Fonte: Embrapa

Wilson Reis Filho é pesquisador da Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária (Epagri) e atua em parceria com a Embrapa Florestas. Foto: captura de tela

As formigas cortadeiras compõem a lista das principais pragas dos plantios florestais, por isso, conhecer melhor as diferenças e características de cada gênero de formiga é fundamental para realizar o controle efetivo do problema.




O pesquisador Wilson Reis Filho, da Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária – Epagri, que atua em parceria com a Embrapa Florestas, abordou o tema durante o 7º Workshop Embrapa Florestas/Apre, no dia 24 de setembro de 2020, e mostrou os principais resultados obtidos pela pesquisa nessa área.

Além disso, o pesquisador adiantou alguns detalhes sobre a nova ferramenta que está em fase de desenvolvimento, o aplicativo para Manejo Integrado de Pragas (MIP) para formigas cortadeiras na região sul do Brasil. O app deverá ser lançado em breve e irá permitir a combinação de 448 fatores associados ao manejo de formigas cortadeiras, gerando 16 recomendações de controle distintas para cada situação de plantio.

“As formigas cortadeiras foram o primeiro problema encontrado pela pessoa que plantou a primeira muda nesse país. Ela é e será sempre uma praga importante, por isso, é fundamental conhecer com profundidade o problema para poder contratar um serviço de qualidade, e também avaliar o serviço executado”, diz o pesquisador. No Brasil, dois gêneros de formigas são importantes, as que englobam as Attas e as que englobam as Quenquéns. Nas Américas, existem 63 espécies de Quenquéns, destas, 30 espécies estão no Brasil. Enquanto que as Attas, das 16 espécies existentes, nove estão no Brasil.

”Por meio de um projeto da Embrapa, do qual participei, conheci todos os biomas do Brasil, podendo realizar em cada um deles o levantamento das espécies de formigas ali existentes. E hoje posso falar que Atta é a formiga mais presente no território todo, ou seja, existe Saúva até no Rio Grande do Sul. Também posso dizer que onde tem Saúva tem Quenquém, mas o contrário não”, conta o pesquisador.

Principais diferenças

A Atta sexdens é a principal praga de floresta no Brasil, porém, na região Sul, estudos mostraram que, nas áreas florestais, predomina o gênero Acromyrmex crassispinus em praticamente 80%. Segundo relata o pesquisador, em algumas empresas do norte de Santa Catarina, chega a ter 95% de prevalência desta espécie em relação às demais. Uma de suas principais características é fazer o ninho de monte de ciscos superficial, com uma única câmera. De acordo com relatos da literatura, existem até 200 ninhos de formigas Acromyrmex, em geral, por hectare. Enquanto que de saúva, a literatura fala da existência de 12 a 15 ninhos, com terra solta em volta, além de serem muito maiores, subterrâneos e bastante profundos.

“Os ninhos de ‘quenquéns’ podem ser subterrâneos e são bastante confundidos com de saúva, porque o ninho inicial é muito parecido, mas, enquanto o da Acromyrmex tem uma chaminé sem uniformidade, o da saúva tem uma chaminé bem construída. Mas as quenquéns também fazem ninhos de cisco, e há uma outra espécie, a Acromyrmex coronatus que faz ninho na parte aérea”, explica. Outros detalhes que diferenciam os gêneros foram relatados, como o fato de o ninho da Acromyrmex apresentar a esponja de fungos superficial, logo abaixo dos ciscos, podendo ter até mais de cinco trilhas. 

“E em determinado momento do ano, alguma destas trilhas estará trazendo só cisco e se colocarmos isca nas trilhas que estão levando cisco, elas levarão muito mais tempo para começar a carregar do que se colocar a isca na trilha que está forrageando. Então tem que prestar atenção nisso. E cinco gramas de isca é suficiente para um ninho de Quenquén, independentemente do tamanho do ninho. Enquanto que saúva, se não for distribuído uma quantidade de isca por todas as trilhas, pode ficar uma quantidade de câmaras não controladas e aquele ninho ficará amuado, mas ressurgirá daqui a algum tempo. Outra diferença interessante é que nas mudas de eucalipto, nas primeiras semanas pós-plantio, as formigas cortam de cima para baixo, sendo o corte nas folhas do eucalipto em formato de meia-lua, já em pinus ela já secciona a acícula e corta de baixo para cima, nos primeiros 30 dias”, diferencia Reis. 

O pesquisador abordou também alguns outros resultados de estudos com formigas cortadeiras em plantios de pinus. Um deles, realizado entre 2007 e 2008, em Santa Catarina e Paraná, constatou que a densidade de ninhos de Acromyrmex crassispinus aumenta até os três anos de idade do plantio e diminui após o fechamento do dossel. “Plantios com mais de seis anos, com poda e desbastes, apresentam maior densidade de ninhos do que plantios sem poda e sem desbaste. Além disso, constatou-se que os danos são maiores nos primeiros meses após o plantio, com impacto maior nos primeiros 30 dias”, afirma. A partir dos 12 meses, a maioria das plantas é atacada em nível 1 de desfolha, que corresponde de 0 a 50% de desfolha. Por isso, de acordo com o pesquisador, são dias decisivos para se pensar em controle de formiga.

FONTE
Embrapa Florestas
Manuela Bergamim – Jornalista

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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