Apresentar o potencial do DNA em termos de herança genética e evolução, relacionando os conceitos com problemas de aplicação prática. Essa é a essência do livro DNA, e eu com isso?, lançado por Francisco Mauro Salzano, professor emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Sociedade Brasileira de Genética (SBG).
Fartamente ilustrada, a obra de 88 páginas apresenta um panorama histórico das pesquisas sobre genética e biologia molecular, aborda aspectos relevantes sobre a evolução dos seres vivos e discute suas aplicações em áreas como melhoramento genético vegetal e animal, diagnóstico e tratamento de doenças humanas.
“Os assuntos são discutidos com base em cenas da vida diária que ilustram acontecimentos importantes do universo do DNA, reais ou imaginários”, disse Salzano à Agência FAPESP. “Essas cenas são acompanhadas de conceitos e resultados de pesquisas em linguagem acessível, para que os leigos se interessem e aprendam algo sobre esses assuntos.”
Discussões sobre diferentes maneiras em que a manipulação do DNA pode representar ganhos à sociedade, como alimentos mais baratos, dietas mais nutritivas ou a cura de doenças por meio do transplante de células-tronco, também fazem parte do conteúdo.
A manipulação do DNA também merece uma reflexão filosófica. “A ciência e o fazer científico são parte do sistema sociocultural humano. Dessa maneira, há em seus fundamentos princípios de natureza filosófica. E, para nos justificarmos, são necessárias abordagens desse tipo, especialmente em questões polêmicas”, afirma o geneticista.
Sobre a interrogação “e eu com isso?”, Salzano se justifica: “O título foi feito para provocar o leitor. A intenção é mostrar que a genética é importante no dia-a-dia de cada cidadão e não é assunto exclusivo apenas de cientistas e pesquisadores”.
O livro DNA, e eu com isso?, lançado durante o 51º Congresso Brasileiro de Genética, realizado no mês de setembro, em Águas de Lindóia (SP), é o segundo da série “Inventando o Futuro”, da Oficina de Textos, que oferece um panorama contemporâneo dos avanços e dos desafios a serem enfrentados em diversas áreas do conhecimento.
Mais informações: www.ofitexto.com.br ou (11) 3085-7933.
Thiago Romero

Fonte: Agência Fapesp

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O consenso científico cresce cada vez mais. As evidências de que as mudanças climáticas provocam processos novos, em níveis regionais, vão se avolumando. Nesta terça-feira (8/11/05), em São Paulo, durante a 2ª Conferência Regional Sobre Mudanças Globais: América do Sul, organizada pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), surgiram provas dessas alterações tanto na Mata Atlântica como no Cerrado.

“Já sabemos que está mudando, isso é possível perceber. Na floresta atlântica, por exemplo, muda a temperatura, o florescimento se altera e a ação dos polinizadores também”, disse Carlos Alfredo Joly, pesquisador e professor do Instituto de Biociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à Agência FAPESP. O conferencista de uma das sessões do evento no IEA admitiu preocupação diante do que está sendo revelado.

Para Joly, há no Brasil a falta de uma base sólida. “Não temos como comparar essas mudanças com algum trabalho-chave realizado há 50 anos, por exemplo. Fica complicado saber para onde vamos”, afirma. Em termos macrossistêmicos, as projeções feitas pelo pesquisador não são boas.

“Para São Paulo, os campos de altitude e as florestas acima dos 1,2 mil metros tendem a desaparecer. As matas de araucária também deverão sofrer uma redução drástica em seus limites”, disse. Se a situação já está ruim para a região das serras paulistas, rumo ao interior, para o ecossistema Cerrado, ela pode piorar ainda mais.

Os impactos das mudanças climáticas sobre o Cerrado são difíceis de prever, entre outros motivos, por causa da grande fragmentação desse tipo de formação. “Hoje, existem 8,5 mil fragmentos de Cerrado em São Paulo, dos quais apenas 20 têm mais de 500 hectares”, disse Joly. Segundo ele, essas áreas maiores são consideradas suficientes para preservar a sobrevivência, em se tratando de grandes vertebrados, de apenas um casal de lobo guará, por exemplo.

Se de um lado os pesquisadores desenvolvem modelos para entender melhor o que está ocorrendo em determinados ecossistemas – e para isso serão necessários mais estudos em ecofisiologia e biogeografia, entre outras áreas –, Joly defende também outras ações, fora do âmbito exclusivamente científico.

“Precisa haver mais diálogo, por exemplo, entre os ministérios da Ciência e Tecnologia e o do Meio Ambiente. Não se pode falar em mudanças climáticas sem relacionar isso com ecossistemas e com biodiversidade. A troca de informações precisa ser maior”, aponta o pesquisador.

Eduardo Geraque

Fonte: Agência Fapesp

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“Quem disse que o surto de febre aftosa está sendo ruim para a economia? Para mim, ela até que foi boa.” Foi assim, de forma desconcertante, que o presidente do maior frigorífico do País, o Friboi Ltda., José Batista Júnior, informou que, apesar do surto que causou o embargo de 49 países à carne brasileira, está ganhando dinheiro.
Batista Júnior sabe do que está falando. Sócio-proprietário do 4 maior frigorífico do mundo, com faturamento de R$ 4,2 bilhões, ele abate a incrível marca de 10 animais por minuto. Quase metade de sua produção abastece supermercados no exterior. Suas exportações devem fechar o ano em US$ 650 milhões, receita 25% maior que a apurada em 2004. “Exporto muita carne industrializada, como a enlatada. Como o embargo é em geral para a carne ‘in natura’, nosso desempenho não foi afetado.”
Lucia Kassai

Fonte: Gazeta Mercantil

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Muitas têm sido as catástrofes mundo afora. Notícias sobre maremotos, furacões, terremotos, inundações e outros são veiculadas constantemente. Esses fenômenos, quando atingem áreas densamente povoadas, provocam perdas irrecuperáveis em todos os sentidos.
No Brasil, apesar da relativa estabilidade ambiental, atenção tem sido dispensada a essas questões em função dos programas de zoneamento e ordenamento do território que foram ou estão sendo desenvolvidos. Nesses programas são imprescindíveis conhecimentos acerca dos aspectos naturais da paisagem, dos diversos usos que dela faz a sociedade e das relações existentes entre as atividades humanas e paisagem, ou seja, no que e quanto uma coisa afeta a outra. Nesse contexto, é possível e indispensável que órgãos competentes formulem e implementem políticas de planejamento e ordenamento que visem à prevenção, mitigação e até correção dos danos e prejuízos provocados pelas catástrofes.
A Terra não é estática, ela se organiza constantemente, pois é constituída de um mosaico de placas que “flutuam” sobre um material viscoso chamado magma (o mesmo material expelido pelos vulcões). Os limites entre as placas são áreas de grande atividade tectônica e sísmica, resultando em maremotos, terremotos e outros eventos de grande magnitude. No interior das placas, a sismicidade é relativamente mais branda, porque o acúmulo de esforços, que acaba produzindo o terremoto, ocorre de forma mais lenta. O Brasil encontra-se no interior de uma placa, a Placa Sul-Americana, e por isso sempre se acreditou estarmos livres de tais fenômenos. Entretanto, essa suposta estabilidade não é o que se observa. O interior das placas é também constituído por outras miniplacas recortadas por falhas e fraturas, gerando rearranjos e movimentação interna.
Na Amazônia, por exemplo, desde os primeiros relatos de reconhecimento geológico no início do século XX fala-se do fenômeno das “terras caídas” (geralmente nas margens dos grandes rios). Na década de 50, pesquisadores atribuíram o fenômeno à atividade de falhas geológicas (rupturas no terreno). Isso significa que, há muito tempo, pesquisas já indicam movimentação na região.
O Estado do Acre está localizado em uma área dita sismogênica, isto é, com grandes chances de haver terremotos (são conhecidas 27 áreas no Brasil) e apresenta o maior nível de atividade do País em número e em intensidade dos sismos, segundo dados do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo e da Universidade Nacional de Brasília. A Placa Sul-Americana colide a oeste com a Placa de Nazca (no Oceano Pacífico). Essa colisão faz com que esta placa “mergulhe” por baixo daquela, produzindo constantes terremotos, cujos focos vão se aprofundando da costa do Pacífico em direção ao interior do continente. Isso ocorre porque o movimento dessas placas gera uma pressão gigantesca que é aliviada através de falhas e fraturas, causando os abalos sísmicos. Quando os focos dos terremotos são muito profundos, a população dificilmente percebe-os, mas saber se esta profundidade, no Acre, será uma constante é impossível.
E, em casos de terremotos mais rasos, os danos irão ocorrer e é preciso conscientizar a população quanto a essa possibilidade, a exemplo dos programas na Califórnia (EUA), na Turquia e no Japão.
Muito embora os terremotos no Acre não sejam catastróficos, citamos vários episódios em que casas foram sacudidas e até mesmo danificadas, além de presenciarmos o citado fenômeno das “terras caídas” nas margens dos principais rios, trazendo danos e desabrigando as populações que vivem nesses locais, como os que ocorreram em 5/5/1989 e em 4/11/2000. Recentemente um sismo de 7,5 na escala Richter (essa escala varia de 0 a 9 graus e mede a energia liberada pelos sismos) ocorreu no Peru em 26/9 deste ano. Esse sismo foi sentido em Cruzeiro do Sul. Freqüentadores da Expo-Juruá, evento que ocorre naquela região, sentiram a terra tremer. Em Manaus, o mesmo sismo fez a estrutura de alguns edifícios racharem e causou certo pânico.
Pelo exposto vê-se que é preciso investigar regiões intraplacas com maior detalhe. Estudos conduzidos pela Embrapa Acre e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no âmbito do Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado do Acre em sua segunda fase, darão o primeiro passo nesse sentido. O mapa de geologia conterá as principais estruturas geológicas do Estado (falhas, fraturas, etc.). Trata-se de uma iniciativa importante que suscita, em curto prazo, maiores investimentos para que as investigações incluam maior grau de detalhamento dos aspectos acima discutidos e geração de mapas de risco.
Artigo de Luciana Mendes Cavalcante, geóloga, M.Sc., pesquisadora Embrapa Acre.
E-mail: luciana@cpafac.embrapa.br.
Fonte
Embrapa Acre
http://www.cpafac.embrapa.br

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