Existem alternativas para resolver o problema da fome. E a solução poderia despontar das próprias universidades. “É a Nova Revolução Verde, que propõe uma reorientação da pesquisa, levando em conta os indivíduos e o meio ambiente e não apenas o capital e o lucro”, acredita o engenheiro agrônomo Paulo Stringheta, professor titular do Departamento de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais.
Na década de 60, acreditava-se que a solução para a falta de alimentos estaria no uso intensivo de defensivos agrícolas, na mecanização do campo, na seleção das sementes e na monocultura. O sistema recebeu críticas por não ter resolvido o problema a que tinha se proposto e por ter contribuído com a evasão rural. “Em vez de eliminar a falta de alimentos, agravou a fome e acabou com a fertilidade natural dos campos”, critica Stringheta.
Hoje quase 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo, segundo dados do Institute for Food and Development Policy, dos Estados Unidos. O drama afeta principalmente a população das periferias, que não pode fazer bicos ou mendigar, como ocorre nas grandes cidades. Ou seja, o problema está no campo. Para Stringheta, “a fome acontece porque as pessoas não têm recursos e não por falta de alimentos”.
Como alternativa, ele propõe a adoção da Nova Revolução Verde, que inclui o modelo de agricultura orgânica. Dessa forma, a solução para o problema da fome não estaria apenas na produção de alimentos, mas também na forma de gerir essa produção. “Quando se trabalha com orgânicos, são envolvidos os pequenos agricultores – potenciais habitantes da favela se não conseguem renda com o trabalho rural”, percebe. Segundo Stringheta, há ainda outras vantagens no sistema orgânico de produção: “O modelo, além de fixar o homem no campo, melhora o meio ambiente, promove a coletividade, valoriza o empreendedorismo e se preocupa com a educação e a qualidade de vida dos agricultores e da população em geral”.
As percepções do pesquisador não vêm apenas de teorias acadêmicas, mas da observação e da vivência dessa proposta. Há dois anos, Stringheta e outros 14 professores de diversas áreas da Universidade Federal de Viçosa desenvolvem um projeto de implantação do modelo orgânico em um assentamento, no noroeste de Minas Gerais, e junto a um grupo de agricultores familiares, na Zona da Mata Mineira. A iniciativa é tão promissora que atraiu um financiamento de R$ 1,8 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “A universidade pública que não exercer seu papel social terá dificuldade de captar recursos”, percebe Stringheta.
A população está sendo mobilizada. Só no assentamento, serão beneficiadas diretamente cerca de 180 famílias e 800 em toda a região. “O trabalho trata desde a produção de mudas até a venda do produto industrializado”, explica o professor. Estão sendo plantadas diversas frutas, como manga, banana, maracujá e abacaxi. Os produtos serão transformados em polpa congelada orgânica para depois serem exportados. “Grande parte da produção já está vendida antes da fruta ser colhida”, comemora o pesquisador, que esteve na edição deste ano da Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo, e recebeu encomendas da Alemanha.
Apesar do apoio técnico dos cientistas da UFV, os agricultores estão sendo capacitados para caminhar sozinhos com o projeto. A iniciativa mineira mostra que a pesquisa acadêmica pode – e deve – ser útil à população. “A universidade não consegue mais sobreviver sem interação com a comunidade”, reconhece Stringheta.

Fonte: CNPq

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A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades de pesquisa da Embrapa, localizada em Brasília, DF, recebeu no dia 30 de setembro a visita do Ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural de Angola, Gilberto Buta Lutucuta. Ele veio acompanhado de uma comitiva composta por representantes do governo angolano e da Petrobrás e o objetivo foi identificar possibilidades de transferência de tecnologias e produtos da Embrapa para Angola. O Ministro visitou outras unidades da Embrapa e empresas no Brasil, mas afirmou ter interesse especial pelas pesquisas de recursos genéticos e biotecnologia.

Segundo ele, a cooperação entre o Brasil e Angola já está encaminhada e começará a ser desenvolvida em curto prazo. Uma das primeiras atividades em conjunto será o treinamento de técnicos angolanos nas técnicas de coleta e caracterização de recursos genéticos desenvolvidas na Unidade da Embrapa. Lutucuta afirmou que a visita ao Brasil superou as suas expectativas pelo alto nível tecnológico das pesquisas e das técnicas de produção na área de agropecuária. “As tecnologias desenvolvidas no Brasil são de alto nível internacional e não deixam nada a desejar para os grandes países produtores de tecnologia”, ressaltou.

A biotecnologia é outra área definida pelo Ministro como prioritária para o desenvolvimento de futuras cooperações. Ele demonstrou muito interesse pelo bioinseticida Sphaerus SC, lançado recentemente pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com a empresa Bthek Biotecnologia, para controlar o mosquito transmissor da malária e o mosquito urbano. De acordo com Lutucuta, a malária é o segundo pior flagelo enfrentado pela população de Angola, e mata milhares de pessoas anualmente.

O Ministro demonstrou muito interesse também em desenvolver cooperação e treinamento dos técnicos angolanos nas metodologias de transferência de embriões bovinos, uma das biotecnologias reprodutivas mais bem sucedidas, utilizada na pecuária brasileira há mais de vinte anos. A tecnologia de transferência de embriões vem crescendo muito nos últimos anos em todo o mundo, especialmente no Brasil. De acordo com o relatório anual da IETS (International Embryo Transfer Society) de 2003, em 2002 o Brasil foi responsável por cerca de 50% dos embriões produzidos in vitro (em laboratório), o que é um dado muito significativo, considerando que esse índice certamente já aumentou daquele ano para cá..

Os biorreatores também chamaram a atenção da comitiva angolana, especialmente porque eles estão iniciando no país a implantação de uma biofábrica de cultura de tecidos, com o apoio do FIDA (Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura), através do PRODECA, que é um programa para produção de alimentos. Os biorreatores foram desenvolvidos pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e permitem o cultivo de células, tecidos ou órgãos de espécies vegetais, animais e de microrganismos, podendo ser utilizados para produção de mudas em grande escala. São uma ótima opção para as empresas de fruticultura, produção de plantas ornamentais, reflorestamento, papel e celulose, madeireiras, dentre outras.

Fernanda Diniz
fernanda@cenargen.embrapa.br

Fonte
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
http://www.cenargen.embrapa.br

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A Cosmologia moderna credita a criação do Universo a uma grande explosão, o “Big Bang”, teoria que confronta as escrituras sagradas. Numa comparação mais “terrena” e menos polêmica, podemos afirmar que a biblioteca da Escola Municipal Estrela do Leste nasceu de um Big Bang, simbolizado por uma ação institucional que envolveu os empregados da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A Escola fica localizada na periferia da cidade de Planaltina, Goiás, e é formada por cerca de 500 alunos e 15 professores.

Cerca de 70 obras foram doadas pelos empregados, até o momento, como parte das ações sociais da empresa, incluindo de livros didáticos a apostilas de concursos. Foi o estopim desse Big Bang cultural. A partir desse ato simbólico nasceu a biblioteca, que a professora Ana Lúcia Pereira de Carvalho, diretora da escola, junto com outros professores da instituição, apresentou à jornalista Fernanda Diniz, supervisora da Área de Comunicação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia no dia 28 de setembro.

Foi também o princípio de uma relação institucional com fortes laços. Em novembro, por ocasião do seu 30º aniversário, 10 alunos da Escola Estrela do Leste serão selecionados para contar a história da Unidade. Os fatos que motivaram a criação e os avanços científicos alcançados pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia nessas três décadas serão repassados a estudantes da rede pública do Distrito Federal através de uma peça teatral que envolverá toda a comunidade escolar.

Em carta encaminhada à direção da Unidade, Ana Lúcia relata que o “acesso à biblioteca mais próxima, com títulos diferenciados”, significava uma caminhada de, no mínimo, três quilômetros, levando os estudantes a desistir da pesquisa necessária. A nova Biblioteca, além de atender à comunidade local, já é freqüentada por alunos de outras escolas. “Pretendemos ampliá-la fisicamente para atender à demanda”.

Na mesma correspondência, a diretora da escola registra: “acalenta saber que uma instituição conceituada como a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia demonstre sua grande responsabilidade social. É, deveras, um exemplo!”. Com certeza o Centro e seus empregados não poderiam receber presente de aniversário mais significativo.

Edvalson Bezerra Silva
mocoin@cenargen.embrapa.br

Fonte
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
http://www.cenargen.embrapa.br

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A decisão da Rússia de embargar a compra de carne bovina brasileira pode gerar perdas de US$ 1 milhão por dia para o país. O cálculo leva em consideração o total de exportações do setor realizadas em agosto, que somaram US$ 243 milhões; sendo que o mercado russo foi o principal comprador, com US$ 33 milhões.
“Esperamos que o impasse seja resolvido o mais rapidamente possível, pois do ponto de vista sanitário não há justificativa para a adoção da medida”, diz o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.
Em agosto, a Rússia foi o principal destino das exportações de carne bovina, superando Chile e Países Baixos, que antes ocupavam as primeiras posições no ranking dos maiores importadores nesse segmento.
O representante da CNA ressalta que o foco de febre aftosa registrado no Estado do Amazonas, que é o motivo alegado pela Rússia para suspender importações de carne bovina de todo o Brasil, fica em região isolada, sem representar risco de contágio para o rebanho localizado em regiões livres da doença e que fornece carne para as exportações.
No mês de agosto de 2003, as exportações de carne bovina somaram 93 mil toneladas, com faturamento de US$ 109 milhões. Apesar dos problemas gerados pelo embargo russo à carne bovina brasileira, Nogueira estima que as exportações totais do setor em 2004 deverão ultrapassar a marca de 1,6 milhão de toneladas (no conceito “equivalente-carcaça”), com faturamento de US$ 2 bilhões. No ano passado, as exportações de carne bovina somaram 1,3 milhão de toneladas e faturamento de US$ 1,5 bilhão.
Entre janeiro e agosto deste ano, o faturamento das exportações do setor já ultrapassou o total obtido em todo o ano passado, com resultado de US$ 1,556 bilhão, 78% a mais que os US$ 875 milhões registrados em igual período de 2003. Em volume, as exportações de carne bovina somaram 1,147 milhões de toneladas entre janeiro e agosto deste ano, frente 819 mil toneladas, nos oito primeiros meses do ano passado.
“Já ultrapassamos o total de faturamento do ano passado, embora sem ainda atingir o volume remetido em 2003. Isso ocorre porque os preços médios da tonelada exportada, em dólares, são superiores em 25% em relação ao ano passado”, explica Antenor Nogueira. Em agosto deste ano, por exemplo, o preço médio pago pela carne bovina brasileira in natura foi de US$ 2.081 por tonelada, cerca de 10% a mais que o preço médio de US$ 1.891 por tonelada, em agosto do ano passado. O Brasil está exportando maiores volumes de cortes nobres, mais valorizados, o que gera maiores receitas.
Na avaliação de Nogueira, a restrição da Rússia não deverá provocar queda nos preços da arroba do boi gordo no mercado interno, tendo em vista que o governo russo autorizou o embarque das compras efetuadas antes do embargo. Isso dará um fôlego aos exportadores. Mas é necessário que haja uma solução o mais rapidamente possível, para evitar o acúmulo de estoques de carne bovina nos portos.
Pesquisa da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) mostra que entre janeiro e agosto os Custos Operacionais Totais (COT) da pecuária de corte subiram 7,37%, enquanto que o preço pago pela arroba do boi aumentou apenas 1,2%. Somente o sal mineral, insumo que representa 15% dos custos de produção, subiu 10% de janeiro a agosto.
O setor também começa a ser atingido pelo aumento geral dos preços de rações e suplementos minerais, insumos que não foram beneficiados com isenção de PIS e Cofins quando da edição da Lei n 10.925, de 23 de julho de 2004. Na pecuária de corte, a taxação em 9,25% de PIS e Cofins no sal mineral eleva em 1,3% os custos de produção do setor, o que representa um aumento de despesas para os produtores na ordem de R$ 350 milhões por ano.
Com informações da CNA.

Fonte: Agrolink

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