Autoria:

Moacir José Sales Medrado é pesquisador e chefe-geral da Embrapa Florestas.
Vitor Afonso Hoeflich é pesquisador da Embrapa Florestas.
Alberto William Viana de Castro é pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

Contato:

Maria Paraguaçu Cardoso

EMail:

mariah@cnpf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(41) 3675-5742

Palavras-Chave:

sistema de inovação; ciência e tecnologia

Resumo:

Apesar do sistema regional de inovação na região Sul está, de certa forma, bem estruturado com excelentes instituições de pesquisa, acredita-se que o estabelecimento de índices C e amp;T e amp;I, compostos por indicadores sintéticos de áreas importantes como produção científica, base educacional, disponibilidade de recursos humanos qualificados, e amplitude e difusão das inovações empresariais pode ajudar , em muito, na elaboração de políticas específicas para cada estado. Em relação à inovação no setor florestal a falta de um plano estratégico e atual exige a criação de um Fórum de Gestores de C e amp;T e amp;I do na região para que se possa discutir uma governança da pesquisa florestal na região, que seja baseada em um entendimento de que a competição deve ser travada com outros institutos internacionais, principalmente no que tange à garantia de um nível tecnológico de ponta.

Corpo:

O sistema regional de inovação na região Sul está, de certa forma, bem estruturado com boas universidades federais e estaduais, IPPs e IPMs fortes, algumas empresas com departamentos de pesquisa funcionando, fundações de apoio à pesquisa (FAP) operantes e secretarias de ciência e tecnologia trabalhando de forma cooperativa para o desenvolvimento da região. Em função disso, a região sul tem conseguido estabelecer uma relação de troca com o Governo Federal através do Ministério de Ciência e Tecnologia sendo uma região que tem recebido bastante investimentos na área de C e amp;T e amp;I.

Acredita-se, no entanto, que seria muito interessante que os estados da região Sul estabelecessem seus índices C e amp;T e amp;I. Tais índices, compostos por indicadores sintéticos de áreas importantes como produção científica, base educacional, disponibilidade de recursos humanos qualificados, e amplitude e difusão das inovações empresariais podem ajudar , em muito, na elaboração de políticas específicas para cada estado.

Em relação à inovação no setor florestal a situação muda um pouco, pois temos um quadro em que a maioria dos IPPS e IPMs não têm planejamento estratégico e atual, com modelos mercadológicos em um regime de competição muito acentuado. É necessário, portanto, o estabelecimento de um Fórum de Gestores de C e amp;T e amp;I do setor florestal na região para que se possa discutir uma governança da pesquisa florestal na região, que seja baseada em um entendimento de que a competição deve ser travada com outros institutos internacionais, principalmente no que tange à garantia de um nível tecnológico de ponta.

Um outro aspecto a ser considerado é o fato de, da mesma forma que as empresas nacionais de outros setores, as empresas florestais têm uma baixa taxa de inovação. A inovação por processo suplanta em muito a inovação por produto e as demandas das empresas para IPPs e IPMs são na maioria das vezes para inovações incrementais. Em função disso, os IPPs e IPMs da região Sul trabalham em demandas muito pontuais e emergenciais, perdendo uma concepção e uma visão das linhas básicas de pesquisa de importância estratégica para o setor florestal no médio e longo prazos.

A predominância de recursos das empresas para o custeio dos IPMs e IPPs tem ocasionado uma concentração da pesquisa em alguns poucos segmentos do setor de base florestal (papel e celulose; e móveis; produção de produtos de valor agregado.). Em função disso, muitos segmentos tais como produção de serrados e de energia apresentam um e quot;gap e quot; tecnológico muito acentuado. Outro agravante é a concentração dos investimentos de pesquisa na área industrial em detrimento do investimento na produção da matéria-prima.

O investimento privado na pesquisa florestal da região ainda é baixo e pode ser atribuído ao grau de incerteza das empresas privadas do setor de base florestal, ao pouco entendimento da sociedade e dos políticos sobre a importância do agronegóci e, em especial, o florestal, para as economias locais, regional e nacional e pela desarticulação do sistema regional de inovação para o setor florestal.

Somente com a criação de um sistema organizado e coordenado de pesquisa florestal na região é que nós poderemos balancear as inovações incrementais com as radicais. Especificamente em relação aos IPMs, é importante considerar a necessidade desses institutos de se organizarem em conjunto com as universidades às quais estão ligados, para a realização de um plano estratégico que possibilite a prospecção de demandas de pesquisas básicas e estratégicas para o setor florestal. Uma outra ferramenta muito importante e que deve ser prestigiada é a Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA) que foi consolidada no âmbito do CT-Agronegócio, um dos fundos setoriais para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação do MCT. Essa rede tem como um dos principais objetivos do projeto o subsídio ao Comitê Gestor do Fundo Setorial de Agronegócio do MCT, formuladores de políticas públicas, definidores de prioridades. A Rede terá uma estrutura virtual, por meio de um portal nacional de oferta e demanda de tecnologias (http://www.ripa.com.br/) para o agronegócio; e uma estrutura física, com a implantação de um centro de referência em cada uma das cinco regiões. Na região Sul ele será a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná. O impacto que essa rede poderá causar será proporcional à atenção que os atores envolvidos no SIR, em especial aqueles que atuam direta ou indiretamente no agronegócio regional dispensarem a ela.

É essencial que se tenha claro que o Sistema de C e amp;T e amp;I para o setor de base florestal deva ser visto como um conjunto de organizações e instituições, sob coordenação do Estado e dentro de seu limite, seguindo os seguintes princípios:

  1. Considerar a especificidade das demandas e os arranjos produtivos locais;
  2. Estar sob a orientação da política industrial e de ciência e tecnologia dos estados;
  3. Respeitar as políticas fiscal, financeira, salarial, previdenciária, educacional e de saúde;
  4. Ter como objetivo a produção e a difusão efetiva de inovações para produção de produtos florestais madeireiros e não madeireiros para todos os tipos de produtores e empresas;
  5. Respeitar os preceitos do desenvolvimento sustentável.

Com o SIR estabelecido dever-se-á estabelecer de forma urgente um Plano Estratégico para o Setor Florestal Regional – PEF. Durante a elaboração do PEF é importante se estabelecer um entendimento entre os atores responsáveis pelo desenvolvimento florestal sustentável regional no sentido de selecionar regiões produtoras para o desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) que incluam pequenas, médias e grandes empresas florestais e se caracterizem por ter um número significativo de empreendimentos e de indivíduos atuando em torno de uma atividade produtiva predominante e que compartilhem formas percebidas de cooperação e alguns mecanismos de governança.

Em resumo, é importante que se proceda na região o estabelecimento de:

  1. Um Fórum de Diretores de IPPs e IPMs que desenvolvem pesquisa florestal na região;
  2. Um modelo de governança da C e amp;T e amp;I florestal na região;
  3. Um modelo de transferência de tecnologia para o setor florestal;
  4. Um programa estratégico para o setor florestal da região; uma fortalecimento da Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA) que foi consolidada no âmbito do CT-Agronegócio.
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Autoria:

Priscila Zaczuk Bassinello Pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão pzbassin@cnpaf.embrapa.br

Contato:

Priscila Zaczuk Bassinello

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pzbassin@cnpaf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

62 3533-2110

Palavras-Chave:

Arroz alimentação nutrição

Resumo:

O arroz é considerado o vilão das boas dietas. Entretanto, ao contrário do que se imagina, o cereal é altamente benéfico à saúde.

Corpo:

O arroz é considerado o vilão das boas dietas. Muitas pessoas acreditam que o grão não possui nutrientes e só faz encher a barriga. Por isso, o produto é um dos primeiros a ser cortado do cardápio de quem quer emagrecer. No entanto, essa idéia, apesar de bastante difundida, não condiz com a realidade.

As recomendações para uma vida saudável incluem a adoção de uma alimentação equilibrada. Produtos de origem animal, como carnes, ovos, leite e seus derivados, devem ser ingeridos com moderação, ao passo que frutas e legumes podem ser consumidos em maior quantidade. Os cereais estão também inclusos neste último grupo, do qual faz parte o arroz.

O grão é rico em proteínas, sais minerais e vitaminas do complexo B. A título de exemplificação, a ingestão de 100 gramas de arroz cozido (cerca de quatro colheres de sopa) por crianças na faixa etária de 1 a 5 anos de idade é capaz de suprir as necessidades diárias de 14% em proteínas, 6% em cálcio, 3% em ferro e 10% em zinco.

Além disso, o cereal é uma excelente fonte energética de baixa caloria. Enquanto uma xícara de arroz (120 gramas) possui 270 quilocalorias, um sanduíche x-salada tem em média 490 quilocalorias e uma embalagem de macarrão instantâneo, 445 quilocalorias.

Portanto, o que geralmente engorda é o consumo de alimentos pouco nutritivos e altamente calóricos muitas vezes utilizados para substituir o arroz ou as refeições tradicionais.

É certo ainda que o arroz branco polido, costumeiramente ingerido pelo brasileiro, perde grande parte de seus nutrientes durante o processamento industrial, preservando carboidratos e proteínas.

A despeito disso, felizmente, esta não é a única forma possível de saborear o cereal. Vale lembrar que a combinação típica do arroz com feijão eleva a qualidade nutricional do produto.

Há também o grão integral que conserva todos os nutrientes do arroz e, quando bem feito, torna-se tão soltinho e gostoso quanto o produto convencional. Existe ainda o arroz parboilizado, cujos grãos passam por um tratamento hidrotérmico que ajuda a manter o valor nutritivo, assim como no caso do arroz integral.

E quem pensa que o produto só vai à mesa na forma de grãos se engana. Atualmente, o farelo do arroz, um subproduto da industrialização, é utilizado na elaboração de cereais matinais, bolachas e pães.

Existe até uma empresa em Santa Catarina que usa a massa alimentícia do arroz para produzir um tipo de macarrão consumido por descendentes de países asiáticos no Brasil. A vantagem deste produto sobre aquele feito a partir do trigo é justamente não conter glúten, o que permite sua apreciação por celíacos.

Um outro uso industrial é o amido de arroz acetilado, um espessante empregado para reduzir o teor de gordura de alguns biscoitos fritos. Isso porque a substância tem a propriedade de diminuir a absorção de óleo durante o preparo do alimento.

Um exemplo adicional vem de uma empresa de Los Angeles (EUA), que mistura a farinha do arroz aos populares chips. Com isso, a companhia conseguiu melhorar a textura do produto comercializado, tornando-o mais crocante e macio e não quebradiço e duro.

A classe médica, por sua vez, tem chamado a atenção para uma outra característica do arroz. Alguns profissionais apontam uma função terapêutica, a saber, o auxílio no combate à diabetes. Isso é atribuído ao modo lento e gradual em que o cereal é absorvido pelo organismo, apresentando baixo índice glicêmico.

Inclusive, o farelo de arroz, desde que se procedam ajustes em sua conservação, poderia virar ingrediente da farinha multimistura, uma opção barata e eficaz para reverter a desnutrição de crianças atendidas pela Pastoral da Criança no Brasil.

Enfim, nada depõe contra o arroz para lhe conferir a má fama. A percepção errônea disseminada por várias pessoas não se sustenta sob argumentos e tem sua origem em algo infelizmente bastante comum: mero preconceito.

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Autoria:

Moacir José Sales Medrado
Chefe Geral da Embrapa Florestas, Engenheiro Agrônomo, Doutor em Agricultura, Especializado em Planejamento Agrícola e em Manejo de Agroecossistemas.

Contato:

Maria Paraguaçu Cardoso

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mariah@cnpf.embrapa.br

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(41) 3675-5742

Palavras-Chave:

financiamento; setor florestal

Resumo:

As florestas têm importantes papéis social, econômico e ambiental . Devido a sua exploração muitas vezes feita de forma desordenada faz com que estas sofram grande pressão o que acaba contribuindo para a degradação ambiental.

Para tentar reverte esse quadro, tem se promovido muitas iniciativas naionais e internacionais visando tanto à conservação integral comoi ao manejo sustentável da floresta (MSF).

Abstract:

Corpo:

As florestas, sistemas produtivos dinâmicos e produtores de bens e/ou serviços, têm importantes papéis social, econômico e ambiental. A Embrapa Florestas reconhece que elas têm sofrido intensas pressões levando-as, muitas vezes, à degradação. Em função disso, têm-se promovido muitas iniciativas nacionais e internacionais visando tanto à conservação integral como ao manejo (conservação e uso) sustentável das florestas (MFS), que significa a utilização de bens e serviços da floresta de forma adequada, permitindo às gerações futuras a mesma oportunidade.

Essa noção de MFS foi fortalecida durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (United Nations Conference on Environment and Development – UNCED), realizada no Rio de Janeiro em 1992. Nela, líderes mundiais, admitindo a degradação de grande parte das florestas mundiais e a importância dos serviços da floresta, concordaram sobre a necessidade do estabelecimento imediato de regimes de manejo florestal sustentáveis em todas as florestas do mundo.

Três anos após a realização da UNCED, a Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (United Nations Commission on Sustainable Development – CSD) estabeleceu o Painel Intergovernamental sobre Florestas (Intergovernamental Panel on Forests – IPP) cujo relatório final, em 1997, destacou a insuficiência de recursos nos países em desenvolvimento para a promoção do manejo florestal sustentável de suas florestas e a necessidade de que os organismos multilaterais, além de explorarem de forma inovadora os mecanismos de financiamento existentes, gerassem novas fontes de recursos. Em seguida foi criado o Fórum Intergovernamental sobre Florestas (Intergovernamental Forum on Forests – IFF) para dar seguimento às propostas do IPP, incluindo aquelas sobre recursos para financiamento.

As necessidades de investimentos no setor florestal são inúmeras e englobam os custos com conservação das florestas, com o manejo das mesmas para produção de serviços ambientais e/ou para produção de bens materiais, para recuperação e restauração de florestas; com a implantação de plantações florestais com o objetivo de complementar a produção de bens pelas florestas públicas e privadas de uso sustentável e com a transformação industrial da matéria-prima para agregação de valor. Em muitos países, no entanto, há necessidade de investimentos também para construção e/ou fortalecimento de instituições florestais nacionais e, ainda, para pesquisa, educação, extensão rural e desenvolvimento de mercados.

Historicamente, o financiamento tanto dos investimentos comerciais quanto dos não comerciais tem sido feito com base nos recursos públicos ou privados do país (recursos domésticos) ou do exterior (recursos externos). A aplicação de um ou de outro recurso tem sido muito variável.

O investimento público já teve muita importância no financiamento do setor florestal dos países em desenvolvimento como o Brasil. Hoje, devido a instabilidades econômicas ocasionadas, dentre outros motivos, por crises mundiais e por políticas equivocadas, a maioria desses países, inclusive o Brasil, encontra-se com elevadas dívidas externas, graves problemas em seus balanços de pagamentos gerando insuficiência de recursos para investimentos no setor.

Da parte do setor privado, o investimento depende do balanço que os investidores fazem entre oportunidades, como, por exemplo, a demanda por produtos da floresta tende a aumentar com o aumento da população e de renda, elevada liquidez em estandes comerciais e, por último, o investimento pode funcionar como uma poupança-verde, além da elevada prioridade dada pela área econômica dos governos dos países em desenvolvimento às atividades agrícolas e pecuárias em detrimento das atividades florestais, riscos inerentes à própria atividade, tais como incêndio e pragas baixa liquidez em estandes pré-comerciais, instabilidade das políticas regulatórias do setor, concorrência desleal entre madeira produzida por empresas de MFS e madeira oriunda de desmatamentos regulares ou de atividades ilegais.

O fato é que, hoje, o setor de base florestal brasileiro, após um período incentivado que levou a uma ampliação da área plantada brasileira para cinco milhões de hectares, passa por uma crise de abastecimento devida, em grande parte, ao aumento do número de empresas demandadoras de matéria-prima sem que houvesse incentivos para o respectivo aumento anual da área plantada.

Assim, novas fontes e mecanismos para financiamento do desenvolvimento do setor florestal deverão ser pensados. Certamente, nos tempos atuais, a inovação de mecanismos de investimento deverá passar por uma adequada valoração de bens e serviços produzidos pelas florestas públicas e por reformas nas políticas macroeconômicas tais como: deduções em impostos, melhoria na política de exportação, políticas industriais para o setor, diminuição das taxas de juros, linhas de financiamento mais adequadas e a entrada do mercado de capital como mecanismo de financiamento do setor.

Outros mecanismos que possibilitem o aumento do retorno do investimento privado e, ao mesmo tempo, a redução dos riscos e incertezas das operações florestais e que eliminem ou reduzam significativamente os problemas de fluxo de caixa em função do período de gestação dos investimentos florestais também são imprescindíveis. Para minorar os problemas com as taxas de retorno poderão ser trabalhados subsídios fiscais e incentivos, além de proporcionar pesquisa e assistência técnica pública para aumentar a produtividade e a eficiência dos projetos.

A redução dos riscos e incertezas poderá se dar através de programas de seguros e de mecanismos contratuais entre empresas demandadoras de matéria-prima e plantadores florestais. Por sua vez, os problemas de fluxos de caixa poderão ser resolvidos com a concessão de empréstimos com longos períodos de carência e e quot;payback e quot;, arranjos contratuais entre compradores e produtores de matéria-prima e mesmo com o mercado de carbono.

Como fontes de recursos para o setor de base florestal pode-se considerar:

  1. Fontes públicas dos municípios, estados ou do governo federal;
  2. Fundos privados ou de natureza público-privado;
  3. Mecanismos poluidor-pagador (taxas sobre combustíveis; taxas sobre cigarros, dentre outros);
  4. Mecanismos consumidor-pagador (consumo de água; consumo de energia);
  5. Associação de empresas nacionais com empresas estrangeiras (Joint enterprises);
  6. Instrumentos de mercado de capital;
  7. Fundos internacionais do tipo GEF;
  8. Capital de risco;
  9. Mercado de carbono;
  10. Uso de microcrédito a partir de recursos públicos ou privados.
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Autoria:

Vitor Afonso Hoeflich
Pesquisador da Embrapa Florestas

Moacir José Sales Medrado
Pesquisador e Chefe-geral da Embrapa Florestas

Contato:

Maria Paraguaçu Cardoso

EMail:

mariah@cnpf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(41) 3675-5742

Palavras-Chave:

investigação científica; setor florestal

Resumo:

O agronegócio florestal brasileiro contribui consideralvemente para o PIB nacional e tem grande importância nas exportações brasileira, com mais de US$ 4 bilhões (8% do agronegócio) e contribui com 3 bilhões de dólares em impostos, ao ano, arrecadados de 60.000 empresas. E a demanda por produtos de base florestal cresce a cada ano, constituindo-se, assim numa grande oportuindade de negócios. Por outro lado, o setor vem sendo responsabilizado pela crescente degradação ambiental.

Por isso tornou-se imperioso que o setor florestal busque respostas efetivas sobre como manter o consumo de matéria prima sem degradar as florestas naturais.

A sustentabilidade produtiva do agronegócio florestal exigirá a difusão e incorporação das modernas tecnologias ao processo produtivo passando, necessariamente, pelo estabelecimento de um sistema de informação florestal que democratize os conhecimentos disponíveis e pela ampliação dos investimentos dos setores públicos e privados na pesquisa.

Abstract:

Corpo:

O agronegócio florestal brasileiro, gera mais de seis milhões de empregos, contribui com mais de US $ 20 bilhões para o PIB, exporta mais de US$ 4 bilhões (8% do agronegócio) e contribui com 3 bilhões de dólares em impostos, ao ano, arrecadados de 60.000 empresas.

Vale ressaltar que o setor, além de empresas e produtores florestais eficientes, engloba outros com baixo nível tecnológico e plantas industriais que operam com baixíssimos rendimentos gerando, muitas vezes, resíduos prejudiciais ao meio-ambiente. Essa situação tem imputado ao agronegócio florestal, responsabilidades sobre o processo de degradação ambiental muito superiores ao que efetivamente representa. Assim, é imperioso informarmos às sociedades brasileira e mundial, que há disposição do setor e formas de utilização sustentáveis dos recursos florestais.

Análises sobre o setor florestal mundial têm indicado as seguintes perspectivas:

a) crescimento médio de 2% aoano.;

b) diminuição da utilização de madeira oriunda de florestas naturais tropical;

c) aumento da madeira de origem de florestas plantadas;

d) restrições ambientais;

e) ampliação da competição com outras commodities;

f) crescimento de exigências de mercado, tais como qualidade do produto e certificação de origem, entre outras.

Em função do aumento da população e do consumo per-capita, estima-se um consumo de madeira no mundo da ordem de 1,6 bilhão de metros cúbicos/ano, havendo projeções para 2050 (FAO) de 2 a 3 bilhões de m3 /ano com um aumento aproximado de 60 milhões de m3, ao ano.

Esses dados levam o setor a buscar respostas efetivas sobre como manter o consumo de matéria prima sem degradar as florestas naturais e, ainda melhorando a sua imagem. A resposta natural é: aumentando-se a eficiência e eficácia da produção, da exploração e da conversão da matéria-prima. Isto englobará a melhoria da condução e exploração de plantações florestais e da exploração madeireira em florestas naturais, além da geração de tecnologias para produção de novos produtos que possibilitem um maior aproveitamento por árvore, aproveitamento de resíduos e reciclagem. Ocorrerá um avanço crescente na utilização de fibras de base florestal replantada, de fibras recicladas e de mistura de fibras.

A sustentabilidade produtiva do agronegócio florestal exigirá a difusão e incorporação das modernas tecnologias ao processo produtivo passando, necessariamente, pelo estabelecimento de um sistema de informação florestal que democratize os conhecimentos disponíveis e pela ampliação dos investimentos dos setores públicos e privados na pesquisa. A capacitação tecnológica poderá ser dinamizada através da promoção de programas de parcerias e associações entre produtores brasileiros, de incentivos a convênios de cooperação do setor com institutos e empresas nacionais internacionais, da promoção de programas de intercâmbio técnico com outros países, da maior interação com institutos de pesquisa nacionais, públicos e privados, e de incentivos às carreiras de pesquisa na área (mestrado e doutorado), da divulgação de técnicas de manejo silvicultural e prestação de serviços de assistência técnica aos médios e pequenos produtores, através da ação dos institutos de pesquisa das universidades e do governo, e da criação de centros de formação profissional de nível médio.

A modernização das florestas plantadas e a melhoria do manejo sustentado para produção madeireira em florestas naturais deverão ser efetivadas com a utilização de práticas de exploração de baixo impacto, melhor planejamento na condução dos procedimentos silviculturais e melhores tratamentos pós-colheita. Especificamente nas florestas naturais, as boas práticas de manejo deverão se basear na redução de danos ao estande inicial, na melhoria da regeneração natural e na diminuição do intervalo entre colheitas sem prejuízo à sustentabilidade. Nos dois tipos de exploração, o respeito ao meio ambiente refletido no bom uso dos recursos naturais, no cuidado com a biodiversidade e na utilização de sistemas de produção certificados por entidades independentes que incorporam além da preocupação da produção ambientalmente correta a necessidade da produção socialmente adequada, serão preocupações obrigatórias.

Vale salientar que em regiões onde não existe uma concentração de empresas verticalizadas, a pesquisa pública tem uma importância fundamental. Em grande parte do nordeste brasileiro, por exemplo, quando se busca plantar florestas não se dispõe das informações mínimas sobre espécies para as diferentes regiões. Pior ainda quando se busca informação sobre o manejo da Caatinga que demanda informações básicas do potencial de regeneração natural da vegetação.

No campo da indústria será importante o desenvolvimento de novos produtos e o aumento da eficiência produtiva com redução de custos, garantia de qualidade, plantas eficientes. Haverá importantes inovações. Para energia e para papel e celulose, por exemplo, o setor, utilizará ferramentas tradicionais de melhoramento e fará uso da genética genômica, com o apoio das instituições de pesquisa, para ampliarem o rendimento da matéria prima. Também será ampliado o uso de processos de reciclagem pela forte pressão da sociedade e pela sua aceitação de papéis de menor alvura em troca da redução do lixo sólido . Importante será a ampliação dos processos que possibilitem produzir mais produto por árvore, transformando a matéria prima em produtos como OSB, MDF, e outras formas de chapas e laminados. A busca de tecnologias relacionadas à mistura de fibras celulósicas curtas e longas e de outros tipos de fibras, de molde a obter qualidades diferenciadas e específicas, com uma combinação de propriedades de resistência e maciez e um grau intermediário de alvura nos produtos será outro ponto a ser buscado. Essas tecnologias poderão reduzir a quantidade de matéria prima oriunda de florestas naturais.

Uma tendência importante a ser considerada é a diminuição das áreas próprias das indústrias em função da preocupação com os movimentos sociais de trabalhadores sem terra. Isto fará com que sejam ampliados mecanismos de integração ou outras formas de incentivo a que pequenos produtores possam fazer a produção da matéria prima. Isto abrirá uma nova frente de pesquisa para produzir tecnologias adaptadas a esses pequenos produtores.

Resumindo, principalmente neste século, a valorização da investigação científica será fundamental para o agronegócio florestal pois, certamente, sua sustentabilidade dependerá de que sejam feitos investimentos do lado da produção na sua sustentabilidade incorporando aspectos como: manutenção da biodiversidade; sustentabilidade dos sítios; certificação da matéria-prima; do lado da indústria na produção com baixo custo energético; no aproveitamento dos resíduos do processamento, na geração de produtos poupadores de matéria-prima; na ampliação dos processos de reciclagem;do lado da gerência na formação do seus capital humano considerando a responsabilidade social e a responsabilidade ambiental e do lado do mercado no uso de técnicas de cenários e relacionamento com grupos de consumidores organizados.

Todo este esforço dependerá fundamentalmente da investigação científica e da geração e apropriação de tecnologias modernas. Cabe a nós brasileiros definirmos que modelo de relacionamento pesquisa e segmento empresarial deveremos seguir. Acreditamos que além da importância da pesquisa nacional no desenvolvimento de tecnologias silviculturais e industriais é importante a incorporação de investigadores da área de administração a fim de possibilitar a que elas possam atualizar seus modelos gerenciais incorporando princípios de administração modernos, tais como: interdependência, valorização da sustentabilidade, valorização do comportamento ético, eficiência ecológica, busca contínua de oportunidades de crescimento, criatividade, recompensa ao corpo funcional, certificação independente e relacionamento com consumidores e com a comunidade.

Dadas as condições nacionais, devemos optar por um modelo misto tanto em relação aos recursos financeiros quanto à própria execução da pesquisa. Os recursos públicos deverão ser direcionados para a investigação em linhas que contemplem a sustentabilidade ambiental, o zoneamento florestal e a silvicultura enquanto que o setor privado deve financiar em maior escala aquelas linhas de pesquisa que dizem respeito à sustentabilidade econômica das atividades florestais.

A atividade florestal com base tecnológica adequada aos conceitos modernos de sustentabilidade é investimento econômico, promove a segurança social, e conserva o meio ambiente. Com o apoio da ciência e a tecnologia melhorando os processos de produção e industrialização da matéria-prima e, também, gerenciais têm prestado importantes contribuições para o agronegócio. No Brasil, onde a produtividade média é de 25 m3/ha/ano, essa contribuição permitiu, que algumas empresas obtivessem produtividades superiores a 40 m3/ha/ano, enquanto que Finlândia, Portugal, Estados Unidos e África do Sul conseguem apenas produtividades médias em suas florestas na ordem de 5, 10, 15 e 18 m3/ha/ano, respectivamente.

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