Considerada uma cultura dependente do uso intensivo de agrotóxicos, a batata pode ser produzida com a utilização de adubos orgânicos e manter a rentabilidade. A constatação é de um grupo de agrônomos da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Emater, que realizam uma pesquisa sobre o tema desde 2002. Parte dos resultados foi divulgada no II Congresso Brasileiro de Agroecologia, V Seminário Internacional sobre Agroecologia e VI Seminário Estadual sobre Agroecologia. As atividades foram realizadas no Centro de Eventos da PUC/RS, em Porto Alegre, até quinta-feira (25).
O estudo foi motivado pela necessidade de produtores de batata da Quarta Colônia Italiana, região que congrega os municípios de Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Silveira Martins, São João do Polêsine e partes das atuais cidades de Santa Maria e Restinga Seca. Por meio de sua associação, os agricultores formalizaram o interesse de processar dejetos animais de suas propriedades para usar como adubos, barateando os custos de produção e dando um destino mais adequado para os resíduos, reduzindo a poluição ambiental. Outro objetivo almejado era a valorização dos preços de venda da batata, tendo em vista a tendência crescente de remuneração superior aos produtos de origem orgânica.
A partir da solicitação, o grupo de técnicos elaborou um projeto de avaliação da eficiência dos adubos orgânicos, com cama de aves e suínos, comparando-os com os adubos químicos minerais, tradicionalmente usados na cultura.
Neste terceiro ano de pesquisa, a equipe confirma os indicativos prévios de que os adubos de cama de aves aplicados no cultivo da batata geram uma rentabilidade equivalente à da adubação mineral, constituindo uma alternativa viável para os agricultores. Os resultados apurados demonstraram que o biofertilizante elaborado por essa técnica alcançou uma produtividade de 10,7 mil quilos por hectare, enquanto os fertilizantes químicos ficaram em 10,8 mil quilos por hectare.

Fonte: Página Rural

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Alguns dos principais criadores da raça brahman fundaram nesta semana, em Jaguariúna, São Paulo, o Núcleo Brahman Sudeste. O objetivo é trocar experiências e tecnologias, promover eventos e fomentar essa raça bovina, considerada uma boa opção para a pecuária nacional.
“Por ser de origem zebuína, o brahman tem excelente produtividade, fertilidade e qualidade de carne, além de se adequar com facilidade ao clima tropical”, explica o veterinário e presidente do Núcleo, Giovanni Dimarzio. Segundo ele, na última década, as vendas de sêmen da raça cresceram 467% no Brasil, saltando da 9ª para a 3ª posição entre as raças de corte mais utilizadas na pecuária brasileira.
Atualmente, a brahman é a raça que mais cresce no meio pecuário. “Grandes pecuaristas têm ingressado na raça, o que lhe rendeu um crescimento de 316% só em 2004”, acrescenta Dimarzio.
Entre os integrantes do Núcleo Brahman Sudeste estão os pecuaristas Valdomiro Poliselli Jr., Sergio Bendilatti, Sérgio Rutowitsch, Luiz Carlos Monteiro, Paulo de Castro Marques , João Leopoldino e o Grupo Dimarzio, dos criadores José Amauri Dimarzio e José Dimarzio Júnior.
Origem
A raça brahman é zebuína, originária da Índia, mas foi desenvolvida nos Estados Unidos a partir de 1850. É considerada o zebu do mundo, uma vez que muitos países já a utilizam para produção de carne, entre eles Estados Unidos e Austrália. No Brasil, a raça está presente desde meados da década de 90.
O brahman possui um traseiro mais largo, o que é muito bom porque a parte traseira é a mais comercializada no Brasil e no mercado externo. Embora o nelore seja imbatível no país – 80% das cabeças de gado são dessa raça -, o brahman é uma alternativa no cruzamento industrial, porque pode ser cruzado com o próprio nelore.
Ilone Vilas Boas
E-mail: ilone@saviezza.com.br

Fonte: Saviezza

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A mídia exagera quando fala dos benefícios que o agronegócio traz para a economia brasileira. É a opinião de Fernando Gaiger, economista e pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que, durante o seminário “A Questão Agrária, os Movimentos Sociais e a Mídia no Brasil”, apresentou dados e resultados de pesquisas que comprovariam o exagero. Segundo ele, o agronegócio “não é a salvação da economia brasileira, como alguns especialistas e boa parte da mídia têm afirmado”, e não existe a multiplicação de empregos no campo provocada pela expansão de culturas voltadas para a exportação, como a soja.
Gaiger apresentou os resultados de um estudo que simulou o que aconteceria no Brasil se os países ricos resolvessem abolir os subsídios agrícolas. Segundo o pesquisador, haveria um grande aumento na produção e um crescimento das exportações de produtos agrícolas. Mas o aquecimento do agronegócio não mudaria substancialmente alguns índices econômicos importantes.
Pelo estudo, o crescimento do nível de emprego seria de apenas 1,26%. O PIB per capita também teria um pequeno aumento, da ordem de 1,34%. A desigualdade de renda geral não sofreria alteração, sendo que aumentaria a concentração de renda no meio rural. Dos 11 milhões de pobres do Brasil, apenas 350 mil teriam uma pequena melhora nas condições econômicas, o que, segundo o pesquisador, “seria uma redução do nível de pobreza muito menor do que a ocorrida no Plano Real, na adoção da aposentadoria rural ou na disseminação de programas sociais”.
Gaiger também questiona as reportagens veiculadas pela TV e por parte da mídia impressa que vendem a idéia de que está sobrando emprego no campo devido à expansão do agronegócio. Para o pesquisador, dados do IBGE mostram que cerca de 15 milhões de pessoas trabalhavam na agricultura em 1995. Em 2004, seriam 16,4 milhões, o que representaria um crescimento de cerca de 10%. Mas os mesmos números mostram que boa parte dos novos trabalhadores são membros de famílias de agricultores que trabalham sem remuneração. “O crescimento não é apenas conseqüência da expansão do agronegócio, mas também do crescimento da agricultura familiar, sobretudo em pequenas propriedades que plantam feijão”, afirma o pesquisador.
No seminário, organizado pelo MST, em conjunto com a Fundação Cásper Líbero, a Escola Nacional Florestan Fernandes e o Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária, Fernando Gaiger proferiu a palestra “Agricultura Familiar e Agronegócio”. O pesquisador apontou algumas falhas do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Segundo ele, “menos de 10% dos estabelecimentos rurais pobres ganham crédito federal e o setor de subsistência está à margem dos planos públicos, enquanto agricultores não muito familiares, que seguem a lógica de produção capitalista e têm assalariados, ficam com grande parte dos recursos”.
Gaiger propõe uma mudança de critérios no Pronaf, que hoje leva em conta apenas o tamanho da propriedade e o número de assalariados. Para ele, “também é preciso levar em conta a lucratividade do produtor e fazer com que os recursos do programa cheguem aos que mais precisam de apoio”.
Flávio Amaral

Fonte: Repórter Social

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“Contrariamente à divulgação massiva promovida por setores da grande imprensa, evidências de realidade mostram relação negativa entre a adoção de sementes transgênicas e a performance da lavoura de soja gaúcha. Dados da safra 2003-2004 confirmam resultados observados nas safras anteriores, no sentido de que em situações de estresse hídrico, as sementes desenvolvidas para maiores latitudes não apresentam boa resposta no ambinte gaúcho, mostrando-se especialmente inadequadas ao plantio em regiões marginais. Particularmente sérias e longevas serão as implicações ambientais do uso massivo de roundup e máquinas pesadas nas áeras de campo nativo da metade sul do Rio Grande do Sul, cuja capacidade de recuperação é sabidamente restrita”.
Estas são as conclusões do pesquisador Leonardo Melgarejo apresentadas nesta quinta-feira no II Congresso Brasileiro de Agroecologia, em Porto Alegre. Para ele , “os resultados observados na safra de 2003/2004 confirmam as previsões apresentadas no ano anterior, apontando possível equívoco de analistas que associavam os rendimentos excepcionais ao desempenho das sementes transgênicas contrabandeadas da Argentina”.
“A crise provocada pelo desempenho medíocre daquela safra”, diz Melgarejo, “se deve à combinação entre o clima adverso, o uso de sementes inadequadas e a utilização de áreas marginais, ocupadas com estímulo de formadores de opinião e que ignoraram as advertências de que o clima excepcional da safra do ano anterior dificilmente se repetiria”.
“Os impactos ambientais e os prejuízos econômicos decorrentes desta safra repercutirão fortemente ao longo dos próximos períodos”, afirmou o pesquisador.
Clique aqui para acessar a íntegra do resumo do trabalho. (formato PDF, 80 kb)

Fonte: EcoAgência

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