Imbuídas desse conceito, as pessoas têm facilidade para compreender, interpretar e valorizar as informações ambientais

No Diversidade em Ciência, Ricardo Alexino Ferreira entrevista Pedro Luiz Côrtes, professor e livre-docente do Departamento de Informação e Cultura, da Escola de Comunicações e Artes da USP. também  docente do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental (Procam) do Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE-USP) e do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da ECA-USP.

Pedro Côrtes fala sobre Literacia Ambiental, área do conhecimento que investiga e analisa a capacidade de uma pessoa perceber, compreender, interpretar e valorizar as informações ambientais (a partir de diversas fontes), incorporando-as ao seu uso cotidiano como elemento essencial para o sucesso de políticas públicas nesse campo.

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Um grupo de pesquisadores do Brasil, Reino Unido e Itália, coordenado por um professor brasileiro, desenvolveu um composto com ação potente e seletiva contra o câncer de ovário. O estudo realizado com o novo composto à base de paládio – metal raro de alto valor comercial – demonstrou sua eficácia contra células de tumor de ovário sem afetar o tecido saudável. Além disso, testes em células tumorais indicaram que o composto age contra tumores resistentes ao tratamento mais utilizado atualmente no combate ao câncer de ovário, que é feito com um fármaco chamado cisplatina.

O trabalho foi conduzido durante a pesquisa de doutorado da professora Carolina Gonçalves Oliveira, atualmente no Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A cisplatina é um quimioterápico eficiente para tumores no ovário, mas o tratamento pode causar efeitos colaterais severos aos pacientes, afetando rins, sistema nervoso e audição. Segundo o pesquisador do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP) Victor Marcelo Deflon, que coordenou o estudo, isso acontece porque a molécula não é muito seletiva, ou seja, afeta também células saudáveis.

“[O novo composto] tem alta seletividade para células de câncer, isso traz uma expectativa de menos efeitos colaterais. E ele é ativo em células de câncer resistentes à cisplatina, isso é ótimo porque é uma alternativa para tratar câncer nesses casos que são resistentes à cisplatina”, disse Deflon. “Algumas células de câncer aprendem a se defender da cisplatina, então ficam resistentes”, complementou.

Os pesquisadores identificaram o mecanismo de ação do novo composto e concluíram que há diferenças em relação à cisplatina. “O fato de ele [novo composto] atuar em células resistentes à cisplatina mostra que o mecanismo de ação dele é diferente, então a gente foi estudar qual era o mecanismo e acabou encontrando que o potencial alvo dele é uma enzima, não o DNA”, disse.

Testes clínicos

O composto à base de paládio teve ação na topoisomerase, uma enzima presente em tumores e que participa do processo de replicação do DNA, sendo um alvo potencial para quimioterápicos. “Essa enzima tem altas concentrações em células de câncer porque são células que se reproduzem muito rápido e ela está relacionada com metabolismo celular para replicação das células”, disse.

Já a cisplatina age diretamente no DNA, causando mudanças estruturais nele, impedindo a célula tumoral de copiá-lo. Deflon explicou que são alvos diferentes, mas tanto a cisplatina como o composto de paládio inibem o processo de divisão celular do tumor.

A partir dessa descoberta, os pesquisadores devem buscar o desenvolvimento de versões ainda mais eficientes do composto para obter uma molécula que possa ser testada em animais com boas chances de sucesso. Depois de testes bem-sucedidos em animais, a molécula pode ser levada para testes clínicos.

“É uma tentativa de desenvolver um fármaco que tenha menos efeitos colaterais que a cisplatina e, nesse caso, ele é mais seletivo tanto para célula que é sensível à cisplatina quanto para célula que é resistente à substância”, acrescentou.

FONTE

Portal Comunica UF
Camila Boehm (Agência Brasil)
Edição: Pedro Ivo de Oliveira

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Filhote de raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) em Ituiutaba (MG) (Foto: Kátia Gomes Facure Giaretta)

Professora do Campus Pontal conta como pesquisadores descobriram que esses canídeos não merecem a fama que têm no galinheiro

Embora a maioria das pessoas pense que as raposas se alimentam de galinhas, descobrimos, através do estudo da dieta de uma espécie de raposa que vive no Brasil, que, na verdade, as nossas raposas se alimentam de uma variedade de itens, principalmente insetos, alguns frutos e pequenos vertebrados silvestres, como roedores.

Participaram do estudo pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG-Catalão) e do Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado. Além das raposas, outras duas espécies de canídeos também foram estudadas.

No Brasil existem seis espécies de canídeos silvestres, ou seja, que são naturais do nosso país. A raposa-do-campo é a menor dessas espécies, pesando entre 2,5 e 4 quilos, e é endêmica do bioma Cerrado. O cachorro-do-mato pesa entre 5 e 8 quilos e apresenta uma ampla distribuição na América do Sul. O lobo-guará ultrapassa todas as outras espécies em peso, com seus 26 quilos, e ocorre em formações abertas, como campos e cerrados.

Os hábitos alimentares dessas três espécies foram tema do mestrado da estudante Bianca Kotviski, egressa do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação de Recursos Naturais da UFU. Os resultados da pesquisa foram publicados em dezembro na revista argentina Mastozoologia Neotropical.

Os canídeos silvestres desempenham um papel importante na manutenção da estrutura da comunidade onde vivem, seja através do controle que exercem sobre as populações de suas presas ou pela sua atuação como dispersores de sementes.

Apesar disso, esses animais sofrem com a perda e fragmentação dos hábitats e ameaças como atropelamentos, doenças transmitidas por cães domésticos, caça e envenenamento pelo homem, devido à crença de que eles se alimentam de animais de criação, principalmente galinhas. Nesse sentido, estudos sobre a dieta dessas espécies podem contribuir para mudar a imagem desses animais e conhecer melhor sua importância no ecossistema, contribuindo para a sua conservação.

Para conhecer o que esses animais comem, nós pesquisadores coletamos fezes das três espécies ao longo de sete anos em uma área de fazendas de gado, em Cumari, sul do estado de Goiás. Foram coletadas 155 amostras fecais: 65 de raposas-do-campo, 60 de cachorros-do-mato e 30 de lobos-guará. As fezes foram lavadas sobre uma peneira de malha fina e os itens separados e identificados através de comparações com coleções de referência de animais e plantas no Museu de Biodiversidade do Cerrado da UFU.

Foram identificados 35 tipos diferentes de itens alimentares, sendo 13 de origem vegetal e 22 de origem animal. Insetos representaram de 60% a 80% do total de itens consumidos pelos dois canídeos menores. Besouros e grilos foram consumidos em grande quantidade por ambas as espécies, mas as raposas-do-campo também consumiram cupins. Os lobos-guarás ingeriram uma maior proporção de frutos e pequenos vertebrados, inclusive aves, pouco frequentes na dieta das espécies menores. Diferenças na utilização dos itens alimentares diminuem a competição entre as três espécies e contribuem para a sua coexistência ao longo de todo bioma.

As três espécies conseguem ocupar áreas rurais, onde encontram abrigo e alimento abundante. Em contrapartida, como predadores, esses canídeos ajudam no controle das populações de presas (insetos e roedores) e, como frugívoros, atuam na dispersão de sementes, colaborando na regeneração florestal. Vale destacar que não foi encontrado nenhum vestígio de animal de criação, como galinhas, nas fezes dos canídeos estudados.

FONTE

Portal Comunica UFU
Kátia Gomes Facure Giaretta
Professora do Instituto de Ciências Exatas e Naturais do Pontal da UFU
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Wellington usou líquidos iônicos para formação de um sistema capaz de diminuir a energia necessária ao processo de conversão
Wellington usou líquidos iônicos para formação de um sistema capaz de diminuir a energia necessária para o processo de conversão

Cientistas do Instituto de Química da UFRGS avaliam método de conversão eletroquímica do CO2 para produção de energia

Segundo alerta feito por cientistas do Instituto Postam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, da Alemanha, em um artigo publicado na revista Science Advances, a concentração de CO2 (gás carbônico) na atmosfera atingiu o maior nível dos últimos três milhões de anos, aumentando o efeito estufa no planeta. Uma pesquisa do Instituto de Química da UFRGS, no entanto, mostra que a partir do CO2 presente na atmosfera é possível gerar diferentes produtos químicos úteis, inclusive combustíveis. E isso acontece por um método chamado combustão reversa.

Processos que envolvem combustões ainda são responsáveis por grande parte da geração de energia no mundo. E, nestas reações químicas, os produtos gerados são CO2 e água. “O projeto que desenvolvi no doutorado foi basicamente pegar esse CO2 e transformar em algo útil”, explica Wellington Gonçalves, um dos realizadores da pesquisa. A intenção do processo químico estudado é utilizar o gás carbônico para produzir — novamente — combustíveis como metano, etano, entre outros. O metano é o principal constituinte do biogás, uma alternativa renovável de geração de energia elétrica.

O estudo realizado pelos pesquisadores do Instituto de Química está publicado no artigo Efficient Electrocatalytic CO2 Reduction Driven by Ionic Liquid Buffer‐Like Solutions (A eficiência dos líquidos iônicos como ativadores na redução eletroquímica do dióxido de carbono), que foi capa do mês de setembro passado da revista ChemSusChem, parte da ChemPubSoc Europe. O tema do artigo é o mesmo assunto do doutorado de Wellington, finalizado em 2018 no Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Materiais da UFRGS. O orientador do trabalho foi o professor Jairton Dupont.

Leia a matéria completa no UFRGS Ciência.

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