PATRÍCIA ZIMMERMANN da Folha Online, em Brasília

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, confirmou hoje que a Rússia suspendeu a importação de carne bovina brasileira depois que o ministério divulgou haver foco de febre aftosa no Estado do Pará.

Rodrigues considerou “natural” a decisão da Rússia e disse que o governo brasileiro já enviou comunicado para a OIE (organização mundial de saúde animal) e para os países com quem o Brasil mantém relações comerciais.

A expectativa é a de que o problema seja resolvido rapidamente, disse o ministro.

Aftosa

Ontem, o Ministério da Agricultura confirmou que foi localizado um foco da febre aftosa no município de Monte Alegre, no noroeste do Pará. A localização acontece após 34 meses sem a identificação de casos no Brasil.

Como essa região já era considerada pelo próprio ministério como de alto risco para a doença, o gado do Pará não pode ser exportado nem circular por outros Estados.

No entanto, produtores e exportadores brasileiros dizem que o fato vai, no mínimo, atrapalhar esforços que o governo vinha fazendo para abrir os mercados japonês e americano para a carne fresca brasileira.

Folha Online – 18/06-2004
http://www1.folha.uol.com.br/folha

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Vinicius Doria Brasília

Apesar de o governo ter aumentado em 45% o volume de recursos para financiar a próxima safra, o Plano de Safra 2004/05 anunciado na sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não agradou ao setor privado. Enquanto a parcela para custeio e comercialização com taxas de juros subsidiados pelo Tesouro Nacional – R$ 17,7 bilhões – cresceu 7,9% em relação a 2003/04, o dinheiro disponível para os programas de financiamento com juros livres aumentou 121%, passando de R$ 5 bilhões para R$ 11,05 bilhões.

Para os representantes do agronegócio nacional, os recursos com juros controlados não são suficientes para atender as necessidades de financiamento do setor. “Ficou pior que o ano passado, isso pode afetar o futuro da produção brasileira”, disse Macel Caixeta, presidente da Comissão Nacional de Cereais e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Como os limites de crédito de custeio por produto continuam os mesmos (com exceção da cana-de-açúcar) e o custo de produção aumentou, Caixeta afirmou que, na prática, “está havendo redução dos recursos para custeio”.

Para o deputado federal Leonardo Vilela (PP-GO), da comissão de agricultura da Câmara, a redução do volume de crédito equalizado deve afetar a rentabilidade do produtor.

“Como o agronegócio vai bem, foi o que o governo pode fazer”, disse ao Valor o gerente-executivo de Agronegócio do Banco do Brasil, José Carlos Vaz. Ele explicou que mais de 90% dos produtores não vão utilizar o limite de crédito de custeio fixado para cada produto. Apenas os grandes produtores, agroindústrias e cooperativas precisarão buscar outras fontes de financiamento. “É uma forma de fazer com que o recurso do crédito rural vá para quem realmente precisa, que é o pequeno e o médio produtor”, justificou Vaz.

Uma das mudanças reforça esse entendimento. O governo limitou em R$ 10 milhões o montante de crédito que cada agroindústria poderá tomar em Empréstimo do Governo Federal (EGF), Nota Promissória Rural (NPR) e Duplicata Rural. Antes, o limite era de 50% da capacidade de beneficiamento da empresa.

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, reconheceu que “o governo não tem como atender toda a demanda”. Por isso ele aposta no investimento privado, que terá novas opções de papéis. O Certificado de Recebíveis do Agronegócio será emitido por empresas e bancos e lastreado em recebíveis como CPRs, promissórias e duplicatas. Já o Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e o Warrant Agropecuário (WA) são papéis que vão permitir que grandes investidores disputem produtos agropecuários com os tradicionais compradores. O CDA é um título de crédito que representa a promessa de entrega de determinado produto estocado. Já o WA confere direito de penhor sobre o produto do CDA.

Também serão regulamentados os contratos de opção privada. Esse papel evita que o governo seja obrigado a destinar recursos orçamentários para exercer a opção de compra, caso os preços não sejam atraentes no vencimento do contrato. Na opção privada, o Tesouro reserva apenas o recurso para pagar a diferença entre o preço de mercado e o preço de exercício da opção.

Ao preservar o Tesouro de gastos adicionais com subsídios, o governo conseguiu aumentar de R$ 27,15 bilhões para R$ 39,54 bilhões os recursos para financiamento da agricultura comercial na próxima safra. Os recursos para investimentos cresceram de forma considerável. São R$ 19,7 bilhões, aumento de 86,1% . O Moderfrota – Programa de Modernização da Frota Agrícola – fica com a maior parte: R$ 5,5 bilhões.

Os atuais preços mínimos foram mantidos para os principais produtos. Apenas os de importância regional, como castanha-do-pará e castanha-de-caju, tiveram seus preços mínimos corrigidos. No dia 28, será anunciada a programação de recursos para a agricultura familiar, que deverá atingir R$ 7 bilhões.

O professor Guilherme Dias , da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP ), não mostra otimismo com o aumento do crédito anunciado pelo governo. Ele observou que nem todo volume de recursos chegam ao produtor. “O governo não tem controle de todos os volumes de recursos”, disse. Na prática, segundo ele, o governo trabalha com parte dos recursos “virtual”, uma vez que não há um controle exato de quanto dos volumes das exigibilidades sobre a poupança irão para o crédito rural. “Boa parte dos recursos também está amarrado ao orçamento do governo.”

Neste ano, ao contrário dos últimas três safras, o cenário para grãos é de preços retraídos. “Não será tão fácil a liberação de recursos para os produtores, considerando que boa parte ficou endividada por conta dos problemas climáticos, por exemplo”, ponderou o especialista. (Colaboraram MS e AAR)

Jornal Valor Econômico – 21/6/2004
http://www.valor.com.br

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Da Redação


A Cobra , braço de tecnologia do Banco do Brasil, e a Associação Brasileira de Software Livre (Abrasol), estão lançando um programa semelhante ao Windows: o Freedows.

Sandro Henrique Nunes, presidente da Abrasol, esclarece que o Freedows é uma opção que reúne a economia e segurança do mundo Linux e o conhecimento de uso das plataformas da Microsoft. O novo sistema operacional exigiu investimentos de R$ 2 milhões e é voltado para o mercado corporativo. Para estimular as exportações, ele terá, em breve, versões em mandarim, inglês e espanhol.

A interface do Freedows é quase igual à do XP e ele pode de executar tanto os programas da Microsoft, a exemplo do Office, como os players de música e vídeo criados para o Linux. Apesar de ter código aberto, o programa não é gratuito. Para utilizá-lo, é preciso pagar uma taxa de contrato de serviço anual que dá direito a suporte e atualizações.

Maiores informações no site www.freedows.com.br
Jornal O Estado de São Paulo
http://www.estadao.com.br

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SANDRA MANFRINI e PATRÍCIA ZIMMERMANN da Folha Online, em Brasília


O Plano Safra 2004/2005, lançado hoje pelo governo, cria novos instrumentos de financiamento agrícola que devem atrair investimentos ao setor produtivo. Essa é a expectativa do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que afirmou hoje que os novos instrumentos vão “dar outra dimensão para a agricultura”.

Uma das novidades é o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), que é um título que poderá ser emitido por pessoas jurídicas do agronegócio, instituições financeiras e empresas de securitização para levantar recursos junto a investidores do mercado financeiro.

Além disso, será lançado o CDA (Certificado de Depósito Agropecuário), um papel representativo de promessa de entrega do produto agropecuário depositado em armazém, e o WA (Warrant Agropecuário), um título de crédito que confere direito de penhor sobre o produto descrito no CDA correspondente.

Os dois documentos são emitidos pelo armazenador a pedido do depositante e serão uma nova moeda para os produtores rurais, que poderão vender o certificado como se vendesse o produto ou levantar um empréstimo com o warrant.

“Estamos lançando um plano lastreado no conceito de que o Estado não pode ser um obstáculo ao crescimento da agricultura”, afirmou Rodrigues durante a solenidade de lançamento do Plano Safra.


Folha Online – 18/06-2004
http://www1.folha.uol.com.br/folha/

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