Fonte: faperj.br


No game Cidade do Amanhã, jogadores são premiados quando tomam decisões sociais éticas, em consonância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Nº 16, da ONU (Fotos: Divulgação/Delta Arcade)

Um game de cartas e estratégias em que os jogadores devem assumir o papel de personagens, que apenas ganham pontos quando tomam decisões éticas, voltadas ao desenvolvimento sustentável da cidade e à participação social.




Esse é o objetivo do jogo virtual Cidade do Amanhã, desenvolvido pela Delta Arcade, startup  – palavra usada para designar as empresas nascentes de base tecnológica – carioca contemplada na quarta edição do programa Startup Rio, parceria entre a FAPERJ e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Secti). O projeto para a idealização do game foi o grande vencedor do 1° Concurso de Jogos Digitais do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em novembro de 2019, entre 14 projetos inscritos em todo o Brasil. Com a vitória no concurso, a Startup recebeu apoio financeiro para o seu desenvolvimento, concluído recentemente, em maio.

O concurso da Pnud Brasil premiou o melhor projeto de game que apresentasse, como tema central, narrativas alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, que tem como foco “promover sociedades pacíficas e inclusivas, proporcionar o acesso à justiça e construir instituições eficazes”. Vale lembrar que, como parte da Agenda 2030 de desafios para a construção de um mundo sustentável e mais justo, a ONU estabeleceu 17 ODS, em declaração assinada em setembro de 2015 por chefes de Estado e de Governo na sede das Nações Unidas, em Nova York, no momento em que a organização comemorou seu septuagésimo aniversário (https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/).

O jogo é livre para todas as idades, sendo mais indicado para alunos do final do Fundamental II e Ensino Médio, na faixa etária de 11 a 15 anos. “O Cidade do Amanhã é um game que atende ao objetivo de motivar o jogador ao cumprimento do ODS 16 da ONU, mas sem ter a cara de um jogo educativo tradicional. Normalmente os jovens não gostam muito de games educativos porque costuma ter muitos textos, ser maçantes, pouco divertidos. Conseguimos criar uma experiência leve e lúdica de jogo”, contou um dos cinco sócios fundadores da Delta Arcade, Paulo Eduardo Aragon, de 27 anos. A premiação foi realizada em dezembro de 2019 em Brasília, em uma parceria do Pnud Brasil com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e o programa Nordic Dialogues.

Para brincar, o jogador deve se posicionar como um dos seguintes avatares: prefeito, juiz, vereador, empresário ou cidadão comum. Cada um tem uma habilidade que pode ser usada ao longo do jogo. “No mapa da cidade, aparecem eventos que remetem à tomada de uma decisão social. Por exemplo, surge o evento ‘Empresários estão querendo acabar com o Procon’, ou ‘O prefeito quer dificultar a realização de uma manifestação pacífica’. O jogador tem que decidir se concorda ou discorda com esse evento e jogar cartas para continuar a partida. Mas ele só ganha pontos se tomar a decisão de acordo com os princípios éticos promovidos pelo ODS 16. Se ele discordar, perde pontos. No final, há um ranking e uma série de troféus tornam a dinâmica interessante”, explicou Aragon, em poucas palavras.  

A história da Delta Arcade é a de cinco jovens que se uniram em torno de um ideal comum. “A ideia da criação da startup ocorreu em 2018 e se concretizou em 2019, quando fomos selecionados para integrar o programa Startup Rio. Nos unimos porque acreditamos que os jogos são ferramentas que vão além do entretenimento, capazes de gerar transformações no mundo, e que são inigualáveis para contar histórias poderosas”, afirmou Aragon, que trabalha ao lado do irmão, Luiz Victor Aragon, 22 anos, formado em Processos Gerenciais (Empreendedorismo) e responsável pelo desenvolvimento dos projetos; de Caio Portugal (game designer, 31 anos); Camila Schmitz (designer, 29 anos); e João Victor Bitencourt (gestor de Comunicação e Marketing, 22 anos). “Todos nós temos formações na área de games. O Caio e o Luiz são formados pelo Senac em Game Design. No Rio, não existe uma graduação acadêmica na área ainda. Em São Paulo, existem poucos cursos. O Brasil ainda está engatinhando, apesar de ter um imenso potencial nesse mercado”, contextualizou.

Desde 2007, a indústria de jogos eletrônicos retém o maior faturamento no ramo de entretenimento, ultrapassando a forte indústria do cinema e da música. Segundo dados da SuperData, empresa que realiza pesquisas sobre a indústria de games, a indústria mundial de jogos faturou em torno de 120 bilhões de dólares em 2019, e a expectativa é de movimentar cerca de 235 bilhões de dólares em 2022, segundo levantamento feito pelo banco de investimentos de produtos digitais Digi-Capital. “No Rio, temos um grande potencial. A cidade tem um dos maiores coletivos de empresas desenvolvedoras de games do Brasil, o Ring, que reúne muitos estúdios independentes. O Brasil está na 13ª posição entre os mercados consumidores de games no mundo. A vantagem é que os clientes desse mercado podem ser prospectados em vários países, pois os jogos têm uma linguagem universal, o que abre um mundo de possibilidades para nós”, ponderou Aragon.

Aragon, Camila Schmitz e João Vitor Bitencourt

Ele destacou a importância da participação da Delta Arcade no programa Startup Rio, um dos raros, senão o único, programa de fomento ao empreendedorismo custeado por governos estaduais do País. Atualmente, mais de 40 startups são aceleradas pelo programa e funcionam gratuitamente no espaço de co-working próprio, com mais de 1.000 m², na Zona Sul do Rio. No total, mais de cem startups já receberam o fomento do Governo do Estado do Rio, em seis anos. “Utilizamos a estrutura oferecida na sede do programa, no prédio situado no bairro do Catete, um ambiente de muita imersão, mentoria e parceria com as outras startups contempladas pelo programa. Foi uma oportunidade que tivemos de transformar algo que era apenas um sonho num modelo de negócios. Com a mentoria que tivemos, a equipe está mais madura, com visão de mercado. E a experiência adquirida ao atender as Nações Unidas como um de nossos clientes foi importante, permitindo, ainda, colocar em nosso portfólio um produto desenvolvido para a ONU”, concluiu.

O jogo Cidade do Amanhã será disponibilizado em breve no próprio site da ONU. Interessados em adquirir informações sobre o jogo, podem entrar em contato com a empresa: pelo email deltaarcade.devs@gmail.com ou pelos sites https://www.linkedin.com/company/42442618 e https://www.instagram.com/delta_arcade/?hl=pt-br

FONTE

Faperj – Débora Motta

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