O Portal Inovação, uma plataforma interativa para troca de dados entre universidades, empresas e institutos de pesquisa, foi lançado na segunda-feira (24/10/05), pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O serviço foi desenvolvido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em parceria com os setores público e privado, a partir do modelo da Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que reúne uma base de dados de pesquisadores e grupos de pesquisa.
Segundo o MCT, o desafio do Portal Inovação é, a partir da experiência e das fontes de informação da Plataforma Lattes, promover a cooperação entre a competência nacional em ciência e tecnologia e a comunidade empresarial, de forma a desencadear processos inovadores nos diversos setores socioeconômicos do país.
“O sistema brasileiro de tecnologia é muito recente. As pesquisas estão muito concentradas nas universidades e nos institutos de pesquisa, e não nas empresas, o que dificulta a geração de patentes”, disse Resende. “O Portal Inovação é mais um instrumento do governo para promover e facilitar a cooperação entre universidade, empresa e instituto de pesquisa.”
No Brasil, cerca de 73% dos cientistas estão nas instituições públicas de pesquisa e 11% nas empresas privadas. Nos Estados Unidos, a relação se inverte: 72% dos pesquisadores estão nas empresas e 18% nas instituições públicas, padrão que se repete em outros países desenvolvidos, com pequenas variações.
O Portal Inovação permite a declaração das demandas do setor empresarial e dispõe de um espaço de interação, envio de propostas e de buscas especializadas por oportunidades de cooperação. As empresas, de modo especial as médias e pequenas, terão a oportunidade de contatar e selecionar os pesquisadores com linhas de trabalho mais adequadas para o desenvolvimento de suas necessidades de inovação tecnológica.
Mais informações: www.portalinovacao.mct.gov.br.  

Fonte: Agência Fapesp

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Agricultores de todo o mundo perdem bilhões de dólares anualmente com o ataque das mais diversas pragas às suas lavouras. Alguns estudos revelam que, no Brasil, cerca de 30% das principais plantações são dizimadas por insetos e outras pragas, como ácaros e fungos. Para debelar o problema, os agricultores têm à disposição um vasto arsenal de inseticidas químicos, bioinseticidas e, mais recentemente, as chamadas proteínas pesticidas.
Quando inseridas no material genético das plantas – que, por isso, passam a ser organismos geneticamente modificados –, elas atuam como biopesticidas, matando determinados tipos de insetos, fungos e até vírus. As toxinas protéicas mais empregadas hoje são produzidas por bactérias da espécie Bacillus thuringiensis. Conhecidas como toxinas BT, elas são largamente utilizadas em culturas de milho, algodão e batata nos Estados Unidos e em outros países que permitem o uso de transgênicos.
Apesar de eficientes no controle das pragas, as toxinas BT têm ação limitada, porque oferecem proteção apenas contra um número restrito de insetos, às vezes uma única espécie de besouro, mariposa, borboleta, mosca ou mosquito.
O avanço nas pesquisas com esses biopesticidas levou um grupo de pesquisadores do Laboratório de Proteínas Tóxicas (Laprotox) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a descobrir um novo tipo de proteína inseticida com ação muito mais ampla e segura do que a toxina BT. Trata-se de um grupo de proteínas, conhecidas como ureases e produzidas pelas próprias plantas, com atividade inseticida contra besouros do tipo carunchos, percevejos e pulgões, insetos imunes à toxina BT. Esses animais são pragas importantes na agricultura brasileira.
A soja, por exemplo, é atacada pelo percevejo verde (Nezara viridula), o algodão pelo percevejo-manchador (Dysdercus peruvianus) e o feijão-de-corda pelo caruncho Callusobruchos maculatus. “Os pulgões, além de se alimentar das plantas, são vetores de doenças”, afirma a biomédica Célia Carlini, coordenadora do Laprotox e pesquisadora responsável pela novidade. A toxina protéica também é eficiente no combate a pragas urbanas, como cupins e baratas. Para esse fim, o produto pode ser pulverizado nos ambientes desses insetos ou estar disponível em armadilhas.
Clique aqui para ler o texto completo da reportagem da edição 116 de Pesquisa FAPESP.
Yuri Vasconcelos

Fonte: Agência Fapesp

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O novo Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), que será lançado oficialmente em janeiro de 2006, terá regras mais rígidas para rastreamento e controle do trânsito dos rebanhos, segundo Ézio da Mota, secretário substituto da Secretaria de Desenvolvimento e Cooperativismo do Ministério da Agricultura – que herdou o Sisbov da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário.
Entre as mudanças, o programa prevê o controle do trânsito de animais Estado por Estado por meio de guias de trânsito (GTA). Pela legislação atual, o controle por meio de GTAs só é feito entre estados com status sanitários diferentes (por exemplo, do Pará para São Paulo). Mota considera que esse controle Estado por Estado poderia ter evitado o problema da suspeita de aftosa no Paraná.
O projeto do novo sistema também prevê a criação de um banco nacional de dados, alimentado pelas secretarias estaduais “que permitirá a um Estado conhecer o gado comprado de outro”. O sistema prevê ainda a divulgação obrigatória pelos produtores dos insumos utilizados, o rastreamento dos animais por brinco ou chip eletrônico e a identificação de 100% do rebanho.
Mota disse que o Ministério considera a rastreabilidade gado a gado um fator essencial para o sucesso do rastreamento. “Todos os animais precisam estar nas mesmas condições de controle sanitário para receber certificação. Não há porque certificar um animal que não foi rastreado”, afirmou ele.
Sebastião Guedes, presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC) também defendeu a rastreabilidade “individual e obrigatória” para animais destinados à exportação. “O Sisbov tem que ser implantado, tem que ser obrigatório para quem exporta e o governo tem que punir quem não cumprir as diretrizes do sistema para evitar problemas como esse surto de aftosa”.
Mota, que participou de seminário promovido pelo Jornal Valor Econômico, disse que hoje não há transparência na divulgação de informações sobre os rebanhos e que muitos dos números sobre produção e abate informados pelos pecuaristas não se confirmam nas auditorias do governo. “Enquanto os produtores não se conscientizarem do seu papel nesse processo não vai adiantar o governo investir em fiscalização”, disse o secretário substituto.
 Mota afirmou ainda que o governo não tem dados precisos sobre os animais importados, principalmente em Estados fronteiriços, como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. “A importação é um problema sério. Não há número real desses animais no país”.
O ministro da Agricultura, Rodrigues, disse que a maior rigidez no sistema de rastreamento irá ajudar a evitar problemas como o atual surto de febre aftosa no país. “A rastreabilidade é uma ação fundamental para o bom andamento da defesa sanitária. Sem dúvida vai nos ajudar a minimizar esses problemas no futuro”.

Fonte: Valor Econômico

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Na manhã desta quarta-feira, 25/10/05, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, esteve em Curitiba (PR) para a assinatura do acordo de cooperação para a realização da 8ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica – COP 8 – e 3ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena – MOP 3. Pela primeira vez o Brasil sediará os eventos, a serem realizados em março do próximo ano[2006].
Os problemas enfrentados pelo avanço da febre aftosa e a suspeita de casos no estado, não abalaram o tom cordial na reunião para a assinatura do acordo. No início da semana, o governador Roberto Requião criticou o governo federal, apontando como “rídicula” a ajuda financeira destinada pela União, da ordem de R$ 1,5 milhão. “Dez anos de trabalho foram jogados fora”, reclamou ele, julgando sem seriedade a postura do governo federal nesta questão.
Mas os ressentimentos não recaíram sobre a ministra. Ao contrário, no decorrer da solenidade, o governador chegou a dizer que seu voto, que elegeu o Partido dos Trabalhadores, contemplava “o PT de Marina Silva”.
A simpatia recíproca se confirmou, quando a ministra externou respeito pela forte campanha de Requião para abolir a produção de organismos geneticamente modificados, na tentativa de tornar o Paraná uma área livre dos transgênicos. Ao abordar o assunto, Marina considerou o governador como “um ambientalista de coração”, recebendo aplausos da platéia. Segundo ela, a lei ainda em fase de regulamentação busca a produção democrática. “O MMA, internamente ao governo, mais uma vez está trabalhando no sentido de recuperar mecanismos que possibilitem modelos de coexistência”.
Durante a Convenção, Curitiba será palco de diversos debates ambientais em âmbito mundial, passando principalmente pela biodiversidade. A ministra levantou, como um dos principais temas que será colocado em pauta pelo Brasil, o desafio de ser uma potência em recursos naturais, portador de uma megabiodiversidade, ocupando uma posição de liderança no ponto de vista político. Ela salientou a responsabilidade brasileira lembrando que o país, além de possuir a a maior floresta tropical do planeta, é responsável por 11% da superfície de água doce e 20% das espécies vivas do mundo.
 O acordo assinado estabelece as responsabilidades dos governos federal, estadual e municipal. A segurança, capacitação profissional para os envolvidos no evento e organização de visitas técnicas e turísticas, cabem ao Estado. Além dos investimentos municipal e estadual, o evento contará com cerca de R$ 5,5 milhões do MMA.
Estiveram presentes também na solenidade de assinatura do acordo o embaixador do Ministério das Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota; o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco; o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná, Luiz Eduardo Cheida, e o vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci.
Entenda o que são COP e MOP
Entre os dias 20 a 31 de março de 2006 será realizada a COP 8, a oitava Conferência das Partes (Conference of Parties) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Os encontros realizados a cada dois anos representam a instância máxima de decisão da Convenção. São realizadas diversas reuniões no período entre as Convenções, mas tudo o que é decidido é referendado pela COP. A última edição, a COP 7 foi realizada na Malásia, em Kuala Lumpur.
A CDB é um importante fórum mundial, atuante na definição do marco legal e político envolvendo questões relacionadas à biodiversidade. Ela surgiu como resultado da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada em 1992. Participam da Convenção da Biodiversidade 188 países signatários. Mesmo países que não ratificaram a Convenção marcarão presença, estando envolvidos nos debates, como é o caso dos Estados Unidos, que assinaram, mas não ratificaram sua participação.
As delegações dos países membros, as partes, negociam a aprovação de documentos enviados previamente à COP, resultantes das reuniões temáticas ou para Corpo Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico (SBSTTA, sigla em inglês), realizadas nos intervalos entre as Convenções. ONGs e observadores que não integram as delegações podem ter acesso a todas as reuniões, mas têm poder de palavra restrito.
A MOP 3 (Meeting of Parties) será realizada entre os dias 13 a 17 de março, antecedendo a COP 8. Ela trata exclusivamente de assuntos relacionados ao Protocolo de Cartagena e organismos geneticamente modificados. O Protocolo conta com menos membros que a CDB, o que comprova que a adesão não é feita de forma automática para as suas modalidades.
Um dos temas geradores de grande polêmica na edição anterior da MOP, a rotulagem de carga transgênica, será retomado na MOP 3.
Paralelamente à COP são realizados eventos diversos, com maior abertura e possibilidade de participação. Eles são estrategicamente planejados para preencher os horários vagos como almoço e final de tarde. A intenção maior é de que estes eventos sejam internacionais ou que contemplem um conjunto de países, como a América do Sul ou os países megadiversos. Entre os evento paralelos estão incluídas visitas a Unidades de Conservação. A expectativa é de um público de 12 mil a 15 mil pessoas durante o mês, além da presença de 45 ministros de Meio Ambiente.
Para participar do evento, deve-se preencher um cadastro no site da Convenção (disponível em inglês, francês e espanhol). www.biodiv.org
Danielle Jordan

Fonte: Ambiente Barsil

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