Américas sem aftosa em 5 anos

Será entregue em Washington (EUA), no dia 1.º, o plano de erradicação da aftosa nas Américas, do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa nas Américas (Giefa). O texto será entregue à diretoria da Organização Panamericana de Saúde, Mirta Roses Periagro, e prevê a erradicação da febre aftosa em cinco anos, a partir de 2005.
Os dois casos recentes de aftosa em bovinos no Brasil, um no Pará e outro no Amazonas, embora tenham ocorrido em regiões onde a pecuária de corte exportadora não tenha importância econômica, abalaram as exportações de carne bovina do País. A Rússia, por exemplo, embargou as compras de carne bovina brasileira por causa desses focos. “A estratégia traçada no plano, no que diz respeito ao Brasil, tratou com mais atenção o Norte e Nordeste, por causa desses focos recentes”, diz o consultor do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal, vice-presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte e membro do Giefa, Sebastião Guedes.
Para erradicar, até 2010, a aftosa de áreas consideradas carentes e sem recursos, como o Norte e Nordeste do Brasil, além do Chaco Boliviano, e Equador, entre outras regiões sensíveis no continente sul-americano, Guedes informa que seriam necessários US$ 45 milhões. “Esses recursos viriam de um fundo internacional, alimentado até por países que têm o maior interesse em erradicar a aftosa das Américas, como Estados Unidos, Canadá e México”, diz.
“Poderia haver também recursos dos abates”, ressalta o presidente do Fórum Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. “Se esses recursos não forem criados, regiões que não trazem tanto retorno econômico no que diz respeito à pecuária de corte podem pôr todo um trabalho a perder”, ressalta Antenor Nogueira.
Tânia Rabello

Fonte: O Estado de São Paulo

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Apagão florestal: uma triste realidade no Brasil

A crise no suprimento de madeira no Brasil é uma realidade e vai se agravar nos próximos anos. Apesar dos alertas que os especialistas têm feito sobre esse fenômeno desde o início da década de 90, o setor público e a iniciativa privada não deram, até o momento, a devida importância ao assunto e nenhuma medida efetiva foi tomada para evitar essa situação. A tendência é que a falta de madeira aumente nos próximos anos, pois a expansão da área florestal não está acompanhando o ritmo de crescimento do consumo.
Os números não deixam dúvidas: em 2003, o déficit de madeira na região Sudeste foi de aproximadamente 11,3 milhões de metros cúbicos para tora de Pinus. Na região Sul, onde está concentrada a maior demanda, o déficit é ainda maior: 12,3 milhões de metros cúbicos. Para 2020 é esperado um déficit de 27 milhões de metros cúbicos, somente em toras de Pinus, segundo dados da Conselheira Luciana, que também é PhD em Bioquímica e especialista em biotecnologia vegetal, proteínas relacionadas a patogênese, defesa vegetal e biodiversidade.
Durante a realização do 8º Congresso Florestal Brasileiro, em São Paulo, foi demonstrado que o Brasil, a despeito de ter o segundo maior patrimônio florestal do planeta (a Rússia ocupa o primeiro posto) e de obter os mais elevados níveis de produtividade de florestas plantadas no mundo, importou da Argentina, em 2002, 35 mil metros cúbicos de madeira, sete vezes mais que em 2001. Em 2003, a previsão de importações era de 65 mil metros cúbicos.
É hora, portanto, de o setor público mostrar visão estratégica na condução da política florestal nacional. Até agora os sinais não são bons, mas cabe ao setor privado dialogar com o governo e cobrar uma estratégia que diminua os impactos do apagão florestal que se intensificará nos próximos anos, o que certamente comprometerá a competitividade da indústria florestal brasileira. Qualquer ação que seja tomada precisa ser rápida e eficiente dando tempo necessário para maturação de novos plantios.
Os incentivos ao reflorestamento, além de contribuírem para reduzir o impacto negativo do apagão florestal que se desenha, poderiam contribuir para a diminuição da pressão sobre espécies florestais nativas para fins madeireiros e produção de carvão vegetal para energia. A redução da oferta de madeira, além de afetar o preço da matéria-prima, afeta a competitividade da indústria florestal, comprometendo seu desenvolvimento como gerador de riquezas para o país. A sustentabilidade e a competitividade da indústria florestal dependem da expansão da base florestal.
O setor florestal brasileiro exerce um preponderante papel na economia nacional, movimentando US$ 20 bilhões (4% do PIB nacional) e gera 2 milhões de empregos diretos. Em relação às exportações, o setor proporciona divisas da ordem de US$ 5,4 bilhões, o correspondente a 10% de tudo o que o país exporta. Os impostos recolhidos com o setor estão na ordem de US$ 2 bilhões. Dados de 2001 mostram que no Brasil tinha 4,8 milhões ha plantados com Eucalipto e Pinus. Em agosto deste ano (2004), as exportações brasileiras de produtos florestais totalizaram US$ 504,104 milhões.
A silvicultura brasileira é considerada uma das mais evoluídas do mundo. A tecnologia empregada, aliada às condições edafo-climáticas, tem resultado em florestas com produtividade superior à de outros países produtores. A qualidade também tem sido demonstrada através das certificações ISOs e outras, que a grande maioria das empresas do setor possui.
O avanço das pesquisas é um aspecto promissor. O desenvolvimento de clones é bastante grande, principalmente em eucaliptos, adaptados às diversas situações de clima e de solo que o país apresenta. Isso tem propiciado alta produtividade em praticamente todas as regiões produtoras. Como ferramenta auxiliar aos programas de melhoramento florestal, alguns centros brasileiros desenvolvem pesquisas na área de biotecnologia moderna.
No Brasil desenvolvem-se dois projetos genomas de Eucalyptus, um em consórcio do Governo Federal e empresas do setor florestal e outro financiado pela FAPESP, com contrapartida das empresas do setor. A silvicultura está investindo em pesquisa tanto quanto a agricultura. Hoje a silvicultura é encarada como uma cultura de café, algodão, feijão, etc, isto é, a preocupação com a tecnologia, controle de qualidade e sustentabilidade, é muito alta.
Quando comparado com outros países produtores, o Brasil tem um custo de produção bastante baixo, isto é, o custo da madeira no ponto de corte, é relativamente baixo. Por isso, podemos dizer que já agregamos muito valor a nossos produtos, quando comparados à madeira in natura. Hoje temos vários produtos de base florestal, como por exemplo a celulose, papel, aglomerados, fibras de baixa, média e alta densidade, móveis, madeira serrada, carvão, etc. Se verificarmos os valores comerciais desses produtos, observamos que a agregação de valor é bastante alta, com altas variações entre os produtos citados. A tecnologia empregada hoje, principalmente na secagem, tem gerado madeiras serradas de alto valor agregado, principalmente na confecção de móveis de alto padrão, coisa que não acontecia no passado recente.
Atualmente, o Brasil ocupa o primeiro lugar em área florestal certificada em toda a América Latina, tendo ultrapassado a Bolívia. São em torno de 2,3 milhões de hectares de florestas certificadas, sendo 1,3 milhão em hectares de florestas naturais na Amazônia e outro um milhão de hectares de plantações em outras partes do país, principalmente de Pinus e Eucalipto.
Tempos atrás, existia uma percepção de que o setor florestal estava vinculado à degradação ambiental. Esta opinião tem sido modificada e atualmente existem fortes evidências, baseadas em estudos científicos, de que a degradação ambiental tem grande correlação com a pobreza, que leva à exploração não-sustentada dos recursos, incluindo a conversão do uso do solo (desmatamento) para outras atividades, em particular para a agricultura itinerante e não-sustentada.
Hoje acredita-se que a atividade de base florestal contribui para a sustentabilidade das florestas. A madeira é um produto renovável e se destaca nas formas mais modernas de análise ambiental, como por exemplo na análise do ciclo de vida. A principal importância desses investimentos é a diminuição da pressão sobre áreas nativas, com o aumento de oferta de madeira de florestas de rápido crescimento. Outro importante investimento seria para o reflorestamento com espécies nativas para fins de reposição florestal e preservação de rios com matas ciliares.
Autora
Luciana Di Ciero, engenheira agrônoma da Esalq e Conselheira da Pró-Terra – Associação Brasileira de Tecnologia, Meio Ambiente e Agronegócios

Betania Lins
betania.lins@printeccomunicacao.com.br

Fonte
Pró-Terra
http://www.proterra.org.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Exportações de maçãs dobram e atingem novo recorde histórico

Os produtores brasileiros de maçã devem colher neste ano o melhor resultado de sua história. O volume – e as receitas – com exportações dobraram neste ano, na comparação com o anterior, e o consumo per capita deve crescer pela primeira vez desde 2002.
Neste ano, o Brasil exportou 152,77 mil toneladas, o dobro das 76,18 mil toneladas embarcadas em 2003. Em receita, o total chegou a US$ 68,8 milhões. As exportações ocorrem entre janeiro e junho, pico de compras da Europa, maior cliente brasileiro e responsável por quase 90% do exportado pelo País.
“As vendas cresceram e tomamos da Argentina o posto de quarto maior exportador mundial”, diz Pierre Pérès, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçãs. Para 2005, as exportações podem chegar a 170 mil toneladas.
O “boom” das exportações só foi possível graças à quebra da safra européia e a uma lenta, porém sólida migração do consumo para variedades de maior valor agregado. “Os europeus estão diminuindo o consumo da variedade red delicious e aumentando as compras da gala”, diz Pérès. A gala é de tamanho menor e, ao contrário da red delicious, não tem textura farinhosa. “A textura farinhosa afasta o consumidor”. Em 2004 a Europa, que historicamente importa 700 mil toneladas de maçãs por ano, elevou as compras em 30%, para 900 mil toneladas.
A previsão de crescimento da economia brasileira está animando os produtores. “O consumo é sensível ao desempenho da economia. Quando a economia cresce, o consumo vai atrás”, diz Pérès.
Índice da maçã
O consumo brasileiro, que durante anos ficou estável em 3 quilos por habitante, subiu para 5,5 quilos um ano após a implantação do Plano Real. Seguindo a mesma lógica, no ano da desvalorização da câmbio, em 1999, o consumo recuou para 5 quilos. “Acompanhar o consumo de maçã é uma maneira interessante de se medir a temperatura da economia”, diz Arival Pioli, diretor da Fischer Fraiburgo, maior produtora e exportadora de maçãs do País.
Com a recuperação da economia neste ano, prevê-se que o consumo volte a 5,5 quilos por habitante. “Se a economia continuar crescendo, em três anos o consumo poderá alcançar 7 quilos”, diz Pioli. “A recomendação de médicos nos EUA é de que o primeiro líquido que o bebê deve ingerir quando seca o leite materno é o suco de maçã”, afirma. “Os brasileiros precisam investir no marketing da fruta”.
Uma das iniciativas para aumentar o consumo é uma parceria com o McDonald’s, por meio da qual, desde outubro, a maçã foi incluída em definitivo no cardápio do McLanche Feliz, voltado para o público infantil. “Desenvolvemos o novo cardápio com aval da Sociedade Paulista de Pediatria. Gostamos tanto que ampliamos para a refeição de nossos 30 mil funcionários”, diz Daniel Arantes, diretor de marketing do McDonald’s.
Lucia Kassai
Fonte: Gazeta Mercantil

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Europa aprova milho da Monsanto para humanos

A União Européia (UE) aprovou uma variedade de milho transgênico da Monsanto para consumo humano. A decisão é uma tentativa de ampliar o mercado de organismos geneticamente modificados (OGMs) após uma moratória de seis anos e atenuar a disputa que está em andamento na Organização Mundial de Comércio (OMC).
O milho que foi liberado, conhecido como N603, poderá ser utilizado em biscoitos e na fabricação de amido. Em julho passado, o mesmo milho foi aprovado para ração animal. A decisão foi comemorada pela Monsanto, porque foi a primeira aprovação concedida para a empresa após um longo jejum de seis anos.
Vale lembrar que a autorização só foi concedida quando os 25 países membros decidiram transferir o poder de decisão sobre transgênicos para a Comissão Européia (CE), a autoridade de comércio da UE. Antes, a decisão estava na mão de cada um dos países membros.
A CE tenta acelerar as aprovações da UE para alimentos transgênicos, incluindo diversos desenvolvidos pela Monsanto. “Esse é um passo importante”, disse Alistair Clemence, diretor da Monsanto para assuntos regulamentares biotecnológicos na Europa, por telefone de Bruxelas. “Isso mostra certa disposição da UE para que os processos tramitem de forma regulamentar”.
Em maio, a CE autorizou a importação, dos Estados Unidos e de outros países, de um milho transgênico para consumo humano produzido pela suíça Syngenta, maior fabricante de produtos químicos agrícolas do mundo. Essa foi a primeira aprovação de alimento biotecnológico da região desde 1998. Apesar disso, mais de 30 solicitações continuam pendentes.
Os Estados Unidos, a Argentina e o Canadá, os três maiores produtores de sementes transgênicas do mundo, entraram com ação na OMC contra as restrições européias. Os Estados Unidos informaram que querem que as solicitações passem “rotineiramente pelo processo de aprovação”.
Os alimentos biotecnológicos variam de grãos a tomates cujo material genético foi alterado para acrescentar traços benéficos como resistência a herbicidas. Alguns países da UE informam que os OGMs representam ameaças ao ambiente e à saúde humana, enquanto a CE informa que o apoio científico e as rigorosas regras de rotulagem justificam as aprovações.
Fonte: Gazeta Mercantil

Compartilhe esta postagem nas redes sociais