O governo federal e representantes do setor pecuário brasileiro vão gastar R$ 700 mil nos próximos seis meses para criar uma agência anticrise no exterior e tentar recuperar a imagem de maior exportador de carne do mundo. A idéia é criar um canal internacional para divulgação de informações sobre as medidas já tomadas para o controle dos focos de aftosa em Mato Grosso do Sul e principalmente mostrar como a pecuária brasileira está distribuída no território nacional.
O valor para investimento poderá ser maior se representantes da avicultura também fizerem parte do pool. Assim, além de oferecer informações sobre aftosa, o grupo poderia mostrar o trabalho feito no Brasil para manter a avicultura livre da gripe aviária. É a primeira vez que a cadeia do agronegócio brasileiro cria uma ofensiva deste tipo.
A estratégia foi alinhavada quinta-feira [03/11/05], em Brasília, pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e pelos representantes da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec) e do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Segundo Antenor Nogueira, presidente do Fórum na CNA, a ausência de representantes brasileiros no exterior para transmitir informações sobre o País ou sobre episódios como a febre aftosa em Mato Grosso do Sul possibilitou a reação internacional negativa em relação ao País. Ao todo, 49 nações declararam embargos a produtos brasileiros.
Segundo Nogueira, ficou estabelecido que o custo total da operação será dividido igualmente entre o governo e a iniciativa privada. Até a próxima semana, o Ministério da Agricultura deverá escolher a agência de comunicação no exterior que se encarregará do trabalho.
O trabalho será divido em diferentes fases. A primeira será a apresentação da versão brasileira sobre o episódio da febre aftosa no sul de Mato Grosso do Sul. A idéia é tentar dar publicidade a todas as medidas de controle da doença na área de foco. A forma pela qual serão transmitidas informações sobre as ações do Brasil ainda não está definida.
Entre as sugestões está a realização de coletivas de imprensa em alguns centros relevantes, como Londres e Bruxelas. A agência a ser contratada deverá articular este trabalho.
Na avaliação do grupo formado pelo governo e pelo setor privado, a primeira etapa de divulgação de informações sobre como o Brasil faz o controle da aftosa será feita num período de 30 a 40 dias. Após esta fase, a idéia é começar a mostrar como está estruturada a pecuária brasileira e explicar a geografia do agronegócio local. “É muito comum um país embargar toda importação oriunda do Brasil, sem considerar o exato local do problema”, diz Nogueira.
Isso ficou evidente no episódio da febre aftosa em Mato Grosso do Sul. Embora o foco esteja localizado em cinco municípios ao sul do Estado, vários países suspenderam a compra de carne de todo o território brasileiro.
A montagem desta estrutura de emergência para oferecer à mídia internacional a versão brasileira sobre a crise da aftosa pode marcar uma mudança do agronegócio nacional. Na reunião, lançou-se a idéia de criar um grupo técnico permanente para agir em momentos de crise ou não.
Agnaldo Brito

Fonte: O Estado de São Paulo

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O Banco do Brasil afirma que investirá quase R$ 5 bilhões na pecuária do país. As verbas são para as linhas de investimento de longo prazo, de capital de giro e para a compra de rações, medicamentos e necessidades imediatas. São cerca de 3 milhões e 300 mil produtores clientes do banco.
O diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Derci Alcântara, afirmou que os recursos disponibilizados são suficientes para atender a demanda dos pecuaristas, já que o produtor pecuarista é mais capitalizado.
Alcântara explicou que foi feito um diagnóstico inicial juntamente com o Ministério da Agricultura para verificar a extensão do problema e amenizar os efeitos da febre aftosa no Mato Grosso do Sul com linhas de crédito, abertas no momento apropriado. Segundo o entrevistado o principal fator nesse momento é, viabilizar que o produtor mantenha o seu rebanho e o preço do gado na região.
Para conseguir uma linha de crédito do Banco do Brasil o pecuarista tem que ir a agência do banco em que ele é cliente ou apresentar a documentação para fazer o cadastro. Se o crédito for para a retenção de bovinos, ele precisa apenas apresentar a ficha de vacinação e um documento que comprove a existência do plantel.
“Em geral, quando o Banco do Brasil já conhece o cliente, dispensa uma vistoria prévia para fazer um levantamento verificando e constatando a existência daquele plantel”, informa Derci Alcântara. O financiamento, após aprovado demora entre 15 e 30 dias para ser liberado.

Fonte: Jornal do Comércio

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Na visita ao presidente Lula, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que está disposto a reduzir subsídios. Bush, disse que ouviu, “alto e claro”, o “recado” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto aos subsídios agrícolas praticados por países desenvolvidos.
Lula disse, durante declaração dos dois presidentes à imprensa, que o país está empenhado em eliminar, de forma negociada, entraves injustificados no comércio bilateral. “Estamos levando esse mesmo espírito de parceria para as discussões comerciais multilaterais. A conclusão exitosa da Rodada de Doha, até o fim de 2006, é prioridade tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil. “Coincidimos em que a redução e eventual eliminação dos subsídios agrícolas é a chave para o equilíbrio da Rodada”, afirmou. O próximo passo da Rodada Doha, acordo de comércio mundial, será uma reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio, que será realizada mês que vem em Hong Kong.
Bush disse acreditar que o melhor modo de contribuir para a redução da pobreza será através dos avanços nas negociações sobre as relações comerciais da rodada de Doha. Segundo ele, os Estados Unidos estão dispostos a reduzir os subsídios agrícolas se receberem o mesmo tratamento dos países europeus. “Se nós baixarmos os subsídios, gostaria muito de poder dizer aos nossos produtores a mesma coisa que o presidente [Lula] quer dizer aos produtores dele, que há acesso aos mercados”, afirmou, completando que os Estados Unidos assumiram um compromisso de avançar nas negociações de Doha.
Em seu discurso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou também que a política externa brasileira “não é apenas um meio de projeção do Brasil no mundo, mas também um elemento fundamental de nosso projeto nacional de desenvolvimento”, ao comentar que, nestes 34 meses de governo, buscou uma forte aproximação com os “irmãos sul-americanos” e com outros países dos demais continentes.
O presidente Lula fez questão de ressaltar que “nosso intercâmbio tem crescido a taxas de 7% ao ano e em 2004, recebemos US$ 4 bilhões de investimentos norte-americanos”.
Sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) o líder norte-americano voltou a defender a implantação do bloco. Ele afirmou que os EUA querem “aliviar as dívidas das nações mais pobres” e “criar oportunidades” em todo o continente americano, mas isso só será possível com um “amplo acordo comercial”.
Para George Bush, a Alca será uma forma do continente americano competir com a China e a Índia.
Principais pontos da declaração conjunta
1 – Prioridade à reforma das Nações Unidas para torná-la mais eficiente. Os países comprometem-se a estabelecer coordenação estreita sobre a reforma do Conselho de Segurança
2 – Trabalhar por um resultado positivo na Conferência Ministerial da OMC, em Hong Kong, em dezembro, e na Rodada Doha até o fim de 2006
3 – Promover inovação e avanços tecnológicos, inclusive mediante a promoção de forte proteção e observância efetiva da propriedade intelectual
4 – Reforçar a cooperação bilateral para combater o narcotráfico, o tráfico de animais silvestres, o terrorismo e a lavagem de dinheiro
5 – Prosseguir com os esforços para promover a liberalização do comércio. Brasil e EUA reafirmam o compromisso com o processo da Alca e manifestam a expectativa pela retomada das negociações
6 – Observar que os esforços para a integração da América do Sul, como o Mercosul e a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), são instrumentos importantes para a promoção da prosperidade, da estabilidade e da democracia na região
7 – Realizar ações conjuntas para combater o HIV/Aids, a malária e a tuberculose, desenvolver estratégias para o tratamento de doenças não contagiosas e enfrentar a ameaça da gripe aviária
8 – Afirmar o compromisso de assegurar que estabilidade política, democracia e desenvolvimento se estabeleçam no Haiti.
Cúpula encerra sem acordo sobre a Alca
Com um atraso de mais de seis horas, duras negociações e uma tentativa de evitar uma imagem de fracasso da quarta Cúpula das Américas, o chanceler da Argentina, Rafael Bielsa, anunciou no fim de semana, a conclusão do texto da declaração de Mar del Plata. Sem um acordo entre os 34 presidentes do continente, a declaração reflete duas posições sobre o futuro da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
De um lado, a postura do grupo composto por Estados Unidos, Canadá, México, e outros 26 países, que “não encontra nenhum obstáculo para continuar com o processo de negociação da Alca”; de outro, o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) mais a Venezuela, que alegam a “falta de condições para continuar negociando a área de livre comércio tal como está proposta”. Já o chanceler Bielsa esforçou-se em sua defesa de que a reunião dos presidentes não fracassou em seu objetivo de obter consenso em torno do assunto. “A Alca é apenas um apêndice da reunião que foi convocada para tratar sobre questões de geração de emprego”, justificou. Bielsa deixou claro que a posição argentina está unificada com a do Brasil, de negociar a Alca somente após a conclusão da Rodada de Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC), onde se espera que sejam decididos temas como o fim dos subsídios agrícolas dos países desenvolvidos.
Visita foi marcada por poucos protestos
Depois de enfrentar grandes atos com 50 mil manifestantes nas ruas da Argentina, durante a 4.ª Cúpula das Américas, em Mar del Plata, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi alvo de protestos bem menores na rápida passagem por Brasília. Um grupo com 200 integrantes, a maioria da comunidade árabe, fez uma manifestação em frente à Residência Oficial do Torto, onde Bush e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram de uma reunião de trabalho, seguida de um churrasco.
Com faixas de “Fora Bush” e “Assassino” pintadas com o símbolo do nazismo, o grupo fez muito barulho na entrada principal da residência oficial: queimou bandeiras, cartazes e bonecos do Tio Sam com o rosto do presidente dos EUA e cantou, quase sem parar, refrões contra o governo norte-americano. Para evitar passar ao lado do protesto, a comitiva de Bush preferiu entrar por uma das portarias laterais da residência.
George Bush propõe mudanças no BID
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, introduziu ontem um novo tema potencialmente complicado no diálogo com o Brasil e nas relações hemisféricas, no discurso que fez no Hotel Blue Tree, em Brasília, ao propor uma importante mudança na estratégia de ação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Bush disse que o BID deve voltar-se mais para o financiamento do setor privado e estudar a concessão de doações de fundos e perdão da dívida dos países mais pobres, como fez o Banco Mundial (Bird).
O Brasil e outros acionistas importantes do BID, como a Argentina, o México e a Venezuela, fazem reservas à idéia, pois traz ônus para todos os acionistas e poderia levar a um aumento do custo dos créditos.
Bush disse que os EUA trabalham para “melhorar o BID” e que à medida em que as economias das Américas se desenvolvem, “o banco precisa mudar (junto) com elas”. Sobre o novo presidente da instituição, o colombiano Luis Alberto Moreno, Bush afirmou que “o começo da gestão do presidente Moreno nos dá uma grande oportunidade para modernizar o banco fazendo melhor proveito dos mercados globais de capitais e moldando seus programas às reais necessidade das economias deste continente”.

Fonte: Jornal do Comércio

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Pelo menos 500 especialistas em saúde animal e humana de todo o mundo se reúnem a partir de hoje [07/11/05] em Genebra para traçar uma estratégia dupla de ação contra a gripe aviária: o controle da propagação do letal H5N1 entre as aves e as medidas a serem adotadas diante de uma possível pandemia humana provocada pelo mesmo vírus.
Durante três dias, os especialistas debaterão os temas na sede da Organização Mundial de Saúde (OMS) com base em discussões internacionais prévias que vêm acontecendo em diversos países.
O vírus H5N1 responsável pela morte de mais de 150 milhões de aves e 60 pessoas, sobretudo na Ásia, apresenta uma grande capacidade de mutação. Por isso, a OMS teme que gere uma pandemia entre humanos no momento em que se mostre capaz de ser transmitido de pessoa a pessoa. Todos os casos humanos da doença registrados até hoje foram aparentemente provocados pelo contato direto com animais doentes.
– Trata-se de um vírus muito traiçoeiro – disse a representante do diretor-geral da OMS para a pandemia de gripe, Margaret Chan. – Embora não se possa afirmar se realmente haverá uma epidemia ou mesmo quando ela ocorrerá, é preciso reagir diante dos sinais de aviso.
O Ministério da Saúde da China reconheceu ontem que investiga três casos suspeitos de gripe de aves em seres humanos. Caso sejam confirmadas as infecções pelo H5N1 serão as primeiras registradas no país que já acumula mais de oito surtos distintos em animais. Uma das pessoas infectadas, uma menina de 12 anos, morreu. O país já pediu ajuda da OMS para obter um diagnóstico definitivo. Ainda assim, como medida de prevenção, o governo chinês já anunciou o abate de mais de um milhão de aves.
Hoje, em Bruxelas, os chanceleres dos países da União Européia vão insistir na elaboração de um plano global contra uma possível pandemia de gripe aviária.

Fonte: Globo Online

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