Autoria:

Maria Elita B. Castro

William Sihler

Filipe I. Azevedo

Zilda Maria A. Ribeiro

Marlinda L. Sousa


Núcleo Temático de Controle Biológico
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF)
E-mail: elita@cenargen.embrapa.br

Renato A. Pegoraro

Empresa de Pesquisa Agropecuária e de
Extensão Rural de Santa Catarina
– EPAGRI

Contato:

Maria Elita B. Castro

EMail:

elita@cenargen.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(61) 3448-4691

Palavras-Chave:

vírus, lagarta, trigo

Resumo:

Uma das pragas mais comuns na plantação do trigo é a lagarta Pseudaletia sp (Lepidoptera Noctuidae). Normalmente é encontrada em manchas na lavoura, atacando áreas restritas, mas tende a se expandir e pode consumir até 100m2 de área livre. As lagartas alimentam-se das folhas, podendo destruí-las completamente. O ataque geralmente é feito à noite, e durante o dia as lagartas escondem-se sob folhas secas (na base da planta), em torrões, ocorrendo sua maior concentração em locais com vegetação mais densa, ou com plantas acamadas. O controle biológico tem como objetivo controlar as pragas agrícolas e os insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais.

Visando uma possível e melhor utilização do agente no controle biológico da lagarta do trigo, estudos de sua biologia e patologia estão sendo conduzidos para uma caracterização mais detalhada e completa do baculovirus.

Os resultados de pesquisa obtidos até o momento aliados aos resultados preliminares quanto patogenicidade do vírus em estudo indicam que esse agente apresenta um grande potencial para uso no controle biológico da praga do trigo.

Abstract:

Corpo:

Uma das pragas mais comuns na plantação do trigo é a lagarta Pseudaletia sp (Lepidoptera Noctuidae). Normalmente é encontrada em manchas na lavoura, atacando áreas restritas, mas tende a se expandir e pode consumir até 100m2 de área livre. As lagartas alimentam-se das folhas, podendo destruí-las completamente. O ataque geralmente é feito à noite, e durante o dia as lagartas escondem-se sob folhas secas (na base da planta), em torrões, ocorrendo sua maior concentração em locais com vegetação mais densa, ou com plantas acamadas.

O monitoramento da densidade populacional para verificar a necessidade de controle artificial geralmente é feito por amostragens manuais. Para as condições da Região Sul, o monitoramento da lagarta-do-trigo começa no espigamento, considerando-se o número de lagartas e o desfolhamento.

O controle dessa praga tem sido feito por pulverizações com inseticidas químicos, nos focos de infestação, tendo em vista que o principal modo de ação é via ingestão. Porém, a constatação da ocorrência natural de lagartas (Pseudaletia) mortas por infecção viral é um forte indicativo do potencial inseticida do patógeno hospedeiro surgindo assim como uma interessante possibilidade de uso desse agente no controle biológico da praga.

O controle biológico tem como objetivo controlar as pragas agrícolas e os insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais.

Baculovirus constituem um grupo de vírus encontrados na sua maioria em insetos, principalmente da ordem Lepidoptera. Esses vírus são utilizados como alternativas ao uso de inseticidas químicos, pois possuem uma alta especificidade, conferindo total segurança ao homem e não oferece riscos ao meio ambiente. Eles foram originalmente encontrados como controladores de populações de campo e alguns têm sido utilizados como biopesticidas para aplicação em lavouras ou mesmo em florestas.

Para um melhor uso e manipulação do vírus como bioinseticida é necessária a sua caracterização, pois as informações obtidas dos estudos referentes ao patógeno e de suas interações com o hospedeiro vão contribuir para o monitoramento e segurança no campo.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI – SC) vêm desenvolvendo estudos para caracterização do patógeno causador da doença nas lagartas do trigo.

Dentro deste enfoque, lagartas (Pseudaletia sp) coletadas em plantações de trigo, na região de Itajaí (SC), no ano de 2005, foram processadas para análises em laboratório. O patógeno causador de morte dessas lagartas foi então identificado como do grupo dos baculovirus (família Baculoviridae, gênero Nucleopolyhedrovirus) e caracterizado com base nas análises de sua morfologia, taxonomia, proteínas estruturais e DNA viral.

Visando uma possível e melhor utilização do agente no controle biológico da lagarta do trigo, estudos de sua biologia e patologia estão sendo conduzidos para uma caracterização mais detalhada e completa do baculovirus.

Os resultados de pesquisa obtidos até o momento aliados aos resultados preliminares quanto patogenicidade do vírus em estudo indicam que esse agente apresenta um grande potencial para uso no controle biológico da praga do trigo.

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O programa Pesebem que instala balanças do produtor em frigoríficos começa a funcionar em Mato Grosso do Sul a partir de janeiro de 2007. A balança já está em fase de teste em dois frigoríficos de Mato Grosso do Sul, Friboi, em Campo Grande e no Bertim, em Naviraí.

O Pesebem, como é chamado, é uma forma de levar confiabilidade ao pecuarista e também melhorar o relacionamento entre produtor e frigoríficos. As balanças que estão sendo instaladas nos frigoríficos foram doadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O programa começou em Goiás com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), que já conta com seis balanças instaladas. Desde 2003 a FAEG vem desenvolvendo em parceria com frigoríficos do Estado. Além do estado de Goiás, o programa também está em São Paulo e Mato Grosso.

Conforme explica o coordenador do Pesebem da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL), Robson Souto, para o pecuarista fazer parte do programa é preciso fazer uma adesão. Em Goiás, já são cerca de 1.500 pecuaristas cadastrados. ?É uma ficha que ele precisa completar por e-mail, pessoalmente ou por telefone?, explica. O serviço custará R$ 1 por animal abatido.

Por enquanto, Mato Grosso do Sul tem duas balanças instaladas. Outras duas balanças também foram doadas pelo Fórum Nacional da Pecuária de Corte da CNA. ?Nosso objetivo é instalar o maior número de balanças no Estado?, esclarece o coordenador do programa.

Como funciona?

Denominado PESEBEM, o programa trabalha com um software desenvolvido especialmente para este modo de conferência. Em associação a uma balança de tendal (suspensa) eletrônica e computadorizada idêntica à utilizada pelo frigorífico, os lotes abatidos são pesados duplamente, pela balança do frigorífico e pela balança do PESEBEM que fica dentro das plantas industriais. Ao final, é impresso um relatório do romaneio de todas as carcaças que passam pela balança do programa. A partir do relatório, o pecuarista tem a certeza do peso de seus animais.

Instaladas pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL) e doadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as balanças são monitoradas por um software desenvolvido com exclusividade para o Pesebem. O objetivo é assegurar aos produtores a certeza do peso de seus animais, assim todas as dúvidas sobre a pesagem serão eliminadas garantindo a lucratividade para o produtor rural.

Serviço

Para aderir ao programa, entre em contato com a coordenação do Pesebem, na FAMASUL, pelo telefone (67) 3326-6211 ou pelo e-mail: pesebem@famasul.com.br

Fonte

Sato Comunicação
Fabiane Sato – Jornalista
Fone: (67) 3326-0111
Fone/Fax: (67) 3042-0112
E-mail: satocomunicacao@satocomunicacao.com.br
Internet: www.satocomunicacao.com.br

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O Sulfomec, fabricado pelo Laboratório Veterinário Interchange, de Campinas, a cada dia ganha mais espaço entre os criadores. O sucesso do produto já pode ser notado em praticamente todos os estados brasileiros. Desenvolvido para combater os parasitas internos e externos dos animais, o Sulfomec têm como principais vantagens a ação somatória de seus componentes e a facilidade de aplicação. Misturado ao sal mineral e ministrado no cocho, o produto traz inúmeros benefícios, como economia, ganho de peso do rebanho e eliminação do estresse animal.

e quot;Já usei uma vez e vou administrar o produto mais vezes porque gostei muito do resultado. Ele é bem simples de aplicar e pude comprovar sua eficácia contra bernes, carrapatos e moscas e quot;, diz Valdemir Lázaro Liutti, que cria seu rebanho em uma fazenda na cidade de Fartura, no estado de São Paulo. e quot;Já organizei várias viagens de gado para o abate depois da aplicação do Sulfomec e o resultado do TF (que constata a qualidade da carne) deu limpinho. Já estou indicando para outros amigos o produto e quot;, completa Liutti.

e quot;Utilizo o Sulfomec há quase 10 meses e o resultado vem sendo muito satisfatório. Estamos acompanhando e fazendo os exames. Já notamos que a verminose foi reduzida a zero e o gado teve um bom ganho de peso extra. É muito bom também porque, usando o produto, não é preciso remanejar o gado, o que evita o estresse do animal. Já recomendamos o Sulfomec para outros criadores da região e quot;, diz o gerente Renato Micai, da fazenda Santo Antonio, na cidade de Salto – SP. Micai tem um rebanho de mais de 550 cabeças de bovinos confinados, que está sendo tratado com Sulfomec.

Outro que aprova o uso do Sulfomec, é o pecuarista Paulo Brito, da Fazenda São João Baptista – Agropecuária Conquista, da cidade de Buritama- SP. Ele têm uma criação de 5 mil cabeças de bovinos confinados que também estão sendo tratados com Sulfomec. e quot;Já uso há um ano e venho tendo um ótimo resultado. Comprei alguns gados em péssimo estado e notei que, após o uso do produto, houve uma limpeza dos vermes e carrapatos, além da redução da cisticercose. Pretendo continuar utilizando e, inclusive, já recomendei o produto para outros criadores. O resultado é realmente satisfatório e quot;.

Já o Sr. José Natal Pereira, proprietário da fazenda Coqueiro do Espinho, afirma que e quot;como a eficácia do produto é enorme e os resultados são notáveis logo nos primeiros meses de uso, os fazendeiros da região têm substituído os injetáveis pelo Sulfomec e quot;. Ainda segundo ele, o produto é utilizado com facilidade, já que é misturado junto com o sal mineral e oferecido no cocho, no próprio pasto do rebanho.

Além de comprovadamente eficaz para os bovinos, o Sulfomec também ganha força entre os criadores de ovinos. É o caso de Pedro Nacib Jorge Neto, da Fazenda Talisman, em Atibaia- SP, que já administrou o produto em 1.400 cabeças de ovinos. e quot;É um produto excepcional para ovinos pelo fato de ser misturado ao sal mineral, evitando o estresse do manejo dos animais. Com extrema eficácia, acaba com a verminose. Não temos gastos extras com mão de obra e não perdemos tempo para juntar o rebanho. Misturado ao sal mineral e disponibilizado no cocho, não nos preocupamos mais com a aplicação do vermífugo pela boca. Acreditamos muito no produto e já indicamos para outros criadores e quot;, garante.

Manuseio

Um dos pontos fortes do Sulfomec é a praticidade. Como o gado de corte é criado em áreas extensas, os produtores têm dificuldade na aplicação dos antiparasitários na forma injetável. Os animais precisam ser recolhidos em locais apropriados, estando sujeitos aos riscos do ajuntamento, como estresse, lesões e até fraturas. Geralmente o gado recebe os antiparasitários de forma injetável na época da vacinação contra a febre aftosa, duas vezes por ano. Levando-se em conta que os antiparasitários garantem o efeito residual no máximo de 40 dias, na prática, durante o ano, o rebanho fica protegido apenas por cerca de três meses. O Sulfomec consegue, através de um plano estratégico de 6 tratamentos, proteger o rebanho durante os 12 meses do ano.

Estresse

Segundo a Equipe Técnica da Embrapa de Campo Grande, o estresse provocado pelo ajuntamento do rebanho, provoca uma perda de peso de 1,850 kg em média por animal e nos dois dias que se seguem à vacinação, não têm ganho de peso.

Ganho de Peso

Estima a mesma equipe técnica que, um rebanho bem vermifugado, tendo uma boa pastagem, tem um ganho de peso extra de 41 a 67 kg em 24 meses. Os técnicos da Sidasc de Santa Catarina obtiveram, em pastagens cultivadas, uma antecipação do peso para o abate de 18 meses, comparado com o peso obtido por animais com tratamento antiparasitário feito duas vezes por ano, na época da vacina anti-aftosa. Eles conseguiram este resultado aplicando uma dose de ivermectina a cada 60 dias.

Eficácia

Desenvolvido para combater os parasitas internos (vermes) e externos (bernes, carrapatos, piolhos, moscas dos chifres e sarna), o Sulfomec tem como principal vantagem a somatória da ação individual dos seus componentes, que se completam e ampliam o campo de atividade, evitando o desenvolvimento da resistência por parte dos parasitas. Outra vantagem é a facilidade de doseamento que vem ao encontro dos anseios dos pecuaristas, cujo maior transtorno de manejo com os animais é o de ter que juntar o gado para o tratamento individual contra os vermes e os parasitas externos. e quot;Imagine o seu plantel livre de vermes, carrapatos, bernes, moscas dos chifres e piolho o ano inteiro, sem precisar juntar o gado para aplicação de medicamentos e quot;, comemora o presidente da Interchange, Ermete Antonio Wegher.

Para mais informações, acesse: www.interchange-vet.com.br .

Fonte

SigmaPress Assessoria de Comunicação
Ivan Fontana – Jornalista
Fone: (19) 3232-5225
E-mail: ivan@sigmapress.com.br
Internet: www.sigmapress.com.br

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Autoria:


Marlinda Lobo de Souza

E-mail: marlinda@cenargen.embrapa.br

Maria Elita Batista de Castro
E-mail: elita@cenargen.embrapa.br

William Sihler

Zilda Maria de Araújo Ribeiro
Núcleo Temático de Controle Biológico

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Brasília, DF

Márcia Regina da Silva Pedrini

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Natal, RN

Contato:

Marlinda Lobo de Souza

EMail:

marlinda@cenargen.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(61) 3448-4681

Palavras-Chave:

embrapa recursos geneticos e biotecnologia, virus, praga , inseticida

Resumo:

Os pesticidas têm um importante papel no desenvolvimento da produção agrícola, principalmente no que se refere ao manejo integrado de pragas e na agricultura sustentável. Porém, várias ações têm sido feitas no sentido de redução do uso de pesticidas químicos. Estes inseticidas apresentam várias desvantagens, tais como: alguns produtos são carcinogênicos, não sendo seguros ao ser humano; o uso continuado favorece o aumento de resistência dos insetos; aumento dos custos de produção e de registro, dificultando o desenvolvimento e a produção de novos produtos.

Abstract:

Corpo:

Os pesticidas têm um importante papel no desenvolvimento da produção agrícola, principalmente no que se refere ao manejo integrado de pragas e na agricultura sustentável. Porém, várias ações têm sido feitas no sentido de redução do uso de pesticidas químicos. Estes inseticidas apresentam várias desvantagens, tais como: alguns produtos são carcinogênicos, não sendo seguros ao ser humano; o uso continuado favorece o aumento de resistência dos insetos; aumento dos custos de produção e de registro, dificultando o desenvolvimento e a produção de novos produtos.

Para os países que exportam produtos agrícolas, como o Brasil, existe ainda uma razão comercial adicional para se reduzir o uso de pesticidas. Pesquisas mostram que muitos consumidores acham que o uso de produtos químicos é o problema mais sério em relação à qualidade dos alimentos. Esses consumidores, via indústria de alimentos e seus distribuidores, têm mostrado uma forte preferência por produtos que minimizam o uso de produtos químicos. Um exemplo é o aumento do mercado de produtos orgânicos, indicando um grande interesse do público consumidor em produtos livres de pesticidas químicos ou, neste caso, até mesmo a não utilização de defensivos agrícolas.

Dessa forma, a utilização de microorganismos tem se destacado como grande alternativa para o controle de pragas, entre eles o uso de vírus do grupo baculovirus. Eles são vírus de invertebrados infectando principalmente lepidópteros, sendo que mais de 500 isolados virais já foram descritos para diferentes espécies de insetos. Eles são seguros ao homem e aos demais vertebrados, são altamente específicos e até agora não houve relato do desenvolvimento de resistência pelo inseto no campo. Tradicionalmente, a produção comercial de baculovirus é feita na própria lagarta. Em geral esse processo é trabalhoso e depende da presença do inseto na lavoura. Apesar de ser possível fazer criação de insetos em condições de laboratório, isso não é aplicável a todas as espécies dependendo de fatores como seu próprio ciclo de vida e do estabelecimento de dieta artificial para a colônia.

No Brasil, o bioinseticida baculovirus anticarsia (AgMNPV) é usado em mais de dois milhões de hectares de soja para o controle da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis). Este é o maior exemplo mundial de uso de um pesticida viral, o que representa uma economia de milhões de dólares anuais. Além disso, representa um modelo importante de substituição de agrotóxicos, que são altamente prejudiciais ao meio ambiente, por um controle ambientalmente correto. A produção do baculovírus anticarsia é atualmente conduzida in vivo em lagartas infectadas nas lavouras e depois levadas ao laboratório para purificação e formulação viral.

Entretanto esse processo é dependente da presença de lagartas na lavoura e só pode ser conduzido durante poucos meses do ano, durante a plantação de soja. Desta forma, a produção de baculovírus em larga escala, usando cultura de células poderá aumentar a oferta de vírus, pois a produção atual não chega a suprir 10% da área plantada no país e, além disso, as companhias produtoras de vírus não conseguem atender à demanda pelo produto. A produção in vivo de biopesticidas virais é a maior fonte desses inseticidas atualmente presentes no mercado. Um outro vírus com grande potencial como bioinseticida é o baculovirus spodoptera para controle de lagarta do cartucho-do-milho (Spodoptera frugiperda)

Devido aos avanços na área de cultivo celular, a produção de baculovirus em células de insetos pode ser feita em diferentes escalas desde cultura estática, spinners e biorreatores. Essas células podem ser infectadas na forma extracelular de baculovirus, o que resulta na produção da forma oclusa (poliedros), que pode então ser utilizada como inseticida biológico para combate ao inseto-praga.

Apesar de vantajosa em relação à produção in vivo, a produção de baculovirus em sistema in vitro tem sido limitada devido a alterações genéticas causadas pela passagem do vírus em cultura de células. Existem dois principais tipos de alterações relacionados ao efeito passagem. O primeiro é a formação de mutantes com poucos poliedros no núcleo da célula do inseto, denominado mutantes FP (Few Polyhedra). O segundo é a geração de partículas virais com grandes perdas de seu genoma, denominadas ?Partículas Interferentes Defectivas (DIP)?. Esses mutantes levam à diminuição da produção de poliedros e, portanto, à conseqüente perda da virulência do vírus produzido in vitro.

Diferentes estratégias têm sido propostas em estudos visando superar essas limitações: a seleção de linhagens adequadas de células e isolados virais mais estáveis; a otimização do processo para o aumento de escala da produção in vitro, além da caracterização do produto final são alguns dos elementos-chave que devem ser pesquisados para o sucesso da comercialização de inseticidas à base de baculovírus produzidos por processos fermentativos.

Recentemente, estudos para a viabilidade da produção de baculovirus in vitro foram iniciados pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 41 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaEmbrapa, em Brasília, DF, em parceria com a Universidade do Rio Grande do Norte, em Natal, RN. Estratégias foram estabelecidas para a produção do baculovirus anticarsia (Anticarsia gemmatalis multiple nucleopolyhedrovirus) e do baculovirus spodoptera (Spodoptera frugiperda multiple nucleopolyhedrovirus) em cultura de células. Os ensaios de virulência no inseto hospedeiro serão realizados na Embrapa Soja (Londrina, PR) e Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG).

Espera-se que esses estudos possam contribuir para aumentar o conhecimento dos mecanismos moleculares de interação do vírus com a sua célula hospedeira e levar a maior estabilidade genética do vírus durante sua multiplicação em cultura de células. Futuramente pretende-se estender esses estudos para a produção em alta escala em biorreatores.

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