As exportações brasileiras de manga para os mercados dos Estados Unidos e da União Européia enfrentam séria competição de vários países das américas Central e do Sul, em especial Equador e Peru. A fruta desses países está chegando àqueles mercados no mesmo período (20 semestre) em que a oferta da manga era realizada predominantemente pelo Brasil. Para o pesquisador José Lincoln Pinheiro de Araújo, da Embrapa Semi-Árido, este é um problema que os produtores precisam enfrentar investindo em qualidade, principalmente.
A crescente competição do mercado internacional de manga tem reduzido os preços pagos por quilograma da fruta, estreitando mais as margens de lucro dos produtores brasileiros. Segundo José Lincoln, em 1991 o preço obtido por caixa (4,20 kg) da manga no mercado externo era de US$ 8,00, A partir desse ano iniciou-se uma trajetória declinante que, em 2004, a média anual do preço batia em US$ 4,50 por caixa e a perspectiva para 2005 é que não alcance os US$ 4,00. Esta situação não deverá se reverter no curto prazo até porque novas áreas de plantio estão entrando em produção o que deve manter os preços médios no nível atual, explica.
Produção integrada
Estas questões são particularmente importantes para o Vale do São Francisco, responsável por 93% da manga exportada pelo Brasil em 2004 com um volume de vendas de 102.286 t e US$ 59,158,000. Nesta região, de 25 mil hectares cultivados, 70% já se encontram em início ou em plena produção; os 30% restantes ainda estão em fase de implantação. Quer dizer, ainda tem uma quantidade significativa de manga para chegar no mercado que, por sua vez, não tem crescido muito, destaca Lincoln.
O pesquisador aponta algumas soluções que poderão dar novo impulso ao negócio da manga no Brasil. Uma delas é o investimento em tecnologias que elevam a qualidade da fruta brasileira. As técnicas e manejos da cultura previstas no projeto de Produção Integrada de Manga são capazes de fazer os pomares produzirem frutas de alta qualidade, revela. Da mesma forma, são capazes de fazer reduzir alguns dos itens que mais pesam dentre os custos variáveis da cultura como é o caso dos agroquímicos que no sistema tradicional de cultivo da manga responde por cerca de 15% de todo custo operacional da exploração.
Outra técnica que adequadamente executada contribui para rentabilizar o cultivo da manga brasileira, especialmente no Vale do São Francisco, é a indução floral. As condições ambientais desta região permitem a colheita dos pomares dessa fruta em qualquer período do ano com o emprego dessa tecnologia. Isto favorece aos produtores direcionarem suas colheitas para épocas em que o mercado sinaliza melhores preços. Para se ter uma melhor idéia da importância de poder programas as safras, o pesquisador cita exemplo do mercado interno que registra ao longo do ano uma grande variabilidade de preços com a cotação máxima sendo registrada no mês de Abril (R$ 1,00) e a mínima no mês de novembro (R$ 0,20) – neste período do ano ocorrem as safras de Importantes pólos de produção de manga, como é o caso de São Paulo.
Na opinião de Lincoln, a manga é uma cultura de alta tecnologia e grande consumidora de capital que se estende por toda a cadeia de comercialização. Ele revela que dos US$ 4,50 que o exportador brasileiro recebeu pela caixa de 4,20 kg em 2004, ele gastou apenas US$ 0,55 com os custos de produção no pomar. Cifra que é bem menor que US$ 1,60 gastos com o beneficiamento e embalagem dos frutos e US$ 1,70 com as despesas de transporte, aduana e a comissão dos importadores.
Simpósio
O pesquisador elogia a realização do 10 Simpósio de Manga do Vale do São Francisco nos dias 26 e 27 de outubro de 2005 durante a Feira Nacional da Agricultura Irrigada (26 a 29/10/05). Ele deve se tornar um importante fórum de debates para que técnicos, empresários, produtores e instituições públicas de pesquisa identifiquem problemas na cadeia de negócios da cultura e possam estabelecer as soluções que remunerem adequadamente ao agricultor e mantenham os cultivos dessa fruta fundamentais para a competitividade das exportações brasileiras e para o desenvolvimento do pólo de Juazeiro e Petrolina.
Contato
José Lincoln Pinheiro de Araújo
Pesquisador da Embrapa Semi-Árido 
E-mail: Lincoln@cpatsa.embrapa.br
Marcelino Ribeiro
Embrapa Semi-Árido
E-mail: marcelrn@cpatsa.embrapa.br

Fonte: Embrapa Semi-Árido

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O desenvolvimento de tecnologias de informação e de bioinformática aplicadas ao agronegócio é o foco de atuação da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Desde ontem [26/10/05] e até amanhã [28/10/05] o centro de pesquisa promove uma série de atividades técnico-científicas para comemorar seus 20 anos de atuação.
Na quarta-feira [26/10/05] aconteceu uma mostra de 43 trabalhos de estagiários e bolsistas da unidade da Embrapa, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP Campinas).
A evolução da computação no Brasil será abordada em palestra da professora Cláudia Bauzer do Instituto de Computação da Unicamp, que será proferida hoje [27/10/05], às 9 horas. Os empregados da Embrapa Informática Agropecuária também organizam uma exposição fotográfica sobre a história da informática no País.
A cerimônia oficial de comemoração será amanhã (28/10/05) e contará com a presença de representantes do governo, de instituições de ensino e pesquisa e de empresas públicas e privadas. Na ocasião, haverá homenagem a empregados e o lançamento de livros de pesquisadores. Todas as atividades ocorrerão no prédio da Embrapa.
Lançamentos
O futuro da pesquisa agropecuária brasileira é um dos livros do Projeto Quo Vadis, que apresenta os cenários e as demandas para a pesquisa agropecuária na América Latina até 2015. A obra foi escrita por pesquisadores da Embrapa, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da Universidade de Brasília (UNB) e teve co-autoria do chefe-adjunto administrativo da Embrapa Informática Agropecuária José Ruy Porto de Carvalho.
Fundamentos de Sistemas de Informações Geográficas, de autoria do pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária José Iguelmar Miranda, apresenta as principais características de um sistema de informações geográficas (SIG). Aborda temas como equipamentos de entrada e saída dos dados espaciais, sistemas de referência mais utilizados em ambiente de SIG, as funções de análise de dados espaciais, interpolação de dados e avanços na análise espacial.
Criada em 1985, a Embrapa Informática Agropecuária destaca-se pela criação de produtos e serviços de tecnologia de informação, com uso de padrões abertos, sistemas para a web e desenvolvimento de software livre. Possui 73 empregados, sendo 34 pesquisadores, 17 deles com doutorado e 14 com mestrado. Localiza-se na Unicamp, onde ocupa uma área de 4.300 metros quadrados, destinados às atividades de pesquisa, desenvolvimento, laboratórios e treinamentos.

Fonte: Unicamp

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O Grupo Fazenda Boa Vista, de Minas Gerais, um dos maiores produtores de café arábica do País, acaba de receber em seis de suas propriedades a certificação Eurepgap, através do IGCert, certificadora ligada ao Instituto Genesis, de Londrina (PR). Esta é a segunda certificação concedida na área de cafés verdes pela Ong européia em todo o mundo. A primeira foi uma fazenda do Vietnã.
Para o administrador do Grupo, Antonio Tonelli de Faria, de Lavras (MG), “nosso objetivo sempre foi o de agregar valor ao nosso produto, desenvolvido com preocupações de sustentabilidade e preservação ambiental. Por isso vejo esta certificação Eurepgap como um reconhecimento ao nosso trabalho, aos nossos investimentos e isso nos enche de boas perspectivas com relação ao futuro. A partir de agora poderemos comercializar com maior facilidade nosso produto para um número maior de países, com a certeza de que teremos, também, um retorno financeiro maior”.
Foram certificadas as fazendas Boa Vista I, II, III e IV, no município de Tapiraí; Cervo e Camponeza, no município de Pratinha. No total, elas têm 600 hectares destinados ao plantio de café arábica, que este ano produziram 16 mil sacas de café, de 60kg cada. Até agora, o café produzido pelo Grupo era comercializado apenas no mercado interno e diretamente com a Illy Cafe, um dos maiores grupos de café expresso da Itália.
Boas Práticas
Para o Engenheiro Agrônomo Marcelo Daniel da Silva, técnico responsável do Grupo e que implementou as normas Eurepgap Green Coffee nas 6 propriedades, foi necessário um investimento mínimo para que as fazendas fossem enquadradas dentro das exigências européias.
“Nós sempre procuramos trabalhar como uma empresa. Temos controle de qualidade, rastreabilidade e boas práticas agrícolas: todos os nossos funcionários são registrados em carteira, não temos trabalho escravo nem infantil e nossas instalações são muito bem estruturadas. Nenhum de nossos trabalhadores faz a aplicação de venenos sem treinamento ou acompanhamento de um técnico. Só que até agora, ninguém havia nos “cobrado” isso para podermos vender mais ou melhor. Quando tomamos conhecimento da certificação Eurepgap, através do IGCert, resolvemos que valeria a pena investir para consegui-la. E, na verdade, foram ínfimas as modificações que tivemos que fazer, com relação a algumas condutas organizacionais. Por exemplo: trazer tudo por escrito, registrado. E a outra mudança foi apenas com relação à colocação de comunicação visual, de alerta, em áreas onde ficam guardados os venenos”.
Segundo ele, embora todos os 88 funcionários fixos e os 150 temporários que trabalham só durante a colheita, já estivessem acostumados com as boas práticas desenvolvidas nas fazendas, eles puderam acompanhar de perto todo o processo de implementação das normas e as auditorias feitas pelo engenheiro agrônomo André Fernandes “e agora já têm na ponta da língua o por quê fazemos assim e a importância de levarmos estas normas à risca”.
Antonio Tonelli de Faria enfatiza ainda que esse comprometimento com a qualidade, confirmada com a certificação recém conquistada vão facilitar ainda mais as negociações da empresa, que tem um procedimento que já está se tornando comum: o comércio justo do “direct trade”, quando o produto é oferecido diretamente ao comprador, sem intermediários. Otimista, ele completa: “Nosso sonho é ainda ver cada chinês tomando pelo menos dois cafezinhos por dia, produzidos a partir dos cafés verdes saídos aqui da Boa Vista”.
Mais informações
Escritório Central do Grupo Fazenda Boa Vista
R. Misseno de Pádua, 475 – salas 301/302
Lavras – MG
Telefone: (35) 3821-3528
Marcelo Daniel da Silva (Agrº) ou Jonas de Oliveira Kraus (gerente)
Fazenda sede (37) 3426-1341
E-mail: fazendaboavista@navinet.com.br
IGCert
Marcelo Holmo – Dir. Executivo
Telefones: (43) 3377-1708 ou 3377-1700
Londrina – PR
Ercília Fernandes
Assessoria de Imprensa
Instituto Genesis – IGCert
E-mail: genesis@institutogenesis.org.br

Fonte: Instituto Genesis

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Associada a outras culturas regionais, a mandioca pode vir a compor um sistema de produção de forragens alternativo para a suplementação alimentar de ruminantes. Pesquisas da Embrapa Pantanal (Corumbá – MS), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fizeram uma caracterização preliminar do sistema de produção da mandioca em assentamentos rurais da cidade de Corumbá, revelando que, embora a área plantada seja pequena, a cultura apresenta significativo potencial de utilização para as famílias assentadas na região.
O trabalho será apresentado no XI Congresso Brasileiro de Mandioca, que acontece entre os dias 25 e 28 de outubro de 2005, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens de Gil de Camillo, em Campo Grande – MS.
O coordenador do projeto, o pesquisador Thierry Ribeiro Tomich, explica que o trabalho de caracterização do sistema de produção da mandioca teve início com a aplicação de questionários, onde foram ouvidos 235 famílias em quatro assentamentos rurais da região.
As entrevistas foram realçizadas entre novembro de 2004 e julho desse ano, sendo que a mandioca foi a cultura mais relacionada pelos agricultores. No entanto, seu aproveitamento pode se dar de forma mais efetiva com o estabelecimento de estratégias para se desenvolver e transferir tecnologias adequadas para o sistema de produção e utilização da mandioca na região.
Em regra, cerca de 20% do total de ramas produzidas é destinada à propagação da cultura em uma mesma área, sendo que 80% da parte aérea restantes, freqüentemente desperdiçadas, poderiam ser aproveitados para a alimentação dos rebanhos bovinos – outra atividade desenvolvida pelos assentados.
Tomich explica que a proposta é gerar informações que possibilitem a utilização de diferentes frações da parte aérea da mandioca como opção eficiente e de baixo custo de forragem conservada para ser empregada na alimentação dos rebanhos locais durante o período de escassez de alimentos.
“No período de seca, especialmente nos meses de julho a setembro, os rebanhos enfrentam uma fase de restrição alimentar que pode ser amenizada com alternativas de suplementação. Tendo como princípio utilizar o que hoje é resíduo agrícola como forragem para o rebanho”, avalia.
Congresso
O XI Congresso Brasileiro de Mandioca é uma promoção da Secretaria de Estado de Planejamento, Ciência e Tecnologia (Seplanct), Secretaria de Produção e Turismo (Seprotur), Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) e Secretaria Cultura, Esporte e Lazer (Secel), além do Instituto de Desenvolvimento Agrário, Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Idaterra).
A realização é de responsabilidade das Câmaras Setoriais da Mandioca de Mato Grosso do Sul e da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados, Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae – MS), Superintendência Federal de Agricultura de Mato Grosso do Sul, Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, (UEMS), Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp), Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas – BA), Embrapa Pantanal (Corumbá – MS) e Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados – MS).
O congresso conta ainda com o apoio dos Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério Ciência e Tecnologia, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Integração Nacional, Financiadora de Estudos e Projetos, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).
Denise Justino da Silva 
Embrapa Pantanal
E-mail: denise@cpap.embrapa.br

Fonte: Embrapa Pantanal

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