Consumidores do lado paraguaio, em Pedro Juan, estão evitando o consumo de carne daquele País, devido à suspeita de febre aftosa. De acordo com informações do site Conesul News, eles estão atravessando a fronteira para comprar no Brasil, trazendo prejuízos ao comércio paraguaio.
Um exemplo citado na reportagem é a dona de casa Arnilda Francisca Gonzalez, moradora em Pedro Juan. Ela vem acompanhando o noticiário sobre a aftosa e está preocupada com o problema. Diante disso, diz que mudou a rotina e vem comprando carne apenas em Ponta Porã (Brasil), onde o frigorífico local abate o gado em condições sanitárias legais.
Em Pedro Juan, não existe frigorífico. O gado é abatido no abatedouro municipal, em condições precárias de higiene. O Conesul News informa, ainda, que procurou manter contato com o chefe de Vigilância Sanitária da Intendência Municipal, Gerardo Valdez, mas não foi encontrado.

Fonte: Campo Grande News

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Entrou em vigor um novo “código de comportamento” para o mercado mundial de café. O objetivo da iniciativa alemã é melhorar as condições dos produtores e incentivar a preservação do meio ambiente.
Um novo código de comportamento para o mercado mundial de café foi apresentado nesta sexta-feira (10/09), em Hamburgo. A iniciativa alemã conta com o apoio de diversas organizações não-governamentais, do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, de produtores internacionais e da indústria alemã do café.
Empresas de torrefação e distribuição como Tchibo, Kraft e Nestlé participam do projeto, que entrará em sua fase de testes em cafezais da África, Ásia e América Latina. O código prevê normas que visam a garantir um padrão social, ecológico e econômico para a produção e comercialização sustentáveis do café em todo o mundo.
O objetivo é melhorar as condições de vida dos produtores, assegurando um salário mínimo para os trabalhadores sazonais, contratos de trabalho e carga horária fixa. O direito à escola e o acesso ao sistema de saúde, extensivo à família, também devem ser garantidos.
Com relação ao plantio, a meta é priorizar a preservação ambiental. O código estipula que os produtores de café utilizem produtos agrícolas, como pesticidas e adubos, que não agridam o meio ambiente. Relaciona ainda medidas para evitar o desperdício de água e oferece dicas para a criação de redes de esgoto com base nas diretrizes ecológicas.
Crise profunda
“O setor cafeeiro atravessa uma crise profunda”, afirmou Uschi Eid, deputada do Partido Verde e secretária do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, lembrando que o preço do café atingiu a maior baixa dos últimos 30 anos.
Com a cotação abaixo do seu custo de produção, os produtores não conseguem cuidar dos cafezais de forma adequada, ou seja, respeitando padrões ecológicos e leis trabalhistas.
Outro aspecto é a queda do padrão de vida. Cerca de 25 milhões de agricultores estão ameaçados de cair na pobreza. Um cultivo intenso e não-sustentável poderia acabar com diversas plantações de café em países tradicionais gerando um impacto negativo na demanda mundial do produto.
Com o nome de Common Code for the Coffee Community, CCCC, a iniciativa será financiada em conjunto pelo governo alemão e a indústria do café. Eid justificou o apoio: “O código pode contribuir a longo prazo para melhorar as condições de vida dos produtores. A vantagem é que ele foi criado para o mercado mundial e elaborado por produtores, ONGs e empresários”.
Brasil marca presença
O brasileiro Manoel Bertone, diretor executivo do Conselho Nacional do Café, que participa do projeto, esteve presente no lançamento do CCCC. “O objetivo é melhorar nossa qualidade de vida e a de nossos trabalhadores, proteger o meio ambiente bem como assegurar um relacionamento estável e equilibrado com nossos parceiros comerciais”.
Bertone salientou ainda que o código pode ajudar no incremento da produção mundial do café, destacando, porém, que “o sucesso deste código depende da cooperação de todos os setores”.
Alemães e o café
O interesse alemão em melhorar os padrões sociais dos produtores de café e contribuir para uma estabilização do mercado cafeeiro é também conseqüência do elevado consumo da bebida no país. Em 2002, o consumo per capita foi de 160 litros.
“Nossos consumidores querem ter certeza de que o café não é apenas saboroso, mas que também foi produzido em condições adequadas. Por isso é importante para nós participar desta iniciativa”, resumiu Annemieke Wijn, da Associação Alemã do Café.

Fonte: Deutsche Welle

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As destinações das vendas externas brasileiras estão mais diversificadas. O índice de concentração de exportações, elaborado pelo banco Bradesco, mostrou que em julho deste ano o indicador estava em 0,064. No mesmo período do ano passado, o valor era 0,081. Quanto mais próximo de zero, maior é a variedade de mercados importadores de produtos brasileiros.
Segundo Thais Ortega, uma das economistas responsáveis pelo relatório, o índice apresenta uma tendência de queda. Para calcular o indicador, é levada em consideração a participação de 232 países.
Dados do governo mostram de fato que a clientela brasileira cresceu. As exportações para a África, que figura como “novos mercados”, cresceram 52,5% de janeiro a agosto deste ano. Para o Oriente Médio, o salto foi de 58,8%.
“Uma menor concentração por mercados é benéfica no sentido de possibilitar uma maior estabilidade das exportações, reduzindo os impactos de possíveis dificuldades econômicas em parceiros comerciais específicos”, diz trecho de boletim sobre comércio exterior divulgado pelo Bradesco.
Entretanto, segundo José Augusto de Castro, da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), ainda é cedo para comemorar a consolidação da conquista de novos mercados. “Não posso dizer que é uma tendência. 2004 foi um ano atípico, com cotação de commodities muito elevada e com outros fatores que também favoreceram o Brasil”, avaliou.
Entre os eventos que têm ajudado o comércio exterior brasileiro neste ano, Castro destacou a quebra de safra de soja nos EUA no final do ano passado e as gripes do frango na Ásia. “Tudo isso ajudou o Brasil a entrar em mais mercados. Acho que mais um fato conjuntural do que estrutural.”
O economista Primo Roberto Segatto, presidente da Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior), também argumenta que a sustentabilidade da entrada ou mesmo da ampliação das exportações brasileiras em novos países é frágil.
“Não dá para dizer que vamos conseguir manter esses mercados. Com o aquecimento do consumo dentro do país, acredito que algumas empresas vão acabar priorizando as vendas internas”, afirmou Segatto.
De acordo com a AEB, no segmento de manufaturados, a principal alavanca das vendas externas foi a debilidade do mercado interno brasileiro, especialmente no começo deste ano. Para o Bradesco, de janeiro a agosto, 50,7% do aumento do saldo comercial foi explicado pela expansão das vendas de manufaturados.
A atuação pendular dos exportadores brasileiros – exportam quando o mercado doméstico vai mal e viram as costas aos novos clientes quando vendem dentro do país – preocupa analistas de comércio internacional. “Isso prejudica muito a imagem do comércio brasileiro no exterior”, disse o presidente da Abracex.
Problemas internos
Uma eventual diminuição da conquista de novos mercados por causa do aquecimento no mercado doméstico não é o único obstáculo das exportações brasileiras.
Entre os principais problemas está o desequilíbrio entre o que é exportado e o que é importado pelo Brasil. “Infelizmente navios ainda têm que vir vazios para daqui serem carregados com produtos de exportação brasileiros. Isso aumenta bastante o custo de frete”, disse Castro, da AEB.
Problemas de infra-estrutura, como calados (profundidade mínima de água necessária para a embarcação flutuar) rasos em alguns importantes portos brasileiros também podem ameaçar a pulverização das vendas externas brasileiras. “A infra-estrutura do porto de Santos está saturada. Já sentimos a redução do interesse de alguns clientes do Brasil”, argumenta Segatto.
CÍNTIA CARDOSO da Folha de S.Paulo

Fonte: Folha Online

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A mecanização do campo é um fator natural e irrefreável e o desemprego gerado por ela uma conseqüência da modernização da agricultura, na opinião de agricultores e da UDR (União Democrática Ruralista).
Para pesquisadores e para a CPT (Comissão Pastoral da Terra), entidade que defende a reforma agrária nos moldes da agricultura familiar, o desemprego e a concentração de renda propiciada pela mecanização devem ser combatidos.
Segundo o pesquisador Philip Fearnside, da Coordenação de Pesquisas em Ecologia do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), a soja, o algodão e a cana, devido ao alto grau de mecanização de suas produções, geram, em média, apenas um emprego para cada 200 hectares.
“Os poucos empregos gerados são de técnicos ou de operadores de máquinas. Os demais trabalhadores recebem salários aviltados e trabalham, muitas vezes, em condições degradantes”, diz o secretário nacional da CPT, Antônio Canuto.
De acordo com Bernardo Mançano, do Nera (Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária), da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), a própria palavra agronegócio é “uma construção ideológica para tentar mudar a imagem latifundista da agricultura capitalista”. Segundo ele, a cana e o feijão desempregam 400 pessoas para cada vaga criada com a mecanização. Em média, as culturas do agronegócio fecham 11 vagas para cada trabalhador contratado.
Para Mançano, os cálculos apresentados para justificar que o agronegócio é a grande força das exportações brasileiros estão equivocados. “Pelo menos 50% da produção agrícola e pecuária é da policultura de pequenas propriedades familiares que são apropriadas pelo agronegócio.”
“O agronegócio cresceu tanto que virou uma coisa sacralizada. Quando se analisa, nos censos agropecuários de 1995 e 1996, a produção de propriedades que têm apenas mão-de-obra familiar ou um ou dois empregados no máximo, se vê que elas são responsáveis por metade da produção agrícola brasileira. Mas, com o mito de que o agronegócio é o grande produtor, ele fica com 90% das verbas de financiamento da agricultura”, disse Mançano.
Segundo a Agência Rural de Goiás, ligada à Secretaria da Agricultura do Estado, a mecanização da lavoura de algodão cria um emprego para cada 60 funcionários dispensados que trabalhavam manualmente na produção.
A deputada estadual Isaura Lemos (PDT-GO) explica que esses novos empregos não são preenchidos totalmente por empregados antigos das fazendas. “Como a operação desse maquinário exige conhecimentos específicos, trabalhadores com esse preparo foram “importados” para trabalhar nas fazendas mecanizadas.”
O presidente da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia, diz que, ao analisar o agronegócio como um sistema inteiro, nota-se que ele é gerador de empregos. Segundo ele, são gerados empregos em outros pontos da cadeia econômica, como nas indústrias de processamento das produções nas cidades e no complexo exportador.
Para ele, a mão-de-obra no campo está vivendo suas últimas safras. “O agronegócio não pode ficar para trás. É natural que ele se modernize para competir lá fora.”
Os ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Trabalho, que não quiseram comentar a substituição do trabalho no campo, não têm dados atualizados sobre o desemprego rural. O último censo agropecuário é de 1996. Estudos para a realização de um novo censo estão sendo concluídos.
Da Agência Folha, em Acreúna (GO)

Fonte: Folha Online

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