Alda do Amaral Rocha De São Paulo

As exportações brasileiras de carne bovina bateram outro recorde em junho passado e já superam US$ 1 bilhão no semestre. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), em junho foram embarcadas 166,4 mil toneladas de carne equivalente-carcaça, 56,5% mais que em igual mês de 2003. A receita com as exportações em junho subiram 100,6%, para US$ 222,2 milhões. As vendas incluem carne in natura (120,9 mil toneladas) e industrializada (45,5 mil toneladas).

Os números para o semestre também são recordes, conforme o diretor-executivo da Abiec, Antônio Camardelli. A receita com as exportações no semestre totaliza US$ 1,088 bilhão, alta de 69% sobre os primeiros seis meses de 2003. O volume, 838,6 mil toneladas equivalente-carcaça, cresceu 28,4% sobre o mesmo período de 2003.

No semestre, os principais mercados para a carne brasileira foram, em receita, Chile, Egito, Holanda, Rússia e Reino Unido.

Para Camardelli, o desempenho favorável das exportações pode ser explicado pelos preços atrativos do produto brasileiro no mercado internacional e por sua qualidade.

Ele destacou que o Brasil está conseguindo também obter melhores preços nas exportações. “O setor está recuperando os investimentos feitos [para abrir mercados]”, disse, referindo-se ao fato de o país trabalhar com preços mais baixos quando está chegando a um novo mercado. De janeiro a junho, o preço médio da carne brasileira in natura na exportação foi de US$ 1.622/tonelada, alta de 34,2% sobre o mesmo intervalo de 2003.

A descoberta de um caso da doença da “vaca louca” nos Estados Unidos também ajuda as vendas externas brasileiras, para países como o Egito, segundo analistas do setor. Os EUA eram um importante fornecedor local mas tiveram a venda embargada.

O diretor da Abiec disse que o embargo russo às carnes brasileiras – por causa da descoberta de um foco de aftosa no Pará – não chegou a afetar os embarques. Parte dos produtos foi redirecionada e alguns embarques adiados para este mês. Segundo Camardelli, se o ritmo de crescimento das vendas externas se mantiver – e não houver problemas de infra-estrutura portuária -, os embarques podem ficar em US$ 1,8 bilhão este ano.

A notícia de que o Chile, importante cliente do Brasil, reabriu seu mercado à carne bovina maturada e desossada da Argentina é preocupante, diz Camardelli, porque aumentará a concorrência.

Contexto

A Secretaria da Agricultura da Argentina anunciou que o Chile concordou em abrir seu mercado para a carne bovina maturada e desossada do país. O Chile fechou as portas para a carne argentina em março de 2001, por conta de febre aftosa no vizinho, reabriu em dezembro de 2002 e voltou a fechar em setembro de 2003, novamente em razão da doença. Com a decisão chilena, são 81 os países importadores de carne bovina argentina. Também a Austrália vem recuperando terreno perdido no mercado internacional em virtude da estiagem que castigou o país em 2003. Em junho, as exportações de carne bovina do país alcançaram 87.245 toneladas, alta de 9% sobre maio deste ano e de 23% sobre junho de 2003. O Japão puxou a demanda, segundo a Dow Jones Newswires.


Jornal Valor Econômico – 8/7/2004
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Fernando Lopes De São Paulo


A balança comercial brasileira do setor de agronegócios confirmou as expectativas e voltou a bater recordes históricos em junho passado. Os resultados foram sustados tanto pelo aumento do volume de embarques dos principais produtos da pauta exportadora quanto por valorizações de preços no mercado internacional.

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, as exportações do setor renderam US$ 4,404 bilhões no mês, 68,54% mais que em junho de 2003 e maior valor mensal já registrado. Apesar do crescimento de 14,9% das importações, que atingiram US$ 442,6 milhões, o superávit da balança do campo chegou a US$ 3,962 bilhões no mês, 77,9% mais que em junho do ano passado e também um recorde mensal. “Nunca as exportações do setor de agronegócios tinham superado US$ 4 bilhões em um mês”, afirmou Eliezer Lopes, coordenador-geral de apoio à comercialização do Ministério da Agricultura.

Conforme Lopes, no acumulado de janeiro a junho deste ano os embarques totalizaram US$ 18,496 bilhões (35,8% mais que no mesmo período de 2003) e o saldo, US$ 16,084 (42,6% mais), recordes semestrais. E ele destacou ao Valor, ainda, que nos últimos 12 meses até junho as exportações somaram US$ 35,515 bilhões e o saldo, US$ 30,651 bilhões, nos dois casos cerca de US$ 5 bilhões a mais que os totais verificados em 2003.

As vendas no exterior dos produtos do complexo soja – grão, farelo e óleo – voltaram a liderar a pauta brasileira tanto em junho quanto no acumulado do primeiro semestre. Lopes lembra que, apesar da produção nacional ter diminuído na safra 2003/04, em virtude de problemas climáticos no Centro-Oeste e no Sul do país, o volume exportado manteve-se em alta e os preços no mercado internacional mostraram-se firmes.

E Renato Sayeg, da Tetras Corretora, disse que é de se esperar um ritmo forte de exportações do complexo soja também em julho e em agosto, uma vez que os embarques estão atrasados em relação ao ritmo do ano passado. “Com certeza os resultados de julho e agosto também mostrarão significativo crescimento na comparação com os mesmos meses de 2003”. Sayeg afirmou que, depois de agosto, a safra dos EUA começa a chegar no mercado, e que, portanto, o Brasil tende a acelerar suas vendas para não enfrentar problemas de preços e até de navios disponíveis para transportar suas cargas.

As carnes mantiveram a segunda posição no ranking das exportações dos agronegócios tanto em junho quanto nos primeiros seis meses do ano, ficando o item “madeira e suas obras” no terceiro posto nas duas listas. Na relação específica do mês de junho, Lopes chamou a atenção para o crescimento de 56,1%, para US$ 317,5 milhões, das exportações de açúcar e álcool, que ocuparam a quarta posição. “No caso dos embarques do setor sucroalcooleiro, vale lembrar que o melhor resultado veio com o aumento da produção e com a manutenção dos preços em um patamar praticamente estável”, afirmou.

Ver mais em www.agricultura.gov.br

Receita com exportações de café cresce 19% no semestre

De São Paulo

As receitas com a exportação de café (grão e solúvel) atingiram US$ 862,9 milhões no primeiro semestre, um aumento de 19,1% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em volume, os embarques recuaram 6,8%, nos seis primeiros meses deste ano, para 11,711 milhões de sacas de 60 quilos.

“As exportações no primeiro semestre ficaram abaixo do normal, ainda como reflexo da menor safra de café, referente ao ciclo 2003/04, sobre 2002/03, que registrou colheita recorde”, afirmou Guilherme Braga, presidente do Cecafé. Outro fator, de acordo com ele, foi a retirada de cerca de 1 milhão de sacas de café do mercado doméstico, no fim do ano passado, por meio dos contratos de opção de venda, realizados pelo governo federal. “Esse café só retornou ao mercado em junho, com os leilões feitos pelo governo”, disse o executivo.

A expectativa do setor é de que os volumes de exportação de café voltem a se recuperar no segundo semestre, por conta da colheita da nova safra, a 2004/05. O Cecafé estima que cerca de 15 milhões de sacas sejam exportadas neste segundo semestre. Para o ano-civil de 2004, a previsão é de que os embarques somem 26,7 milhões de sacas de café, ante 25,5 milhões de sacas do ano anterior. A receita neste ano deverá ser de US$ 1,8 bilhão, 20% acima do total do ano passado, que chegou a US$ 1,5 bilhão. (MS)



Jornal Valor Econômico – 7/7/2004
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PRNewswire-FirstCall


WILMINGTON, Delaware, 07/07/2004 /PRNewswire-FirstCall/ – O sistema BAX(R), um instrumento de diagnóstico baseado na genética e desenvolvido pela DuPont Qualicon, foi aprovado pelo Ministério da Agricultura no Brasil como método de referência oficial para detectar a presença da salmonella em amostras de alimentos, água e ambientais.

Uma avaliação conduzida pelo Ministério em mais de 1.800 amostras em cinco laboratórios concluiu que o sistema BAX(R) era equivalente ao método de cultura tradicional que vem sendo utilizado pelo governo nos últimos 40 anos.

Como Método de Referência Oficial, o sistema BAX(R) agora pode ser usado em todo o Brasil para ajudar a garantir a segurança do suprimento alimentar do país e proteger o futuro de suas exportações. (FONTE DuPont)


PRNewswire – 7/7/2004
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Da redação


RIO – O vinhedo de Pickberry, no condado californiano de Sonoma, está utilizando tecnologia wireless (wi-Fi) para obter uvas de melhor qualidade. Sensores instalados nos campos de plantação ajudam a monitorar a temperatura, a umidade e a umidade do solo. Com o novo método, providências como a irrigação e a aplicação de produtos químicos passaram a ser adotadas somente quando se tornam necessárias.

Bill Westerman, sócio da empresa de consultoria Accenture, especializada em alta tecnologia, avalia que o sistema wi-fi já representa uma alternatriva natural para os produtores de uva obterem melhores colheitas, o que também tem se refletido na fabricação de vinho, uma das especialidades da região.

_ Espalhar cabos ao longo das plantações para alcançar esses resultados seria algo inviável – disse Westerman.

Cada um dos sensores instalados em torno dos vinhedos de Pickberry tem monitores onboard para diversas circunstâncias relacionadas com a saúde das plantas. As uvas que foram obtidas com a nova tecnologia deram origem a vinhos de qualidade que acabaram premiados na região, segundo informou o especialista americano.


Jornal O Globo – 7/7/2004
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Da redação


GENEBRA – Funcionários de alto escalão do setor de agricultura dos EUA, União Européia, Brasil, Índia e Austrália preparam nesta quarta e quinta-feiras, em Genebra, a reunião que será realizada no fim de semana, em Paris, dos ministros de comércios désses países para impulsionar um acordo sobre a liberalização do setor.

Estarão presentes, entre outros, o representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, Os comissários de Comércio e Agrivultura da UE, Pascal Lamy e Franz Fischler, e o ministro brasileiro de Relações Exteriores e ex-embaixador na OMC, Celso Amorim.

A reunião de Paris, que deve ser realizada na embaixada brasileira, deve servir para buscar elementos de convergência que ajudem o presidente do comitê de Agricultura da OMC, o neozelandês Tim Groser, a preparar o esperado documento sobre a abertura do setor, chave para o êxito da rodada lançada em Doha, em novembro de 2001.


Jornal O Globo – 7/7/2004
http://oglobo.globo.com/online/

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BRÁS HENRIQUE

Seleção do gado tem melhor rendimento e sistema permite rastreabilidade

Ao assumir, em 1997, a administração da Fazenda Rancho Fundo, de 1.500 hectares, em Cassilândia (MS), que era de seu pai, o agrônomo Sérgio Mariano Xavier Pimentel começou a introduzir a modernização no controle do gado de corte. A idéia, desde o início, era produzir novilho precoce, com inseminação artificial. No entanto, Pimentel logo percebeu que precisava de um eficiente sistema de controle. Com o auxílio do primo Arnaldo Gonsalez Xavier, um analista de sistemas, começou a montar o software hoje denominado Gerenciamento de Rebanho e amp; Rastreabilidade (GRR), já em uso em Cassilândia. “Faltam ainda alguns ajustes, mas o sistema torna o processo de melhoramento genético do gado mais rápido e eficiente, com menos possibilidade de erro humano”, diz Pimentel, que tem cerca de 1.200 vacas matrizes em seu rebanho de 2 mil cabeças.

“Com esse melhoramento genético, já cheguei à pecuária de elite”, afirma o pecuarista, que mora em Bebedouro (SP) e controla sua produção à distância. Mas, já de início, ele inovou no sistema de reprodução do gado: “Uso o método de três estações de monta há dois anos, e apenas com inseminação artificial”, explica, detalhando o seu sistema de ação bimensal: em janeiro e fevereiro ocorrem as inseminações artificiais, em março e abril é a vez do isolamento das vacas; em maio e junho ocorrem as inseminações, com parada em julho e agosto; retoma as inseminações em setembro e outubro e novamente pára em novembro e dezembro. Todos os passos são registrados no computador. “Esse método permite uma receita constante na propriedade”, destaca. Mas, para funcionar satisfatoriamente, Pimentel lembra que é preciso fazer silagem de inverno e rotação de pastagens. Em sua fazenda há oito módulos com piquetes, nos quais os animais rodam a cada cinco dias no inverno e a cada três dias no verão. “Assim, o gado só come a ponteira do capim e vai para o outro piquete.”

Cadastramento
Pelo GRR, todas as matrizes e seus descendentes são cadastrados por sexo, idade, raça e pelagem, entre outros detalhes. São também registradas as inseminações artificiais e suas condições (dia, sêmen de qual touro), nascimentos (peso, raça, condição do parto), registro individual de ocorrências, desmama do bezerro (com controle de ganho médio diário de peso, que, pelo desvio-padrão, pode se determinar, por exemplo, se a mãe sairá do lote de matrizes e irá para o abate), além do destino do próprio bezerro (se irá para abate ou venda), saídas e até informações para evitar cruzamento consangüíneo.

No início, tudo era anotado em relatórios de campo, numa planilha. Pimentel jogava os dados no computador e fazia o controle, mas faltava um programa específico, que saiu de sua imaginação para a tela do computador há oito meses. O GRR controla ainda o estoque de produtos agropecuários (ração, sais minerais e até insumos como parafusos), sêmen, brincos, vacinação e atendimento veterinário. Também apresenta uma agenda diária de atividades: desmama de um bezerro ou vacinação de um determinado lote de animais. Em breve, o funcionário poderá anotar e ter todos os detalhes do rebanho num palmtop, evitando o uso de papel no campo.

Pimentel pensa em dividir com outros pecuaristas o conhecimento de gerenciamento do GRR e acredita que em dois ou três meses poderá pôr o software à disposição dos interessados. Ele assegura que o desempenho da sua fazenda melhorou muito com o sistema informatizado. Antes, a fazenda tinha cria anual de 240 bezerros, atualmente está entre 600 e 700. “Isso sem contar o aumento de qualidade do próprio bezerro e do encurtamento no prazo de abate dos machos.” Atualmente, 360 cabeças/ano são destinadas ao abate, enquanto antes o número não chegava à metade disso. “Agora tenho animais com qualidade de exportação e rastreabilidade.”

Serviço
Sérgio Pimentel, (17) 3342-1091


Jornal O Estado de São Paulo – Agrícola -7/7/2004
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Karla Mendes

PUC Minas Betim desenvolve F1 girolando de alta genética e baixo custo, que já acumula prêmios

Produzir gado leiteiro de qualidade, com custos reduzidos ao criador. Com esse propósito, o curso de medicina veterinária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Betim (PUC Minas Betim) aliou-se à Associação Brasileira de Criadores da Raça Girolando e, juntos, desenvolveram animais F1 girolando, resultado do cruzamento das melhores vacas da raça holandesa e os melhores touros reprodutores da raça gir. Os animais são produzidos no laboratório da fazenda experimental da PUC Minas, através da transferência de embriões entre as duas raças. O projeto já conta com 26 fêmeas nascidas e 20 gestações em andamento, que tem como objetivo principal a formação de rebanho para experimentação dos alunos da universidade, além da comercialização para pecuaristas que se interessarem.

“A idéia é dividir esse rebanho de elevada genética com outros produtores”, diz Miguel Alonso de Gouvêa Valle, coordenador do projeto F1 Girolando. Os primeiros animais foram vendidos por R$ 3,5 mil, em média, e a prenhez a R$ 1,2 mil, preços muito próximos a animais da raça holandesa, mas a diferença é que as vacas F1 girolando são muito mais rentáveis ao produtor. “O plantel da raça holandesa é inadequado para o Brasil. Por isso produzimos o F1 girolando com baixos custos”, explica. Segundo Valle, as vantagens do F1 para os produtores são inúmeras. O fato de o animal acumular sinergicamente os genes das duas raças lhe proporciona alta produtividade de leite – 25 a 30 litros de leite por dia, bom desempenho reprodutivo, adaptação ao calor dos trópicos e a capacidade de se manter em pastagens. Além disso, há menos gastos com veterinários e medicamentos.

O reconhecimento do valor da raça F1 já se tem destacado. Na 44ª Exposição Agropecuária Estadual, que ocorreu no início deste mês, dez animais foram expostos e receberam 13 prêmios, entre os quais o de Campeã Fêmea Jovem, Campeã Novilha Mirim, Grande Campeã da Raça, Melhor Criador da Raça e Melhor Expositor da Raça Girolando.

Jornal Estado de Minas – Suplemento Agrícola – 28/06/2004
http://www.uai.com.br/em.html

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Alda do Amaral Rocha De São Paulo


Se para a China, a crise com o Brasil por causa da soja é coisa do passado, os exportadores brasileiros não têm a mesma opinião.

Junto com exportadores da Argentina e dos Estados Unidos, eles assinam um documento, enviado aos governos de seus respectivos países na sexta-feira, em que pedem “atenção aos crescentes abusos perpetrados pelo governo da República Popular da China às regras e convenções internacionais”.

No documento, os exportadores propõem que os governos examinem, “sob a ótica da OMC [Organização Mundial do Comércio]”, a legalidade das ações da Administração da Quarentena e do Ministério da Agricultura da China. Por decisão do órgão, 23 empresas foram proibidas temporariamente de exportar soja brasileira ao mercado chinês em junho passado.

A alegação foi a descoberta de sementes de soja tratadas com o fungicida Carboxim misturadas às cargas. O embargo acabou depois que o Brasil fez uma instrução normativa que definiu um limite de tolerância de uma semente tratada com fungicida por amostra.

Segundo os exportadores, o embargo foi baseado na “política não declarada da China de tolerância zero” para sementes tratadas. Mas teve, na verdade, motivação comercial, diz Sérgio Mendes, diretor-geral da Anec – Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, uma das signatárias do documento. “A ação da Administração da Quarentena não apresentou a notificação prévia necessária, não foi transparente e resultou em considerável inadimplência no mercado comercial chinês”, diz o documento. Para Mendes, as medidas feriram as regras da OMC.

Conforme o documento, as medidas tomadas pela China, sob o pretexto de “proteção à saúde, apoiaram ações do setor privado chinês, que visavam esquivar-se de obrigações contratuais”.

Timothy Carter, diretor de soja da Coinbra e conselheiro da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), acrescenta que, após o episódio, há “grande incerteza” por parte dos exportadores brasileiros de soja em vender para a China. A Abiove também subscreve o documento.

Além de propor a criação de um grupo de trabalho com participantes dos três países para estabelecer regras de qualidade e sanidade nas negociações de produtos agrícolas, os exportadores também pedem aos governos “uma resposta firme” às medidas chinesas. Recomendam ainda que os governos “encaminhem conjuntamente” queixa à OMC contra as medidas chinesas após análise jurídica da questão.

A carta, também assinada pela Cámara de la Industria Aceitera de la República Argentina (CIARA), Centro de Exportadores de Cereales (CEC), National Oilseed Processors Association (NOPA) e North American Export Grain Association (NAEGA), defende a inclusão de outros governos em eventuais ações contra a China.

A embaixada da China no Brasil informou que a questão da soja “não é mais problema” e que o “governo chinês está de acordo” com as regras criadas pelo Brasil.


Jornal Valor Econômico – 6/7/2004
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JOSÉ MASCHIO – DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA

A cultura de trigo, que andou na contramão do desempenho agrícola brasileiro na última década, entrou no ritmo de crescimento do agronegócio e deve ter produção próxima de 6 milhões de toneladas neste ano.
Será a segunda vez, desde 1990, que a produção brasileira ultrapassa os 5 milhões de toneladas.
Estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontam que a safra deste ano deverá ser de 5,9 milhões de toneladas, pouco acima dos 5,8 milhões do ano passado.
Esse crescimento se sustenta em um paradoxo: país sem auto-suficiência em trigo, o Brasil exportou 1,3 milhão de toneladas na última safra -a maioria embarcada no início deste ano. Essas exportações inéditas estimularam o plantio nesta safra.

Segurança alimentar
Considerada um dos principais itens de segurança alimentar no mundo, a cultura de trigo só teve desempenho próximo da auto-suficiência no Brasil no final da década de 80.
Em 1987, por exemplo, o país produziu 6,1 milhões de toneladas, para um consumo, à época, de 6,5 milhões de toneladas. Para este ano, a expectativa é que o país consuma 10,1 milhões de toneladas do produto.
As negociações para o Mercosul e o processo de globalização afetaram diretamente a cultura no país, que foi abandonada até mesmo como opção de inverno pelos produtores.
“Plantar trigo na década de 90 era sinônimo de falta de juízo, mas hoje a coisa está mudada”, afirma Carlos Eulis Carneiro Filho, 45, produtor de soja no Paraná e em Mato Grosso do Sul e que neste ano cultivou trigo em 670 hectares nos dois Estados.

Tecnologia e clima
Segundo Otmar Hubner, técnico do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, o país tem tecnologia e condições climáticas para que essa reação do trigo se sustente nas próximas safras.
“A auto-suficiência no país é possível, embora hoje seja mais rentável o Norte e o Nordeste importarem trigo do que se abastecerem da produção do centro-sul”, afirma.
Os três Estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) são responsáveis por mais de 90% da produção nacional, e só agora o trigo está se deslocando para o Centro-Oeste.
“Além da questão logística de fornecimento para o Norte e o Nordeste, a produção de trigo no cerrado, especialmente o trigo irrigado, pode alavancar a produtividade”, arrisca Hubner.
No Distrito Federal, lavouras irrigadas de trigo conseguiram produtividade até três vezes maior do que as registradas no Sul do país no ano passado.
No Paraná, por exemplo, responsável por 53% da produção nacional, a produtividade tem se mantido em torno de 2.500 quilos por hectare.

Separação e consumo
As exportações na safra passada levaram as cooperativas e os produtores a se preocupar, nesta safra, em separar os diferentes tipos de trigo no momento da armazenagem.
O Rio Grande do Sul saiu na frente nesse setor e conseguiu vender trigo soft (mole, usado para a produção de biscoitos) com melhores preços do que o trigo paranaense, que, em sua maioria, é grão duro, mais utilizado para a panificação.
“Como o mercado é que determina hoje a expansão ou não de uma cultura, o trigo poderá se beneficiar de uma melhoria nas condições de renda da população, que hoje consome muito pouco trigo”, afirma Hubner.
Embora esteja no patamar de mais de 70 quilos por habitante por ano nos Estados do Sul, o consumo não ultrapassa 60 quilos por habitante em todo o Brasil.
Como base de comparação, a vizinha Argentina, por exemplo, possui consumo anual de mais de 100 quilos por habitante.

Colaborou Tiago Ornaghi, da Agência Folha


Folha de São Paulo – Agrofolha – 6/7/2004
http://www1.folha.uol.com.br/fsp

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Da redação

Empresas de tecnologia da informação que atuam no Rio Grande do Sul cumpriram, ontem, mais uma etapa no sentido de transformar o Estado e o Pólo de Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Tecnopuc) em referência internacional de pesquisa e desenvolvimento.

Um coquetel com a presença de mais de 500 convidados marcou a inauguração da sede da Associação das Empresas de Tecnologia, Informação, Software e Internet (Assespro) e do Escritório de Relacionamento do Softsul no Tecnopuc.

Empresas de Porto Alegre (Processor e Softmóvel), de Campo Bom (GetNet, Quantiza e Embratec) e outras de porte nacional, como a CPM (braço de informática do Bradesco) e a Stefanini, vão se instalar no espaço da Assespro, depois de passar por um processo de seleção, de acordo com o presidente da Assespro, César Leite.

– Foram escolhidos os projetos de maior interesse para o mercado e que pudessem ser desenvolvidos em conjunto com os pesquisadores da universidade – diz Leite.

As instalações da Assespro ocupam uma área de 1,7 mil metros quadrados no local onde funcionava o 18º Regimento de Infantaria do Exército Brasileiro, adquirido pela PUCRS para a instalação do TecnoPuc. Além de várias empresas iniciantes, o local abriga unidades de pesquisa de grandes empresas como Dell do Brasil e Hewlett-Packard.

O diretor superintendente da Softsul, José Antonioni, destacou a importância do Tecnopuc para o Estado:

– Em pouco mais de dois anos, o pólo já gerou mais de mil empregos – observou.

Jornal Zero Hora – 6/7/2004
http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora/

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Da redação

A devolução pela China da soja exportada pelo Brasil será debatida nesta quarta-feira, dia 7, em audiência pública conjunta das Comissões de Agricultura, de Relações Exteriores e de Meio Ambiente. A audiência foi solicitada pelos deputados Adão Pretto (PT/RS) e Leonardo Mattos (PV/MG).

Deverão participar da reunião o chefe do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, ministro Piragibe dos Santos Tarragô; o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano; o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi; o gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Luiz Cláudio Meirelles; o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Ernesto de Salvo; o vice-presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Luiz Roberto Baggio; o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes; o diretor-presidente do Porto de Rio Grande (RS), Vital Áureo; o diretor-presidente do Porto de Santos (SP), José Carlos de Melo Rego; e o gerente de Classificação e Certificação da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ascar), João Wanderlei Bissaco Pereira.

As informações são da Agência Câmara.


Agrol – 6/07/2004
http://www.clicrbs.com.br/agrol/

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Da Redação – Brasíilia


Um pecuarista que explorava mão-de-obra em condições análogas às de escravo em Marabá (PA) pagará indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 348 mil em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). É a maior indenização desse gênero já deferida, segundo o Tribunal Superior do Trabalho.
Em maio de 2003, o Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou 28 lavradores trabalhando em condições degradantes na fazenda Ponta de Pedra, em Marabá. A fazenda também explorava mão-de-obra infantil, descumpria direitos trabalhistas básicos como pagamento em dia de salários e anotação em carteira, e nem sequer fornecia água potável e proteção para os empregados.
O Ministério Público do Trabalho moveu ação contra o fazendeiro pedindo a indenização por danos morais coletivos. Pelos termos do acordo, o pecuarista pagará os R$ 384 mil em favor do FAT em 12 parcelas de R$ 12 mil. Em caso de não pagamento ou de atraso de qualquer parcela, o débito subirá para R$ 1.920 mil.
Se não cumprir o acordo, o fazendeiro deverá pagar ao FAT multa correspondente a R$ 2 mil por empregado encontrado em situação irregular e mais R$ 4 mil por inobservância de obrigação genérica.


Agência Brasil – 6/07/2004
http://www.radiobras.gov.br/

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Rosane de Oliveira

Encontro durou mais de três horas no Ministério da Quarentena

Um acordo para retomada das exportações da soja brasileira para a China foi fechado nesta segunda, dia 21, em Pequim. A medida foi anunciada após uma reunião tensa de mais de três horas entre cinco representantes brasileiros – entre eles, o secretário de Defesa Agropecuária, Maçao Tadano – e cinco do governo chinês. Também participaram do encontro o governador gaúcho Germano Rigotto e o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Odacir Klein.

As autoridades envolvidas nas negociações realizam uma confraternização após a reunião no Ministério da Quarentena, que define questões relativas a políticas sanitárias, fitossanitárias, de barreiras e de controle das importações pela China, especialmente em alimentos.

As informações são da enviada especial Rosane de Oliveira.
 







Secretário gaúcho apresenta detalhes de acordo com a China
Odacir Klein participou de negociações sobre fim do embargo à soja
O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Odacir Klein, esclareceu alguns detalhes sobre o acordo que deve ser assinado em instantes para a retomada das exportações de soja brasileira para a China. Klein participou da reunião com o Ministério da Quarentena que durou mais de três horas e onde foram acertadas diretrizes para o fim do embargo. 
Conforme o secretário, os chineses reconheceram a Instrução Normativa nº 15 do Ministério da Agricultura brasileiro, que determina tolerância de um grão de semente a cada quilo de soja exportada para consumo alimentar. As cargas que estão a caminho da China e que partiram do Brasil antes da entrada em vigor das novas regras serão inspecionadas ao chegar ao destino. Cargas que partiram em data posterior já foram inspecionadas e serão recebidas sem problemas.
Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade Klein revelou que também ficou acertado que as 22 empresas de exportação que estavam proibidas de negociar soja com a China ficarão livres do embargo desde que cumpram a Instrução Normativa nº 15.
Com informações da Rádio Gaúcha.


Agrol – 21/06/2004
http://www.clicrbs.com.br/agrol/

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Da Redação


A Coordenação do Simtec 2004 definiu a programação de palestras técnicas que ocorrerão durante os quatro dias de evento, sempre a partir das 15 horas, no Engenho Central. Ministradas por especialistas e pesquisadores, as palestras enfocarão temas variados e diretamente ligados ao setor sucroalcooleiro.

O Pólo Nacional de Biocombustíveis, sediado em Piracicaba, será o tema da primeira palestra da Mostra de Tecnologia do Simtec 2004, ministrada pelos professores José Roberto Postali Parra e Luiz Carlos Corrêa Carvalho. Também o “Desenvolvimento tecnológico na visão da indústria de equipamentos” e “As perspectivas para o mercado sucroalcooleiro” serão alguns dos assuntos abordados na programação de abertura das palestras.

Na quarta-feira, dia 14 de julho, o engenheiro Ivan Chaves de Souza falará sobre os “Fatores que afetam o custo da cana”. Entre os assuntos do segundo dia de palestras estão: “A química e a físico-química na produção e uso do biodiesel”; “Cana pura”; “Seqüestro de carbono e gases do efeito estufa nos sistemas com e sem queima da cana-de-açúcar”; “Nova tecnologia de resfriamento de açúcar baseada na transferência indireta de calor sem uso de ar” e “Apresentação do Centro de Tecnologia Canavieira”.

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, abre a programação de palestras do terceiro dia da Mostra de Tecnologia do Simtec 2004. O especialista abordará o tema “O BNDES e o incremento à tecnologia”. Em seguida, o engenheiro Marcos Guimarães de Andrade Landell discutirá “Manejo varietal sob a ótica dos ambientes de produção”. Neste dia também serão enfocados os temas “Transporte, armazenamento e logística em sistemas agroindustriais”; “Impacto do clima na produção de cana em São Paulo”; “O uso da energia na indústria sucroalcooleira” e “Usina de biodiesel – implantação de unidade para produção de 8 milhões de litros/ano”.

O encerramento da programação da Mostra de Tecnologia do Simtec 2004 terá palestra com o engenheiro Waldeck Bosi Filho, sobre “Análise de falhas e sua importância nos componentes dos equipamentos de preparo e moagem de cana”, e também, “Condensador ecológico”, com o engenheiro Ricardo Pontieri Augusto; a “Importância das negociações comerciais internacionais para o desempenho do setor sucroalcooleiro”, com a professora Heloísa Lee Burnquist; e finalizando a programação, “Do Pro-álcool ao Flex Fuel: a evolução tecnológica da agroindústria da cana-de-açúcar no Brasil”, palestra ministrada pelo diretor da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

Atualização

Para a coordenação do Simtec, a Mostra de Tecnologia é um importante painel de reciclagem profissional e atualização técnica. “Os temas permitem aos participantes discutirem e receberem informações atualizadas sobre assuntos ligados ao setor sucroalcooleiro, desde o plantio até o desenvolvimento de pesquisas e otimização de custos”, explica.

José Vaz lembra que a programação foi cuidadosamente elaborada, com o intuito de atender a necessidade de reciclagem profissional do setor. “Os palestrantes, sem sua maioria, são profissionais de alto nível técnico, que respondem por significativos avanços nos segmentos em que atual. Nossa proposta é justamente a levar esse conhecimento ao público participante da Mostra”, completa. A programação completa das palestras – com datas e horários – está disponível no site oficial do Simtec – www.simtec.com.br.  

Serviço
2º SIMTEC – Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira Período: 13 a 16 de julho de 2004
Local: Engenho Central/Piracicaba – SP
Público-alvo: Empresários e técnicos do setor agroindustrial sucroalcooleiro do mercado nacional e internacional
Coordenação: José de Jesus Vaz, Matheus Balarin Berto, Mateus Galvani Antonelli.
Realização: Simespi (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Ciesp/Regional Piracicaba e Prefeitura Municipal de Piracicaba.
Patrocínio: Bayer CropScience, Caterpillar, Dedini, FMC, Cosan e Grupo J.C. Antonelli.

Informações: (19) 3417.8604 – www.simtec.com.br

CW Consultoria de Comunicação
http://www.simtec.com.br/main.asp

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Francisco Alberto Pino (*)

Cada vez que o ser humano consegue criar ou desenvolver alguma coisa nova, em qualquer campo, imediatamente cria-se uma divisão: o grupo dos que têm e o dos que não têm acesso a tal novidade. Em muitos casos, isso não tem lá grande importância e às vezes o segundo grupo é formado apenas por aqueles que simplesmente não querem ou não precisam da novidade. Em outros casos, porém, a novidade torna-se mais um fator de desigualdade econômica e social. É o que freqüentemente acontece com novos produtos tecnológicos, já que alguns países – e empresas e grupos – não são capazes de desenvolvê-los, necessitando adquiri-los de outros.
O advento recente da Era da Informação trouxe consigo o agravamento da dicotomia entre os que podem e os que não podem acessar informação, em particular, a informação agrícola, principalmente a de natureza estatística e econômica. Neste caso, há que se considerar dois tipos de exclusão. O primeiro refere-se à geração de informação; o segundo, à sua transmissão e utilização.
O acesso às estatísticas agrícolas cada vez mais é feito de modo eletrônico, utilizando-se computadores conectados à Internet. Essa tecnologia não está acessível a todos, principalmente nas regiões rurais pobres do mundo, enquanto nas regiões mais ricas ou em desenvolvimento seu uso vem crescendo rapidamente, inclusive no estado de São Paulo. Pesquisas divulgadas recentemente no IEA mostram que 8,5% das unidades de produção agrícola, correspondentes a 24% da área plantada, já utilizam Internet em suas atividades (1).
Comumente, as novas tecnologias chegam primeiramente aos grandes centros e depois se espalham para os cada vez menores; começam nas zonas urbanas e depois passam às rurais. Paradoxalmente, entretanto, os novos recursos de transmissão de informações a grandes distâncias podem vir a se mostrar extremamente úteis exatamente nos rincões mais distantes do país, que carecem de outros meios de comunicação. A agricultura em áreas longínquas de um país de grande extensão territorial pode vir a se beneficiar muito de tecnologias muito mais baratas do que as convencionais: um pequeno computador, uma linha telefônica, eventualmente via satélite, e o acesso à Internet, em contraste com as linhas telefônicas com cabos, os equipamentos de radiotransmissão, as estradas, etc.
Não se trata apenas de adquirir e manter equipamentos de computação e softwares, mas também de saber utilizá-los de maneira eficaz. Por outro lado, mesmo que se resolva a questão de disponibilizar tais equipamentos e conhecimentos, resta o fato de que, quanto pior uma região (em termos sócio-econômicos), piores suas estatísticas. É nos países e nas regiões mais pobres e atrasadas que faltam estatísticas agrícolas confiáveis. Para se ter idéia da importância das estatísticas agrícolas como base para a informação agrícola, considere-se que 72% das visitas ao site do IEA referem-se a elas (2).
O assunto vem adquirindo tal importância, que se tornou prioridade na Food and Agriculture Organization (FAO) (3), a qual reconhece que o conhecimento e o acesso à informação são essenciais para combater efetivamente a fome e a pobreza, já que grande parte das populações pobres do mundo encontram-se em regiões rurais ou ligadas às atividades agrícolas (4).
No Brasil, o crescimento recente da importância dos agronegócios na economia, principalmente nas exportações, torna inadiável a melhoria das estatísticas agrícolas e do acesso a elas e aos demais tipos de informação agrícola por parte dos produtores rurais, principalmente os ligados à agricultura familiar (5). O governo pode contribuir na questão da melhoria das estatísticas agrícolas, mas as organizações de produtores rurais poderão contribuir também na preparação de seus associados ou empregados para o uso da informática e da informação agrícola, bem como patrocinando ou facilitando o acesso a linhas de financiamento para aquisição de equipamentos adequados.
Os produtores rurais de nível empresarial têm adotado expontaneamente as novas tecnologias de informação, mas os demais podem precisar de um processo de indução, bem como de incentivos. Sugerem-se, ainda, formas adicionais de acesso coletivo em bairros rurais, em unidades de cooperativas, associações e sindicatos, em unidades de assistência técnica, etc. Pode-se antever que os países que não conquistarem rapidamente uma posição firme nessa questão poderão vir a ter sérias perdas de competitividade, especialmente num mercado globalizado. Há somente duas situações possíveis: digitalmente incluído ou excluído.
Em particular, urge a adoção de uma política adequada de pesquisa sobre estatísticas agrícolas no IEA, uma das instituições mais tradicionais no ramo, principalmente no sentido de utilização de sensoriamento remoto, tecnologia que já se encontra suficientemente amadurecida para imediata aplicação (6).

NOTAS

(1) REZENDE, J.V. Uso da Internet pelos agricultores aumenta 27% em SP, no período de um ano. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=754 . Acesso em 30/12/2003.
FRANCISCO, V.L.F.S. Acesso do setor rural à Internet no Estado de São Paulo. Informações Econômicas, SP, v.33, n.5, p. 53-56, maio 2003.Acesso em 30/12/2003.
Ver também FRANCISCO, Vera L.F.S.; PINO, Francisco A. Farm computer usage in São Paulo State, Brazil. Revista Brasileira de Agroinformática, v.4, n.2, p.81-89, 2002.
(2) Média de um ano (out.2002-set.2003). Considerando-se apenas as dez URLs mais visitadas e desconsiderando-se visitas à página inicial e a menus obteve-se a seguinte distribuição: estatísticas agrícolas (72%), análises e artigos (13%), publicações (6%), notícias (4%), outros (5%).
(3) FAO. Rural digital divide distancing development, FAO warms: one billion bypassed by information revolution. Disponível em: http://www.fao.org/english/newsroom/news/2003/26167-en.html . Acesso em 11/12/2003.
(4) A FAO promoveu em dezembro p.p. uma Conferência de Cúpula sobre a Sociedade de Informação (World Summit on the Information Society).
(5) PINO, Francisco A. Estatísticas agrícolas para o século XXI. Agricultura em São Paulo, SP, v.46, n.2, p.71-105, 1999.
(6) LUIZ, A.J.B. Estatísticas agrícolas por amostragem auxiliadas pelo sensoriamento remoto. São José dos Campos: Instituto de Pesquisas Espaciais, dez, 2003. (Tese de Doutoramento). 

(*) Francisco Alberto Pino – E-mail: pino@iea.sp.gov.br


Instituto de Economia Agrícola – 28/06/2004
http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=1211

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De Brasília


A demora para solucionar os problemas criados pela China, com o caso das sementes de soja tratadas com fungicida, e por Rússia e Argentina, com o embargo à carne brasileira, fez do ministro Roberto Rodrigues alvo de críticas de empresários e analistas. O governo foi acusado de inabilidade na condução das negociações e de estar despreparado para enfrentar disputas como essas no comércio internacional.

Tranqüilo, depois de receber uma ligação do ministro da Agricultura da Argentina, Miguel Campos, comunicando o fim do embargo às importações de carne, Roberto Rodrigues recebeu o Valor para uma entrevista e desabafou: “Essas negociações não são feitas com bravatas”. Mas reconheceu que esse tipo de problema poderá ocorrer com mais freqüência e o Brasil precisa estar melhor preparado. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: A atuação do governo nos embargos da China à soja e de Rússia e Argentina às carnes foi criticada pela iniciativa privada. Os problemas não seriam apenas técnicos, mas envolviam interesses comerciais dos países importadores. O Brasil está preparado para esse tipo de disputa no comércio externo?

Roberto Rodrigues: O Brasil, ao assumir essa posição de liderança no mercado mundial do agronegócio, fica sujeito a ações dessa natureza por parte de quem perde mercado ou é afastado por causa da concorrência. Por isso, temos que trabalhar em duas vertentes: no custo de produção e na qualidade. O que incomoda muito é que o governo não consegue acompanhar o crescimento do agronegócio. Em vez de ser a alavanca que estimula o crescimento desse processo, corre o risco de ser um freio. É por esta razão que eu determinei, no início do ano, com a ajuda do setor privado, estudos que levem a uma reforma estrutural do Ministério da Agricultura. A verdade é que temos uma máquina [administrativa] que é a mesma há 20, 30 anos, com uma agricultura que é infinitamente maior e mais poderosa do que era.

Valor: O problema com a China está definitivamente resolvido?

Rodrigues: Eu tinha que mostrar técnica e politicamente que os argumentos que embasavam a decisão dos chineses estavam errados. E isso não se faz nem com bravatas, nem com rapidez. Eu tive que criar uma instrução normativa que tivesse parâmetros de mistura [de sementes tratadas] diferentes dos parâmetros utilizados internacionalmente para desmontar o argumento técnico da China, que não aceitava os padrões internacionais. Mas eu também não podia impor [este padrão] à iniciativa privada brasileira. Tinha que negociar com todos os agentes, produtores, armazenadores, beneficiadores, exportadores, cada qual com um interesse diferente. Não tinha como ser mais ágil do que fomos.

Valor: Mas não há qualquer garantia de que a China não voltará a criar novos problemas…

Rodrigues: Tem razão. Mas o mecanismo está equacionado. No caso da soja, a grande lição é que, sem uma articulação vigorosa entre setor privado e o Estado, as coisas não caminham.

Valor: No caso do embargo à carne brasileira por Rússia e Argentina, ficou claro que o Pará (foco da febre aftosa), mesmo fora da área exportadora, atrapalhou os Estados livres da doença. Esta situação não poderá se repetir no futuro?

Rodrigues: Nesse caso, não tem perdão. Temos que eliminar a aftosa no Brasil e na América do Sul, não há outra solução. Aí, nós esbarramos em outro problema, o orçamentário. Para erradicar a doença, estudos mostram que seriam necessários US$ 0,30 por cabeça. Nós temos 180 milhões de cabeças. Precisaríamos de R$ 170 milhões só para acabar com a aftosa no país. Nosso orçamento de defesa [agropecuária] este ano é de R$ 68 milhões, o menor dos últimos anos. E tem que atender tudo: aftosa, brucelose, raiva, “vaca louca”, transgênicos, fiscalização em portos, aeroportos, ferrugem do café, ferrugem da soja… É o que eu falei, o Estado não acompanha a demanda da sociedade. Morro de medo de ser a âncora em vez de ser a alavanca do desenvolvimento.

Valor: O que está sendo feito?

Rodrigues: Eu falei com o presidente que temos que ter um projeto continental. Ele aceitou a minha proposta de que houvesse um compromisso dos presidentes do continente de alocar US$ 0,30 por cabeça em cada país para eliminar a aftosa da América do Sul. O Brasil deve liderar esse processo, e o presidente topou essa parada. Mas este é só um capítulo.

Valor: Quais são os outros?

Rodrigues: Na reestruturação do ministério, quero criar uma secretaria de negociação internacional. Nós temos mais de 120 protocolos sanitários assinados com os mais diversos países do mundo. Precisamos organizar tudo isso. Precisamos de uma secretaria que tenha agilidade. Quando surgir um problema, ela precisa ter todos os dados na ponta da língua para agir instantaneamente. Hoje nós não temos isso. Também estou propondo ao Itamaraty que sejam escolhidos dez adidos agrícolas para atuar em embaixadas selecionadas: Bruxelas, Moscou, Beijing, Tóquio, Washington, Paris, Genebra, Buenos Aires, por exemplo.

Valor: Mas ainda não há recursos para mudar essa estrutura…

Rodrigues: Estamos iniciando as discussões para o orçamento do ano que vem e tenho o compromisso do presidente de que a defesa sanitária será tratada com outra visão. A idéia é de que, só para a aftosa, tenhamos os R$ 170 milhões, com a ajuda dos Estados. Este ano temos R$ 68 milhões, pedimos complementação de R$ 60 milhões e, por motivos de contingenciamento, fomos avisados de que só teremos mais R$ 44 milhões.

Valor: No caso da Rússia e da Argentina, o problema não foi só técnico. A abertura desses mercados demandou muita negociação, existem pressões dos produtores locais de carnes que nunca aceitaram plenamente a entrada do produto brasileiro. Não existe aí um problema comercial e político?

Rodrigues: É verdade, mas a barreira colocada é de caráter técnico. No caso da Rússia, eu até acho que ela poderia questionar o assunto, afinal a Rússia fica longe, lá na Eurásia… Mas a Argentina? Os argentinos conhecem o Brasil, os nosso procedimentos de defesa sanitária, o rigor com que esse assunto é tratado aqui e sabem que o foco [de aftosa} no Pará fica mais perto de Miami do que de Buenos Aires.

Valor: Quanto o Brasil perdeu com esses embargos?

Rodrigues: São navios parados, frigoríficos lotados, suspensão de abates… é muito difícil saber com exatidão quanto o Brasil perdeu. Mas, com certeza, é bem mais do que o orçamento de defesa sanitária do Ministério da Agricultura.

Valor: Com relação às negociações internacionais para remover barreiras ao comércio agrícola, como os subsídios dos países ricos, as discussões no âmbito da Rodada de Doha não estão muito lentas, apesar da vitória do Brasil sobre os EUA na questão do algodão?

Rodrigues: Eu estava apostando numa flexibilização maior nas negociações entre União Européia e Mercosul. Mas na reunião da Unctad, em São Paulo, foi justamente onde houve a “brecada” maior. Primeiro, porque a oferta agrícola da UE é muito tímida. Segundo, nós acabamos fazendo uma boa oferta, mas ainda carente de definições em algumas áreas. Estou achando essa negociação muito flácida. Curiosamente, na OMC [Organização Mundial do Comércio] as coisas avançaram mais, graças ao G-5 [Grupo países mais representativos das diversas posições sobre a questão agrícola mundial]. Teremos uma reunião em Bruxelas para examinar uma versão do “framework” [acordo-quadro] que tem que ser apresentado até o final de julho na OMC. Estou com uma visão mais otimista em relação à Doha do que sobre o acordo Mercosul-UE.

Valor: E o senhor sempre acreditou que o acordo com a UE iria puxar as negociações na OMC…

Rodrigues: Sempre achei isso. Até a reunião da Unctad, onde eu realmente me assustei com essa previsão. Não acho, porém, que o acordo com a União Européia esteja perdido. É da negociação esse tipo de coisa, mas estou um pouco mais otimista com a OMC. Posso até estar enganado.

Valor: Com os subsídios em xeque, principalmente depois da vitória do Brasil na OMC com o caso do algodão, o senhor acredita que as barreiras sanitárias vão ficar cada vez mais fortes?

Rodrigues: Não tenho nenhuma dúvida disso. Redução de tarifas ou melhoria de cotas não significam garantia de acesso a mercados. Outras barreiras surgirão e na área sanitária temos que melhorar muita coisa.

Valor: O último levantamento de safra confirmou a queda de 3% na produção em relação à safra passada. Quais são as perspectivas para o a próxima safra, a 2004/05?

Rodrigues: Para a próxima safra nós temos alguns problemas complicados. Um deles é o crescimento dos custos de produção. Aí entra a taxa de juros, que na média vai subir um pouco. Hoje existe uma intenção de plantio, ainda indefinida, de aumento da área plantada em 3 milhões de hectares. Se isso acontecer, podemos ter uma produção de 10 a 15 milhões de toneladas a mais do que este ano. Podemos chegar a 135, 140 milhões de toneladas potencialmente.

Valor: E o Brasil tem estrutura para dar suporte a essa supersafra, se ela de fato acontecer?

Rodrigues: Até 130 milhões de toneladas, não tenho nenhuma preocupação. Acima disso, há complicadores. Estamos fazendo o que deve ser feito. O Ministério dos Transportes está soltando R$ 1,7 bilhão para consertar 10 mil quilômetros de estradas. Há um número muito grande de empresas privadas com dinheiro pronto para investir em terminais portuários. Temos uma série de ações que podem melhorar as condições da agricultura brasileira, para até 130 milhões de toneladas. Daí para a frente fica mais complicado. Teremos que fazer muito mais, atrair investimentos privados, aprovar o PPP [Parcerias Público-Privadas, em discussão no Congresso].

Valor: O setor privado criticou o Plano de Safra 2004/05 por direcionar boa parte do crédito rural subsidiado para o pequeno e o médio produtor, deixando para os grandes as taxas livres de mercado.

Rodrigues: Acho que nós precisávamos ter um pouco mais de recursos para médios e grandes produtores com taxas de juros mais baratas. Tivemos que fazer uma opção: ou pouco dinheiro com taxas baixas ou mais dinheiro com taxas mais altas. Ficamos com a segunda opção, sabendo desde sempre que era aumento de taxa de juros. Isso pode afetar as previsões para a próxima safra. Afeta o custo da produção e o investimento em inovação tecnológica. Mas eu tenho esperança de agregar mais alguma coisa, um pouco mais de equalização ainda para a próxima safra. Vamos ver. (VD)


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
http://www.valor.com.br

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Fernando Lopes De São Paulo

Concentração: Múlti americana Cargill vende seus negócios de citros no Brasil para Cutrale e Citrosuco

O seleto grupo das “cinco Cs”, que na última década dominou as exportações brasileiras de suco de laranja, ficou ainda menor. Com o anúncio da venda dos negócios de citros da multinacional americana Cargill no país para Cutrale e Citrosuco, na sexta-feira, essas duas empresas de capital nacional passaram a concentrar praticamente 70% dos embarques, ficando os demais 30% divididos entre Citrovita, controlada pelo grupo Votorantim, e da Coinbra, do francês Dreyfus. As exportações brasileiras renderam US$ 1,33 bilhão em 2003 e o Estado de São Paulo respondeu por 95% do total, segundo o Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São Paulo (PENSA/USP).

Para especialistas ouvidos pelo Valor, a decisão da Cargill deixa pelo menos duas certezas: o Brasil ganha força no comércio internacional de suco, uma vez que o negócio fortalece as posições de duas companhias nacionais, e os produtores brasileiros de laranja ficam ainda mais enfraquecidos em suas relações com as indústrias, já que as “Cs” passaram a ser apenas quatro. As transações, realizadas pela Cargill separadamente com a Cutrale e com a Citrosuco, serão submetidas ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Segundo Maria Helena Miessva, gerente de assuntos corporativos da Cargill no Brasil, a decisão da multinacional de deixar a área de citros no país, na qual atuava desde 1977, é coerente com seu objetivo de se consolidar como “corporação global que se preocupa em oferecer soluções para os clientes”, evitando o rótulo de “trading de commodities”. Fontes do setor observam, entretanto, que o fato de a empresa ter manifestado a intenção de continuar com a fábrica de suco que tem na Flórida (EUA), contraria o discurso oficial.

Sigilosas, as negociações surpreenderam até os mais bem informados. Bruno Soter, do escritório Barbosa, Müssnich e amp; Aragão Advogados, que representou a Citrosuco na transação, confirmou que foi tudo muito rápido e que os valores envolvidos não serão divulgados.

O advogado não deu mais detalhes, mas, aparentemente, a Citrosuco gastou mais do que a Cutrale na divisão, porque assumiu o melhor ativo da Cargill Juice, que é a fábrica de Bebedouro. Alvo recente de modernização e ampliação, a unidade tem capacidade para processar cerca de 30 milhões de caixas de 40,8 quilos de laranja. Também passaram às mãos da Citrosuco, controlada pelo Grupo Fischer, duas das quatro fazendas de laranja da Cargill, em Comendador Gomes (MG) e Cajubi, na região de Bebedouro, além de um terminal de estocagem em Limeira, também no interior de São Paulo.

À Cutrale coube a fábrica de Uchôa (SP), com capacidade para 14 milhões de caixas, e as fazendas de Uberlândia e Planura, ambas em Minas Gerais. Juntas, as quatro fazendas que pertenciam à Cargill têm capacidade para produzir 5 milhões de caixas de laranja por safra, conforme informações divulgadas pela multinacional ao Valor em janeiro deste ano. Na época, a companhia americana também informou que seu faturamento no setor alcançou cerca de US$ 200 milhões no ano passado.

“Éramos compradores, para expandir nossos negócios e aproveitar a onda positiva dos agronegócios brasileiros no mundo. Com o negócio, conseguiremos otimizar nossa operação e ganharemos eficiência logística, o que nos permitirá, entre outras vantagens, acelerar nossa expansão na Ásia”, afirmou Maurílio Lobo, diretor comercial da Citrosuco. A empresa já tinha fábricas em Matão e Limeira, ambas em São Paulo, e passou a contar, também, com mais de 20 fazendas. Em 2003, a Citrosuco, que respondeu por 24% das exportações, segundo o PENSA/USP, faturou cerca de US$ 400 milhões.

“Trata-se de um ganho de escala que certamente trará benefícios no mundo todo. Estamos aumentando a possibilidade de atender ao mercado e ganhar clientes, num negócio que é importante para o país”, disse Marcos Moraes, diretor da Cutrale. A empresa, responsável por 31% dos embarques brasileiros de suco no ano passado, já contava com quatro fábricas em São Paulo – em Colina, Araraquara, Itápolis e Conchal.

Tanto Cutrale quanto Citrosuco anunciaram que pretendem manter as fábricas adquiridas e que vão honrar todos os contratos firmados pela Cargill com seus fornecedores de laranja. A empresa americana informou que os 1.651 funcionários que mantinha na área de citros – dos quais 711 “safristas” que trabalhavam cerca de seis meses por ano – serão demitidos.

Para Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), é importante o fato de a saída da Cargill não afetar a representatividade do Brasil no exterior. Para Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), o aumento da concentração no setor preocupa os produtores, que atualmente já enfrentam dificuldades nas negociações de preços de fornecimento de laranja com as indústrias em decorrência de séria crise de preços.

Viegas lembra que em 1977 Cutrale e Citrosuco, também em operações separadas, decidiram compraram os ativos das empresas Citral, Sucorrico e Tropsuco e que em seguida fecharam as fábricas adquiridas. Ele e outros especialistas temem principalmente pelo futuro da unidade de Uchôa, que a Cargill vendeu para a Cutrale mas que já estava praticamente desativada.

“A venda dos negócios da Cargill para Cutrale e Citrosuco é mais um sinal de que é preciso maior coordenação entre os produtores, seja em cooperativas, pools ou associação. E põe Citrovita e Dreyfus em xeque”, afirma o professor Marcos Fava Neves, do PENSA/USP.

Aposta em gordura vegetal

Cibelle Bouças De São Paulo

No mesmo dia em que a americana Cargill anunciou a venda de suas operações de suco de laranja no país, a sua subsidiária brasileira concluiu a compra da unidade de gorduras vegetais do grupo Maeda, localizada em Itumbiara (GO). A transação durou nove meses e foi concluída na madrugada de sexta-feira. O valor do negócio foi mantido em sigilo pelas empresas.

A Cargill informou que a compra, feita com recursos próprios, atende à estratégia do grupo de incrementar a sua participação no mercado de ingredientes.

Além da unidade adquirida, a Cargill mantém uma fábrica de gorduras vegetais em Mairinque (SP). Com a aquisição, a empresa amplia sua capacidade de produção de 7 mil para 12 mil toneladas por mês e se torna a segunda em participação de mercado no segmento de gorduras vegetais, depois da Bunge Alimentos. A segunda posição era ocupada, até então, pelo Maeda.

A Cargill informou ainda, por meio de sua assessoria, que manterá os 130 empregados da unidade e que irá preservar a marca Gordura Vegetal Maeda este ano, enquanto estuda um novo nome para os produtos.

Jorge Maeda, presidente do grupo Maeda, disse que a venda faz parte da estratégia do grupo de concentrar-se no agronegócio – produção de algodão, soja, sorgo, milho e seus subprodutos.

Segundo o executivo, os produtos agrícolas apresentam margens de lucro superiores às dos produtos industrializados, voltados para o atacado. “O negócio foi feito visando exclusivamente aumentar o lucro”, disse Maeda.

Ele não quis informar a projeção de lucro para o ano, mas garantiu que “irá incrementar muito em relação aos R$ 9 milhões de 2003”. Isso porque o aumento de 38% na produção de algodão – segundo Maeda, mais rentável que o negócio com gordura vegetal – suprirá o faturamento antes obtido com a unidade de Itumbiara. Já a receita do grupo deve se manter em torno de R$ 320 milhões.

Ainda este mês, o grupo inaugura uma unidade de beneficiamento de algodão em Roda Velha (BA), com capacidade para processar 100 toneladas de pluma por dia. Maeda não informou o valor investido na unidade.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Alda do Amaral Rocha De São Paulo


A Medida Provisória 183, que acaba com o chamado crédito presumido para as agroindústrias, deve ir hoje à votação na Câmara dos Deputados sob forte pressão do setor. As agroindústrias afirmam que a medida aumentará os custos dos alimentos e reduzirá a competitividade das exportações brasileiras do agronegócio.

A MP 183 extingue o crédito presumido de 80% sobre o PIS e Cofins nas compras que a agroindústria faz de pessoas físicas. O mecanismo surgiu para compensar o aumento das alíquotas do PIS – que foi de 0,65% para 1,65% em 2002 – e da Cofins, que passou de 3% para 7,6% em 2003. Na ocasião, também foi estabelecido o princípio da não-cumulatividade, que permite às empresas a dedução do pagamento do imposto ao longo da cadeia. No entanto, as agroindústrias não se beneficiam desse mecanismo, pois compram principalmente de pessoas físicas, que não pagam PIS e Cofins.

Assim, o fim do crédito presumido preocupa porque a maioria das compras de agroindústrias é feita de pessoas físicas, observa o presidente da Perdigão, Nildemar Secches. No caso do abatedouros, por exemplo, além de milho e soja para ração, que são, em grande parte adquiridos de produtores, há ainda compra de suínos de produtores independentes, lembra.

Sem o crédito presumido, as agroindústrias terão de repassar os maiores custos com PIS e Cofins para os preços dos produtos, acrescenta César Borges, vice-presidente da Caramuru Alimentos. Estimativas feitas pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos – Abia -, citadas por Secches, indicam um aumento médio de até 5,51% nos preços de alimentos.

Ainda conforme a Abia, com a extinção do crédito presumido a carga tributária do setor de alimentos chegaria a R$ 10,6 bilhões contra R$ 6 bilhões em 2003. Secches criticou o aumento da carga no setor justamente num momento em que, em todo o país, ela já corresponde por 40% do PIB.

As agroindústrias também não consideram a decisão do governo de isentar adubos e defensivos de PIS e Cofins como uma vantagem que poderia compensar o fim do crédito presumido ao setor.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Da redação

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA – divulgou, na sexta-feira que o segundo resultado para a doença da “vaca louca” considerado inicialmente “inconclusivo” – anunciado dia 29 de junho – foi confirmado como negativo, informou a Dow Jones Newswires. Desde o início de junho, 8.585 testes rápidos para detectar encefalopatia espongiforme bovina foram realizados. Japão e Coréia do Sul mantêm o embargo à carne americana desde dezembro de 2003, quando foi detectado um caso da doença nos EUA.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Marli Olmos De São Paulo

Ritmo de crescimento das vendas de caminhões é superior ao de carros de passeio

A indústria automobilística pegou uma carona no Brasil que está dando certo, o do agronegócios, e conseguiu, graças a um forte impulso nas vendas de veículos de carga, retomar o ritmo do crescimento, com possibilidades de superar previsões. De janeiro a junho, o mercado total de veículos expandiu 11,7% na comparação com o primeiro semestre de 2003, num total de 723.155 unidades. Mas foi o segmento de caminhões – que alcançou a marca de 23% – o responsável pelo avanço.

“Contávamos com uma bolha por conta da soja que, em nossos cálculos, acabaria por volta de julho a agosto; no entanto, as programações das encomendas continuam firmes para os meses seguintes”, conta Gilson Mansur, diretor de vendas da DaimlerChrysler, fabricante da linha Mercedes-Benz.

A Ford registrou crescimento de 30% nas vendas de caminhões no primeiro semestre e a Daimler prevê que o mercado total desse segmento chegará perto de 72 mil unidades neste ano, o que representa aumento de 15%. Segundo Mansur, as previsões iniciais indicavam crescimento mais modesto, em torno de 5% a 10%.

A Pirelli está investindo US$ 100 milhões para ampliar a capacidade de produção em duas fábricas de pneus para caminhões, segundo o presidente da empresa Giorgio Della Setta.

As projeções de crescimento provocaram, recentemente, alertas de executivos das montadoras em torno da possibilidade de o setor enfrentar falta de peças e componentes por conta de escassez de investimentos nos fornecedores.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, confirma: “Para produzir mais caminhões, o setor de autopeças terá que investir”.

Butori aponta o aumento das encomendas de componentes para caminhões, que vem da soma dos bons resultados da safra agrícola com o aumento das exportações. Apenas no primeiro semestre, a venda de caminhões Mercedes-Benz para o exterior apresentou a alta expressiva de 364%.

O ritmo dos investimentos nas autopeças vem seguido caminho inverso. A indústria de componentes desabou do auge de US$ 1,798 bilhão investidos em 1997, ano do recorde de produção de veículos no país, para US$ 260 milhões em 2002. Em 2003, aplicou US$ 400 milhões. Para este ano, Butori calcula US$ 600 milhões.

“Estamos muito aquém do necessário”, afirma o dirigente. Ele aponta a falta de rentabilidade como motivo do pouco interesse das empresas em investir. Os custos de matérias-primas e impostos é que provocam esse quadro, justifica.

Mas, se de um lado, a demanda por veículos sobe vertiginosamente em regiões de pujança com os produtos agrícolas, por outro, nos centros urbanos – onde se concentra mais da metade das vendas de carros de passeio -, consumidores ainda inseguros provocam a estagnação no segmento de automóveis.

Nos cinco primeiros meses do ano, o licenciamento de carros de passeio novos em todo o país aumentou 4,2%, um avanço tímido se comparado ao segmento de carga.

A estagnação no negócio de carros de passeio preocupa os produtores. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, sem escala nas linhas de veículos de passeio, as montadoras não conseguem convencer as matrizes a continuar investindo no país. Essa condição, diz ele, é essencial para sustentar a competitividade do país.

Por isso, a indústria automobilística mantém-se mobilizada para convencer o governo a reduzir carga tributária e criar linhas de crédito para carros. O problema, lembra Golfarb, é encontrar uma fórmula que não afete o plano econômico do governo. “Não podemos pedir coisas que abalem a política de superávit fiscal e a taxa de juros básica, voltadas ao controle da inflação”, destaca.

Golfarb estima que investimentos em qualidade de processos e em novos modelos de automóveis só virão com força quando o mercado interno chegar a 2 milhões de veículos por ano. A previsão para 2004 é de 1,54 milhão de unidades. O recorde, em 1997, foi de 1,94 milhão. “Temos uma estrutura de qualidade, competitividade e engenharia que poucos países têm; mas somente com escala e garantia de rentabilidade poderemos manter a modernidade de nossas fábricas”, diz.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
http://www.valor.com.br

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