Um grupo de técnicos brasileiros e russos está atuando em conjunto para tentar fazer um acordo que permita a suspensão do embargo russo às carnes exportadas pelo Brasil. O governo russo decidiu pôr parcialmente fim ao embargo da carne brasileira. A partir de hoje, voltará a importar carnes de frango, de suínos e de bovinos produzidas apenas em Santa Catarina.
De acordo com a Agência Brasil, continua suspensa a compra da carne dos demais estados brasileiros. Os russos entendem que o fornecimento catarinense tem mais garantias, já que estado é considerado livre da febre aftosa, com controles tão rígidos que dispensam a necessidade de vacinação preventiva do gado – nas demais regiões produtoras do país o controle ainda exige campanhas de imunização.
A normalização das exportações para a Rússia dependerá do trabalho de uma comissão de veterinários brasileiros e russos, que há três meses avaliam a situação fitossanitária no Brasil. A expectativa do governo brasileiro é de uma resolução favorável ao Brasil ainda nos próximos dias.
Afonso Benites

Fonte: Campo Grande News

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Enquanto não se definia o quadro eleitoral dos Estados Unidos, as negociações ficaram suspensas e na pauta havia outras prioridades. Não que agora esta situação irá mudar radicalmente, já que na frente das prioridades permanecem o combate ao terrorismo, uma solução para a situação do Iraque e outras questões nucleares envolvendo Coréia do Norte e Irã. O que se espera, no entanto, é que as conversas com a América Latina sejam retomadas.
Com a reconhecida vitória do atual presidente, George W. Bush, surge a pergunta sobre o que pode mudar para o Brasil em termos comerciais. Em princípio, podemos dizer que a política comercial republicana tende a ser mais aberta vis-a-vis o sugerido protecionismo dos democratas, embora o primeiro mandato do presidente Bush tenha demonstrado um viés protecionista, com a imposição de salvaguardas para o aço e os elevados subsídios agrícolas conferidos pela última lei agrícola norte-americana (a Farm Bill 2002). Além disso, Bush já tinha um compromisso com a Alca e, ao contrário do que muitos imaginavam, vem tendo um bom relacionamento com os países da América Latina, inclusive promovendo a formação de diversos acordos bilaterais de comércio.
Mas não devemos nos iludir e imaginar que as condições de negociação serão mais fáceis, sobretudo em termos regionais. Na realidade, a política comercial dos próximos quatro anos do governo Bush vai depender muito do estado da economia. O protecionismo poderá reaparecer se o crescimento for aquém do desejado, se o desemprego se elevar ou ainda se o déficit em conta corrente, hoje o maior do mundo (US$ 530,7 bilhões em 2003 e superior ao PIB do Brasil) se tornar insustentável. O ciclo de preços mais baixos para diversos produtos agrícolas nos próximos dois anos também deverá dificultar a redução de subsídios ao setor, que particularmente interessa muito ao Brasil.
Para o Brasil, a situação torna-se mais complicada pelo fato de os Estados Unidos estimularem a formação de acordos bilaterais em uma estratégia denominada “competitive liberalization” (em que os países atuam nos diversos foros buscando obter os máximos resultados em troca de muito pouco), como os recentes acordos assinados com o Chile, com o CAFTA (América Central), e mais recentemente, as negociações envolvendo os EUA e os países andinos.
Por outro lado, o Mercosul permanece em processo de esvaziamento, com disputas e divergências comerciais ainda não solucionadas por seus dois membros mais importantes, Brasil e Argentina. Os recentes conflitos de interesse entre esses países ilustram bem esta situação e acabam reduzindo o poder de barganha do bloco e, conseqüentemente, do Brasil. Este impasse poderá custar caro para o país nas diversas mesas de negociação.
No âmbito da ALCA, não são esperadas grandes conquistas para a agricultura brasileira com a vitória de Bush. A maior dificuldade em destravar questões como os subsídios agrícolas, está no Congresso norte-americano e não no Executivo, o que fará com que a negociação permaneça complicada. Os senadores e deputados, que são grandes defensores dos subsídios, devem continuar em seus cargos no próximo mandato.
O senador Charles Grassley, de Iowa, um dos defensores do protecionismo agrícola no Congresso, foi reeleito com folgada maioria. No meio-oeste, o vencedor em Illinois, também estado produtor agrícola, foi o democrata Barack Obama, que ainda não manifestou sua posição em relação aos subsídios agrícolas. O ex-líder democrata no Senado, Tom Daschle, perdeu para John Thone, republicano de Dakota do Sul. Portanto, com este cenário protecionista no Congresso norte-americano, é bem provável que as questões ligadas à agricultura ainda permaneçam como o foco da discórdia entre os EUA e seus parceiros comerciais que demandam maior liberalização da agricultura, como o Brasil.
No contexto das negociações internacionais, o Brasil precisa avançar muito na elaboração de propostas, sobretudo nos setores industrial e de serviços. Somente a agricultura está mais preparada para negociar, com os objetivos mais definidos e ciente de suas demandas. Fato este que a agricultura é o único setor que possui um instituto de pesquisa (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais – ICONE) para promover estudos e análises a fim de defender seus interesses nas negociações internacionais. Infelizmente, o setor industrial, o financeiro, entre outros, ainda estão engatinhando na elaboração de propostas. E é justamente nestes segmentos em que há grandes riscos para o Brasil. O setor industrial, por exemplo, ainda é bastante protegido em termos de barreiras tarifárias. Em alguns segmentos sua competitividade é baixa em relação aos padrões internacionais. A tarifa média do setor industrial no Mercosul está em torno de 13,0%, enquanto nos Estados Unidos e União Européia é de 4,5% e 4,7%, respectivamente, segundo dados do ICONE.
Em síntese, terminada a eleição dos Estados Unidos, as negociações internacionais devem retornar à pauta, principalmente no que se refere à ALCA. Certamente será uma negociação muito difícil para o Brasil, principalmente com o enfraquecimento do Mercosul, que prejudica também o andamento do acordo com a União Européia, onde o potencial de ganho para a agricultura poderia ser maior em virtude das exportações agrícolas brasileiras para este bloco terem maior peso na pauta total. De todo modo, o fato é que os Estados-membros do Mercosul precisam ser mais pragmáticos, procurando defender efetivamente os interesses da região no âmbito da ALCA. O mercado consumidor americano é imenso e os Estados Unidos têm um grande peso na importação de produtos brasileiros. Portanto, estas negociações têm grandes riscos, mas enormes oportunidades para o Brasil, porém será necessário muito talento e habilidade aos nossos representantes para conseguir um acordo que atenda aos anseios do país.
Glauco Rodrigues Carvalho – economista da MB Associados. O autor agradece as contribuições de Leandro Rocha.

Fonte: Agropauta

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A cera de carnaúba promete diminuir as perdas do agronegócio, ao proteger o tomate e outras frutas que tendem a estragar rapidamente por reterem pouco a água. A descoberta partiu da estudante de Engenharia Agrícola da Unicamp Marcela Chiumarelli, de 23 anos, que ganhou o prêmio Jovem Cientista 2004, um dos mais prestigiados da América Latina, concedido no último dia 26 de outubro na sede do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), em Brasília. A premiação é concedida pelo CNPq, Fundação Roberto Marinho, Gerdau e Eletrobrás.
O objetivo da pesquisa era determinar o melhor tipo de cera para a conservação do tomate. A fruta perde muita água, e com isso acaba estragando facilmente. A película protetora criada pela cera de carnaúba, que, segundo Chiumarelli, possui um grande poder isolante, impede que haja perda de água. Com isso, o tomate se conserva por mais tempo. “Com a cera, o tomate pode ser conservado por até 15 dias”, diz a pesquisadora.
“Geralmente quando se fala em prêmio, logo se pensa em alta tecnologia. Hoje em dia estão percebendo que o importante não é ter uma tecnologia muito cara. O importante é que seja possível colocá-la em prática e ao mesmo tempo ser acessível ao pequeno produtor, ao pequeno agricultor. Esse prêmio deu essa visão”, avalia Chiumarelli.
Produtores de tomate já manifestaram interesse em utilizar a cera de carnaúba, segundo a pesquisadora. Para cada tonelada de tomate, o produtor irá gastar R$ 10 para proteger a fruta com a película. Para o professor Marcos David Ferreira, do curso de Engenharia Agrícola da Unicamp, o projeto irá auxiliar a cadeia produtiva do agronegócio, diminuindo as perdas.

Fonte: Agropauta

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A Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, unidade vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), realiza no próximo dia 19 de novembro, às 14 horas, no auditório da Associação Comercial de Corumbá, o dia de campo “Ameaças às atividades econômicas do Pantanal”. O evento, que conta com o apoio da Semactur, busca reunir representantes dos setores de turismo e de serviços da cidade, além da comunidade e dos acadêmicos, em torno desses problemas, prevendo cenários futuros e propondo soluções sustentáveis para o Pantanal.
As atividades econômicas tradicionalmente adotadas pela comunidade pantaneira, como a pecuária, a pesca (profissional e turística) e o turismo, encontram-se cada vez mais ameaçadas pela soma dos impactos das atividades antrópicas. Segundo a pesquisadora da Embrapa Pantanal, Débora Calheiros, a sustentabilidade econômica dessas três atividades depende da sustentabilidade ambiental, ou seja, da conservação da qualidade do sistema Pantanal. Ela fará a abertura do evento, falando dos impactos potenciais para as atividades econômicas tradicionais do Pantanal.
A programação do evento também inclui as palestras sobre os impactos ambientais e econômicos do mexilhão dourado, tema que será apresentado pela pesquisadora da Embrapa Pantanal, Márcia Divina de Oliveira. Os desafios e oportunidades do turismo de pesca no Pantanal Sul serão enfocados pelo pesquisador da Embrapa Pantanal Agostinho Catella e, o encerramento do evento, a pesquisadora da Embrapa Pantanal Sandra Mara de Araújo Crispim, que falará sobre o problema das queimadas no Pantanal.
Denise Justino da Silva
E-mail: denise@cpap.embrapa.br

Fonte: Embrapa Pantanal

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