Da redação


Rio – O Brasil, maior exportador de café e açúcar, poderá dar continuidade a uma briga contra as barreiras impostas pelos Estados Unidos e Europa na Organização Mundial de Comércio (OMC), a fim de captar uma participação maior nos mercados globais. O Brasil espera o desfecho da decisão da OMC a seu favor, a respeito de US$ 3 bilhões de subsídios para o algodão dos EUA, antes de decidir se questiona ou não outra ajuda agrícola que dificulte o comércio, declarou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

A maior economia da América do Sul quer elevar a produção agrícola em quase 50% em dez anos, em parte concorrendo com os produtores rurais dos EUA, acrescentou o ministro. “Estamos pleiteando a redução do protecionismo para um mercado mais aberto e justo”, disse Rodrigues, de 61 anos, em entrevista em seu gabinete em Brasília. “Se isso acontecer, tornará novos mercados muito mais viáveis.”

Um empurrão mais agressivo por parte do Brasil na OMC irá causar mais atrito no relacionamento com os EUA, já afetado pela resistência do governo brasileiro a um acordo de livre comércio em todo o hemisfério, promovido pelo governo norte-americano, disse Bob Stallman, presidente da Federação Agrícola Americana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva refutou o auxílio rural aos produtores dos EUA e da Europa desde que assumiu o cargo em janeiro de 2003, e formou um bloco com a China, dificultando as negociações de livre comércio global na reunião de Cancún, México.

“Não se trata de uma substituição para as negociações da OMC”, disse Stallman, cuja organização com sede em Washington representa 5,5 milhões de famílias de zonas rurais nos EUA. “Um excesso de litígio nesse ponto das conversações provavelmente resultará em mais barreiras do que avanços.”

O Brasil não decidiu se entra ou não com novas queixas, e não agirá até que os recursos sobre a decisão a respeito do algodão se esgotem, segundo informou o ministro da Agricultura. O País também aguarda uma decisão da OMC sobre as exportações de açúcar da União Européia (UE).

Os EUA, maior parceiro comercial do Brasil, foi responsável por 28% do superávit comercial de US$ 25 bilhões do País, um recorde no ano passado. Isso contribuiu para os resultados das exportações, e ajudou a sustentar a recuperação econômica. A economia brasileira cresceu 2,7% no primeiro trimestre, frente ao mesmo período do ano anterior, depois de recuar por quatro trimestres. Os EUA, cujos maiores parceiros comerciais são o México e o Canadá, apresentou um déficit comercial no ano passado, de US$ 496,5 bilhões.

Lula disse que a abertura de novos mercados é essencial para o Brasil alcançar sua meta de tornar-se, no prazo de uma década, o maior exportador mundial do setor alimentício. O Brasil quase duplicou a produção de grãos desde 1992.

Gazeta Mercantil – 2/7/2004
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Da redação

As exportações brasileiras de carne para a Argentina estão liberadas. A partir da zero hora de hoje, o Brasil já pode retomar o comércio do produto com aquele mercado, anunciou ontem o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Maçao Tadano. Segundo ele, o governo argentino aceitou as informações apresentadas pelo Mapa sobre a condição sanitária do rebanho nacional e suspendeu o embargo decretado na semana passada em razão do foco de febre aftosa registrado no município de Monte Alegre, no Pará.

“A partir deste sábado, as exportações de carne brasileira para a Argentina voltam à normalidade”, destacou Tadano. A decisão foi comunicada ao Mapa pela Secretaria de Agricultura argentina e pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa). Nesta semana, o ministério enviou uma missão àquele país para prestar esclarecimentos às autoridades da área de sanidade animal. Com isso, acabam as restrições do mercado externo ao produto nacional, já que a Rússia também suspendeu nesta semana o embargo imposto por causa do foco da doença no Pará.

Para o secretário de Defesa Agropecuária, a decisão da Argentina não provocará problemas nas relações comerciais com o Brasil. O governo argentino, avaliou, tomou uma medida preventiva de caráter técnico. De acordo com ele, o caso não deve trazer prejuízos à imagem da qualidade e sanidade do rebanho brasileiro. Ao contrário. A retomada das importações pelos argentinos, ressaltou Tadano, demonstra justamente a confiança daquele mercado no programa desenvolvido pelo Brasil para erradicar a febre aftosa.

A decisão da Argentina não teve impacto significativo na pauta de exportações brasileiras, assinalou o secretário. “O prejuízo foi muito pequeno em termos de valores e quantidade”, disse Tadano. Nos primeiros cinco meses do ano, as exportações de carne suína do Brasil para o mercado argentino alcançaram US$ 18,5 milhões (13,5 mil toneladas), com um aumento de 12,27% em valores em relação ao mesmo período de 2003. Já as vendas de frango foram de US$ 996 mil (555 mil toneladas), enquanto que as de carne bovina somaram US$ 130 mil (176 toneladas).

Mato Grosso

Tadano informou ainda que o ministro Roberto Rodrigues definiu com os governos de Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul a criação de um grupo de trabalho para preparar as informações adicionais que serão enviadas à Rússia sobre a condição sanitária daquela região. Embora tenha suspendido o embargo ao Brasil, os russos proibiram as importações de Mato Grosso porque o estado faz divisa com o Pará, que também não pode negociar carne com aquele mercado.

Nas próximas semanas, o Mapa e os governos de MT e do MS vão enviar a Moscou uma missão – formada por representantes dos setores público e privado – para apresentar ao governo russo novas informações sobre a situação sanitária do rebanho mato-grossense. O Brasil espera que a Rússia suspenda o embargo à carne de Mato Grosso antes do prazo de 12 meses previsto no acordo sanitário assinado pelos dois países há três anos.

Paraná Online – 3/7/2004
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Sergio Leo De Brasília

Os responsáveis pelo projeto Galileu, uma rede européia que pretende concorrer com o sistema americano GPS, de orientação por satélite, estão otimistas em relação à participação do Brasil como sócio da iniciativa. “Sentimos que as pessoas que encontramos no Brasil têm sério interesse numa participação ambiciosa”, disse o responsável da União Européia pelo projeto Galileu, Olivier Onidi.

A UE tem forte interesse na participação do Brasil, no apoio institucional para a negociação internacional do projeto, no uso da capacidade espacial brasileira e na colaboração do setor empresarial com aplicações tecnológicas da localização por satélite, insistiu Onidi. O Brasil, como a Europa, defende o multilateralismo em relações internacionais e não pode depender de um sistema vital controlado por um só país e, especialmente, pelo departamento de Defesa dos EUA, argumentou, em referência ao GPS.

Acompanhado de representantes da Agência Espacial Européia, Onidi se reuniu com autoridades da Agência Espacial Brasileira e dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Hoje, estará em São Paulo para reuniões com empresários. O Brasil, disse, pode escolher associar-se como acionista ou contribuir com instalações físicas e equipamentos, em bases de acompanhamento no solo.

Os europeus pretendem lançar 30 satélites, apoiados por uma rede extensa de estações no solo (o GPS tem 24 satélites). A China já destinou 300 milhões de euros para associar-se; a Índia 200 milhões, e Israel, pelo menos 30 milhões de euros.


Jornal Valor Econômico – 2/7/2004
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Assis Moreira De Genebra

O Brasil e outros países conseguiram bloquear na quinta-feira a revisão do Código de Ética para o Comércio Internacional de Alimentos, num confronto diplomático durante a reunião anual da comissão do Codex Alimentarius, órgão que estabelece novos padrões para alimentos, com influência crescente no comércio internacional desse setor de mais de US$ 400 bilhões por ano.

O Brasil, que hoje tem problemas com exportações de soja (China) e carnes (Argentina) por conta de problemas sanitários, alegou que a revisão do código extrapola esta área e pode ser usada para criar novas barreiras não tarifárias.

O Código de Ética existe desde 1979 no âmbito do Codex Alimentarius. As normas do Codex referenciam disputas sobre alimentos na OMC, e incluem estímulos para que, voluntariamente, as vendas internacionais de alimentos respeitem medidas éticas para evitar produtos de má qualidade e insalubres. Por inspiração da União Européia, a idéia, agora, é que os países dêem garantias de segurança dos alimentos que exportam. O Brasil concorda, mas teme que seja aberto espaço para a introdução arbitrária de novas restrições comerciais sob alegação de combate a questões sanitárias.

Nesse cenário, Brasil, EUA, Austrália, toda a América Latina e países de África e Ásia frearam a reforma e impuseram nova consulta até novembro para os governos se pronunciarem sobre até que ponto estão interessados no fortalecimento do Código de Ética. Entre as modificações propostas até agora, estão também as aplicações do código ao setor privado no comércio de alimentos, exigências de harmonização das normas nacionais com as do Codex e as conseqüências para quem não cumprir o código.

A Grocery Manufacturers of America (GMA), maior associação mundial de empresas de alimentos e bebidas, impulsionou a administração americana a se opor à revisão apoiada pela UE. Para a GMA, o novo código afetaria os direitos e obrigações dos países contidos no Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da OMC.

E, finalmente, a briga sobre o queijo parmesão continua na comissão do Codex. O Comitê de Leites e Produtos Lácteos quer elaborar uma norma para o parmesão, apoiado pelo Brasil e quase todos os outros países. Mas a UE é contra, sob a alegação de que o produto é denominação de origem protegida.

Jornal Valor Econômico – 2/7/2004
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Rosana de Fátima Cunha

O secretário de Defesa Agropecuária, Maçao Tadano, concede entrevista às 15h de hoje (02/07), em seu gabinete, para falar sobre a decisão do governo argentino de suspender o embargo à carne brasileira. A partir de zero hora deste sábado (03/07), o Brasil já pode retomar as exportações de carne para a Argentina, suspensas há mais de uma semana em razão do registro de um caso de febre aftosa no interior do Pará

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 2/7/2004
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Dênio Maués


O Portal UNESP oferece agora duas novas opções de informação: Previsão do Tempo e Empresas Juniores. A previsão do tempo é realizada pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), Unidade Complementar da UNESP, campus de Bauru, com dois radares que operam simultaneamente. Eles permitem o monitoramento das chuvas em praticamente todo o Estado de São Paulo e Paraná, sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro e da região sudeste de Mato Grosso do Sul. Também possibilitam a quantificação da precipitação em área interior àquelas monitoradas.

Além do monitoramento propriamente dito, os dados obtidos a partir dos radares de Bauru e Presidente Prudente fornecem subsídios para as diversas áreas de pesquisa do IPMet. A pesquisa e a prestação de serviços à comunidade sempre nortearam os trabalhos do IPMet, que realiza relevante contribuição à sociedade em geral e aos seus setores produtivos.
Endereço: www.ipmet.unesp.br/previsao/prevtexto.html

Em um banco de dados, a Assessoria de Comunicação e Imprensa (ACI) reuniu as 21 empresas juniores da UNESP. Por meio deste arquivo, o internauta pode ter acesso à consultoria de áreas diversas, tais como agropecuária, engenharia, farmácia, relações públicas. As empresas juniores são formadas por alunos que se destacam em seus cursos de graduação, selecionados por docentes, que também supervisionam suas atividades.
Endereço: www.unesp.br/junior

UNESP – 2/7/2004
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Gustavo Porto


Ribeirão Preto – A gigante norte-americana de alimentos Cargill anunciou hoje a saída do mercado de suco de laranja no Brasil e a venda de todos os ativos para a Cutrale e para a Citrosuco, as duas maiores empresas mundiais do setor, ambas de capital fechado e 100% nacional. A multinacional alegou questões estratégicas para a venda e o valor do negócio não será divulgado por se tratar, segundo elas, de sigilo contratual.

Todos os bens das unidades ficarão com os novos proprietários e os 1.651 funcionários da Cargill serão mantidos, assim como os contratos já feitos com produtores de laranja, de acordo com informações da Cutrale e da Citrosuco.

Com a compra, Cutrale e Citrosuco irão concentrar cerca de 70% do mercado processador brasileiro, o maior do planeta, que movimenta 80% das exportações mundiais e fatura US$ 1,5 bilhão. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia, afirmou que o negócios terá de ser analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Quando ocorre uma concentração dessa é normal que isso ocorra”, disse Garcia.

A gerente de assuntos corporativos da Cargill no Brasil, Maria Helena Miessva, informou que a empresa terá prioridade por um período, ainda a ser definido, na compra do suco de laranja e na distribuição do produto das duas unidades vendidas no mercado europeu.

O diretor-executivo da Citrosuco, Maurílio Lôbo, afirmou que o negócio é uma conseqüência da posição da empresa de ser compradora de ativos no País. “Nós sempre declaramos que somos compradores de ativos, desde que eles dêem continuidade ao nosso negócio. Estamos muito felizes com a aquisição, pois é uma mostra da confiança que nós temos no agronegócio nacional e na capacidade exportadora do País”, afirmou.

Para o diretor da Cutrale, Marcos Moraes, “a compra dos ativos é uma vitória do Brasil”. O executivo avaliou com otimismo o fato de a Cargill se manter como negociadora das duas empresas. “A Cargill certamente vai nos ajudar a buscar novos mercados, o que é um desafio hoje. Não na Europa, mas na Ásia, para onde está todo o foco do setor”, afirmou.



Jornal O Estado de São Paulo – 2/7/2004
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Da redação

O governo federal destinará mais R$ 44 milhões para os programas de defesa agropecuária em todo o Brasil, informou hoje (02/07) o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, ao receber a confirmação sobre a edição de uma Medida Provisória para o assunto. A informação foi repassada ao ministro pelo colega Guido Mantega, do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Os recursos, que estarão à disposição do ministério a partir de segunda-feira, reforçarão o controle e o combate às principais pragas e doenças que ameaçam a agropecuário brasileira, como febre aftosa, ferrugem da soja, sigatoka negra, mosca da carambola, newcastle, influenza aviária, mal da “vaca louca”, entre outras. Além disso, os recursos serão usados para aumentar a inocuidade dos alimentos e para ampliar a vigilância agropecuária em portos, aeroportos e postos de fronteira em todo o país.
Norte e Nordeste
O dinheiro soma-se ao orçamento inicial de R$ 68 milhões destinados à defesa agropecuária. Dessa maneira, os recursos para estas ações passam a R$ 112 milhões. Ontem (01/07), o ministro Roberto Rodrigues anunciou, durante reunião do Fórum dos Secretários de Agricultura do Norte e Nordeste, em Belém (PA), a liberação de R$ 17,5 milhões para controlar e combater a febre aftosa, a morte súbita dos cítricos e a cydia pomonella, o chamado bicho-da-maçã, além de destinar recursos para as pesquisas com novos clones de cacau ao Instituto Biofábrica de Cacau, com sede em Itabuna (BA).


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 2/7/2004
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Da redação


Brasil deve exportar 100 mil reprodutores bovinos, caprinos e ovinos para a Venezuela até o final do ano, além de material genético (sêmen e embriões) para melhorar a qualidade do rebanho do País vizinho. O assunto foi tema de reunião hoje (02/07) em Brasília entre o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, e o ministro da Agricultura e Terras da Venezuela, Arnaldo Márquez. Os dois ministros vão assinar protocolo de intenções que viabilizará o acordo nos próximos dias.
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, Brasil e Venezuela também vão firmar acordos de cooperação técnica visando o controle de doenças e desenvolver ações que permitam a melhoria do sistema de importação venezuelano de maquinário e produtos agroindustriais, entre outros itens.
Durante esta tarde, técnicos do Serviço Sanitário da Venezuela se reuniram com técnicos do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura para avaliar, entre outros temas, o aperfeiçoamento do modelo de certificado zoossanitário utilizado atualmente na exportação de bovinos destinados à reprodução na Venezuela.
Defesa Sanitária
Maçao Tadano adiantou que durante encontro dos presidentes dos países da América do Sul, previsto para acontecer em Brasília entre setembro ou outubro, o Brasil deverá apresentar proposta para a criação de um programa de defesa sanitária do continente. A idéia a ser defendida pelo Brasil é de que o governo de cada país aplique num programa nacional e autônomo US$ 0,30 por cabeça de gado criado em seu território. O objetivo desse programa será aumentar de forma expressiva os recursos destinados ao combate de doenças como a febre aftosa nos países sul-americanos.


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 2/7/2004
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De Washington e São Paulo


Uma onda de alívio percorreu o mercado financeiro ontem, depois que o Federal Reserve (o banco central americano) elevou a taxa básica de juro dos Estados Unidos de 1% para 1,25% ao ano. Foi a primeira alta em quatro anos, mas o mercado reagiu positivamente ao fato de o Fed ter atuado dentro do previsto e esclarecido que os próximos passos serão “comedidos”.

As bolsas americanas, que estavam em baixa, subiram. Nova York fechou em alta de 0,2%. O otimismo foi maior no mercado brasileiro, onde a Bovespa subiu 1,67%, voltando aos 21.148 pontos pela primeira vez desde 27 de abril. O dólar comercial fechou em baixa de 0,67%, a R$ 3,0870. Os juros caíram no mercado futuro e o risco Brasil recuou 0,62%, para 646 pontos.

O mercado também ficou animado com o fato de o Banco Central ter revisto para cima, de 5,2% para 6,4%, a previsão do IPCA para 2004, tacitamente indicando aceitar uma inflação acima do centro da meta, o que esvaziou o receio de uma eventual elevação da taxa básica (Selic).

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Raghuram G. Rajan, disse ao Valor que a economia brasileira está razoavelmente protegida por dois fatores principais: os sinais de crescimento e as reformas estruturais. “O Fed sinalizou a continuidade do gradualismo. Isso traz conforto especial aos países que mais sofrem com a volatilidade, como o Brasil”, disse Drausio Giacomelli, vice-presidente do JP Morgan. Só não se espera uma enxurrada de captações internacionais porque a maior parte das empresas brasileiras de primeira linha antecipou o lançamento de títulos ou está com excesso de liquidez. Além disso, não há demanda por crédito em dólares nos grandes bancos.

Fed promete ser comedido e tranqüiliza os mercados

Alívio – Sem surpresas, BC americano sobe juro básico de 1% para 1,25%

Tatiana Bautzer De Washington

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou ontem a taxa básica de juro dos Estados Unidos para 1,25% ao ano, animando os mercados financeiros com um texto informando que os próximos passos de sua política monetária serão “comedidos”. Logo após o anúncio da decisão, as bolsas, que estavam em baixa temendo indicações de uma postura mais drástica, voltaram a subir. Também recuaram as taxas de juros de títulos públicos, que haviam subido devido à incerteza em relação à atitude do Fed.

No texto explicativo da decisão, o Fed afirma que “embora alguns novos números de inflação estejam elevados, uma parte da alta nos últimos meses parece ter ocorrido por fatores transitórios”, o que leva o mercado a crer que o BC americano não reagirá de maneira brusca. “Com a expectativa de uma inflação relativamente baixa, o Comitê do Mercado Aberto acredita que a política (monetária) acomodativa pode ser removida num ritmo provavelmente comedido”, diz o Fed. A decisão de elevar a taxa foi unânime entre os 11 membros do Comitê.

Para o economista do Lehman Brothers em Nova York, Drew Mathus, a decisão foi “exatamente o que o mercado esperava, e a observação sobre fatores transitórios evita as preocupações com atraso do Fed na reação à inflação”. A reação positiva do mercado, que experimentou uma “alta de alívio” à tarde, reflete a menor possibilidade de acelerar o ritmo de alta dos juros para coibir a inflação. Com isso, as bolsas americanas subiram e os títulos do Tesouro de 10 anos chegaram a ser negociados projetando juro de 4,58%, bem abaixo da abertura, mas fecharam o dia cotados a 4,6%.

Apesar da tranqüilidade de ontem, o mercado estará muito atento aos próximos números da inflação nos EUA – e não apenas aos índices tradicionais, como o de preços ao consumidor e gastos pessoais. Também serão observadas as séries que indicam tendências no atacado, como o índice de preços do Institute of Supply Management (ISM), que subiu expressivamente em abril, mas recuou 2,27% em maio – o que mostra um exemplo de transitoriedade da alta citada pelo Fed. Portanto, índices de inflação acima do esperado poderão provocar mais turbulência.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, declarou que o governo americano vê a mudança com naturalidade e não teme desaceleração econômica. “A alta dos juros reflete o crescimento da economia e a geração de empregos.” O único efeito sobre a economia real parece ser, até agora, a redução na demanda por financiamentos imobiliários, que está em baixa há três semanas.

Vários analistas lembraram que o início da elevação de juros pelo Fed neste ano está ocorrendo de maneira bem diferente das decisões de 1994. Naquela época, apesar de mensagens cifradas enviadas pelo Fed em suas reuniões, o mercado não percebeu a mudança na interpretação do BC americano sobre a inflação e sofreu mais quando as taxas começaram a subir rapidamente. Desta vez, a percepção em relação à atitude do Fed foi mais precisa e os ajustes começaram bem antes.

O efeito sobre países em desenvolvimento está sendo positivo, ao contrário da reação em 1994, que culminou com a crise do México. O economista-chefe para a América Latina do Barclays, Jose Barrionuevo, acredita que “haverá um impacto mais limitado sobre as moedas de países emergentes”. Ele prevê que as empresas brasileiras e o governo terão novas oportunidades de captar recursos no mercado internacional entre julho e agosto, desde que haja sinais concretos de que o crescimento econômico é sustentável.


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Carlos Gil

Encontro virtual terá participação de profissionais de diversos países e faz parte da programação do 23º Congresso Mundial de Buiatria

A Universidade Anhembi Morumbi promoverá, no dia 16 de julho, às 9h30, uma web conferência sobre cirurgias em bovinos. O evento é gratuito e aberto a profissionais da área, mediante inscrição prévia. A conferência faz parte da programação científica do 23º Congresso Mundial de Buaitria, que será realizado em Quebéc – Canadá, de 11 a 16 de julho.

Na conferência virtual, profissionais especializados de países como Uruguai, México, França, Canadá e Marrocos, além do Brasil, debaterão as diferentes abordagens cirúrgicas em ruminantes. A organização está a cargo do Dr. Denis Harvey, da Universidade de Montreal, e do Dr. Maurício Garcia, Vice-Reitor da Universidade Anhembi Morumbi e médico veterinário buiatra. O mediador será o Dr. Neimar Roncati, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Anhembi Morumbi.

A duração prevista é de três horas e as palestras serão ministradas em língua inglesa. As vagas são limitadas. Os interessados em acompanhar a web conferência devem se inscrever pelo telefone 11-6090-4576.

Maxpress – 1/07/2004
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Lebna Landgraf


De acordo com levantamento, recém concluído, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a ferrugem asiática provocou perdas de cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja, na safra 2003/04. Associando o que deixou de ser colhido e os gastos com o controle químico (fungicidas e despesas com aplicação), o custo ferrugem foi de aproximadamente US$ 2 bilhões. “Esses valores representam praticamente o dobro de prejuízo levantado na última safra”, calcula o diretor presidente da Embrapa, Clayton Campanhola.

Antes da safra, foi detectado o surgimento de uma nova raça do fungo P. pachyrhizi, causador da ferrugem, o que provocou quebra de fontes de resistência. Isso inviabilizou o desenvolvimento de cultivares resistentes à ferrugem. Outro problema foi a presença contínua desse fungo na entressafra, em lavouras “safrinhas”, no Cerrado (BA, GO, MA, MG, MT, SP e TO). “Apesar disso, as chuvas irregulares e as temperaturas elevadas, no início da safra, evitaram a explosão da ferrugem. Além do mais, os produtores estavam de prontidão para fazer o controle químico”, diz o pesquisador da Embrapa Soja, José Tadashi Yorinori. De acordo com a Embrapa, na safra 2003/04, os estados mais atingidos com a ferrugem foram Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. No MT,
lavouras com cultivares precoces e irrigadas por pivô central ou sem irrigação foram pulverizadas até duas vezes. Em outras regiões, lavouras não tratadas ou tratadas com deficiência foram afetadas pela ferrugem, em diferentes graus de severidade. “Essas áreas também serviram de fontes de disseminação para áreas vizinhas, que tinham lavouras mais tardias”, explica.

No Paraná, segundo produtor de soja atrás apenas do MT, a progressão da doença foi impedida pela forte estiagem e altas temperaturas, em janeiro. De modo geral, os produtores controlaram adequadamente a doença. A maior redução da produção de soja no Estado foi causada pela
estiagem. A falta de chuva também foi a grande responsável pelas perdas econômicas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apesar de registros da ferrugem.

Dentre todos os Estados afetados, a Bahia foi o que apresentou maior eficiência no controle da doença. O esforço concentrado de órgãos de pesquisa pública e da iniciatica privada permitiu uma ampla divulgação do problema e das ações de controle a serem adotadas. “Além de todo o trabalho de divulgação, foi de fundamental importância a conscientização dos produtores e a pronta resposta com a adoção das medidas de controle”, aponta Tadashi.

Em outros estados onde as perdas foram elevadas, houve falta de informação ou de conscientização sobre os riscos potenciais por parte dos produtores e da assistência técnica no combate a doença. “Também detectamos que, ao final da safra, quando o problema tornou-se grave, houve falta de fungicidas e elevação exagerada dos preços dos produtos no mercado”, diz.

Pesquisa e assistência técnica Desde 2001, a Embrapa Soja e as instituições parceiras têm acompanhamento a evolução da doença, pesquisando e difundido as medidas de controle. Entre as principais ações estão: o acompanhamento da ocorrência da ferrugem durante a safra na entressafra; avaliação da eficiência de fungicidas no controle da ferrugem e orientações sobre o uso e momento correto da aplicação; pesquisas sobre fontes de resistência genética, avaliação da reação de linhagens e cultivares de soja à ferrugem, capacitação contínua de agrônomos, técnicos agrícolas e produtores de soja, através de cursos, treinamentos, palestras, dias de campo, atendimento de consultas telefônicas e pessoais e visitas a lavouras e, principalmente, informações sobre a ocorrência da ferrugem e providências a serem tomadas para controle, em tempo real, no Sistema de Alerta, na página da Embrapa Soja, na Internet.

Apesar dos esforços da pesquisa, até o momento, nenhuma cultivar mostrou-se suficientemente tolerante à doença. Atualmente, o controle químico é o mais eficiente, porém, seu uso eficaz e econômico depende: da capacidade de identificar a doença na fase inicial; do levantamento e
acompanhamento das primeiras ocorrências e da vistoria contínua das lavouras; da adequação da densidade de semeadura para maior penetração do fungicida na folha; da escolha correta do(s) fungicida(s), em relação a fase de desenvolvimento da soja e da severidade de infecção; da
observação das condições climáticas no momento da aplicação; da adoção de equipamento e tecnologias corretas de aplicação – tanto para tratamento aéreo como terrestre e da capacidade operacional para aplicação do fungicida no momento correto, principalmente, em períodos
chuvosos.


Maxpress – 1/07/2004
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Mariangela Morenghi

A integração entre a agricultura e a pecuária através do Sistema de Plantio Direto foi o tema principal da discussão desta quinta-feira pela manhã no 9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha. O evento, realizado no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC), é uma promoção da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha em parceria com o governo do Estado de Santa Catarina, Epagri e Prefeitura Municipal de Chapecó.

Agricultores e pecuaristas estão procurando sistemas de produção alternativos para aumentar a eficiência e rentabilidade de seus negócios. O professor Aníbal de Moraes, da Universidade Federal do Paraná, explica que para a pecuária a agricultura é uma opção na reforma de pastagens e recuperação do solo, enquanto que no caso inverso, a diversificação de propriedades e a utilização na alimentação animal de plantas em rotação com cultivos de grãos surge como possibilidade. “O desafio em sistemas integrados é encontrar um nível ótimo de biomassa que beneficie tanto a cultura de verão instalada no sistema de semeadura direta, quanto a produção animal no período de pastejo, de forma a garantir uma alta produtividade do sistema”, acrescenta.

Para o engenheiro agrônomo da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS), Armindo Kichel, o manejo inadequado leva à degradação das pastagens, queda na produtividade e empobrecimento do solo e aumento da erosão. A integração da lavoura e pecuária é uma alternativa para reverter este quadro. Segundo Kichel, o Plantio Direto de soja sobre pastagens pode ser feito em áreas em degradação para a recuperação e renovação de pastagem, oferecendo uma excelente cobertura do solo com palha de boa qualidade. Por outro lado, esta técnica também reduz, após alguns anos de pasto, a ação de plantas invasoras e quebra o ciclo de pragas e doenças da soja.

Estimativa apresentada pelo pesquisador da IAPAR, Enir Oliveira, afirma que 50% das áreas de pastagem no Brasil estejam degradadas. Estas áreas apresentam perda da capacidade produtiva da forrageira, podendo ocasionar também um desgaste profundo, que afeta o solo e outros recursos naturais pela compactação ou erosão. Isto ocorre naturalmente com a exploração da pecuária, pela retirada de nutrientes pelo gado e por perdas ocasionadas pela ação de chuvas ou efeito do preparo do solo com o uso de grade.

O gerente técnico da Monsanto, Márcio Scaléa, afirma que com manejo adequado do Plantio Direto a situação pode ser revertida. Scaléa apresentou trabalho sobre a renovação de pastagens em áreas degradadas. “O produtor deve levar em conta que herbicidas são mais eficientes do que grades na eliminação de pastos degradados, principalmente quando há presença de invasoras”, explica. Analisando a compactação, acidez e fertilidade do solo, o relevo da área e a presença de invasoras, é possível diagnosticar a melhor alternativa de recuperação da área degradada. “A questão está em fazer um bom diagnóstico”, conclui.

Maxpress – 1/07/2004
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Da redação

O governo federal lançará um projeto-piloto de implantação de seguro rural para lavouras de soja ou milho na região Centro Sul ainda neste ano. A afirmação é do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ivan Wedekin, ao comentar a publicação hoje, no Diário Oficial da União, do decreto 5.121. Ele regulamenta a Lei 10.823/2003, que autorizou o Tesouro Nacional a conceder subvenção econômica ao prêmio do seguro rural. O orçamento previsto para o pagamento da subvenção este ano é de R$ 20 milhões.

Entre outros itens, o decreto cria o Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural, que definirá as diretrizes e prioridades da política de subvenção, entre as quais, as culturas, espécies animais e regiões a serem amparadas pelo benefício. As funções do Comitê incluem a definição dos parâmetros mínimos e disposições contratuais, inclusive os riscos cobertos, para cada linha de seguro subvencionável e outras exigências técnicas para enquadramento no programa de subvenção. Ele será composto por representantes dos ministérios da Agricultura, Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão e Desenvolvimento Agrário, além da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Para realizar suas atribuições, o Comitê firmará contratos, convênios ou parcerias com instituições públicas ou privadas, especialmente para transferência de recursos financeiros, desenvolvimento de projetos-piloto e realização de levantamentos, estudos e projetos. O Comitê também aprovará o Plano Trienal do Seguro Rural, cujos percentuais ou valores máximos da subvenção estarão sujeitos à aprovação pelo Poder Executivo. O Plano Trienal será aplicado a partir do exercício financeiro seguinte ao de sua aprovação.

O Comitê também vai elaborar proposta anual contendo estimativas de valor máximo da subvenção e os respectivos valores e percentuais médios, observados os limites orçamentários estabelecidos no orçamento do Mapa destinado ao programa. De acordo com o decreto, o seguro rural será contratado junto a sociedades seguradoras autorizadas a operar em seguros pela Susep.

Segundo o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, com a regulamentação da Lei 10.823,o governo está cumprindo mais uma etapa para que o Brasil comece acabar com o que ele considera ser o problema central da agricultura brasileira, que é a exigência de crédito rural. “Nos países desenvolvidos, onde funciona o seguro de renda, o seguro rural, não há problema de crédito agrícola. Os bancos não se preocupam em emprestar para o setor, porque existe um mecanismo de proteção ao crédito”, assinalou. Para ele, o seguro rural será essencial para garantir a estabilização de renda ao produtor agrícola.

Para a efetivação do seguro rural ainda restam duas etapas: a definição da estrutura da gestão (inclusive os aspectos operacionais de pagamento da subvenção, monitoramento, fiscalização e controle) e dos aspectos técnicos, como produtos e regiões prioritárias.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 1/7/2004
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Vinicius Doria De Brasília

Apenas o MT não poderá exportar; segue embargo argentino

A Rússia decidiu ontem retomar as importações de carne do Brasil, acabando com o embargo de 13 dias. Pelo acordo firmado em Moscou, apenas permanecerão suspensas as exportações da carne do Mato Grosso, porque o Estado faz divisa com o Pará, onde foi registrado o caso de febre aftosa. Agora só a Argentina mantém o mercado fechado para as carnes brasileiras. A retomada do comércio com a Rússia foi comunicada ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, no início da manhã de ontem pelo secretário de Produção e Comercialização, Linneu da Costa Lima, que está chefiando a missão enviada a Moscou.

A restrição imposta à exportação de carne do Mato Grosso se deve ao acordo sanitário de 2002, que abriu o mercado russo para a carne bovina brasileira. Por este acordo, sempre que surgir um caso de aftosa no Brasil, os Estados vizinhos ao foco da doença ficam proibidos de exportar para aquele país por um período de até um ano. A medida vai atingir seis frigoríficos matogrossenses, habilitados pelo governo russo. “No entanto, a nossa expectativa é de que consigamos liberar esse Estado rapidamente, antes do prazo de doze meses”, disse Roberto Rodrigues.

O Mato Grosso foi responsável por 4,9% das exportações brasileiras de carne bovina para a Rússia no ano passado, quando foram vendidas 83,4 mil toneladas, ou US$ 100 milhões. Tocantins, que também faz divisa com o Pará, não tem estabelecimentos credenciados pela Rússia para exportar carne.

A missão também discutiu em Moscou a possibilidade de o Brasil permitir a importação de trigo da Rússia. Rodrigues negou a relação entre as duas negociações, mas admitiu que o mercado brasileiro poderá ser aberto ao trigo da Rússia a partir de 2005. “Hoje, nós temos um superávit comercial muito grande com a Rússia e uma das formas de reduzir isso é a importação de trigo. Mas a Rússia não tem excedentes de trigo para exportar para o Brasil este ano”, afirmou. Fontes do próprio governo afirmam, contudo, que a possível abertura ao trigo russo serviu como moeda de troca na negociação para o fim do embargo. O Ministério da Agricultura está fazendo a análise de risco do cereal.

No caso da Argentina, que proibiu as importações de carne brasileira na semana passada, ainda não há acordo, apesar de todas as informações sobre o foco de febre aftosa já terem sido prestadas. O diretor do Departamento de Defesa Animal do ministério da Agricultura, Jorge Caetano Júnior, levou as explicações ao Comitê Veterinário Permanente do Mercosul, que se reuniu por dois dias em Montevidéu. Mesmo assim, o embargo argentino não foi suspenso. O governo decidiu então enviar ontem para Buenos Aires mais um negociador, dessa vez o chefe da Divisão de Assuntos Sanitários e Fitossanitários, Adauto Lima Rodrigues. Ele vai se reunir hoje com o subsecretário Economia e Agricultura da Argentina, Javier Orquisa.

Fonte da Senasa, órgão responsável pela fiscalização sanitária na Argentina, disse que a atitude do Brasil de prestar novas informações foi considerada positiva pelo governo. Mas o Senasa ainda precisa analisar mais detalhadamente as informações. A fonte disse que não há prazo para a reabertura.

A postura adotada pela Argentina preocupa o governo brasileiro. Na opinião de uma autoridade envolvida com o problema, “não há nenhum motivo técnico” que justifique a manutenção do embargo às carnes brasileiras. Nem mesmo os países europeus, que costumam ser bastante rigorosos com a qualidade dos alimentos que importam, admitem restringir a entrada das carnes do Brasil. Depois de manter contatos com autoridades da União Européia, o Itamaraty enviou um comunicado ao Ministério da Agricultura afirmando que “a União Européia não cogita adotar nenhuma nova medida em relação à importação de carne do Brasil”. (Colaboraram AAR e Paulo Braga, de Buenos Aires)


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Alda do Amaral Rocha De São Paulo


A eventual confirmação de novos casos da doença da “vaca louca” ou encefalopatia espongiforme bovina nos Estados Unidos pode ser o mais duro golpe para a carne americana, mas acabará beneficiando o Brasil, na avaliação de José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria.

Na sexta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou a suspeita de mais um caso no país – o primeiro foi descoberto em dezembro de 2003. Ontem, testes confirmatórios – uma vez que o resultado era “inconclusivo” – deram negativo para a doença.

Mas um novo caso suspeito – neste o teste também foi inconclusivo – divulgado terça-feira continua a preocupar as autoridades. A amostra, cujo resultado saiu na terça-feira, foi enviada para o Laboratório do Serviço de Veterinária do USDA para testes confirmatórios.

Na opinião de Ferraz, caso haja novos casos, os Estados Unidos terão mais dificuldade para retomar as vendas para mercados que vinha tentando reabrir, como o Japão, um dos mais importantes para a carne bovina americana.

Para ele, a eventual confirmação mostrará que é situação é “mais séria” dos EUA admitiram quando surgiu o primeiro caso. “Causa desconfiança no mercado o fato de os Estados Unidos resistirem a realizar testes mais profundos no rebanho”, afirmou.

O surgimento das novas suspeitas ocorre exatamente quando o USDA dá início a um programa de testes em animais do país, que deve atingir 268 mil cabeças em até 18 meses. Do início de junho até a última segunda-feira, foram testados 8.585 animais pelo método rápido.

Ferraz acredita que o Japão vai “ficar nas mãos” da Austrália se os novos casos se confirmarem. Com isso, a Austrália terá de sair de alguns mercados, que precisarão comprar mais carne brasileira. Outro efeito de uma hipotética confirmação dos casos é a valorização dos preços da carne no mercado internacional, diz Ferraz. Nos EUA, no entanto, o primeiro efeito é baixista. Os contratos de boi gordo com vencimento em agosto na Chicago Mercantile Exchange fecharam com queda de US$ 2,12 para US$ 85,75 por cem libras ontem.


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Assis Moreira De Genebra


A disputa do frango salgado encabeçada por Brasil e Tailândia contra a União Européia (UE) enfim começará a ser examinada na Organização Mundial de Comércio (OMC). Sete meses depois de instalado, o painel (comitê de arbitragem) tem agora os três árbitros escolhidos para o caso: o neozelandês Hug McPhail, que já foi cinco vezes juiz de disputas; o atual embaixador do Paquistão, Manzoor Ahmad; e a especialista de Cingapura Elisabeth Chelliah. Eles terão pelo menos nove meses para decidir quem tem razão.

Brasil e Tailândia contestam uma regulamentação européia que modificou as tarifas incidentes sobre suas importações de frango. O peito de frango salgado era classificado como “carne salgada” e sujeito a tarifa ad valorem de 15,4%. Pelo novo sistema, o produto passou a ser submetido a uma tarifa específica de 104,2 euros por 100 quilos.

O resultado é uma tarifa ad valorem maior do que a União Européia poderia aplicar, reduzindo os ganhos dos exportadores brasileiros e tailandeses.

A maior taxação dos cortes de frango salgado pela União Européia vem afetando as exportações brasileiras. Entre janeiro e maio deste ano, as vendas brasileiras para o bloco europeu recuaram 12% sobre o mesmo período de 2003, de acordo com a Abef – Associação Brasileira dos Exportadores de Frango.

A demora nas disputas da Organização Mundial do Comércio é cada vez mais freqüente, beneficiando, na prática, os acusados. Em certos casos, vale até mesmo nem gastar dinheiro e tempo, acreditam especialistas.

Produção de aves para corte bate recorde em maio

Alda do Amaral Rocha De São Paulo

A produção nacional de pintos de corte em maio passado foi o maior da história em um mês. Foram produzidas 358,7 milhões de aves, um aumento de 12,18% sobre igual mês de 2003, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco). Sobre o mês anterior, abril, o incremento é de 3,4%.

No acumulado até maio, a produção totaliza 1,720 bilhão, alta de 9,9% em relação a igual período de 2003, informa a Apinco.

Com maio teve um dia a mais que abril, a Apinco considera que a produção ficou praticamente estável. José Carlos Godoy, secretário-executivo da Apinco, admitiu, no entanto, que o avanço do alojamento pode estar relacionado com a perspectiva de que as exportações de carne de frango continuem favorecidas.

Reconheceu ainda que os números também sugerem que o consumo de carne de frango no mercado interno pode estar passando por uma reativação.

“A ave alojada em maio está no mercado há 15 dias e ainda assim os preços do frango vivo estão se mantendo”, disse Godoy. O atual preço do frango vivo em São Paulo, R$ 1,60 por quilo, é o melhor do ano, segundo Godoy.

Oto Xavier, da Jox Assessoria Agropecuária, não acredita em recuperação da demanda interna. Para ele, o crescimento da produção se deve à perspectiva de avanço das exportações. Internamente, disse Xavier, o mercado continua ofertado.

Godoy, da Apinco, destacou que o setor de pintos de corte está produzindo plenamente nos últimos meses, até superando o potencial de produção. Enquanto a produção efetiva em maio foi de 358,7 milhões, o potencial de produção era de 345,5 milhões.

Isso é possível através da manutenção de matrizes além da idade normal de descarte produzindo e da chamada “muda forçada”. Por esse método, a galinha, após um período de descanso, é colocada para botar ovos novamente depois das usuais 68 semanas de produção.

Contexto

Um novo surto de influenza atinge o Vietnã. A epidemia afetou aves da província de Bac Liu, no sul do país. Segundo o Departamento de Saúde Animal, foram sacrificados cinco mil frangos para conter o vírus. Testes iniciais feitos deram positivo para a cepa H5 da gripe aviária e novos testes estão sendo feitos para determinar se esta é uma variante perigosa do H5N1, que levou ao sacrifício de mais de 100 milhões de aves na Ásia no início deste ano.



Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Da Redação

Biocombustíveis

A Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo formalizou, ontem, a criação da Câmara Setorial Especial de Biocombustíveis, que deverá uniformizar as propostas estratégicas para este setor, que inclui o álcool combustível e o biodiesel. O professor Miguel Dabdoub, do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas, da USP de Ribeirão Preto, presidirá a câmara e coordenará os projetos.

Prêmio Illy

As inscrições para o 14º Prêmio Brasil de Qualidade de Café, promovido pela torrefadora italiana Illy, começam hoje e se estendem até 8 de outubro. O prêmio foi criado para valorizar os melhores produtores de café do país. Serão distribuídos R$ 100 mil em prêmios para os 50 finalistas. Só podem participar os produtores de café arábica, de bebida fina, preparado por via seca (café natural) ou via úmida (cereja descascado).


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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A assinatura de um acordo entre Brasil e China pôs fim na polêmica da exportação de soja que se arrastou desde abril. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, informou que a China vai definir os critérios para amostragem e inspeção nos carregamentos de soja exportados para o país. Até a definição dessas regras, os chineses vão aceitar o padrão brasileiro de uma semente tratada para cada quilo de soja, conforme a Instrução Normativa nº 15, de 11 de junho, explicou Tadano sobre o acordo para a retomada das exportações de soja brasileira.

ESTADO DE MINAS – Como ficam as cargas que saíram do Brasil antes da Instrução Normativa nº 15 e estão em trânsito.

MT – Os dois países concordaram que haverá procedimentos de coleta de sementes de soja coradas e tratadas. Se forem detectadas tais sementes em não-conformidade, antes da descarga, as partidas somente serão autorizadas a descarregar na China se satisfazerem às exigências chinesas. Os exportadores cobrirão todos os custos dos procedimentos, caso contrário a carga será rechaçada. Existem estimativas de que deve haver ao longo do trecho Brasil-China perto de 20 navios. Pode ser mais ou menos. Existe este número de navios que estão ao longo do mar.

Nesse caso, para esses 20 navios a tolerância é zero e eles podem ser devolvidos?

MT – Sim. A tolerância é zero, mas eles não podem ser devolvidos. Se tiver matéria estranha, as empresas vão ter que arcar com a seleção dessas cargas, caso sejam encontradas essas presenças de matéria estranha.

Pode chegar num ponto em que a China chegue a exigir zero semente num navio? Isso pode acontecer ou está descartado?

MT – Não acredito nisso, segundo o que nós conversamos. Na verdade, essa preocupação dos dois países ficou manifesta inclusive no próprio texto do acordo. As autoridades chinesas reconheceram e expressaram os cumprimentos pelas medidas adotadas, como a inspeção, auditorias, apreensão, rechaço. Tudo isso que nós fizemos no Brasil foi reconhecido e aplaudido pelo Ministério da Quarentena da China.

Tem algum documento que diz ao Brasil que a China, a partir de agora, vai aceitar uma semente por carregamento ou carregamentos cujas análises laboratoriais estejam dentro dos padrões internacionais?

MT – Não. Na instrução normativa é uma partícula por quilo, na amostragem. Então nós não vemos dúvida com relação a isso aí. Só que, naturalmente, as autoridades chinesas devem continuar conversando conosco em relação à implementação de normas a ser adotada pela parte chinesa. Nós não podemos colocar dentro da China uma norma brasileira, cada país tem sua norma e nós temos a nossa. Então é por isso que ficou colocado neste parágrafo que vai haver este intercâmbio de informação em relação aos critérios a ser adotados pela China com relação aos procedimentos dela.

Então a impressão que o senhor tem, colhida depois de uma reunião com os chineses, é que o modelo que eles vão adotar não vai ser de tolerância zero?

MT – A leitura que nós temos é tranqüilamente isso aí. Agora, para as cargas anteriores ao dia 11 eles podem adotar a tolerância zero, porque é um compromisso que as empresas responsáveis pela carga farão de, caso encontrem a presença de matéria estranha, fazer a assepsia. Isso ficou bem claro.

Então até que haja essa metodologia chinesa eles vão aceitar o padrão brasileiro de uma semente para cada quilo de soja?

MT – Exatamente.

Quando é que eles publicam o documento?

MT – Foi feita uma solicitação e nós esperamos que seja o mais rápido possível. Essa é a leitura que nós temos.

O senhor acredita que depois dessa instrução normativa a soja brasileira não vai ser mais barrada na China?

MT – Veja bem, a instrução normativa é uma meta de conduta para todos. Mesmo assim, no caso de quaisquer procedimentos de não-conformidade da empresa ou de outro técnico que trabalhe com a classificação, se for superada a tolerância prevista, a carga poderá ser rechaçada. Não há porque não ser rechaçada. Veja bem, não é uma abertura para fazer o que eles querem. Isso daí está claro. Nós temos que entender que precisamos criar uma consciência em todo o setor, em toda a cadeia. Não há porque colocar semente tratada em matéria que possa ser destinada ao mercado interno nem ao mercado externo.


Jornal Estado de Minas – Suplemento Agrícola – 28/06/2004
http://www.uai.com.br/em.html

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A suspensão temporária das compras de carnes brasileiras por Rússia e Argentina, após a descoberta de um foco de febre aftosa em Monte Alegre (PA), fez os exportadores brasileiros deixarem de embarcar, até ontem, cerca de US$ 36 milhões em carnes. Os prejuízos maiores são com a carne suína, já que a Rússia, o maior cliente do Brasil, suspendeu as compras desde o dia 18. No dia 23, foi a vez da Argentina, terceiro mercado para a carne suína brasileira, anunciar a suspensão das importações.

De acordo com o diretor-executivo da Abipecs (reúne exportadores de carne suína), Cláudio Martins, o país deixou de embarcar para Rússia e Argentina cerca de US$ 25 milhões, o equivalente a 20 mil toneladas. Os cálculos têm como base os embarques em todo o mês de maio, que somaram quase 50 mil toneladas.

Martins, que também é diretor da Abef (exportadores de frango), estima que as perdas com as vendas de frango somam US$ 3 milhões. Esse valor corresponde a um volume de 4 a 5 mil toneladas que o Brasil embarca para a Rússia num período de 10 dias.

No caso da carne bovina, a estimativa é de perdas de US$ 8 milhões em embarques que deixaram de ser realizados para a Rússia, segundo a Abiec (reúne exportadores de carne bovina). Os cálculos levam em consideração os embarques feitos entre janeiro e junho deste ano para o país, que totalizaram US$ 83 milhões.

O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Linneu da Costa Lima, se reuniu ontem em Moscou com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert, para negociar o fim do embargo à carne brasileira. Ainda não há previsão para a retomada dos embarques. As negociações prosseguirão hoje.

Uma fonte que teve contato com a missão brasileira disse que as negociações devem ter “desfecho positivo”. Segundo essa fonte, a reunião de hoje será técnica, para discutir a possível abertura do mercado brasileiro ao trigo russo.

Em Brasília, o secretário de Política Agrícola, Ivan Wedekin, disse que é possível liberar a importação de trigo da Rússia, desde que o produto atenda às exigências fitossanitárias e tenha preço competitivo. A liberação das importações de trigo da Rússia está sendo negociada como compensação para a reabertura do mercado russo às carnes do Brasil. “O Brasil precisa de trigo, não é auto-suficiente e nem será no curto prazo. Se tiver qualidade e preço, pode vir da Rússia, Ucrânia ou Argentina”, disse.

A análise de risco para o trigo russo já foi feita, no entanto, o Brasil quer informações sobre cinco ervas daninhas que atacam as lavouras da Rússia.

A secretaria de Defesa Agropecuária soube, por agências internacionais de notícias, do pedido da Associação Irlandesa de Criadores de Gado para que a União Européia suspenda a importação de carne bovina do Brasil, mas não recebeu nenhuma informação oficial de novos embargos.


Jornal Valor Econômico – 30/6/2004
http://www.valor.com.br

Alda do Amaral Rocha e Vinicius Doria De São Paulo e Brasília

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