“Vitória da Embrapa”, primeiro clone bovino da América Latina, deu a luz a seu primeiro filhote: a bezerrinha “Glória da Embrapa”, no dia de 19 setembro de 2004, às 2:30 da manhã. O nascimento da bezerrinha é uma prova científica de que o clone desenvolvido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia é perfeito do ponto de vista reprodutivo, o que é muito importante para a pesquisa. “Vitória da Embrapa”, hoje com três anos e sete meses, foi inseminada no dia 9 de dezembro de 2003, com o sêmen do touro “Zehnder” da raça Simental de origem alemã e deu a luz à “Glória”, por parto natural. A bezerrinha nasceu com 38,2 kg e passa bem.
Segundo o coordenador das pesquisas de reprodução animal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Rodolfo Rumpf, o nascimento de “Glória da Embrapa” foi o último e decisivo teste feito com Vitória para provar que é um clone perfeito do ponto de vista científico e de produção. O nascimento da bezerra permitiu à equipe de cientistas da Embrapa avaliar o potencial reprodutivo de Vitória e a sua habilidade materna, que se reflete no ganho de peso diário de “Glória”, de aproximadamente 1 quilo por dia. Da mesma forma que a mãe, a bezerra será analisada e acompanhada em todos os aspectos de saúde, comportamento e produção.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia investe nas técnicas de clonagem em função de suas importantes aplicações potenciais em diversas áreas associadas ou não à engenharia genética, como por exemplo, a conservação de animais ameaçados de extinção e a multiplicação de animais de elevado valor genético.
Segundo Rumpf, os resultados obtidos pela equipe da Unidade na área de clonagem deixam claro que a tecnologia tem uma boa possibilidade de uso futuro no setor produtivo, mas afirma que continuarão investindo na realização de estudos.

Fernanda Diniz 
fernanda@cenargen.embrapa.br  

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
http://www.cenargen.embrapa.br

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As escolas agrotécnicas federais poderão, a partir de agora, oferecer cursos superiores na área de tecnologia. O ministro da Educação, Tarso Genro, homologou parecer da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação nesse sentido.
Na avaliação do secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), Antonio Ibañez Ruiz, a medida representa uma democratização ainda maior do ensino superior no País. “A característica das escolas agrotécnicas é que elas estão no interior. Então, aquele que quer realmente um curso de graduação poderá se manter no campo, ou seja, na estrutura onde vive, trabalha, sem ter que ir para a cidade procurar um curso de graduação”, explicou.
Para oferecer o ensino superior, as escolas agrotécnicas terão de fazer projetos na área tecnológica, submetê-los à avaliação do MEC e passar pela autorização, reconhecimento e renovação do processo de reconhecimento dos cursos. Com informações da Agência Brasil

Fonte: Portal Terra

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Na retomada dos trabalhos do Legislativo após o primeiro turno das eleições municipais, o governo vai tentar aprovar o projeto da Lei de Biossegurança no plenário do Senado. A votação do projeto é considerada prioridade absoluta pelo Palácio do Planalto nesta semana, como forma de evitar a edição de uma medida provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para resolver o impasse sobre a plantação de soja transgênica. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que há acordo com os partidos políticos de oposição para votar o projeto nesta semana.
Além do projeto da Lei de Biossegurança, está na pauta do plenário do Senado a continuidade de votação da reforma do Judiciário. Também de grande interesse para o governo, o projeto das Parcerias Público-Privadas (PPP) será objeto de negociação a partir de hoje. O projeto espera votação na Comissão de Assuntos Econômicos e ainda será apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir para o plenário da Casa.
Na Câmara, o líder do governo, deputado Professor Luizinho (PT-SP), marcou reunião para a tarde de hoje com os líderes da base para começar a conversar sobre as propostas paradas na Casa. De acordo com o líder, nesta semana dificilmente a Câmara votará alguma matéria. Segundo ele, nesta primeira semana pós-eleição, será necessário “curar as feridas” que surgiram no processo eleitoral entre os aliados.
Na pauta de prioridades do governo na Câmara estão os projetos da nova Lei de Falências e do marco regulatório das agências. Antes, porém, será necessário liberar a pauta do plenário, trancada por não terem sido votadas 18 medidas provisórias com prazo vencido e dois projetos de lei que tramitam em regime de urgência.
Nas Comissões, a expectativa é de que esta semana a Comissão de Assuntos Econômicos marque a sabatina do economista Rodrigo Telles Rocha Azevedo, indicado no final de julho para ocupar no Banco Central a área de Política Econômica. Ele substituirá Luiz Candiota. O senador Ney Suassuna é o relator da mensagem presidencial que indicou Rocha Azevedo. A votação da indicação será feita em sessão secreta.
Denise Madueño e James Allen

Fonte: O Estado de São Paulo

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Criado em 22 de novembro de 1974, com o intuito de “organizar e coordenar as atividades de introdução, avaliação, conservação, documentação e utilização de recursos genéticos no país”, o Centro Nacional de Recursos Genéticos – o CENARGEN, como foi chamado, na época – iniciou seu funcionamento, cuidando apenas dos recursos genéticos vegetais, com a concepção original de criação e instalação dos BAGs – Bancos Ativos de Germoplasma, cuja rede nacional já era prevista no documento orientador da implantação do Centro

Os recursos genéticos vegetais
Em relação aos recursos genéticos vegetais, a Unidade vem executando com afinco e determinação as propostas originais. A introdução de germoplasma do exterior tem trazido, para o Brasil, milhares de acessos, sendo que muitos deles estão incorporados aos programas de melhoramento genético desenvolvidos no país. Para que se tenha uma dimensão do esforço despendido, até ao final de 2002, tinham sido introduzidas em nosso país (e quarentenadas) cerca de 200.000 amostras de germoplasma vegetal provenientes dos mais distintos lugares. A quarentena de pós-entrada já evitou o ingresso e a possível disseminação no país de mais de 150 pragas de grande importância econômica (insetos, bactérias, fungos, vírus, ácaros e nematóides).
Além de trabalhar com os recursos genéticos introduzidos, a Unidade realiza extenso e persistente trabalho de coleta, caracterização e conservação dos recursos genéticos provenientes da biodiversidade brasileira. Foram realizadas, ao longo desses trinta anos, mais de 500 expedições de coleta de germoplasma nas mais diversas regiões do Brasil, que resultaram a identificação e descrição de novas espécies botânicas.
Um patrimônio genético de valor incalculável está guardado nas câmaras frias de conservação de germoplasma, Até ao final deste ano (2004), teremos 100.000 amostras armazenadas, de quase 400 espécies vegetais distintas. Também é feita a conservação in situ, em reservas genéticas localizadas em distintos biomas brasileiros, como os Cerrados e a Mata Atlântica. Na última década passamos a dar maior atenção, também, à conservação dos recursos genéticos tradicionais (“landraces”), usados há tempo por pequenos produtores do interior, tribos indígenas, quilombolas, etc..
O material conservado e colocado à disposição dos melhoristas e geneticistas se amplia sobremodo quando se considera a rede de bancos de germoplasma do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária. Em cerca de 180 bancos localizados em unidades da Embrapa, universidades, institutos de pesquisa e instituições privadas, estima-se que a quantidade total de acessos conservados ultrapasse os 250.000, o que representa, indiscutivelmente, um dos maiores bancos de recursos genéticos do mundo. Devidamente integrados em um sistema de curadoria de germoplasma, estes bancos, como imaginado desde o início, estão sendo parcialmente gerenciados através de um Sistema Brasileiro de Informação em Recursos Genéticos (SIBRARGEN) com aquisição descentralizada de dados e disponibilização via rede mundial de computadores.
A caracterização e avaliação de germoplasma também evoluiu com grande rapidez nesses anos, pois, atualmente, são efetuados, ao lado dos estudos morfológicos, fenotípicos e bioquímicos, trabalhos com marcadores moleculares específicos para características desejadas e, ao mesmo tempo, se fazem análises da constituição genômica dos acessos de interesse, em busca de desvendar as relações entre estrutura molecular e função biológica.

Os recursos genéticos animais
Não foi por muito tempo que o então Centro Nacional de Recursos Genéticos se ocupou exclusivamente de vegetais. Em 1983, foram iniciados os trabalhos com animais, com a finalidade de evitar o desaparecimento das raças locais de interesse zootécnico. Desde essa época, a nossa Unidade passou a sediar o Banco Brasileiro de Germoplasma Animal (BBGA). Ao mesmo tempo, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia coordena um conjunto de 15 núcleos de conservação de raças de animais domésticos em perigo de extinção, localizados em diversos pontos do país. E efetua também estudos de avaliação e desenvolvimento de sistemas de produção para animais silvestres como potencial econômico, sendo que, no momento, desenvolve-se projeto com capivara.
As pesquisas em controle biológico
Também no início da década de 1980, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia iniciou os trabalhos com microrganismos, liderarando projetos destinados a efetuar o controle biológico de pragas agrícolas. Nessa época foi iniciado o projeto de controle biológico da cigarrinha das pastagens com fungos. Vários projetos já foram conduzidos com esses objetivos, como o de controle de gafanhotos por biofungicidas e o de lagartas por bioinseticidas virais. O primeiro produto comercial dessa linha de trabalho foi um bioinseticida bacteriano contra mosquitos, cuja tecnologia foi repassada à iniciativa privada.
Assim, em menos de uma década de existência, o então Centro Nacional de Recursos Genéticos já era um dos poucos do mundo a trabalhar com recursos genéticos vegetais, animais e microbianos, característica que atualmente perdura e tem sido incrementada.

As pesquisas com biotecnologia
A visão antecipadora dos fundadores do Centro, e particularmente, do Dr. Dalmo Giacometti, imprimiu à Unidade o seu principal diferencial entre muitas instituições de pesquisa: integrou ao mandato de recursos genéticos do Centro, atividades de biotecnologia, criando, há cerca de vinte anos, um paradigma que se mostra extremamente atual e que está sendo perseguido por instituições congêneres: biotecnologia para estudar e melhorar recursos genéticos, recursos genéticos para aplicar a biotecnologia.
Graças a essa união, passamos a dominar as técnicas de cultivo “in vitro” de plantas de interesse econômico e estudamos as melhores formas de conservação e multiplicação acelerada de espécies do Cerrado e da Mata Atlântica que se encontram em perigo de extinção e de outras espécies vegetais de grande importância econômica.
Também em meados da década de 1980, a Unidade foi pioneira no desenvolvimento de pesquisas de engenharia genética de plantas. Em cerca de dez anos, foram produzidas, no país, as primeiras plantas transgênicas de rami e de feijão. Hoje, o Centro domina as mais avançadas tecnologias de produção de organismos transgênicos e as está aplicando com o intuito de transferir características de interesse agronômico e nutricional para feijão, soja, batata, algodão, mamão, banana, café, tomate e também para animais e microrganismos.
Outra área de destaque, em termos mundiais, é a da utilização de biotecnologia para estudos de reprodução animal, visando melhorar a eficiência da produção de carne e de leite. Várias tecnologias foram sendo dominadas ao longo dos anos e repassadas ao setor produtivo, como a inseminação artificial e a transferência e a partição de embriões. Em 2001, nasceu a bezerra Vitória da Embrapa, primeiro bovino obtido por transferência nuclear na América Latina, e que fez com que o nosso país fosse reconhecido no exterior como um dos mais desenvolvidos na área de reprodução animal. Tal reconhecimento aumentou, quando em 2003 nasceu a bezerra Lenda da Embrapa, um dos primeiros clones obtidos no mundo a partir de células de um animal morto. Mas a pesquisa não estaciona e diversas outras tecnologias estão em desenvolvimento nessa área como a criopreservação de ovócitos, a sexagem de sêmen e a obtenção de animais transgênicos.

A biossegurança e a segurança biológica
A evolução das pesquisas e as demandas da sociedade motivaram a Unidade a trabalhar em mais dois assuntos de grande importância: a avaliação da biossegurança dos organismos geneticamente modificados produzidos pela Empresa e o estabelecimento de uma rede de sanidade vegetal que visa identificar e resolver problemas de ocorrência de pragas agrícolas, buscando, na maior parte das vezes, antecipar a ocorrência desses problemas, garantindo maior segurança na importação e na exportação de produtos agrícolas e contribuindo para ampliar a participação brasileira no comércio mundial.

A formação e a capacitação de recursos humanos

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia mantém um programa de treinamento em serviço e participa de cursos de pós-graduação em convênio com a Universidade de Brasília, além de apoiar cursos em outras universidades brasileiras. Mais de trinta pós-graduandos, com suporte do Ministério da Ciência e Tecnologia, do CNPq e CAPES e da própria Embrapa são treinados anualmente pelos pesquisadores da Unidade. Esses treinamentos proporcionaram o reconhecimento da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em nível nacional e internacional, como centro de pesquisa de referência para capacitação de pessoal em recursos genéticos, biotecnologia, controle biológico e segurança biológica no âmbito da América Latina e Caribe. Anualmente, considerando todos os níveis de capacitação, são treinados na Unidade cerca de 200 pessoas do Brasil e do exterior. Ao mesmo tempo, é desenvolvida programação de oferta de cerca de 20 cursos de especialização e de extensão, com público entre 400 e 500 alunos por ano.

Preservando o passado, antecipando o futuro
Este é o lema que escolhemos para as comemorações do aniversário da Unidade e sem dúvida, reflete de forma apropriada os grandes objetivos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia: conservar e melhor conhecer recursos genéticos animais, vegetais e microbianos e realizar pesquisas com características inovadoras, em benefício de toda a sociedade.

José Manuel Cabral de Sousa Dias
cabral@cenargen.embrapa.br

Fonte
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
http://www.cenargen.embrapa.br

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