Da Redação

Biocombustíveis

A Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo formalizou, ontem, a criação da Câmara Setorial Especial de Biocombustíveis, que deverá uniformizar as propostas estratégicas para este setor, que inclui o álcool combustível e o biodiesel. O professor Miguel Dabdoub, do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas, da USP de Ribeirão Preto, presidirá a câmara e coordenará os projetos.

Prêmio Illy

As inscrições para o 14º Prêmio Brasil de Qualidade de Café, promovido pela torrefadora italiana Illy, começam hoje e se estendem até 8 de outubro. O prêmio foi criado para valorizar os melhores produtores de café do país. Serão distribuídos R$ 100 mil em prêmios para os 50 finalistas. Só podem participar os produtores de café arábica, de bebida fina, preparado por via seca (café natural) ou via úmida (cereja descascado).


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

De Washington e São Paulo


Uma onda de alívio percorreu o mercado financeiro ontem, depois que o Federal Reserve (o banco central americano) elevou a taxa básica de juro dos Estados Unidos de 1% para 1,25% ao ano. Foi a primeira alta em quatro anos, mas o mercado reagiu positivamente ao fato de o Fed ter atuado dentro do previsto e esclarecido que os próximos passos serão “comedidos”.

As bolsas americanas, que estavam em baixa, subiram. Nova York fechou em alta de 0,2%. O otimismo foi maior no mercado brasileiro, onde a Bovespa subiu 1,67%, voltando aos 21.148 pontos pela primeira vez desde 27 de abril. O dólar comercial fechou em baixa de 0,67%, a R$ 3,0870. Os juros caíram no mercado futuro e o risco Brasil recuou 0,62%, para 646 pontos.

O mercado também ficou animado com o fato de o Banco Central ter revisto para cima, de 5,2% para 6,4%, a previsão do IPCA para 2004, tacitamente indicando aceitar uma inflação acima do centro da meta, o que esvaziou o receio de uma eventual elevação da taxa básica (Selic).

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Raghuram G. Rajan, disse ao Valor que a economia brasileira está razoavelmente protegida por dois fatores principais: os sinais de crescimento e as reformas estruturais. “O Fed sinalizou a continuidade do gradualismo. Isso traz conforto especial aos países que mais sofrem com a volatilidade, como o Brasil”, disse Drausio Giacomelli, vice-presidente do JP Morgan. Só não se espera uma enxurrada de captações internacionais porque a maior parte das empresas brasileiras de primeira linha antecipou o lançamento de títulos ou está com excesso de liquidez. Além disso, não há demanda por crédito em dólares nos grandes bancos.

Fed promete ser comedido e tranqüiliza os mercados

Alívio – Sem surpresas, BC americano sobe juro básico de 1% para 1,25%

Tatiana Bautzer De Washington

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou ontem a taxa básica de juro dos Estados Unidos para 1,25% ao ano, animando os mercados financeiros com um texto informando que os próximos passos de sua política monetária serão “comedidos”. Logo após o anúncio da decisão, as bolsas, que estavam em baixa temendo indicações de uma postura mais drástica, voltaram a subir. Também recuaram as taxas de juros de títulos públicos, que haviam subido devido à incerteza em relação à atitude do Fed.

No texto explicativo da decisão, o Fed afirma que “embora alguns novos números de inflação estejam elevados, uma parte da alta nos últimos meses parece ter ocorrido por fatores transitórios”, o que leva o mercado a crer que o BC americano não reagirá de maneira brusca. “Com a expectativa de uma inflação relativamente baixa, o Comitê do Mercado Aberto acredita que a política (monetária) acomodativa pode ser removida num ritmo provavelmente comedido”, diz o Fed. A decisão de elevar a taxa foi unânime entre os 11 membros do Comitê.

Para o economista do Lehman Brothers em Nova York, Drew Mathus, a decisão foi “exatamente o que o mercado esperava, e a observação sobre fatores transitórios evita as preocupações com atraso do Fed na reação à inflação”. A reação positiva do mercado, que experimentou uma “alta de alívio” à tarde, reflete a menor possibilidade de acelerar o ritmo de alta dos juros para coibir a inflação. Com isso, as bolsas americanas subiram e os títulos do Tesouro de 10 anos chegaram a ser negociados projetando juro de 4,58%, bem abaixo da abertura, mas fecharam o dia cotados a 4,6%.

Apesar da tranqüilidade de ontem, o mercado estará muito atento aos próximos números da inflação nos EUA – e não apenas aos índices tradicionais, como o de preços ao consumidor e gastos pessoais. Também serão observadas as séries que indicam tendências no atacado, como o índice de preços do Institute of Supply Management (ISM), que subiu expressivamente em abril, mas recuou 2,27% em maio – o que mostra um exemplo de transitoriedade da alta citada pelo Fed. Portanto, índices de inflação acima do esperado poderão provocar mais turbulência.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, declarou que o governo americano vê a mudança com naturalidade e não teme desaceleração econômica. “A alta dos juros reflete o crescimento da economia e a geração de empregos.” O único efeito sobre a economia real parece ser, até agora, a redução na demanda por financiamentos imobiliários, que está em baixa há três semanas.

Vários analistas lembraram que o início da elevação de juros pelo Fed neste ano está ocorrendo de maneira bem diferente das decisões de 1994. Naquela época, apesar de mensagens cifradas enviadas pelo Fed em suas reuniões, o mercado não percebeu a mudança na interpretação do BC americano sobre a inflação e sofreu mais quando as taxas começaram a subir rapidamente. Desta vez, a percepção em relação à atitude do Fed foi mais precisa e os ajustes começaram bem antes.

O efeito sobre países em desenvolvimento está sendo positivo, ao contrário da reação em 1994, que culminou com a crise do México. O economista-chefe para a América Latina do Barclays, Jose Barrionuevo, acredita que “haverá um impacto mais limitado sobre as moedas de países emergentes”. Ele prevê que as empresas brasileiras e o governo terão novas oportunidades de captar recursos no mercado internacional entre julho e agosto, desde que haja sinais concretos de que o crescimento econômico é sustentável.


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Carlos Gil

Encontro virtual terá participação de profissionais de diversos países e faz parte da programação do 23º Congresso Mundial de Buiatria

A Universidade Anhembi Morumbi promoverá, no dia 16 de julho, às 9h30, uma web conferência sobre cirurgias em bovinos. O evento é gratuito e aberto a profissionais da área, mediante inscrição prévia. A conferência faz parte da programação científica do 23º Congresso Mundial de Buaitria, que será realizado em Quebéc – Canadá, de 11 a 16 de julho.

Na conferência virtual, profissionais especializados de países como Uruguai, México, França, Canadá e Marrocos, além do Brasil, debaterão as diferentes abordagens cirúrgicas em ruminantes. A organização está a cargo do Dr. Denis Harvey, da Universidade de Montreal, e do Dr. Maurício Garcia, Vice-Reitor da Universidade Anhembi Morumbi e médico veterinário buiatra. O mediador será o Dr. Neimar Roncati, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Anhembi Morumbi.

A duração prevista é de três horas e as palestras serão ministradas em língua inglesa. As vagas são limitadas. Os interessados em acompanhar a web conferência devem se inscrever pelo telefone 11-6090-4576.

Maxpress – 1/07/2004
http://www.maxpressnet.com.br/

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Lebna Landgraf


De acordo com levantamento, recém concluído, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a ferrugem asiática provocou perdas de cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja, na safra 2003/04. Associando o que deixou de ser colhido e os gastos com o controle químico (fungicidas e despesas com aplicação), o custo ferrugem foi de aproximadamente US$ 2 bilhões. “Esses valores representam praticamente o dobro de prejuízo levantado na última safra”, calcula o diretor presidente da Embrapa, Clayton Campanhola.

Antes da safra, foi detectado o surgimento de uma nova raça do fungo P. pachyrhizi, causador da ferrugem, o que provocou quebra de fontes de resistência. Isso inviabilizou o desenvolvimento de cultivares resistentes à ferrugem. Outro problema foi a presença contínua desse fungo na entressafra, em lavouras “safrinhas”, no Cerrado (BA, GO, MA, MG, MT, SP e TO). “Apesar disso, as chuvas irregulares e as temperaturas elevadas, no início da safra, evitaram a explosão da ferrugem. Além do mais, os produtores estavam de prontidão para fazer o controle químico”, diz o pesquisador da Embrapa Soja, José Tadashi Yorinori. De acordo com a Embrapa, na safra 2003/04, os estados mais atingidos com a ferrugem foram Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. No MT,
lavouras com cultivares precoces e irrigadas por pivô central ou sem irrigação foram pulverizadas até duas vezes. Em outras regiões, lavouras não tratadas ou tratadas com deficiência foram afetadas pela ferrugem, em diferentes graus de severidade. “Essas áreas também serviram de fontes de disseminação para áreas vizinhas, que tinham lavouras mais tardias”, explica.

No Paraná, segundo produtor de soja atrás apenas do MT, a progressão da doença foi impedida pela forte estiagem e altas temperaturas, em janeiro. De modo geral, os produtores controlaram adequadamente a doença. A maior redução da produção de soja no Estado foi causada pela
estiagem. A falta de chuva também foi a grande responsável pelas perdas econômicas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apesar de registros da ferrugem.

Dentre todos os Estados afetados, a Bahia foi o que apresentou maior eficiência no controle da doença. O esforço concentrado de órgãos de pesquisa pública e da iniciatica privada permitiu uma ampla divulgação do problema e das ações de controle a serem adotadas. “Além de todo o trabalho de divulgação, foi de fundamental importância a conscientização dos produtores e a pronta resposta com a adoção das medidas de controle”, aponta Tadashi.

Em outros estados onde as perdas foram elevadas, houve falta de informação ou de conscientização sobre os riscos potenciais por parte dos produtores e da assistência técnica no combate a doença. “Também detectamos que, ao final da safra, quando o problema tornou-se grave, houve falta de fungicidas e elevação exagerada dos preços dos produtos no mercado”, diz.

Pesquisa e assistência técnica Desde 2001, a Embrapa Soja e as instituições parceiras têm acompanhamento a evolução da doença, pesquisando e difundido as medidas de controle. Entre as principais ações estão: o acompanhamento da ocorrência da ferrugem durante a safra na entressafra; avaliação da eficiência de fungicidas no controle da ferrugem e orientações sobre o uso e momento correto da aplicação; pesquisas sobre fontes de resistência genética, avaliação da reação de linhagens e cultivares de soja à ferrugem, capacitação contínua de agrônomos, técnicos agrícolas e produtores de soja, através de cursos, treinamentos, palestras, dias de campo, atendimento de consultas telefônicas e pessoais e visitas a lavouras e, principalmente, informações sobre a ocorrência da ferrugem e providências a serem tomadas para controle, em tempo real, no Sistema de Alerta, na página da Embrapa Soja, na Internet.

Apesar dos esforços da pesquisa, até o momento, nenhuma cultivar mostrou-se suficientemente tolerante à doença. Atualmente, o controle químico é o mais eficiente, porém, seu uso eficaz e econômico depende: da capacidade de identificar a doença na fase inicial; do levantamento e
acompanhamento das primeiras ocorrências e da vistoria contínua das lavouras; da adequação da densidade de semeadura para maior penetração do fungicida na folha; da escolha correta do(s) fungicida(s), em relação a fase de desenvolvimento da soja e da severidade de infecção; da
observação das condições climáticas no momento da aplicação; da adoção de equipamento e tecnologias corretas de aplicação – tanto para tratamento aéreo como terrestre e da capacidade operacional para aplicação do fungicida no momento correto, principalmente, em períodos
chuvosos.


Maxpress – 1/07/2004
http://www.maxpressnet.com.br/

Compartilhe esta postagem nas redes sociais