiás, evidenciando a importância das unidades de conservação integral no país”, completa. Segundo ele, a extinção de um animal desses não representa prejuízo apenas do ponto de vista da biodiversidade. “Perde-se a chance de pesquisar seu potencial uso no tratamento de doenças”, explica Marques, lembrando que um importante fármaco usado contra hipertensão arterial, o Captopril, foi desenvolvido a partir do veneno da jararaca (Bothrops jararaca).

Em outros casos, a perda de vegetação nativa pode favorecer a distribuição de algumas espécies, como a cascavel [Crotalus durissus], cuja distribuição se estende por áreas abertas e ensolaradas de todo o país. “Trata-se de uma espécie intolerante à umidade”, observa Marques. Assim, no mapa fica evidente a quase total ausência de registros na Amazônia. Com a diminuição das áreas de florestas e o impacto das mudanças climáticas, ela tem expandido sua distribuição geográfica pelo país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. “O interior de São Paulo, onde havia muita mata, está cheio de cascavel”, sublinha.

Para Cristiano Nogueira, os mapas de distribuição apresentados no atlas servem como subsídio científico para a conservação de serpentes, além de abastecer com novos dados estudos evolutivos que buscam entender como diferentes espécies de serpentes vivem no país. Ele afirma que a publicação do atlas é uma forma de reduzir o que os biogeógrafos chamam de déficit Wallaceano, uma lacuna de conhecimento sobre onde estão distribuídas as espécies. O nome é uma forma de homenagear o naturalista britânico Alfred Russel Wallace, que iniciou os estudos sobre distribuição das espécies da fauna ainda no século XIX e é por isso considerado o pai da biogeografia, ciência que estuda a distribuição dos seres vivos. “Em pleno século XXI, com as imagens de satélite, temos ótimos mapas de hidrografia, relevo, tipos de vegetação, porém poucos bons mapas de distribuição de espécies”, acrescenta.

Exemplo de como o atlas pode suscitar novos questionamentos e descobertas é o caso de Micrurus ibiboboca, uma cobra-coral comumente referida como típica da Caatinga. “Chamou a atenção o animal ter sido identificado tanto em áreas de mata fechada no litoral do Nordeste brasileiro como no interior, em áreas abertas de Caatinga ou Cerrado”, explica Marques. “Poderíamos supor que se trata de uma espécie versátil, adaptada a diferentes ambientes, mas tudo leva a crer que as informações taxonômicas estão imprecisas e, na verdade, as serpentes registradas no litoral e na Caatinga pertencem a espécies distintas”, sugere ele, lembrando que novos estudos são necessários para testar a hipótese.

Cristiano Nogueira / USP Xenodon merremii, a boipeva, pode ser encontrada por todo o BrasilCristiano Nogueira / USP

Áreas preciosas
Outra contribuição do atlas é determinar o grau de endemismo nos diferentes biomas brasileiros. De acordo com o levantamento, 163 espécies catalogadas são exclusivamente brasileiras, ou seja, 39% das encontradas. “Nosso estudo detecta concentrações de endemismo em diferentes zonas do território brasileiro, algumas delas até então pouco estudadas”, afirma Nogueira. Uma das mais conhecidas é a porção sul da Mata Atlântica, até seu ponto de contato com as pastagens de araucárias e o Pampa, no Sul do país. Na parte norte da Mata Atlântica, englobando as regiões central e sudeste da Bahia, já quase fazendo contato com a Caatinga, também há muitas serpentes endêmicas.

No Nordeste do país, pelo menos duas áreas de Caatinga apresentam altos níveis de endemismo: a depressão do médio rio São Francisco e áreas de altitude mais elevada no Ceará. Já no Cerrado, destacam-se as cabeceiras da bacia do Tocantins – incluindo a região do Jalapão e da serra da Mesa –, o planalto da serra do Roncador, no nordeste de Mato Grosso, e um grande conjunto de áreas de endemismo na porção oeste do domínio, próximo ao Chaco e Pantanal. Na Amazônia, o endemismo se concentra na parte norte, do leste de Belém até áreas próximas das Guianas, incluindo os estados do Amapá e Roraima e a fronteira com a Colômbia. “Todas essas áreas inspiram cuidados e requerem iniciativas de conservação direcionadas, uma vez que abrigam espécies que não ocorrem em outros lugares”, salienta Nogueira.

De modo geral, poucas espécies ocorrem amplamente em todo o país. Uma delas é a boipeva (Xenodon merremii), uma serpente agressiva, embora não venenosa, encontrada dos pampas no Sul do país até as savanas na Amazônia, passando por Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga. Os pesquisadores observaram que é comum encontrar maior diversidade perto de centros urbanos: leste do estado de São Paulo, sul da Bahia, Região Metropolitana de Belém, no Pará, sudoeste de Mato Grosso e oeste de Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, foram registradas quase 40 espécies. Já em Belém, são mais de 80.

De acordo com Marques, essas áreas apresentam a maior riqueza (número de espécies) e diversidade filogenética (número de linhagens) de serpentes, talvez por causa da variedade de formas de vegetação e de relevo. Além disso, são nessas áreas urbanas onde houve mais coletas. “Também são lugares com mais espécies descritas, porque estão próximas a centros de pesquisa como o Instituto Butantan”, diz Marques.

“Isso indica que precisamos concentrar novas amostragens em regiões mais distantes, fora das imediações dos centros urbanos, longe dos locais mais acessíveis, para obter melhores dados e otimizar os esforços”, sugere. “Temos agora um mapa para direcionar a busca por conhecimento, por novas espécies e novos registros de distribuição”, conclui.

Projetos

1. Origem e evolução das serpentes e a sua diversificação na região neotropical: Uma abordagem multidisciplinar (nº 11/50206-9); Modalidade Projeto Temático; Programa Biota; Pesquisador responsável Hussam El Dine Zaher (USP); Investimento R$ 4.928.500,61.
2. Biogeografia, biodiversidade e conservação de répteis Squamata cisandinos (nº 15/20215-7); Modalidade Jovem Pesquisador; Pesquisador responsável Cristiano de Campos Nogueira (USP); Investimento R$ 630.298,27.
3. Estrutura de taxocenoses de anfíbios, répteis e pequenos mamíferos no Cerrado: O papel de fatores locais e regionais (nº 15/21259-8); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Marcio Roberto Costa Martins (USP); Investimento R$ 144.757,41.
4. Efeitos de alterações de hábitat sobre comunidades de anfíbios e répteis Squamata: Subsídios para programas de manejo, avaliações de risco de extinção e planos de ação de conservação (nº 18/14091-1); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Marcio Roberto Costa Martins (USP); Investimento R$ 184.274,90.
5. Novas abordagens de ecologia e conservação: Diversidade filogenética e funcional de anfíbios e serpentes da Mata Atlântica brasileira (nº 14/23677-9); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ricardo Jannini Sawaya (UFABC); Investimento R$ 167.681,18.

Artigo científico
NOGUEIRA, C. C. et al. Atlas of Brazilian snakes: Verified point-locality maps to mitigate the Wallacean shortfall in a megadiverse snake fauna. South American Journal of Herpetology. v. 14, esp. 1, p. 1-274. 31 dez. 2019.

 

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