O desenvolvimento de sensores inteligentes, irrigação de precisão, aplicação de novos materiais, estudos da dinâmica e reatividade da matéria orgânica em solos tropicais são alguns dos resultados de pesquisa conquistado pela Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos – SP), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em 20 anos de fundação. Embora tenha sido criada no dia 18 de dezembro, as comemorações acontecerão no dia 10. Criada em 1984, a Unidade formou uma ponte permanente entre a Empresa Brasileira Pesquisa Agropecuária, as ciências básicas e engenharias, priorizando pesquisas interdicisplinares e projetos em redes.
Com uma equipe altamente qualificada, dos 57 funcionários 20 são pesquisadores com doutorado e pós-doutorado em diferentes áreas – combina físicos, engenheiros eletrônicos, engenheiros de materiais e de outras áreas das Ciências Exatas, com o conhecimento de agrônomos e veterinários – a Embrapa Instrumentação Agropecuária adotou conceitos antes usado na medicina para desenvolver o tomógrafo de uso em campo; adaptou ferramentas do aeromodelismo para fazer captação de imagem aérea a custo reduzido e com alta qualidade; criou dispositivo dez mil vezes mais sensível que o paladar humano ao validar o sensor gustativo; antecipou tendência ao apostar em um sistema automatizado para a irrigação de precisão. Estes são só alguns exemplos que fazem do Centro destaque no cenário nacional e internacional, ainda que com recursos insuficientes para o volume e importância das pesquisas desenvolvidas.
Com um orçamento perto de um milhão de reais, a Embrapa Instrumentação Agropecuária tem na captação de recursos externos, via projetos aprovados por órgãos de fomentos, um grande aliado. Só em 2004, o Centro conseguiu mais de dois milhões de reais com a aprovação de projetos de pesquisas que vão, após desenvolvidos e validados, beneficiar o agronegócio brasileiro com a automação de processos, adaptação de máquinas e desenvolvimento de metodologias para avaliação da compactação de solos com equipamento inédito para medir simultaneamente a resistência e o grau de umidade do solo.
A Unidade está localizada em São Carlos, interior de São Paulo, não por acaso. Há 20 anos, os idealizadores do Centro escolheram a cidade porque já acreditavam que futuramente ela se tornaria um pólo de alta tecnologia e referência no cenário nacional e internacional.
O prédio da extinta Rádio São Carlos abrigou o Centro por mais de 15 anos. Mas em 1995, a sede nova ganhou uma área de três mil metros quadrados para instalar laboratórios com equipamentos de última geração, entre eles, o tomógrafo e espectrômetro de alta resolução de ressonância magnética nuclear, espectrômetro de ressonância paramagnética eletrônica (EPR), e microscópico de força atômica e tunelamento. Estes equipamentos são avaliados em mais de um milhão de dólares e foram os primeiros do gênero a serem instalados em um instituto de pesquisa na área agrícola no Brasil.
Principais linhas de pesquisas
Pesquisas de grande impacto social e econômico e de interesse da ciência mundial. Entre elas estão:
1- Aplicação de novos materiais e novos sensores para a pesquisa e o desenvolvimento da agropecuária, área na qual o Centro já obteve os primeiros resultados com repercussão internacional, pelo desenvolvimento do sensor gustativo, a base de polímeros condutores (plásticos que conduzem eletricidade).
2- Nanotecnologia, área que vem despertando grande atenção da pesquisa nos dias atuais, em todas as áreas do conhecimento, sendo que os Estados Unidos e Japão já investiram centenas de milhões, e o Brasil já sinalizou a criação de um Centro Nacional de Referência em Tecnologia. A Embrapa Instrumentação Agropecuária lidera os estudos na agropecuária nesta área no país com aplicações usando microscópios com resolução atômica (medidas em milionésimos de milímetros) e de sensores e dispositivos nanoestruturados, que possibilitam obter informações e realizar procedimentos até recentemente considerados inviáveis.
3- Meio ambiente: destaca-se aqui o desenvolvimento de uma tecnologia simples, mas de grande alcance social, principalmente para o homem do campo que não conta com o saneamento básico. É a Fossa Biodigestora, um sistema simples e barato, que substitui as chamadas fossas negras, responsáveis pela contaminação do lençol freático.
O Centro também vem atuando na consolidação de estudos sobre substâncias húmicas e matéria orgânica dos solos, um tema muito relevante para o mundo, em especial para as regiões tropicais, em função não apenas dos aspectos relativos à fertilidade e conservação do solo, mas também por estar associado à emissão de gás carbônico do planeta, ao efeito estufa e às mudanças climáticas globais.
Desafios
Com foco na promoção e inovação e incorporação de instrumentação em cadeias produtivas, a Embrapa Instrumentação Agropecuária já tem algumas diretrizes traçadas para os próximos anos. Elas envolvem a agregação de valor a produtos primários e agroindustriais e contempla, entre outros, o desenvolvimento de instrumento de ressonância magnética para avaliação on-line de frutas e alimentos.
Centro é conduzido por Físico
Atualmente, a Embrapa Instrumentação Agropecuária é dirigida pelo físico Ladislau Martin Neto, que iniciou suas atividades de pesquisas na Embrapa, em 1986. O pesquisador tem doutorado pela USP São Carlos e pós-doutorado pela Universidade da Califórnia, Berkeley, Estados Unidos. Realizou trabalho pioneiro no estudo da dinâmica e reatividade da matéria orgânica em solos tropicais, incluindo trabalhos com seqüestro de carbono utilizando métodos espectroscópicos, como ressonância magnética nuclear, ressonância paramagnética eletrônica, fluorescência, infravermelho, entre outras.
Martin Neto foi o fundador em 1997 do grupo brasileiro da Sociedade Internacional de Substâncias Húmicas. Desde 2002, é membro do comitê diretor, atualmente com sede na Itália e membros em mais de 40 países.
Joanir Silva 
E-mail: jo@cnpdia.embrapa.br

Fonte: Embrapa Instrumentação Agropecuária

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Os presidentes da Sociedade Softex, Mário Girão Barroso, e da Câmara Espanhola de Comércio no Brasil, Vicente Rego Manito, assinaram ontem, em São Paulo, acordo de parceria para divulgar as competências brasileiras no segmento de TI e ampliar a atuação das empresas nacionais no mercado espanhol.
Quatro iniciativas destacam-se no acordo: o levantamento e a análise de informações sobre o mercado espanhol de TI; a elaboração de uma cartilha de orientação para a exportação de software e serviços para a Espanha; a realização do Seminário de TI Brasil/Espanha no ano que vem; e a organização de missões comerciais e rodas de negócios.
Fonte: Gazeta Mercantil

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O Instituto de Tecnologia do Software (ITS), juntamente com o Rio Soft e a empresa norte-americana Liveware, especializada em certificação dos modelos de Capability Maturity Model – CMM e CMMI (Integration) -, acabam de firmar uma parceria para a criação de curso de formação de cinco certificadores no Brasil e também para cursos preparatórios para o processo de certificação para o CMMI, que substituirá totalmente o CMM a partir de 2006.
As duas entidades brasileiras, que são agentes da Sociedade para promoção e excelência do software brasileiro (Softex), farão o anúncio durante o décima edição do seminário “I DO – Desafios e Oportunidades”, que acontece entre os dias 7 a 9 de dezembro, na capital paulista. A expectativa é atrair 250 empresários do setor.
No início deste ano, a Softex iniciou um programa preparatório para certificação do CMMI voltado para pequenas e médias empresas de software. Catorze empresas já aderiram ao programa desde março, informa o gestor de operações e planejamento do ITS, Raul Wuo. Esse período de preparação é de um ano, para que depois a empresa inicie o processo de certificação, que pode demorar, em média, dois anos. Segundo ele, o custo do curso preparatório do Softex é bem abaixo da média de mercado – praticamente a metade -, o que será um incentivo, principalmente para as empresas exportadoras, pois o mercado externo exige uma metodologia para produção de software, que acaba sendo, na maioria das vezes, o CMM ou CMMI. Com a parceria com a Linkware para a formação de certificadores, o objetivo é também reduzir os custos para a certificação. “Com isso, as empresas vão ter mais oportunidades para buscarem uma certificação internacional e, ganharem competitividade no mercado”, lembra o executivo.
A exigência do CMMI é algo que deve aumentar também no mercado interno, informa o diretor executivo da ISD Brasil, Carlos Alberto Caram. A consultoria internacional é especializada em modelos de melhoria de processos e faz certificações em CMM no País. De acordo com Caram existem apenas 25 empresas com certificações CMM e CMMI no território nacional. “É um número pequeno, mas deve aumentar no próximo ano, pois o governo e até clientes começam a exigir as certificações em concorrências”, diz ele. O executivo lembra que uma grande instituição financeira, o banco Santander Banespa, é um dos novos clientes da consultoria para melhoria dos processos internos de desenvolvimento de software. A expectativa é chegar a 40 certificações em 2005.
Por outro lado a Softex também está desenvolvendo um modelo brasileiro de melhoria de processos para produção de software nacional: o MPSBR. “Os padrões dessa certificação são semelhantes aos do CMMI”, diz Wuo, acrescentando que cerca de 100 pessoas no Brasil estão trabalhando nesse novo modelo.
Durante o I DO também será anunciada a criação de um Núcleo de Software Livre, com o objetivo de discutir o tema e buscar esclarecer onde ele pode ser usado dentro de uma empresa. De acordo com o diretor do ITS, Descartes de Souza Teixeira, o evento vai discutir as principais preocupações das empresas de Tecnologia da Informação (TI) no País e os mercados potenciais como agricultura, educação, saúde e nas regiões longínquas. O seminário contará com a participação do professor associado do Departamento de Tecnologia da Informação da Kogod School of Business da American University, em Washington, Erran Carmel. O professor é especialista no mercado de outsourcing de TI e deverá discutir a importância do software brasileiro no cenário mundial.
Rosana Hessel
Fonte: Gazeta Mercantil

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Depois de os consumidores americanos provarem e aprovarem o guatchup, um catchup original e bem brasileiro, feito com 100% de goiaba, a lista de pedidos começa a engrossar com a conquista de novos mercados. Duas grandes redes varejistas suíças, Migros e Coop, a partir de fevereiro de 2005, estarão oferecendo o produto em todas suas lojas. A intenção dos exportadores é que essas lojas funcionem como vitrines e sejam a porta de entrada do produto para toda a Europa. O primeiro conteiner está para desembarcar naquele país e um segundo pedido, desta vez de 20 outros contêineres, deverá ser feito ainda neste ano.
“O guatchup será distribuído em todas as cadeias desses supermercados e essa será a estratégia para o produto ganhar a Europa”, prevê Arlindo Piedade Neto, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Goiabas (Goiabrás). O Oriente Médio também quer ter o guatchup na sua mesa. Os últimos detalhes da negociação estão sendo acertados e, no início do próximo ano, o produto chega àquele bloco através da Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
As encomendas, explica Piedade Neto, não se limitam apenas ao guatchup. Polpas processadas de goiaba, sucos e a tradicional goiabada conquistam espaços nas mesas internacionais. Empresários japoneses, que visitaram o Brasil no início de novembro, também fecharam o primeiro negócio. Dessa vez foi com um conteiner de polpa de goiaba que está a caminho. Se os orientais gostarem do sabor da fruta, outros 100 contêineres deverão seguir no princípio de 2005. Até o fim deste ano a intenção da Goiabrás é exportar US$ 8 milhões em produtos à base de goiaba, ante um faturamento de US$ 4 milhões registrado no ano passado.
Para 2005 a meta é bem mais ambiciosa. “Acreditamos que podemos dobrar a receita e até ultrapassar”, calcula o presidente da entidade. Se depender da associação, a projeção tende a se concretizar. Técnicos do setor e representantes da Goiabrás deram o primeiro passo nessa direção para aumentar os dividendos dos produtores. O primeiro pólo de processamento de polpa de goiaba no país começou a operar em Sergipe no mês de setembro e mais dois deles deverão sair do papel em breve e se instalarem no mesmo Estado. Pernambuco, Distrito Federal e o norte de Minas Gerais foram outros Estados contemplados com o projeto.
O objetivo da criação dessas unidades é, justamente, agregar valores à fruta que será exportada, principalmente para os Estados Unidos e Europa. “Será uma maneira garantida de aumentar a receita do setor”, afirma. Piedade Neto diz que o plano da Goiabrás é construir uma unidade de processamento para cada 500 hectares de área plantada de goiaba.
A divulgação dos produtos à base de goiaba no exterior está sendo feita a quatro mãos. De um lado estão os produtores e de outro a Apex. Dos R$ 7 milhões desembolsados para promoção dos produtos derivados da fruta que serão gastos no triênio 2003/2004/2005, 38%, ou seja, R$ 2,660 milhões serão financiados pela Apex. Para dar sustentação às exportações, a associação traçou um plano de expansão na área de produção. (R.C.)
Fonte: Valor Econômico

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