Da redação

Empresas de tecnologia da informação que atuam no Rio Grande do Sul cumpriram, ontem, mais uma etapa no sentido de transformar o Estado e o Pólo de Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Tecnopuc) em referência internacional de pesquisa e desenvolvimento.

Um coquetel com a presença de mais de 500 convidados marcou a inauguração da sede da Associação das Empresas de Tecnologia, Informação, Software e Internet (Assespro) e do Escritório de Relacionamento do Softsul no Tecnopuc.

Empresas de Porto Alegre (Processor e Softmóvel), de Campo Bom (GetNet, Quantiza e Embratec) e outras de porte nacional, como a CPM (braço de informática do Bradesco) e a Stefanini, vão se instalar no espaço da Assespro, depois de passar por um processo de seleção, de acordo com o presidente da Assespro, César Leite.

– Foram escolhidos os projetos de maior interesse para o mercado e que pudessem ser desenvolvidos em conjunto com os pesquisadores da universidade – diz Leite.

As instalações da Assespro ocupam uma área de 1,7 mil metros quadrados no local onde funcionava o 18º Regimento de Infantaria do Exército Brasileiro, adquirido pela PUCRS para a instalação do TecnoPuc. Além de várias empresas iniciantes, o local abriga unidades de pesquisa de grandes empresas como Dell do Brasil e Hewlett-Packard.

O diretor superintendente da Softsul, José Antonioni, destacou a importância do Tecnopuc para o Estado:

– Em pouco mais de dois anos, o pólo já gerou mais de mil empregos – observou.

Jornal Zero Hora – 6/7/2004
http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora/

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JOSÉ MASCHIO – DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA

A cultura de trigo, que andou na contramão do desempenho agrícola brasileiro na última década, entrou no ritmo de crescimento do agronegócio e deve ter produção próxima de 6 milhões de toneladas neste ano.
Será a segunda vez, desde 1990, que a produção brasileira ultrapassa os 5 milhões de toneladas.
Estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontam que a safra deste ano deverá ser de 5,9 milhões de toneladas, pouco acima dos 5,8 milhões do ano passado.
Esse crescimento se sustenta em um paradoxo: país sem auto-suficiência em trigo, o Brasil exportou 1,3 milhão de toneladas na última safra -a maioria embarcada no início deste ano. Essas exportações inéditas estimularam o plantio nesta safra.

Segurança alimentar
Considerada um dos principais itens de segurança alimentar no mundo, a cultura de trigo só teve desempenho próximo da auto-suficiência no Brasil no final da década de 80.
Em 1987, por exemplo, o país produziu 6,1 milhões de toneladas, para um consumo, à época, de 6,5 milhões de toneladas. Para este ano, a expectativa é que o país consuma 10,1 milhões de toneladas do produto.
As negociações para o Mercosul e o processo de globalização afetaram diretamente a cultura no país, que foi abandonada até mesmo como opção de inverno pelos produtores.
“Plantar trigo na década de 90 era sinônimo de falta de juízo, mas hoje a coisa está mudada”, afirma Carlos Eulis Carneiro Filho, 45, produtor de soja no Paraná e em Mato Grosso do Sul e que neste ano cultivou trigo em 670 hectares nos dois Estados.

Tecnologia e clima
Segundo Otmar Hubner, técnico do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, o país tem tecnologia e condições climáticas para que essa reação do trigo se sustente nas próximas safras.
“A auto-suficiência no país é possível, embora hoje seja mais rentável o Norte e o Nordeste importarem trigo do que se abastecerem da produção do centro-sul”, afirma.
Os três Estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) são responsáveis por mais de 90% da produção nacional, e só agora o trigo está se deslocando para o Centro-Oeste.
“Além da questão logística de fornecimento para o Norte e o Nordeste, a produção de trigo no cerrado, especialmente o trigo irrigado, pode alavancar a produtividade”, arrisca Hubner.
No Distrito Federal, lavouras irrigadas de trigo conseguiram produtividade até três vezes maior do que as registradas no Sul do país no ano passado.
No Paraná, por exemplo, responsável por 53% da produção nacional, a produtividade tem se mantido em torno de 2.500 quilos por hectare.

Separação e consumo
As exportações na safra passada levaram as cooperativas e os produtores a se preocupar, nesta safra, em separar os diferentes tipos de trigo no momento da armazenagem.
O Rio Grande do Sul saiu na frente nesse setor e conseguiu vender trigo soft (mole, usado para a produção de biscoitos) com melhores preços do que o trigo paranaense, que, em sua maioria, é grão duro, mais utilizado para a panificação.
“Como o mercado é que determina hoje a expansão ou não de uma cultura, o trigo poderá se beneficiar de uma melhoria nas condições de renda da população, que hoje consome muito pouco trigo”, afirma Hubner.
Embora esteja no patamar de mais de 70 quilos por habitante por ano nos Estados do Sul, o consumo não ultrapassa 60 quilos por habitante em todo o Brasil.
Como base de comparação, a vizinha Argentina, por exemplo, possui consumo anual de mais de 100 quilos por habitante.

Colaborou Tiago Ornaghi, da Agência Folha


Folha de São Paulo – Agrofolha – 6/7/2004
http://www1.folha.uol.com.br/fsp

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Alda do Amaral Rocha De São Paulo


Se para a China, a crise com o Brasil por causa da soja é coisa do passado, os exportadores brasileiros não têm a mesma opinião.

Junto com exportadores da Argentina e dos Estados Unidos, eles assinam um documento, enviado aos governos de seus respectivos países na sexta-feira, em que pedem “atenção aos crescentes abusos perpetrados pelo governo da República Popular da China às regras e convenções internacionais”.

No documento, os exportadores propõem que os governos examinem, “sob a ótica da OMC [Organização Mundial do Comércio]”, a legalidade das ações da Administração da Quarentena e do Ministério da Agricultura da China. Por decisão do órgão, 23 empresas foram proibidas temporariamente de exportar soja brasileira ao mercado chinês em junho passado.

A alegação foi a descoberta de sementes de soja tratadas com o fungicida Carboxim misturadas às cargas. O embargo acabou depois que o Brasil fez uma instrução normativa que definiu um limite de tolerância de uma semente tratada com fungicida por amostra.

Segundo os exportadores, o embargo foi baseado na “política não declarada da China de tolerância zero” para sementes tratadas. Mas teve, na verdade, motivação comercial, diz Sérgio Mendes, diretor-geral da Anec – Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, uma das signatárias do documento. “A ação da Administração da Quarentena não apresentou a notificação prévia necessária, não foi transparente e resultou em considerável inadimplência no mercado comercial chinês”, diz o documento. Para Mendes, as medidas feriram as regras da OMC.

Conforme o documento, as medidas tomadas pela China, sob o pretexto de “proteção à saúde, apoiaram ações do setor privado chinês, que visavam esquivar-se de obrigações contratuais”.

Timothy Carter, diretor de soja da Coinbra e conselheiro da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), acrescenta que, após o episódio, há “grande incerteza” por parte dos exportadores brasileiros de soja em vender para a China. A Abiove também subscreve o documento.

Além de propor a criação de um grupo de trabalho com participantes dos três países para estabelecer regras de qualidade e sanidade nas negociações de produtos agrícolas, os exportadores também pedem aos governos “uma resposta firme” às medidas chinesas. Recomendam ainda que os governos “encaminhem conjuntamente” queixa à OMC contra as medidas chinesas após análise jurídica da questão.

A carta, também assinada pela Cámara de la Industria Aceitera de la República Argentina (CIARA), Centro de Exportadores de Cereales (CEC), National Oilseed Processors Association (NOPA) e North American Export Grain Association (NAEGA), defende a inclusão de outros governos em eventuais ações contra a China.

A embaixada da China no Brasil informou que a questão da soja “não é mais problema” e que o “governo chinês está de acordo” com as regras criadas pelo Brasil.


Jornal Valor Econômico – 6/7/2004
http://www.valor.com.br

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Karla Mendes

PUC Minas Betim desenvolve F1 girolando de alta genética e baixo custo, que já acumula prêmios

Produzir gado leiteiro de qualidade, com custos reduzidos ao criador. Com esse propósito, o curso de medicina veterinária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Betim (PUC Minas Betim) aliou-se à Associação Brasileira de Criadores da Raça Girolando e, juntos, desenvolveram animais F1 girolando, resultado do cruzamento das melhores vacas da raça holandesa e os melhores touros reprodutores da raça gir. Os animais são produzidos no laboratório da fazenda experimental da PUC Minas, através da transferência de embriões entre as duas raças. O projeto já conta com 26 fêmeas nascidas e 20 gestações em andamento, que tem como objetivo principal a formação de rebanho para experimentação dos alunos da universidade, além da comercialização para pecuaristas que se interessarem.

“A idéia é dividir esse rebanho de elevada genética com outros produtores”, diz Miguel Alonso de Gouvêa Valle, coordenador do projeto F1 Girolando. Os primeiros animais foram vendidos por R$ 3,5 mil, em média, e a prenhez a R$ 1,2 mil, preços muito próximos a animais da raça holandesa, mas a diferença é que as vacas F1 girolando são muito mais rentáveis ao produtor. “O plantel da raça holandesa é inadequado para o Brasil. Por isso produzimos o F1 girolando com baixos custos”, explica. Segundo Valle, as vantagens do F1 para os produtores são inúmeras. O fato de o animal acumular sinergicamente os genes das duas raças lhe proporciona alta produtividade de leite – 25 a 30 litros de leite por dia, bom desempenho reprodutivo, adaptação ao calor dos trópicos e a capacidade de se manter em pastagens. Além disso, há menos gastos com veterinários e medicamentos.

O reconhecimento do valor da raça F1 já se tem destacado. Na 44ª Exposição Agropecuária Estadual, que ocorreu no início deste mês, dez animais foram expostos e receberam 13 prêmios, entre os quais o de Campeã Fêmea Jovem, Campeã Novilha Mirim, Grande Campeã da Raça, Melhor Criador da Raça e Melhor Expositor da Raça Girolando.

Jornal Estado de Minas – Suplemento Agrícola – 28/06/2004
http://www.uai.com.br/em.html

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