Fonte: Canal Rural




Está em debate no Congresso Nacional um projeto de lei que autoriza o cultivo e comercialização da cannabis, mais conhecida como maconha. A planta é utilizada na fabricação de medicamentos para doenças como câncer e esclerose múltipla.

Quem precisa dos remédios defende o cultivo da planta dentro do país como uma forma de baratear os produtos que custam em média R$ 2,5 mil. Apesar do tema ser polêmico, ele pode abrir uma nova possibilidade de receita no agronegócio brasileiro.

O projeto original é de 2015, mas o novo relatório trouxe novidades: autorização de cultivo da cannabis no Brasil. Especialistas ouvidos na comissão mista do tema afirmam que a planta possui bom potencial agrícola.

“É uma planta que se dá bem em ambientes ensolarados e de fácil cultivo”, disse o biólogo e professor da Universidade de Brasília (UNB). Segundo o representante do Sindicato dos Engenheiros Agrônomos do Rio de Janeiro, Dennys Santos, já há exemplos de sucesso vindos do exterior. “No estado do Kentucky, nos Estados Unidos, a inserção do cultivo da cannabis tem se dado com a rotação de cultura com milho e soja na mesma área, o que tem sido extremamente vantajoso ao produtor, pois ele fica menos dependente do risco de queda do valor dos produtos.

O principal interesse por trás do projeto está relacionado aos medicamentos que utilizam extratos da cannabis. Esses remédios já são comercializados nas farmácias brasileiras e utilizados por pacientes com convulsões, dores crônicas, autismo, câncer, entre outros quadros. O problema é que eles são caros, custam mais de R$ 2 mil e a expectativa é que, com o cultivo nacional, esses preços caiam. No entanto, segundo o relator do projeto de lei, o deputado Luciano Ducci, essa não é a única possibilidade de uso da planta.

“E de forma muito especial, temos a questão do cânhamo industrial. Hoje temos mais de 50 países que produzem insumos a base de cânhamo ou medicamentos à base de cannabis”, disse. Segundo o deputado, o cultivo brasileiro deve ser fortemente regulado. “Primeiro será autorizado pelo poder público, e terá que ser feito por pessoa jurídica. O cultivo terá que pedir uma cota para uma finalidade pré-determinada, seja industrial ou medicinal. Caso seja medicinal, deverá informar o número de plantas e o cultivo será feito em local fechado e controlado. No cultivo industrial, o cultivo poderá ser aberto e a cota será por área plantada”, esclareceu.

Segundo pesquisa da consultoria Euromonitor International, o mercado mundial da cannabis deve alcançar uma receita de US$ 166 bilhões até 2025. Por enquanto, não há pesquisas que projetam a possibilidade de lucro com esse cultivo no Brasil.

A Frente Parlamentar da Agropecuária deve se reunir nesta quinta-feira, 3, para analisar o projeto, apenas para conversar sobre o assunto. Quem é contrário à proposta afirma que a autorização de cultivo vai dar margem ao tráfico de drogas.

“Plantar maconha em grande escala significa aumentar a oferta de maconha no Brasil. E, aumentando a oferta, não há como regular o mercado. O agronegócio brasileiro não precisa disso, e ele tem todas as condições de liderar o mundo na produção de alimentos, tendo lucro com a saúde das pessoas e não com a doença”, disse o deputado federal Osmar Terra.

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