Conclusão é de estudo conduzido por pesquisadores do Imperial College London e apresentado em seminário on-line organizado pela FAPESP. Maior inquérito sorológico realizado no país também aponta discrepância entre estados e que casos reais da doença superam em sete vezes os notificados (imagem:Pixabay)

A quarentena decretada em março por prefeitos e governadores de todas as regiões brasileiras promoveu uma queda substancial na taxa de contágio do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Mas, ao contrário do observado em países asiáticos e europeus que também adotaram medidas de isolamento social, o achatamento da curva epidemiológica no Brasil não foi suficiente para fazer o número de casos e de mortes por COVID-19 parar de crescer.

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Maior nível de glicose no sangue é captado por células de defesa e
serve como fonte de energia que permite ao vírus se replicar mais,
desencadeando resposta imunológica que mata células pulmonares e
desregula sistema imune (imagem: Wikimedia Commons)

André Julião | Agência FAPESP – Um grupo brasileiro de pesquisadores desvendou uma das causas da maior gravidade da COVID-19 em pacientes diabéticos. Como mostraram os experimentos feitos em laboratório, o teor mais alto de glicose no sangue é captado por um tipo de célula de defesa conhecido como monócito e serve como uma fonte de energia extra, que permite ao novo coronavírus se replicar mais do que em um organismo saudável. Em resposta à crescente carga viral, os monócitos passam a liberar uma grande quantidade de citocinas [proteínas com ação inflamatória], que causam uma série de efeitos, como a morte de células pulmonares.

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Para Ilaria Capua, o uso de big data pode ajudar a prevenir outras epidemias,
antecipando a disseminação de novos vírus. Isabella Balena

Virologista italiana Ilaria Capua, da Universidade da Flórida,
diz que o modo de vida acelerado e as fake news potencializam o impacto da Covid-19

veterinária e virologista italiana Ilaria Capua tornou-se um nome conhecido no meio científico em meados dos anos 2000 quando desenvolveu uma forma de vacinação das aves contra a chamada gripe aviária e passou a defender o acesso aberto e universal às sequências genéticas do vírus dessa doença. A ideia era estimular a pesquisa e o preparo científico para conter futuras epidemias, seja em animais ou humanos. Em 2013, com uma reputação firmada à frente da direção do Instituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie, nos arredores de Pádova, norte da Itália, aceitou o convite do então primeiro-ministro de seu país, o economista Mario Monti, presidente desde 1994 da Universidade Bocconi, de Milão, para se candidatar ao Parlamento italiano.

Eleita deputada, passou a ser uma das vozes da ciência na política. Até que, um ano após sua eleição, foi acusada judicialmente de estar envolvida em uma suposta rede de tráfico internacional de vírus da gripe aviária, que causaria deliberadamente epidemias para as empresas farmacêuticas lucrarem com a doença. Para se defender, Capua juntou por dois anos documentos que a inocentavam e o processo penal de que era ré não foi sequer levado adiante por falta de consistências das acusações. Livre do problema judicial, Capua renunciou ao mandato e deixou a Itália.

Hoje, aos 54 anos, a virologista é diretora do One Health Center of Excellence, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, que estuda as interconexões entre a saúde dos seres humanos, animais, plantas e o meio ambiente. Nesta entrevista, ela fala da pandemia de Covid-19, de fake news, da qual foi vítima em seu processo judicial na Itália, e da importância de levar o conhecimento científico a leigos.

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Presente no mecanismo de resposta à invasão por fungos e ao estresse hídrico e térmico, DRIK1, como foi nomeada, pode ajudar no desenvolvimento de variedades de plantas e de produtos que diminuam perda de produtividade relacionada a mudanças climáticas (imagem: cristal da proteína (DRIK1) utilizado no estudo/GCCRC/divulgação)

André Julião | Agência FAPESP – Um grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC) descobriu uma proteína envolvida na resposta do milho à seca, ao aumento de temperatura e à invasão por fungos.

O achado abre caminho para o desenvolvimento de plantas mais resistentes e de produtos que diminuam as perdas na produção, no momento em que as mudanças climáticas globais ameaçam a produtividade das lavouras no mundo. O artigo foi publicado na BMC Plant Biology.

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Comércio internacional de itens como madeira, tabaco, cacau, café e algodão impulsiona o risco de malária nos países exportadores, relatam pesquisadores da USP e colaboradores na Nature Communications (foto: Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, Amazonas/Vinícius Mendonça/Ibama/Wikimedia Commons)

 

Karina Ninni | Agência FAPESP – Estudo publicado na Nature Communications conecta pela primeira vez a demanda de certos países desenvolvidos por commodities agrícolas ao aumento do risco de malária em países fornecedores desses produtos.

O trabalho, conduzido por cientistas da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e colegas da Universidade de Sidney (Austrália), estima que cerca de 20% do risco de malária em hotspots de desmatamento é impulsionado pelo comércio internacional de itens como madeira, produtos madeireiros, tabaco, cacau, café e algodão.

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Realizado pela L´Oréal, em parceria com a Unesco no Brasil e a
Academia Brasileira de Ciências, o prêmio promove e reconhece a participação da mulher na ciência
(foto: Pesquisadoras premiadas na 14ª edição do Prêmio/Divulgação)

Agência FAPESP – As inscrições para a 15ª edição do programa Para Mulheres na Ciência estão abertas até 8 de maio de 2020.

Realizado pela L´Oréal, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências, o prêmio promove e reconhece a participação da mulher na ciência, favorecendo o equilíbrio dos gêneros no cenário brasileiro.

Todo ano, na edição local, sete jovens pesquisadoras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática são contempladas com uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil cada, para dar prosseguimento aos seus estudos.

Para participar, é necessário que a candidata tenha concluído o doutorado a partir de 1º de janeiro de 2013, tenha residência estável no Brasil e desenvolva projetos de pesquisa em instituições nacionais, entre outros requisitos.

As inscrições devem ser feitas pelo site do prêmio. As vencedoras serão conhecidas a partir de agosto de 2020.

Mais informações em: www.paramulheresnaciencia.com.br/.

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Nova formulação permite usar toxina do veneno da cascavel para tratar dor crônica

Chloé Pinheiro | Agência FAPESP – Extraída do veneno da cascavel (Crotalus durissus terrificus), a crotoxina tem sido estudada há quase um século por seu potencial analgésico, anti-inflamatório, antitumoral e até como paralisante muscular mais potente que a toxina botulínica. No entanto, a toxicidade da molécula ainda é um fator que limita o seu uso como medicamento.

Um novo estudo, publicado por pesquisadores brasileiros na revista Toxins, mostra ser possível potencializar os efeitos terapêuticos e reduzir a toxicidade encapsulando a crotoxina com um material conhecido como sílica nanoestruturada SBA-15, originalmente desenvolvido para uso em formulações de vacina.

O trabalho foi conduzido com apoio da FAPESP no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinas, coordenado por Osvaldo Augusto Sant’Anna. Integra a tese de doutorado de Morena Brazil Sant’Anna, orientada pela professora Gisele Picolo, que também coordenou um projeto sobre o tema. Participaram da pesquisa, conduzida no Instituto Butantan, Flavia Souza Ribeiro Lopes e Louise Faggionato Kimura.

Osvaldo Sant’Anna coordena no Butantan um Projeto Temático em que se estuda a sílica mesoporosa como adjuvante vacinal (substância capaz de potencializar o efeito de vacinas), em colaboração com a professora Márcia Fantini, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

“Pessoas que respondem mal às vacinas costumam ter macrófagos que catabolizam muito rapidamente o antígeno, sem dar tempo para que os linfócitos induzam a resposta completa de produção de anticorpos”, afirma Osvaldo Sant’Anna à Agência FAPESP. “E trabalhos mostram que a sílica nanoestruturada consegue deixar esses macrófagos um pouco mais lentos.”

Em seus estudos, o pesquisador observou que camundongos produzem mais anticorpos contra o antígeno quando ele é administrado com a sílica. O mineral é formado por microestruturas e pode ser moldado para encapsular moléculas de diferentes tamanhos e formas.

Quando a sílica foi testada com outras toxinas, descobriu-se um novo efeito protetor. “Fizemos ensaios em cavalos com a produção do soro diftérico e com a toxina do tétano, e notamos que a sílica faz com que os antígenos sejam menos potentes e, além disso, diminui o efeito adverso da toxina diftérica”, explica Osvaldo Sant’Anna.

Para Gisele Picolo e Morena, vizinhas de Osvaldo Sant’Anna no Instituto Butantan, esses resultados serviram como luva. “Estudo a crotoxina desde 2011, com resultados analgésicos animadores, mas sua toxicidade era um fator limitante. Veio então a ideia de usar a sílica. É a primeira vez que se conjugam as duas moléculas”, conta Picolo.

Dor neuropática

O objetivo do estudo divulgado na Toxins foi investigar os efeitos da crotoxina conjugada com a sílica SBA-15 no tratamento da dor neuropática. Trata-se de um tipo de dor crônica causada por lesões em nervos sensitivos. Seu tratamento é um desafio para os médicos, pois os analgésicos comuns, entre eles anti-inflamatórios e opioides, não têm a eficácia desejada.

Para avaliar o potencial terapêutico da crotoxina nesse cenário, os pesquisadores conduziram experimentos com camundongos. Uma condição semelhante à dor neuropática foi induzida por meio de lesão no nervo ciático do animal.

O primeiro bom resultado veio ao testar a dosagem máxima da crotoxina com e sem a sílica. “Vimos que foi possível administrar uma quantidade maior da toxina conjugada sem os efeitos adversos, então pudemos aumentar a dosagem”, conta Morena. Com o mineral, foi possível administrar uma dose 35% maior da molécula.

Em seguida, testou-se a formulação nos animais. Eles receberam doses do complexo crotoxina/sílica (CTX:SBA-15) na fase aguda da dor (imediatamente após a cirurgia que lesionou os nervos) e crônica (14 dias depois da intervenção) em diferentes esquemas: uma dose única ou cinco dias consecutivos de medicação.

Tanto na fase aguda quanto na fase crônica, o efeito analgésico se mostrou mais prolongado quando a crotoxina estava conjugada com a sílica. Em um dos testes, uma única administração foi capaz de reverter parcialmente a hipernocicepção – sensibilidade aumentada a estímulos – até 48 horas depois do tratamento.

Mecanismos de ação

A crotoxina é um analgésico poderoso porque atua em diferentes vias envolvidas na dor. Para verificar se os mecanismos de ação se manteriam na nova formulação, os pesquisadores administraram, um pouco antes do fármaco conjugado, substâncias antagonistas de receptores envolvidos na dor já conhecidos para o efeito da crotoxina.

Se a crotoxina complexada à sílica agisse mesmo com esses receptores bloqueados, seria um sinal de que sua via de ação poderia ser diferente da molécula convencional.

“O que observamos é que os mesmos receptores, como os muscarínicos e adrenérgicos, que atuam no sistema nervoso, e os peptídeos formil, que são alvos de compostos anti-inflamatórios naturais, estavam envolvidos na ação da crotoxina conjugada. Ou seja, o mecanismo de ação não se alterou”, diz Morena.

A equipe observou mudanças nas citocinas pró e anti-inflamatórias em circulação. “A interleucina 6, ligada à inflamação, diminuiu, enquanto os níveis da IL-10, que controla o processo inflamatório, subiram; e notamos ainda uma diminuição da ativação de astrócitos e micróglias, células do sistema nervoso central envolvidas na resposta inflamatória”, conta Picolo.

Como a sílica influencia a resposta imune, havia a dúvida se a defesa contra a toxicidade desencadeada por ela não acabaria prejudicando a ação benéfica da crotoxina. Essa variável também foi testada (e descartada) no estudo. Os camundongos de fato produziram uma alta dosagem de anticorpos, mas isso não atrapalhou o resultado final.

“Provavelmente porque a crotoxina está encapsulada e os anticorpos produzidos não conseguem atingir a molécula”, diz Picolo.

Essa proteção confere outra vantagem ao composto conjugado: ele pôde ser administrado por via oral nos camundongos pela primeira vez, com resultados positivos. Isso foi possível porque a SBA-15 tem uma estrutura semelhante à de favos de mel, que protegem o princípio ativo do processo de degradação que sofreria no estômago.

“Além disso, possibilita promover uma liberação controlada da crotoxina no organismo, o que pode explicar o efeito analgésico prolongado”, diz Picolo.

Próximos passos

O grupo investiga agora se a dupla crotoxina e SBA-15 pode ser usada no tratamento da esclerose múltipla. Os resultados dessa linha de pesquisa, também animadores, serão publicados em breve.

Para que a combinação vire um medicamento, contudo, é preciso avançar nos estudos. “A crotoxina é uma molécula grande, com estrutura complexa, difícil de ser replicada em laboratório, o que inviabiliza seu uso em larga escala”, diz Picolo.

O ideal seria encontrar fragmentos da molécula responsáveis pela ação terapêutica. Hoje os testes são feitos com veneno purificado, extraído diretamente das cascavéis.

O artigo Crotoxin Conjugated to SBA-15 Nanostructured Mesoporous Silica Induces Long-Last Analgesic Effect in the Neuropathic Pain Model in Mice pode ser lido em www.mdpi.com/2072-6651/11/12/679.

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Sistema Solar adquiriu cedo sua configuração atual
Modelo desenvolvido por pesquisadores da Unesp e colaboradores mostrou que a fase caótica que colocou os objetos nas órbitas que ocupam atualmente se iniciou nos primeiros 100 milhões de anos após a formação dos planetas gigantes ( imagem: Nasa)

A hipótese de que o Sistema Solar se originou a partir de uma gigantesca nuvem de gás e poeira remonta à segunda metade do século 18 e hoje é consensual entre os astrônomos. Foi proposta pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) e desenvolvida pelo matemático francês Pierre-Simon de Laplace (1749-1827). Graças à formidável massa de dados observacionais, aportes teóricos e recursos computacionais disponíveis atualmente, tem recebido sucessivos desenvolvimentos.

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Atividades humanas afetam interações entre plantas e aves dispersoras de sementes
Tucano de bico preto (Ramphastos vitellinus) regurgitando sementes de palmito-juçara (Euterpe edulis) em fragmentos da Mata Atlântica. As espécies remanescentes, que realizam interações mutualistas como a dispersão de sementes, definem as relações entre área e redes ecológicas em paisagens fragmentadas.” (Foto: Pedro Jordano)
André Julião | Agência FAPESP – Nas últimas décadas, pesquisas têm mostrado como a perda de florestas tem impacto direto na diminuição do número de espécies. Agora, um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) demonstra que mudanças na paisagem causadas pelo desmatamento, perda de área e fragmentação florestal resultam não apenas na diminuição de espécies, mas também de suas interações ecológicas. O trabalho, publicado com destaque na capa da revista Biotropica, teve apoio da FAPESP.

“Em ecologia, sabemos muito sobre a relação espécie-área, mas pouco ou quase nada sobre a relação interações-área. Neste estudo, utilizamos redes ecológicas para desvendar como interações de dispersão de sementes respondem à perda de área e à fragmentação da paisagem. Conforme os fragmentos florestais ficam menores, perdemos interações ecológicas importantes para o funcionamento das florestas e manutenção da biodiversidade”, disse Carine Emer, primeira autora do artigo, produzido durante seu pós-doutorado no Laboratório de Biologia da Conservação (Labic) do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, em Rio Claro.

A pesquisa integra o Projeto Temático “Consequências ecológicas da defaunação na Mata Atlântica”, coordenado por Mauro Galetti, professor do IB-Unesp. Para este trabalho, os pesquisadores compilaram dados de 16 estudos, cada um sobre um fragmento florestal diferente de Mata Atlântica, formando um gradiente de perturbação humana inferido pelo tamanho da área remanescente de cada fragmento. Foram cruzadas informações como número de espécies de aves, de plantas e de interações entre esses organismos. Os pesquisadores concluíram que, quanto menor o fragmento florestal, menor é o número de espécies e de interações que ali conseguem persistir. No estudo, a interação considerada foi a dispersão de sementes por aves frugívoras, essencial para a constante regeneração da floresta.

Florestas e interações

A floresta mais conservada e extensa do estudo, situada no Parque Estadual Intervales, no sul do Estado de São Paulo, tem 42 mil hectares e apresentou a maior diversidade de espécies (81 de aves frugívoras e 185 de plantas frutíferas) e de interações planta-dispersor de sementes (1.100 ou 3,65 por espécie).

No outro extremo do gradiente, um fragmento de seis hectares que se regenera há pouco mais de oito anos em Piracicaba, por sua vez, apresentou um número bem menor de aves frugívoras (28 espécies) interagindo com poucas espécies de plantas frutíferas (6). Foram registrados, portanto, apenas 169 interações de dispersão de sementes, ou seja, 1.47 por espécie.

Enquanto na primeira área uma espécie de ave pode dispersar sementes de três a quatro espécies de plantas, na última não dispersa mais do que duas.

“Primeiramente, desaparecem as aves maiores, essenciais para dispersar espécies de plantas com sementes grandes. A perda, portanto, não é só numérica, mas também funcional, influenciando diretamente o processo de regeneração florestal. A médio-longo prazo, plantas com sementes grandes que perderam seus principais dispersores tendem a desaparecer da paisagem, ficando restritas a áreas maiores e bem preservadas. A floresta fragmentada torna-se mais pobre numérica e funcionalmente, onde persistem apenas espécies de aves pequenas cujo papel funcional é dispersar espécies de plantas com sementes pequenas; ou seja, perdemos a função ecológica de dispersão de sementes grandes, que pode alterar para sempre nossas florestas”, disse a pesquisadora.

Estudo anterior do grupo, que também teve Emer como primeira autora, mostrou que interações envolvendo espécies de grande porte se perdem em fragmentos florestais com menos de 10 mil hectares. O trabalho mostrou também a importância de aves pequenas e generalistas, que dispersam plantas com sementes pequenas e também de hábitos generalistas, para manter a conectividade da paisagem fragmentada. Em outras palavras, “a Mata Atlântica é hoje conectada por interações de aves generalistas dispersando espécies de plantas adaptadas a ambientes perturbados”, explicou Emer.

Além de espécies maiores, a fragmentação prejudica as chamadas interações específicas. Assim, uma planta dispersada por apenas uma ou poucas espécies de ave, por exemplo, corre mais risco de extinção do que outra cujos frutos são comidos por várias aves diferentes.

Para completar, em um trabalho publicado no ano passado na revista Science Advances, o grupo quantificou quantos milhões de anos de história evolutiva de dispersão de sementes são perdidos na Mata Atlântica devido à defaunação, direcionada a aves de grande porte.

“Temos hoje em torno de 12% da Mata Atlântica, a maior parte em pequenos fragmentos florestais. Entre as áreas que analisamos, há uma grande diversidade de interações de dispersão de sementes, a maioria ocorrendo em apenas um ou poucos fragmentos. Estas interações correspondem a milhões de anos de evolução, ou seja, espécies com diferentes trajetórias evolutivas que no tempo atual, interagem entre si, e estão cada vez mais restritas a poucas áreas. Ou seja, chegamos a um limiar em que não podemos perder mais nada – cada fragmento florestal da Mata Atlântica corresponde a milhões de anos de história evolutiva única a ser preservada.” disse.

O artigo Seed dispersal networks in tropical forest fragments: Area effects, remnant species, and interaction diversity (doi: 10.1111/btp.12738), de Carine Emer, Pedro Jordano, Marco A. Pizo, Milton C. Ribeiro, Fernanda R. da Silva e Mauro Galetti, pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/btp.12738.

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Pesquisadores em início de carreira e profissionais de saúde no campo da Medicina Tropical poderão realizar pesquisas clínicas e científicas, além de trabalhos de campo (imagem: divulgação)
Agência FAPESP – A instituição inglesa Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene (RSTMH) está com chamada global aberta oferecendo bolsas para pesquisadores em início de carreira e profissionais de saúde no campo da Medicina Tropical. O objetivo é permitir que eles realizem pesquisas clínicas e científicas e trabalhos de campo sobre o tema.

Serão oferecidas 10 bolsas no valor máximo de £5 mil, com duração de um ano de financiamento.

As subvenções estão disponíveis para as seguintes áreas temáticas: “Neglected tropical diseases, with a particular focus on their overlap with non-communicable diseases and the Sustainable Development Goals”, “Malaria, with a particular focus on drug resistance”, “One Health and wider planetary health. The consideration of human health alongside animal health and the environment, in the context of social, economic and political factors”, “Topical issues including, but not limited to, emerging diseases” e “Drug resistant infections”.

Também há incentivo para pesquisas relacionadas a picada de cobra, micetoma, outras doenças tropicais negligenciadas da pele e outras micoses profundas, comorbidades e doenças negligenciadas, coronavírus, doenças emergentes, entre outras áreas.

As inscrições devem ser feitas até dia 27 de abril de 2020, pelo site da RSTMH.

Mais informações em: https://rstmh.org/grants/small-grants-2020.

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Agência FAPESP – Estudantes de cursos de graduação de todo o país e do exterior podem participar do processo de transferência 2020-2021 da Universidade de São Paulo (USP) para concorrer a 614 vagas em diversos cursos, sendo 135 vagas para Biológicas, 391 para Exatas e 88 para Humanidades.

A inscrição para a prova de transferência deve ser feita pelo site da Fuvest até o dia 24 de abril. O programa de inscrição solicitará os dados necessários. O candidato deverá utilizar o seu próprio número de CPF e um e-mail para contato. A taxa de inscrição é de R$ 185 e deverá ser paga na rede bancária até 28 de abril, usando o boleto gerado no ato da inscrição.

A utilização do CPF na inscrição garantirá o acesso do candidato, e apenas dele, com senha de segurança, aos seus dados e desempenho no processo seletivo. Para o cadastro inicial da inscrição, é necessário anexar uma foto.

O processo de transferência externa constará de duas etapas. No dia 17 de maio de 2020, haverá uma prova de pré-seleção, aplicada pela Fuvest. Os selecionados nessa etapa continuarão o processo nas unidades da USP, segundo datas e regras divulgadas nos editais das diferentes unidades, que estarão disponíveis nos respectivos Serviços de Graduação e no site da Pró-Reitoria de Graduação.

Todos os candidatos farão provas de língua portuguesa e língua inglesa. Além dessas duas disciplinas, os candidatos da área de Humanidades terão testes de cultura bontemporânea; das biológicas responderão a testes de genética e bioquímica; e das Exatas, a testes de física e matemática.

O candidato terá acesso ao seu desempenho na “Área do candidato” no site da Fuvest. O início do período letivo na USP, no segundo semestre, será no dia 3 de agosto de 2020. Em 2021, o período letivo começará no mês de fevereiro.

Mais informações em: https://bit.ly/2wuAlKc

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Cristiano Nogueira / USP A campestre Philodryas livida vem perdendo espaço para a agricultura mecanizadaCristiano Nogueira / USP

 

Atlas recolhe informações sobre as áreas de ocorrência de todas as espécies registradas no país, mapeia biodiversidade e detecta regiões prioritárias para novos inventários
De cor laranja-avermelhada e tamanho modesto (não passa de 50 centímetros), a serpente da espécie Phalotris lativittatus é naturalmente rara e de distribuição geográfica bastante restrita. Como se não bastasse, sua incidência no estado de São Paulo, onde é endêmica (só existe ali), vem diminuindo cada vez mais devido à perda de hábitat em remanescentes do Cerrado paulista – fragmentado e degradado nas últimas décadas pelo avanço das cidades, da agricultura e da pecuária. Estima-se que a área de ocorrência da serpente seja um pouco maior que 2 mil quilômetros quadrados (km²), agravando sua situação de espécie quase ameaçada de extinção na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Phalotris lativittatus é uma das 412 espécies registradas no Atlas de serpentes brasileiras, publicado na forma de artigo científico em edição especial da revista South American Journal of Herpetology, de dezembro de 2019. Com 274 páginas e assinado por 32 pesquisadores, a maioria do Brasil, o trabalho descreve em detalhe a distribuição geográfica de todas as espécies de serpentes encontradas até agora no país, com base em mais de 163 mil exemplares preservados desde o século XVIII em 140 coleções biológicas de universidades e museus de história natural e coleções biológicas do Brasil e do mundo.

“Foram aproximadamente nove anos organizando e georreferenciando uma síntese de informações produzidas ao longo de muitas décadas sobre uma das faunas de serpentes mais ricas do planeta”, diz o biólogo Cristiano Nogueira, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e coordenador do trabalho. Por trás da publicação está uma base de dados que reúne todos os registros conhecidos e validados das espécies em todo o continente sul-americano, e pode servir como ferramenta para novos estudos em biogeografia e biodiversidade. “O atlas reúne um esforço inigualável de amostragem feito por gerações de pesquisadores e instituições”, observa Nogueira.

Resultados preliminares, divulgados em 2015 por Pesquisa FAPESP, já indicavam que algumas espécies haviam perdido até 80% da área de floresta ou campos que ocupavam três décadas antes. Agora, com o mapeamento concluído, é possível ter uma visão mais abrangente e atual do problema, afirma o biólogo, ressaltando que os mapas localizam detalhadamente onde estão as serpentes nos diversos biomas brasileiros.

A maior parte das espécies tem distribuição restrita no país e no continente sul-americano. São localizadas em poucos pontos dentro de zonas relativamente pequenas, como a já mencionada Phalotris lativittatus ou Philodryas arnaldoi, endêmica das florestas de araucária. As espécies de distribuição restrita, diz Nogueira, são as mais sensíveis aos impactos humanos – é mais fácil provocar a extinção de um animal que existe apenas em uma área pequena.

Uma serpente que vem perdendo hábitat é Erythrolamprus carajasensis, endêmica da parte sul da Amazônia, por onde passa o chamado arco do desmatamento, região da floresta amazônica que sofre mais com queimadas e invasões. Outra é a corre-campo Philodryas livida, uma espécie que vive apenas em regiões de topos de planalto onde a vegetação se limita a capins, ervas e árvores muito esparsas, nos chamados campos limpos ou campos sujos do Cerrado brasileiro. É o tipo de território que vem sendo amplamente utilizado pela agricultura mecanizada para a produção de milho e soja, por exemplo.

“Observando os mapas vemos que Philodryas livida era encontrada em São Paulo, mas hoje não há mais registro no estado”, diz o biólogo Otavio Marques, do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, em São Paulo, e coautor do Atlas de serpentes. “Os únicos encontros recentes estão no Parque Nacional das Emas, em Goiás, evidenciando a importância das unidades de conservação integral no país”, completa. Segundo ele, a extinção de um animal desses não representa prejuízo apenas do ponto de vista da biodiversidade. “Perde-se a chance de pesquisar seu potencial uso no tratamento de doenças”, explica Marques, lembrando que um importante fármaco usado contra hipertensão arterial, o Captopril, foi desenvolvido a partir do veneno da jararaca (Bothrops jararaca).

Em outros casos, a perda de vegetação nativa pode favorecer a distribuição de algumas espécies, como a cascavel [Crotalus durissus], cuja distribuição se estende por áreas abertas e ensolaradas de todo o país. “Trata-se de uma espécie intolerante à umidade”, observa Marques. Assim, no mapa fica evidente a quase total ausência de registros na Amazônia. Com a diminuição das áreas de florestas e o impacto das mudanças climáticas, ela tem expandido sua distribuição geográfica pelo país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. “O interior de São Paulo, onde havia muita mata, está cheio de cascavel”, sublinha.

Para Cristiano Nogueira, os mapas de distribuição apresentados no atlas servem como subsídio científico para a conservação de serpentes, além de abastecer com novos dados estudos evolutivos que buscam entender como diferentes espécies de serpentes vivem no país. Ele afirma que a publicação do atlas é uma forma de reduzir o que os biogeógrafos chamam de déficit Wallaceano, uma lacuna de conhecimento sobre onde estão distribuídas as espécies. O nome é uma forma de homenagear o naturalista britânico Alfred Russel Wallace, que iniciou os estudos sobre distribuição das espécies da fauna ainda no século XIX e é por isso considerado o pai da biogeografia, ciência que estuda a distribuição dos seres vivos. “Em pleno século XXI, com as imagens de satélite, temos ótimos mapas de hidrografia, relevo, tipos de vegetação, porém poucos bons mapas de distribuição de espécies”, acrescenta.

Exemplo de como o atlas pode suscitar novos questionamentos e descobertas é o caso de Micrurus ibiboboca, uma cobra-coral comumente referida como típica da Caatinga. “Chamou a atenção o animal ter sido identificado tanto em áreas de mata fechada no litoral do Nordeste brasileiro como no interior, em áreas abertas de Caatinga ou Cerrado”, explica Marques. “Poderíamos supor que se trata de uma espécie versátil, adaptada a diferentes ambientes, mas tudo leva a crer que as informações taxonômicas estão imprecisas e, na verdade, as serpentes registradas no litoral e na Caatinga pertencem a espécies distintas”, sugere ele, lembrando que novos estudos são necessários para testar a hipótese.

Cristiano Nogueira / USP Xenodon merremii, a boipeva, pode ser encontrada por todo o BrasilCristiano Nogueira / USP

Áreas preciosas
Outra contribuição do atlas é determinar o grau de endemismo nos diferentes biomas brasileiros. De acordo com o levantamento, 163 espécies catalogadas são exclusivamente brasileiras, ou seja, 39% das encontradas. “Nosso estudo detecta concentrações de endemismo em diferentes zonas do território brasileiro, algumas delas até então pouco estudadas”, afirma Nogueira. Uma das mais conhecidas é a porção sul da Mata Atlântica, até seu ponto de contato com as pastagens de araucárias e o Pampa, no Sul do país. Na parte norte da Mata Atlântica, englobando as regiões central e sudeste da Bahia, já quase fazendo contato com a Caatinga, também há muitas serpentes endêmicas.

No Nordeste do país, pelo menos duas áreas de Caatinga apresentam altos níveis de endemismo: a depressão do médio rio São Francisco e áreas de altitude mais elevada no Ceará. Já no Cerrado, destacam-se as cabeceiras da bacia do Tocantins – incluindo a região do Jalapão e da serra da Mesa –, o planalto da serra do Roncador, no nordeste de Mato Grosso, e um grande conjunto de áreas de endemismo na porção oeste do domínio, próximo ao Chaco e Pantanal. Na Amazônia, o endemismo se concentra na parte norte, do leste de Belém até áreas próximas das Guianas, incluindo os estados do Amapá e Roraima e a fronteira com a Colômbia. “Todas essas áreas inspiram cuidados e requerem iniciativas de conservação direcionadas, uma vez que abrigam espécies que não ocorrem em outros lugares”, salienta Nogueira.

De modo geral, poucas espécies ocorrem amplamente em todo o país. Uma delas é a boipeva (Xenodon merremii), uma serpente agressiva, embora não venenosa, encontrada dos pampas no Sul do país até as savanas na Amazônia, passando por Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga. Os pesquisadores observaram que é comum encontrar maior diversidade perto de centros urbanos: leste do estado de São Paulo, sul da Bahia, Região Metropolitana de Belém, no Pará, sudoeste de Mato Grosso e oeste de Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, foram registradas quase 40 espécies. Já em Belém, são mais de 80.

De acordo com Marques, essas áreas apresentam a maior riqueza (número de espécies) e diversidade filogenética (número de linhagens) de serpentes, talvez por causa da variedade de formas de vegetação e de relevo. Além disso, são nessas áreas urbanas onde houve mais coletas. “Também são lugares com mais espécies descritas, porque estão próximas a centros de pesquisa como o Instituto Butantan”, diz Marques.

“Isso indica que precisamos concentrar novas amostragens em regiões mais distantes, fora das imediações dos centros urbanos, longe dos locais mais acessíveis, para obter melhores dados e otimizar os esforços”, sugere. “Temos agora um mapa para direcionar a busca por conhecimento, por novas espécies e novos registros de distribuição”, conclui.

Projetos

1. Origem e evolução das serpentes e a sua diversificação na região neotropical: Uma abordagem multidisciplinar (nº 11/50206-9); Modalidade Projeto Temático; Programa Biota; Pesquisador responsável Hussam El Dine Zaher (USP); Investimento R$ 4.928.500,61.
2. Biogeografia, biodiversidade e conservação de répteis Squamata cisandinos (nº 15/20215-7); Modalidade Jovem Pesquisador; Pesquisador responsável Cristiano de Campos Nogueira (USP); Investimento R$ 630.298,27.
3. Estrutura de taxocenoses de anfíbios, répteis e pequenos mamíferos no Cerrado: O papel de fatores locais e regionais (nº 15/21259-8); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Marcio Roberto Costa Martins (USP); Investimento R$ 144.757,41.
4. Efeitos de alterações de hábitat sobre comunidades de anfíbios e répteis Squamata: Subsídios para programas de manejo, avaliações de risco de extinção e planos de ação de conservação (nº 18/14091-1); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Marcio Roberto Costa Martins (USP); Investimento R$ 184.274,90.
5. Novas abordagens de ecologia e conservação: Diversidade filogenética e funcional de anfíbios e serpentes da Mata Atlântica brasileira (nº 14/23677-9); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ricardo Jannini Sawaya (UFABC); Investimento R$ 167.681,18.

Artigo científico
NOGUEIRA, C. C. et al. Atlas of Brazilian snakes: Verified point-locality maps to mitigate the Wallacean shortfall in a megadiverse snake fauna. South American Journal of Herpetology. v. 14, esp. 1, p. 1-274. 31 dez. 2019.

 

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Agência FAPESP – A Fundación Carolina (Espanha) oferece para países ibero-americanos 822 bolsas vinculadas aos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) que integram a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). As oportunidades são para mestrado, doutorado e pós-doutorado. Há ainda bolsas para mobilidade de professores.

A convocatória inclui programas destinados a combater as disparidades de gênero existentes nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática e possibilita a mobilidade acadêmica entre América Latina e Espanha, oferecendo também a oportunidade de estudantes e pesquisadores espanhóis conhecerem centros da América Latina.

As bolsas são distribuídas nas seguintes modalidades: 237 bolsas de pós-graduação; 96 bolsas de doutorado e estadias curtas de pós-doutorado; 61 bolsas de mobilidade para professores e 302 bolsas de estudos institucionais. Além disso, 126 bolsas de doutorado serão renovadas. No total, são 193 programas acadêmicos, dos quais 122 são de pós-graduação.

Os interessados nas bolsas de pós-graduação devem se inscrever até 10 de março de 2020, pelo site da Fundación Carolina. As bolsas de doutorado, estadias de curta duração, programas de mobilidade de professores e estudos institucionais estão com inscrições abertas até 3 de abril.

A Fundación Carolina foi criada no ano 2000 para a promoção de relações culturais e cooperação educacional e científica entre a Espanha e os países da Comunidade Ibero-americana de Nações. Além de trabalhar para a criação de um espaço de conhecimento ibero-americano, a fundação é uma ferramenta de diplomacia pública, cujo objetivo é alcançar um melhor conhecimento mútuo entre a América Latina e a Espanha.

Mais informações em: https://bit.ly/2UuKakX

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Acordo entre Unesp e uma divisão da Sociedade Americana de Química possibilitou compilar informações sobre mais de 54 mil compostos da biodiversidade brasileira; acesso à plataforma on-line é gratuito (Amorpha fruticosa, uma das espécies listadas no repositório; imagem: Wikimedia Commons)

 

Agência FAPESP – Um banco de dados com informações detalhadas sobre mais de 54 mil compostos oriundos da biodiversidade brasileira foi criado por meio de uma colaboração entre o Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (IQ-Unesp) em Araraquara e o Chemical Abstracts Service (CAS) – divisão da Sociedade Americana de Química.

O processo de sistematização das informações acaba de ser concluído e o Brasil passa a ser detentor da segunda maior base de dados sobre produtos naturais do mundo, atrás apenas da China.

Disponível em plataforma on-line e gratuita, o repositório reúne informações sobre ocorrência, estrutura química, dados analíticos e química medicinal, além de contar com uma relação de artigos publicados sobre cada elemento. Dessa forma, a coleção permite que cientistas da academia e da indústria pesquisem, analisem e comparem a química de compostos bioativos naturais, facilitando o estudo e a criação de novos produtos químicos ou medicinais.

“O acesso amplo e aberto da comunidade científica ao banco de dados é essencial para que a ciência e a tecnologia avancem no país. A sistematização das informações traz maior eficiência à pesquisa, pois evita a repetição de estudos e facilita a formulação de novas hipóteses com base em descobertas anteriores. Com a coleção, fica mais fácil identificar alvos ainda não bem estudados”, disse Vanderlan Bolzani, professora titular do IQ-Unesp, membro da coordenação do Programa BIOTA-FAPESP e do Conselho Superior da FAPESP.

Bolzani ressalta que, em razão de sua rica biodiversidade, o país conta com enorme potencial para a produção de conhecimento e de produtos com valor agregado – incluindo medicamentos naturais ou derivados, suplementos alimentares, cosméticos e materiais para controle de pragas e parasitas agrícolas.

“O Brasil reúne aproximadamente 20% de todas as espécies do planeta. Esse banco de dados é estratégico para ampliar nosso conhecimento sobre a biodiversidade brasileira”, disse Bolzani.

A compilação de informações de produtos naturais vem sendo feita há seis anos pela pesquisadora Marilia Valli, sob a supervisão de Bolzani, que também é coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade e Produtos Naturais (INCT-BioNat) e vice-coordenadora do Centro de Inovação em Biodiversidade e Fármacos, (CIBFar), um dos CEPIDs da FAPESP.

O banco de dados do Núcleo de Bioensaios, Biossíntese e Ecofisiologia de Produtos Naturais (NuBBE Database) foi criado por meio da colaboração entre o núcleo da Unesp e o Laboratório de Química Medicinal e Computacional (LQMC), liderado por Adriano D. Andricopulo , do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

Desde o ano passado, a diretora do CAS Brasil, Denise Ferreira , vem atuando no acordo de colaboração CAS-EUA, dando impulso ao projeto para a criação do banco de dados de produtos da biodiversidade brasileira. A divisão da Sociedade Americana de Química possui uma equipe ampla e com experiência técnica na curadoria de informações, verificação e mineração de dados.

A iniciativa reuniu informações contidas em mais de 30 mil artigos publicados em revistas científicas, chegando a 51.973 compostos de plantas nativas do Brasil. Somam-se a esses compostos outros 2.219 que vêm sendo sistematizados no banco de dados do NuBBE Database, da Unesp. Ao todo são 54.192 compostos na coleção.

A equipe do CAS fez a seleção das informações, a ligação com a fonte de referência bibliográfica, a identificação das moléculas e a preparação de arquivos de transferência de dados para a incorporação ao NuBBE Database.

Essa foi a primeira vez que o CAS realizou o licenciamento (doação) para uma base como a do NuBBE, que é de acesso público. Geralmente, a entidade cobra pelo acesso aos seus dados.

De acordo com Ferreira, o acordo inédito foi uma forma de apoiar a ciência brasileira após a destruição do Museu Nacional no Rio de Janeiro por um incêndio, em 2018 (leia mais em: agencia.fapesp.br/31815).

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Agência FAPESP – Uma Bolsa FAPESP de Treinamento Técnico nível três (TT-3) é oferecida para o projeto “Fertirrigação com efluente tratado de laticínio no cultivo do arroz”. Inscrições até 23 de fevereiro de 2020.

As atividades são conduzidas no Grupo de Estudos em Biossistemas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), em Pirassununga.

O bolsista terá oportunidade de participar de atividades de campo e em laboratório voltadas a avaliar o potencial de aplicação da instrumentação usada no cultivo de arroz especial irrigado por gotejamento com efluente tratado de laticínio.

As inscrições podem ser feitas pelo e-mail da professora Tamara Maria Gomes (tamaragomes@usp.br). A mensagem deve conter currículo Lattes, histórico da graduação e carta de motivação.

Mais informações sobre a vaga: www.fapesp.br/oportunidades/3446.

A Bolsa de TT-3 tem valor de R$ 1.228,40 mensais. É direcionada a graduados do nível superior, sem reprovações no histórico escolar e sem vínculo empregatício. A dedicação deverá ser de 16 a 40 horas semanais às atividades de apoio ao projeto de pesquisa. O tempo de bolsa TT-3 será descontado no caso de o interessado vir a usufruir de Bolsa de Mestrado ou Doutorado Direto.

Mais informações sobre as bolsas de Treinamento Técnico da FAPESP: www.fapesp.br/bolsas/tt.

Outras vagas de bolsas, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em www.fapesp.br/oportunidades.

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Iniciativa tem o objetivo de estimular a produção de pesquisa científica em temas relacionados à sustentabilidade e à biodiversidade; prazo termina em 28 de fevereiro (foto: divulgação)

Agência FAPESP – A terceira edição do Prêmio Capes Natura está com edital aberto. O prêmio é uma parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Natura e tem como objetivo estimular a produção de artigos de alta relevância e impacto para o desenvolvimento científico e tecnológico.

A iniciativa promove dois temas estratégicos para o desenvolvimento econômico do país: “Ciências moleculares e bioinformática com aplicações em tecnologias cosméticas” e “Amazônia: a ciência de dados contribuindo para conservação socioambiental e uso sustentável dos recursos naturais”.

Podem concorrer ao prêmio trabalhos individuais ou em coautoria, de portadores do título de mestre ou doutor ou matriculados em programas de pós-graduação, mestrado ou doutorado, vinculados à instituição de ensino e pesquisa.

Os trabalhos vencedores receberão passagem aérea e diária para os autores comparecerem à cerimônia de premiação, que ocorrerá em data e local a serem definidos. Serão custeadas passagens somente de trechos que compreendam o território brasileiro. Eles também ganharão certificado e prêmio no valor de R$ 25 mil.

A inscrição do trabalho pode ser feita pelo site da Capes até 28 de fevereiro de 2020. Os vencedores serão anunciados em junho de 2020 pelo Diário Oficial da União.

Mais informações em: http://www.capes.gov.br/acessoainformacao/informacoes-classificadas/94-bolsas-s/7724-premio-capes-natura-campus-de-excelencia-em-pesquisa .

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