Fonte: Canal Rural




Só em 2020, a produção de biocombustíveis no Brasil evitou a emissão de mais de 10 milhões de toneladas de gás carbônico no meio ambiente. Esse dado é comprovado pela emissão de créditos de descarbonização, os CBio. Os títulos verdes, comercializados na B3, são baseados na produção sustentável das matérias-primas dos biocombustíveis. além de gerar receita para a cadeia produtiva, os ativos estimulam a eficiência ambiental no cultivo de soja, milho e cana-de-açúcar.

Criado em 2017, junto com o programa Renovabio, os créditos de carbono começam a funcionar na prática. Baseados na produção de etanol e biodiesel, cada CBIO representa uma tonelada de gás carbônico que deixou de ser lançado no meio ambiente.

“O RenovaBio criou mais um produto para setor. Além de nós termos o açúcar, o etanol, a geração de energia, nós temos mais um produto que é o CBio, que nada mais é o que um título de descarbonização que as unidades produtoras credenciadas têm o direito de pedir a emissão a partir de que ela venda etanol para o mercado interno, venda o etanol para uma distribuidora de combustível. Em média, a cada 800 litros que nós vendemos de etanol anidro ou etanol hidratado, a empresa tem direito de gerar um título que equivale a descarbonização de uma tonelada de CO² , disse Antônio Pádua, diretor-técnico da Unica.

Para que um crédito de descarbonização seja emitido, as unidades produtoras ou importadoras de biocombustíveis precisam estar credenciadas na Agência Nacional de Petróleo, a ANP. Esse credenciamento acontece assim que toda a cadeia produtiva é verificada e tem sua eficiência energética comprovada.

A cada montante de etanol ou biodiesel disponibilizado no mercado, a indústria apresenta notas fiscais à ANP. Com a validação do processo, a agência permite que uma instituição financeira, chamada aqui de escrituradora, faça a emissão dos CBios. O ativo ainda precisa passar por uma registradora antes de poder ser negociado na B3.

Pela lei do programa Renovabio, as distribuidoras de combustíveis, por comercializarem produtos fósseis, são obrigadas a comprar uma cota de CBios anualmente. Em 2020, as distribuidoras devem adquirir cerca de 14 milhões e meio de títulos e, em 2021, essa cota sobe para quase 25 milhões de ativos. O objetivo é chegar em 2030 com mais de 90 milhões de créditos comercializados de forma obrigatória, meta que vai ao encontro dos compromissos firmados pelo brasil no Acordo de Paris.

“O Renovabio é a coisa mais inteligente que foi bolada e muitos setores não entenderam ainda. Veja bem, é a melhor proposta de redução de emissão e a melhor proposta de redução do desmatamento, lembrando que qualquer área que for desmatada para a produção de um biocombustível, esse produto advindo dessa área desmatada ele não entra no RenovaBio, ele não entra no CBio. Então os segmentos ambientalistas não perceberam ainda o alcance desse programa, ele vai mudar totalmente. Ou seja, você vai colocar a produção de matérias primas que podem ser autorizadas para produção de biocombustíveis, que podem ser da soja, do milho ou da cana. Ele vai buscar terras já desmatadas. Ou seja, Renovabio é um vetor de não desmatamento e muita gente não percebeu isso ainda. Além de que ele é um programa de descarbonização, que é o que o mundo inteiro procura e nós temos aqui”, disse o coordenador geral de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Cid Caldas.

De abril até a última semana, foram depositados na Bolsa de Valores mais de 10 milhões de CBios. Desse total, quase 6 milhões já foram negociados a uma a uma média de R$ 24 cada título, o que gerou uma receita de quase R$ 200 milhões.

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