O sistema de plantio direto na agricultura brasileira, método que dispensa o preparo da terra, reduz a emissão de CO2 no ambiente em 0,5 toneladas por hectare ao ano. O índice foi obtido por intermédio de um levantamento realizado no setor agrícola que mostra resultados dos últimos 20 anos. A pesquisa foi coordenada pelo professor Carlos Clemente Cerri, do Laboratorio de Biogeoquímica Ambiental do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da USP de Piracicaba, e apresentada recentemente ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Segundo o professor, estes resultados foram divulgados em Buenos Aires, na décima reunião de países signatários da Convenção do Clima de 1992, que acontece até sexta-feira (17). A primeira destas reuniões aconteceu em Berlim, onde foi aprovado o documento denominado Mandato de Berlim, que deu origem ao Protocolo de Quioto, adotado em 1997. O Protocolo de Quioto estabelece que os países industrializados reduzam a emissão de gases causadores do efeito estufa em 5,2% com relação aos índices de 1990.
“Ao adotar o plantio direto em substituição ao preparo do solo com aração e gradagem, que libera CO2 na atmosfera, o Brasil deu um grande passo para a sustentabilidade”, garante o professor. “As formas tradicionais da agricultura com aração e gradagem favorecem a ação de microorganismos que acabam liberando o estoque de carbono (C) do solo”, explica Cerri. “O plantio direto, além de evitar este processo, acaba por retirar quantidades do gás carbônico da atmosfera.”
O professor conta que os números do levantamento foram obtidos com base num censo emitido pelo Ministério em 2002, com dados referentes ao período de 1975 a 1995. “Podemos considerar os resultados atuais, pois acreditamos que pouco mudou até o presente. Além disso, não temos conhecimento de dados mais recentes”, informa Cerri.
Metodologia
Segundo o professor, agricultura brasileira o sistema de plantio direto já é aplicado em cerca de 22 milhões de hectares. Ele conta que a modalidade foi adotada inicialmente na década de 70, registrando um aumento exponencial nos últimos oito anos. “Principalmente em cultura de grãos, como milho e soja, os agricultores estão adotando o plantio direto”, afirma.
Para a realização do levantamento, o pesquisador usou uma metodologia com base em geoprocessamento, cruzando informações referentes aos solos. “O método consistiu no registro dos cálculos de estoques de carbono nos solos brasileiros, sem intervenção humana. Mais tarde, registramos as áreas de cada uso agrícola: pastagens, cultivos, etc”, conta Cerri. “Para chegarmos aos índices, calculamos o quanto cada área reduziu seu estoque de C no solo.”
Mas não é somente os processos de tratamento do solo que provocam a emissão de CO2. “Há outras práticas na agricultura, como a queima da cana-de-açucar, por exemplo”, lembra. Além dos grãos, Cerri informa que algumas culturas perenes, como café, e citros em geral, também já adotam o sistema de plantio direto.
Para a realização dos levantamentos, Cerri contou com a colaboração de pesquisadores visitantes do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), de Montpellier, França, e alunos de pós-graduação da Esalq.
Antonio Carlos Quinto

Fonte: Agência USP de Notícias

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As primeiras diferenças entre a realidade brasileira e as normas do EurepGAP para a produção de café já começaram a ser levantadas. A iniciativa é parte do trabalho do Grupo Brasil EurepGAP Green Coffee, formado em Londrina (PR) e que promoveu o primeiro de uma série de encontros nos quais será avaliado o Documento Normativo “Pontos de Controle e Critério de Cumprimento”, que define elementos considerados essenciais para a produção de café verde, segundo a determinação da ONG européia.
“Todos os ítens que necessitarem de adequação às condições de mercado brasileiras serão descritos em ata, que é o documento oficial de cada reunião e que será encaminhado ao Comitê Técnico EurepGAP (TSC)”, ressalta o Diretor de Novas Tecnologias do Instituto Genesis e presidente do Grupo, Marcelo Holmo.
Já na primeira reunião, foram avaliadas sete das 14 seções que compõem a normatização. Entre os 56 Pontos de Controle avaliados – nos quais são considerados fatores como rastreabilidade, variedades e linhagens (rootstocks), solo e utilização de substratos, uso de fertilizante, irrigação e ferti-irrigação, entre outros – um dos que apresentaram necessidade de adequação, segundo técnicos presentes, diz respeito ao uso de fertilizantes. O Documento Normativo estipula, por exemplo, que o maquinário de aplicação de fertilizantes deve passar por revisão de calibragem periódica por empresa especializada. “Isso é um fator difícil de ser aplicado no Brasil, devido tanto às dimensões do País, quanto de acesso de muitos produtores a esse serviço. Vamos recomendar que a propriedade possa capacitar um funcionário para fazer essa manutenção”, afirma Holmo.
Os Pontos de Controle referentes à irrigação e ferti-irrigação tiveram uma avaliação inicial na ocasião. Serão realizados, porém, estudos para estabelecer parâmetros mais conclusivos sobre o assunto na próxima reunião, que acontece no dia 15 de fevereiro, na sede do Instituto Genesis (www.institutogenesis.org.br), em Londrina (PR). Além disso, o Grupo Brasil EurepGAP Green Coffee vai estudar ainda as determinações quanto à proteção da lavoura, colheita e manejo do produto pós-colheita, gestão de resíduos, poluentes e saúde, segurança e bem-estar do trabalhador, entre outros. O documento todo contempla 14 seções diferentes e 2 anexos, perfazendo total de 195 Pontos de Controle divididos em 46 Deveres Principais, 104 Deveres Secundários e 45 Recomendações. Todas as sugestões de alterações ou adaptações sugeridas na norma “Pontos de Controle” constarão em ata e serão encaminhadas ao Comitê Técnico EurepGAP (TSC), que tem sede na cidade de Cologne (Alemanha). “Vale acrescentar que é muito importante a participação de representantes do setor produtivo, sobretudo os cafeicultores”, conclui Holmo.
O Brasil é hoje o maior produtor de café do mundo, sendo responsável por cerca de 40% de toda a produção mundial. Segundo dados do Instituto FNP (Agrianual 2005), a safra brasileira de café 2003/2004 foi de 30,74 milhões de sacas, que foi somada ao estoque de 17,53 mil sacas da safra anterior. As exportações totalizaram em 24,64 mil sacas e o consumo interno chegou a 14,14 mil sacas. O estoque final ficou em 9,49 mil sacas, sendo 4,96 do Governo e 4,53 da iniciativa privada. As estimativas são de colher 39,03 milhões de sacas na próxima safra. Além dos Estados Unidos, que importou 293,80 mil toneladas em 2003, estão entre os principais consumidores do café brasileiro, países como Alemanha (247,91 mil toneladas), Itália (151,21 mil toneladas), França (52 mil toneladas), Bélgica (52,91 mil toneladas), Espanha (48,48 mil toneladas) e Suécia (36,04 mil toneladas), entre outros.
Sobre o EurepGAP
EurepGAP é uma associação privada, sem fins lucrativos, que se originou da organização de grandes varejistas europeus (Euro Retailer Produce Working Group – Eurep), preocupados em assegurar a qualidade de produtos destinados ao consumo humano. Criado em 1997, o foco inicial era com os fornecedores de frutas e vegetais e, no ano 2000, surgiu a versão Integrated Farm Assurance (IFA), dirigida a produção pecuária.
O protocolo EurepGAP é um conjunto de requisitos básicos de boas práticas agrícolas – ou good agricultural practice (GAP) – que correspondem a padrões globais de segurança alimentar, preservação ambiental, saúde e segurança dos trabalhadores e bem estar animal.
São 30 empresas que compõe o rol de membros do EurepGAP, localizadas em países como Holanda, Inglaterra, Bélgica, Noruega, Suécia, Suiça, Espanha, Finlândia, França, África do Sul, Irlanda e Austrália.
A partir de 2005, as produtoras e as empresas agrícolas com planos de ultrapassar as fronteiras de comercialização e exportação para o mercado varejista europeu, necessariamente precisam ser certificadas pela norma EurepGAP.

Sobre o Instituto Genesis

O Instituto Genesis, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), com sede em Londrina (PR), é uma entidade que se dedica a potencializar a produção brasileira. O Departamento de Certificação Animal é credenciado pelo Governo Federal através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A entidade, que é a maior certificadora do agronegócio do País, atende a mais de 10 mil propriedades rurais, com um rebanho de aproximadamente seis milhões de cabeças. Outras informações: www.institutogenesis.org.br.
William Parron
parron@contatocom.com.br
Fonte
ContatoCom
http://www.contatocom.com.br

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Casos da gripe aviária foram identificado na Indonésia e confirmados pelo governo daquele país. Mais de 20 mil aves em dez sub-distritos da capital do país, estão infectados pela influenza aviária. O número de aves contaminadas representa 43% de todo o plantel de frangos da Indonésia.
Além da capital, o vírus já contaminou 10% da população de frangos em outros 13 sub-distritos da Indonésia. O governo do país planeja distribuir 250 mil doses de vacinas na área infectada para prevenir que a doença se alastre para outras regiões.

Fonte: Gazeta Mercantil

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A Rússia deverá manter o embargo às carnes brasileiras até o ano que vem e, quando reabrir o mercado, importar apenas de seis estados. Apesar de não ter recebido oficialmente a notificação – era feriado na Rússia ontem -, a informação foi confirmada pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Maçao Tadano. Desde 17 de setembro que o Brasil está impedido de exportar para a Rússia.
Segundo fontes da indústria, na semana passada, os técnicos que estiveram no Brasil no período de 16 a 26 de novembro se reuniram com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergei Dankvert, e teriam recomendado a suspensão das restrições. No entanto, tanto no governo quanto na iniciativa privada, a explicação para a demora na solução é política. “Há outras colocações que não técnicas”, afirma Tadano, acrescentando que os russos não têm pressa em resolver o impasse, pois nesta época do ano os portos fecham devido ao clima.
Há unanimidade no setor de que o problema deverá ser resolvido em instâncias superiores do governo. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Cláudio Martins, estariam em jogo na disputa a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a licitação de aviões do governo brasileiro. “Esperamos uma resposta oficial sobre o assunto para essa semana”, diz Martins. Para o analista Paulo Molinari, da Safras e Mercado, o País está sem força política de negociação e, se a situação não se reverter em até três meses, haverá queda das vendas.
Para Martins, o Brasil terá perdas, mas não substanciais, porque em novembro os russos liberaram as exportações de Santa Catarina, único estado livre de aftosa sem vacinação. No início do embargo, comentava-se que o prejuízo diário seria equivalente a US$ 4 milhões.
Outra fonte do setor diz que a partir do ano que vem, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais poderiam voltar a vender para a Rússia.
A Rússia suspendeu as compras de carne do Brasil depois de o governo anunciar a descoberta de um foco de febre aftosa no município de Carreiro da Várzea (AM). Ainda assim, Moscou permitiu o embarque dos lotes que já haviam sido contratados. Foi a segunda vez que o governo russo suspendeu as compras das carnes brasileiras devido à aftosa – em junho, a presença da doença no Pará provocou restrição. Em novembro, uma missão veterinária veio ao País para avaliar “in loco” a situação sanitária do rebanho brasileiro. Os técnicos visitaram laboratórios de vacinas, frigorífico e propriedades rurais. Também estiveram na divisa de Tocantins com o Pará para conhecer o sistema de “zona tampão”.
Neila Baldi

Fonte: Gazeta Mercantil

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