A cera de carnaúba promete diminuir as perdas do agronegócio, ao proteger o tomate e outras frutas que tendem a estragar rapidamente por reterem pouco a água. A descoberta partiu da estudante de Engenharia Agrícola da Unicamp Marcela Chiumarelli, de 23 anos, que ganhou o prêmio Jovem Cientista 2004, um dos mais prestigiados da América Latina, concedido no último dia 26 de outubro na sede do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), em Brasília. A premiação é concedida pelo CNPq, Fundação Roberto Marinho, Gerdau e Eletrobrás.
O objetivo da pesquisa era determinar o melhor tipo de cera para a conservação do tomate. A fruta perde muita água, e com isso acaba estragando facilmente. A película protetora criada pela cera de carnaúba, que, segundo Chiumarelli, possui um grande poder isolante, impede que haja perda de água. Com isso, o tomate se conserva por mais tempo. “Com a cera, o tomate pode ser conservado por até 15 dias”, diz a pesquisadora.
“Geralmente quando se fala em prêmio, logo se pensa em alta tecnologia. Hoje em dia estão percebendo que o importante não é ter uma tecnologia muito cara. O importante é que seja possível colocá-la em prática e ao mesmo tempo ser acessível ao pequeno produtor, ao pequeno agricultor. Esse prêmio deu essa visão”, avalia Chiumarelli.
Produtores de tomate já manifestaram interesse em utilizar a cera de carnaúba, segundo a pesquisadora. Para cada tonelada de tomate, o produtor irá gastar R$ 10 para proteger a fruta com a película. Para o professor Marcos David Ferreira, do curso de Engenharia Agrícola da Unicamp, o projeto irá auxiliar a cadeia produtiva do agronegócio, diminuindo as perdas.

Fonte: Agropauta

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A Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, unidade vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), realiza no próximo dia 19 de novembro, às 14 horas, no auditório da Associação Comercial de Corumbá, o dia de campo “Ameaças às atividades econômicas do Pantanal”. O evento, que conta com o apoio da Semactur, busca reunir representantes dos setores de turismo e de serviços da cidade, além da comunidade e dos acadêmicos, em torno desses problemas, prevendo cenários futuros e propondo soluções sustentáveis para o Pantanal.
As atividades econômicas tradicionalmente adotadas pela comunidade pantaneira, como a pecuária, a pesca (profissional e turística) e o turismo, encontram-se cada vez mais ameaçadas pela soma dos impactos das atividades antrópicas. Segundo a pesquisadora da Embrapa Pantanal, Débora Calheiros, a sustentabilidade econômica dessas três atividades depende da sustentabilidade ambiental, ou seja, da conservação da qualidade do sistema Pantanal. Ela fará a abertura do evento, falando dos impactos potenciais para as atividades econômicas tradicionais do Pantanal.
A programação do evento também inclui as palestras sobre os impactos ambientais e econômicos do mexilhão dourado, tema que será apresentado pela pesquisadora da Embrapa Pantanal, Márcia Divina de Oliveira. Os desafios e oportunidades do turismo de pesca no Pantanal Sul serão enfocados pelo pesquisador da Embrapa Pantanal Agostinho Catella e, o encerramento do evento, a pesquisadora da Embrapa Pantanal Sandra Mara de Araújo Crispim, que falará sobre o problema das queimadas no Pantanal.
Denise Justino da Silva
E-mail: denise@cpap.embrapa.br

Fonte: Embrapa Pantanal

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O documento ‘Milho e Biodiversidade: Efeitos do Milho Transgênico no México’ é leitura obrigatória para quem, no Brasil, acha que tudo em matéria de transgênicos se resume a um tema só para especialistas.
Marcelo Leite (cienciaemdia@uol.com.br), jornalista de ciência, mantém no caderno ‘Mais!’ da ‘Folha de SP’ a coluna ‘Ciência em Dia’, criada por José Reis, onde publicou este artigo.
Desta vez não vai dar para desqualificar e dizer que se trata de coisa de inimigos da tecnologia ou de defensores do protecionismo europeu.
O último relatório de advertência sobre os riscos da entrada de milho transgênico no México foi produzido sob a égide do Nafta por 16 pesquisadores dos três países signatários desse acordo de livre comércio do Norte da América.
Quem duvidar pode apelar para a internet: http://www.cec.org/maize.
A Comissão de Cooperação Ambiental, órgão tripartite criado no quadro do Nafta, foi encarregada em 2001 de estudar o problema da contaminação de variedades crioulas de milho do México com cultivares geneticamente modificados dos EUA.
Produziu o documento ‘Milho e Biodiversidade: Efeitos do Milho Transgênico no México’.
É leitura obrigatória para quem, no Brasil, acha que tudo em matéria de transgênicos se resume a um tema só para especialistas – como aliás sugere o nome da comissão de biossegurança (CTNBio), que é ‘técnica’ antes de ser ‘nacional’.
São muitas as recomendações polêmicas do relatório. Para começar, tornar mais rigorosa a moratória para cultivo em larga escala de milho transgênico no México e triturar todos os grãos desse cereal importados dos EUA.
Isso apesar de constar do documento que ‘investigações e análises científicas ao longo dos últimos 25 anos mostraram que o processo de transferir um gene de um organismo para outro não representa ameaça intrínseca, no curto ou no longo prazo, seja para a saúde, a biodiversidade ou o ambiente’.
Foi essa aparente contradição que alicerçou a reação do governo dos EUA. Num comunicado conjunto, as agências americanas de ambiente (http://www.epa.gov) e de comércio exterior (http://www.ustr.gov) qualificam o relatório como ‘fundamentalmente falho e não-científico’.
Uma passagem do documento é de particular interesse para formadores de opinião brasileiros.
Por aqui, costuma-se festejar sem senso crítico engenhocas genéticas como plantas de milho produtoras de medicamentos, que deveriam ser mantidas longe da cadeia alimentar humana.
Que leiam atentamente: ‘A modificação do milho para produzir substâncias farmacêuticas e certos compostos que são incompatíveis com alimentos e rações deve ser proibida, de acordo com as intenções manifestadas pelo governo do México, e séria consideração deve ser dada à idéia de banir tal uso do milho em outros países.’
O documento só parece contraditório para quem quer ver questões sociais e culturais distanciadas da biotecnologia. Afinal, é daí que surgem as maiores ameaças a seu avanço, e não tanto de supostos malefícios para a saúde e o ambiente.
O que incomoda no relatório da CEC é que ele se dispõe a considerar uma planta, o milho, como algo mais do que um organismo.
Como sabe qualquer pessoa que já tenha visitado o México, o milho, por lá, é peça central da cultura.
Além disso, a região guarda nas variedades crioulas e em parentes do milho – como o teosinto – uma diversidade genética fundamental para melhoristas fazerem futuros cruzamentos. Daí a recomendação para que se desenvolvam métodos melhores para detectar e monitorar a disseminação dos transgenes.
Para um biotecnólogo empedernido, só pode mesmo soar como o cúmulo do atraso e da ideologia acolher num documento ‘científico’ uma recomendação para ‘assegurar o envolvimento de pequenos agricultores no desenvolvimento da nova política mexicana de biotecnologia’.
Folha de SP, Mais!, 14/11/2004

Fonte: Jornal da Ciência

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Um grupo de 21 famílias começa a colher os primeiros resultados do programa “Flores da Eva”, uma iniciativa do Sebrae no Amazonas, inserida na Cadeia de Floricultura da instituição, que visa proporcionar uma alternativa de ocupação e renda aos produtores rurais do município de Rio Preto da Eva, município distante 80 km de Manaus.
Uma das participantes do programa é a proprietária do sítio Aline, Suely Portela, de 37 anos, que neste mês já colheu três das quatros espécies de flores temperadas que fazem parte do programa: gladíolo, áster (conhecido também como sorriso-de-maria), angélica e o amarílis, sendo que esta não foi plantada em sua propriedade. Com o gladíolo, por exemplo, Suely espera ter um faturamento de R$ 1,6 mil em novembro. A dúzia desta flor está sendo vendida em Manaus ao preço de R$ 7 no varejo.
A vantagem de participar do programa, segundo a produtora rural, é que um dos parceiros, a floricultura Dona Flor, está comprando toda a produção das famílias participantes. “Com o mercado garantido, nossa preocupação agora é produzir mais e melhor”, afirma.
Início da atividade
A atividade começou a ser fomentada no início do ano passado, a partir da constatação de que as mulheres do município já trabalhavam de forma incipiente com a produção e venda de flores da região no mercado local. Nessa ocasião, os primeiros bulbos de flores temperadas foram plantados, como forma de se verificar a adequação de uma cultura típica de clima temperado na região amazônica, com altas temperatura e umidade relativa do ar. Como a experiência foi um sucesso, o Sebrae no Amazonas passou a organizar o grupo, em seu início totalmente composto por mulheres, disponibilizando as ferramentas gerenciais e técnicas para a implantação de uma cadeia produtiva de flores.
Entre os cursos realizados, o de compostagem de matéria orgânica está apresentando resultados animadores, já que é uma atividade que ajuda na conservação da fertilidade do solo e elimina os resíduos de forma ecologicamente correta.
A diretora-técnica do Sebrae no Amazonas, Maria José Alves da Silva, acredita que, com a iniciativa, o município vai se transformar em um pólo produtor de flores, não só temperadas, mas também de tropicais, já que em Rio Preto da Eva existem todas as facilidades: localização próxima a um grande centro consumidor (Manaus), com estrada que facilita o escoamento da produção; clima adequado; água à vontade; e grandes áreas que podem ser aproveitadas para essa atividade. A qualidade do produto já passou pelo crivo dos consumidores amazonenses e, em dezembro, segundo a diretora, uma amostra das flores será enviada para o Chile, para se ter idéia da aceitação das flores de Rio Preto da Eva no mercado internacional. “O programa nasceu pequeno, mas com todo o planejamento estratégico para se tornar um grande agronegócio”, afirma.
Denison Silvan

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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