No dia em que o Diário Oficial publicou uma medida provisória liberando o plantio de soja transgênica, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou ter a garantia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o governo vai se empenhar para aprovar o texto do projeto já apreciado na Câmara e que devolve a seu ministério a palavra final sobre o plantio comercial de transgênicos.
O Senado mudou o texto e aprovou substitutivo que dá mais poder à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e reduz o papel fiscalizador dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde.
Marina Silva disse que o Sistema Nacional de Meio Ambiente não pode ficar subordinado à CTNBio. Ela contou que o presidente assinou a MP “premido pelas circunstâncias”, já que os agricultores no Rio Grande do Sul estavam plantando a soja transgênica.
O Partido Verde (PV) vai entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade no STF, na segunda-feira, contra a MP. A bancada do partido na Câmara divulgou uma nota afirmando que a MP que liberou o plantio dos transgênicos é inconstitucional, uma vez que o Congresso ainda está discutindo a Lei de Biossegurança.
A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) também divulgou nota, elogiando a MP. Porém, os agricultores que plantarem a soja transgênica, a exemplo de 2003, terão que assinar um Termo de Ajuste de Conduta responsabilizando-se por danos à saúde humana e ao meio ambiente. Embora tenha considerado boa a MP, o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, anunciou ontem, em Porto Alegre, uma mobilização para pressionar parlamentares a não aprovar o Termo de Ajuste de Conduta. Sperotto também criticou a demora na decisão do governo, que atribuiu à ministra do Meio Ambiente.
– Não há uma pessoa mais nociva à agricultura do que a ministra Marina Silva – criticou o presidente da Farsul.
Ele também revelou que mais de 90% dos 3,7 milhões de hectares que serão plantados no Rio Grande do Sul com soja nesta safra deverão ser de variedades transgênicas que, além de terem um custo de produção 30% menor, exigem menos defensivos agrícolas. Sperotto acredita que 1% a 2% dessa área já tenham sido plantados com soja transgênica no Rio Grande do Sul, que inicia o cultivo antes dos demais estados. O plantio em maior escala ocorrerá a partir dos próximos dias, estendendo-se até novembro.
Evandro Éboli

Fonte: O Globo

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A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse estar motivada a continuar trabalhando pelo que considera “ser melhor para o Brasil, para os seus agricultores, para os seus pesquisadores e para os seus consumidores”. Ela negou qualquer possibilidade de deixar o governo, em função da assinatura, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Medida Provisória que estabelece as regras de comercialização da soja transgênica no país até janeiro de 2006. “Eu tenho total lealdade ao presidente da República e nunca manifestaria qualquer posição em relação a isso que não fosse ao próprio presidente”, acrescentou.
A ministra afirmou que o presidente Lula tomou uma decisão – a edição da Medida Provisória sobre o plantio e comercialização de transgênicos – “premido pelas circunstâncias de não deixar novamente o plantio na ilegalidade”. E que o Congresso Nacional debateu durante um ano a matéria e “não conseguiu ter uma posição final”, mas “o governo vai continuar trabalhando por sua posição, construída e negociada com os diferentes segmentos do Parlamento brasileiro”.
Marina Silva acrescentou que se orienta pelas decisões do presidente Lula e “a decisão do presidente foi de que o texto que vai ser trabalhado pelo governo é o texto estruturante, que dá um marco legal adequado para esse país, e a MP sinaliza nessa direção”. O que foi aprovado na Câmara dos Deputados, destacou, “foi o texto estruturante que eu considero que resolve definitivamente o problema”.
Sobre o plantio de soja transgênica no Brasil, Marina Silva disse ser “a favor de que se tenha uma regra transparente, clara, estruturante, para que o plantio – seja de organismo geneticamente modificado, seja de convencionais – se dê em bases democráticas”.
Benedito Mendonça

Fonte: Agência Brasil

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O sistema da Fossa Séptica Biodigestora, que inclui o Clorador Embrapa, auxiliará a segunda etapa da Campanha de Vacinação e do Projeto-Piloto de Educação Sanitária “Brasil Livre de Febre Aftosa”, lançado no dia 13/10, em Parnamirim (RN), pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues.
O projeto, além de buscar sensibilizar lideranças empresariais, políticas e religiosas, movimentos sociais, sindicatos, gestores públicos e a sociedade civil local, especialmente crianças, nas regiões Norte e Nordeste, levará noções de educação sanitária à população e a reestruturação do modelo de atenção à saúde.
O sistema Fossa Séptica Biodigestora desenvolvido pela Embrapa Instrumentação Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pode contribuir para a melhoria da saúde da população ao promover o saneamento básico na zona rural, preservar o meio ambiente e ainda gerar adubo orgânico de qualidade em substituição ao químico.
O sistema consiste em desviar a tubulação do vaso sanitário para caixas de fibrocimento, nos quais os coliformes fecais são transformados em adubo orgânico, pelo processo de biodigestão. O processo é simples e barato, mas de grande eficiência, porque substitui as fossas negras, comuns na zona rural, e responsáveis pela contaminação do lençol freático e posteriormente dos poços caseiros.
A probabilidade de contaminação da população rural e, sobretudo, de contração de doenças, entre elas, salmonelose, hepatite, diarréia e cólera, é muito grande ao se consumir a água desses poços. De acordo com dados do IBGE, apenas cerca de 12% do esgoto rural recebe algum tipo de tratamento, mas em algumas regiões, como Norte e Nordeste, este percentual chega a pouco mais de 5%.
Com o sistema ainda é possível impedir o ciclo da cisticercose, porque este parasita, assim como outros, não sobrevive dentro da Fossa Séptica Biodigestora. Segundo o pesquisador Antonio Pereira de Novaes, responsável pelo projeto da Fossa, o sistema de grandes biodigestores é importante no tratamento de fezes de bovinos e suínos para impedir a transmissão de verminoses. O adubo produzido pelos biodigestores pode retornar ao pasto economizando a adubação química.
Quanto à sanidade vegetal, já pode ser observado que em pomares adubados com o efluente da fossa, as plantas apresentam vigor mais elevado, não sendo constatado, por exemplo, a ferrugem. Outra vantagem observada é o aumento no rendimento de frutos, como goiaba, graviola e macadâmia.
Joanir Silva
jo@cnpdia.embrapa.br

Fonte
Embrapa Instrumentação Agropecuária
http://www.cnpdia.embrapa.br

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O Japão confirmou outro caso da doença da vaca louca em um animal de 48 meses de idade, o 14° caso desde que a doença foi descoberta pela primeira vez no país asiático em setembro de 2001. A informação foi divulgada nesta quinta, dia 14, pelo Ministério da Agricultura. O caso foi verificado na ilha de Hokkaido, norte do país.
O último caso de vaca louca que havia sido informado pelo Japão foi tornado público em 23 de setembro, referente ao contágio em uma vaca de 103 meses do distrito de Nara, oeste do país.
O Ministério da Agricultura está conduzindo testes em todos os animais mortos de 24 meses de idade ou mais desde abril deste ano, enquanto o Ministério da Saúde tem realizado testes em todos os animais sacrificados para alimentação desde outubro de 2001.
A política de examinar todos os animais em busca de vestígios da doença da vaca louca, formalmente conhecida como Encefalopatia Espongiforme Bovina, é o principal ponto de discórdia entre Washington e Tóquio nas conversações sobre o fim do embargo às importações de carne bovina dos Estados Unidos.
O Japão, antes o maior comprador internacional da carne bovina dos EUA, suspendeu as compras do produto – avaliadas em US$ 1,4 bilhão – depois que o país norte-americano descobriu seu primeiro caso de vaca louca, em dezembro.

Fonte: AGROL

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Os produtores de soja transgênica provavelmente já podem partir para o plantio sem se preocupar com fiscalização. Nesta quinta-feira (15/10), eram sólidas as informações de que o presidente Lula havia assinado a Medida Provisória que autoriza o plantio do grão geneticamente modificado na safra 2004/05 e permite a comercialização dessa soja até 31 de março de 2006.
Uma das novidades é que a MP, segundo texto obtido pelo Valor, autoriza a comercialização de sementes transgênicas que tenham obtido registro provisória no Registro Nacional de Cultivares (RNC). A legislação que liberou a soja transgênica em 2003/04 não permitia a comercialização de sementes, apenas das que já estivessem nas mãos dos agricultores. E, ao contrário do que ocorreu na safra passada, os produtores não precisarão mais assinar o termo de responsabilidade comunicando o plantio da soja modificada.
Sendo assim, afirmam especialistas, não apenas a multinacional americana Monsanto poderá vender suas sementes, mas também empresas ou fundações que tenham registro provisório no RNC. É o caso, por exemplo, da estatal Embrapa, da Coodetec e da Fundação Mato Grosso (FMT), de acordo com fontes do setor. “A regra vale para todos que fizeram o registro. Mas, mesmo assim, é uma pena que ainda exista o risco dessa regra não ser definitiva”, diz um pesquisador. Ele lembra que a nova Lei de Biossegurança, que regulamentará os caminhos para a definitiva liberação dos transgênicos no Brasil, ainda depende de votação na Câmara dos Deputados. Com isso, esta será a terceira safra de soja transgênica autorizada por MP.
A decisão do presidente Lula de editar a nova MP foi comunicada nesta quinta pelo líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), após se reunir com Lula no Palácio do Planalto.
“A safra fica liberada legalmente a partir de amanhã [16/10]. A decisão do presidente tira a tensão do meio agrícola. Não podíamos esperar além de outubro”, afirmou o deputado se referindo ao fato de que o plantio já começou em algumas áreas do Rio Grande do Sul. Assim como ocorreu no ano passado, a liberação da safra foi uma derrota da ala “antitransgênicos” do governo, liderada pelos ministros do Meio Ambiente, Marina Silva, e da Reforma Agrária, Miguel Rosseto. A decisão de assinar a MP já havia sido tomada pelo presidente desde a semana passada. Até o fechamento desta edição, o presidente Lula e a ministra Marina Silva estavam reunidos e o texto da MP não havia sido divulgado oficialmente.
Em Maringá, no norte do Paraná, os transgênicos foram o principal assunto na véspera da festa do plantio da safra 2004/05. De um lado, o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslowski, garantiu que depende de um marco regulatório para sentar com o governador do Estado e negociar o fim das restrições locais enfrentadas pelos produtores. Por outro, o diretor da secretaria do Estado de Abastecimento, Newton Pohl Ribas, apresentou o ponto de vista do governador Roberto Requião, que já declarou que o Paraná não tem como separar a soja convencional da transgênica. O debate foi organizado pela Cocamar, uma das cinco maiores cooperativas agrícolas do país, para apresentar o cenário agrícola mundial. (Colaborou Taciana Collet, de Brasília)
Vinicius Doria, Fernando Lopes, Cibelle Bouças e Marli Lima De Brasília, São Paulo e Maringá

Fonte: Valor Econômico

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Os países do Mercosul acertaram uma parceria com a União Européia na área de biotecnologia, com recursos da ordem de seis milhões de euros. O acordo começa a valer em março de 2005 e os detalhes estão sendo discutidos durante a 32ª Reunião Especializada de Ciência e Tecnologia do Mercosul (Recyt).
O evento, com representantes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil, termina na sexta-feira (15/10), no Recife. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a parceria envolve a capacitação de pesquisadores brasileiros para concorrer a editais de financiamento em C e T nos países da União Européia.
Ações de popularização da ciência e investimento em pesquisas de relevância no comércio bilateral dessas duas regiões também fazem parte do acordo – como em estudos sobre a ferrugem da soja ou o mal da vaca louca, problemas que afetam ou podem vir a afetar as relações comerciais entre os países das duas comunidades.
A Reunião Especializada de Ciência e Tecnologia do Mercosul tratará ainda de assuntos como Rede Brasil de Tecnologia e programas de fomento à inovação por meio de incubadoras de pequenas e médias empresas tecnológicas.

Fonte: Agência Fapesp

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Nesta terça-feira (19/10), o Governo do Mato Grosso do Sul estará fazendo o lançamento oficial do 4º Congresso Internacional do Leite. O evento acontecerá às 9h, no auditório do Idaterra, em Campo Grande, capital do Estado, e contará com a presença do secretário de Desenvolvimento Agrário do Mato Grosso do Sul, Valteci Ribeiro de Castro Jr. e do chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins.
Idealizado pela Embrapa Gado de Leite (unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento) o evento é um dos mais importante fóruns da cadeia produtiva do leite no País. Seu público de abrangência são produtores e suas representações corporativas, lideranças políticas, representantes de organizações públicas e privadas ligadas ao setor, estudantes e profissionais da assistência técnica e extensão rural.
O Congresso é composto pelo 4º Workshop sobre políticas públicas para o agronegócio do leite e pelo 6º Simpósio sobre sustentabilidade da pecuária de leite no Brasil. Durante os quatro dias de trabalhos, dezenas de convidados do Brasil e exterior estarão apresentando palestras ou participando de debates em mais de uma dezena de atividades que abordarão temas como o mercado lácteo, exportações, sustentabilidade para a produção de leite, etc.
As inscrições para o evento poderão ser feitas pela internet (www.cnpgl.embrapa.br). A taxa de inscrição é de R$50,00 (estudantes e produtores pagam R$30,00). O Congresso será realizado dos dias 4 a 7 de novembro, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo – Parque dos Poderes, Campo Grande, MS. Outras informações pode ser obtidas pelo telefone (32) 3249-4700.
Autor
Rubens Neiva
Embrapa Gado de Leite

Fonte: Embrapa Gado de Leite

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Numa pesquisa pioneira, o Instituto Cepa/SC, com recursos do FEPA (Fundo Rotativo de Estímulo à Pesquisa Agropecuária do Estado de Santa Catarina), traçou a dimensão do uso de ferramentas de tecnologia da informação como instrumentos que auxiliam o processo de tomada de decisões do agricultor catarinense. O estudo “Impacto da Tecnologia da Informação (TI) sobre o Processo Decisório do Agricultor Familiar”, coordenado pelo sociólogo Antônio Marcos Feliciano, foi elaborado com base em questionários respondidos por associações de produtores da agricultura familiar, que representam aproximadamente 20 mil famílias de pequenos produtores. O objetivo constitui em avaliar qual a influência que as ferramentas de TI (rádio, TV, internet, etc.) exercem no cotidiano do pequeno agricultor, enquanto fonte de acesso e disseminação de informações sobre o processo decisório. Além desse, buscou-se saber sobre a estrutura de TI já utilizada por essas entidades.
No universo das associações ouvidas, 26% têm acesso a computadores, sendo que apenas 3,8% possuem o equipamento na sede própria. Aquelas que não utilizam os próprios equipamentos fazem uso de equipamentos e espaço cedidos por outras instituições públicas. A Internet é acessada por 12,5% dos entrevistados. O rádio é o meio mais utilizado (84,3% das associações), seguido da televisão (76,9%), do telefone (76,5%), e da antena parabólica (72,6%). Possuem assinaturas de revistas 22,8% e de jornais 19,9% das associações.
Entre os entrevistados que utilizam a Internet, 93,1% pesquisam prioritariamente informações agrícolas. “Os produtores ou as entidades representativas que fazem uso da internet possuem uma visão geral e atualizada do mercado, o que representa um diferencial para planejar atividades, facilita ações e decisões, permite acesso a diversas opiniões de diferentes especialistas”, observa Feliciano. As principais causas para não utilizar a Internet são os altos custos do equipamento (67,7%) e das ligações telefônicas para os provedores (46,9%), a falta de capacitação (32,1%) e por desconhe e shy;cimento dos benefícios dessa tecnologia (24,8%).
As reuniões, para 94,4% são a principal forma de repassar as informações obtidas pelos mais diversos canais de comunicação; 1,6% envia informações por correio eletrônico. Questionados sobre o que o Estado deve priorizar para o meio rural, 85,1% dos entrevistados responderam que devem ser centradas em linhas de crédito, 65,5% os serviços de extensão rural ou assistência técnica, e apenas 10% apontam o investi e shy;men e shy;to em cursos de informática, ou seja, investir em conhecimento ainda não representa uma prioridade.
O estudo conclui que os produtores utilizam bem os canais convencionais de comunicação e dão importância à atualização tecnológica, mas aponta a necessidade de se estabelecer uma política de inclusão digital rural. “É preciso diminuir a dis e shy;crepância entre o uso da tecnologia pelos cidadãos no meio urbano com relação à utilização dos mesmos instrumentos por àqueles que vivem no meio rural. A inclu e shy;são digital amplia os horizontes no mundo rural e pode fomentar outras atividades, que agreguem valor social e financeiro para as famílias rurais”, lembra Feliciano.
A pesquisa deve ser ampliada posteriormente com outras entidades do setor agrícola, como os sindicatos, cooperativas, dentre outras. Da mesma forma, subsidiará a implantação do projeto Beija-Flor, iniciativa que está sendo desenvolvida pela Secretaria de Estado da Agricultura e Política Rural em parceria com outras instituições. O Beija-Flor faz parte do programa A Vez do Campo e irá implementar tele-centros ou centros do conhecimento em Santa Catarina, especialmente no meio rural.
Mais informações:
Antônio Marcos Feliciano
Sociólogo Instituto Cepa/SC
Telefone(48) 239-3913 / 9982-5661

Autora
Barbara Pettres
E-mail: a.imprensa@icepa.com.br

Fonte
Instituto Cepa/SC
http://www.icepa.com.br

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A produção orgânica possibilita obter valor agregado 25% maior do que na agricultura convencional. Este é um dos resultados da pesquisa “A agricultura orgânica na região da Grande Florianópolis – Indicadores de desenvolvimento” (184 págs.), que está sendo lançada pelo Instituto Cepa/SC e foi publicada com recursos do Fundo Rotativo de Estímulo à Pesquisa Agropecuária (Fepa). O estudo pode ser lido na íntegra no site do Instituto CEPA – www.icepa.com.br.
A pesquisa comparou o desempenho da produção de 40 propriedades orgânicas e 40 similares que cultivam da maneira tradicional, em 11 municípios da Grande Florianópolis. As informações concentram-se na produção de hortifrutigranjeiros, a principal atividade agrícola entre os produtores da região pesquisados. Esta pesquisa dá seqüência ao cadastro geral de produtores orgânicos de Santa Catarina, realizado em 2002, que constatou a existência de 706 produtores em atividade no estado e à pesquisa sobre comercialização e consumo de produtos orgânicos na Grande Florianópolis.
Os objetivos foram identificar e quantificar indicadores de sustentabilidade (ecológica, agronômica, econômica, socioinstitucional e segurança alimentar) e levantar os potenciais e as dificuldades do sistema de produção orgânico, comparado à produção de alimentos com tecnologias convencionais.
Com relação à estrutura fundiária, a pesquisa apontou que 62,5% dos agricultores orgânicos possuem área total inferior a 20 hectares. Entre os produtores convencionais, os que possuem área total inferior a 20 hectares representam 72,5% da amostra pesquisada.
Com relação ao nível de escolaridade, os produtores orgânicos apresentam maior grau de instrução. Seis chefes de família (15% do total) e 13 familiares possuem nível superior, enquanto que entre os produtores convencionais, apenas um chefe de família e nenhum dos membros dos produtores convencionais têm curso universitário. Apesar do bom nível de instrução, 80% das famílias produtoras de orgânicos não possuem água tratada em casa e 30% não protegem poços e vertentes de água potável.
Os produtores convencionais utilizam maior quantidade de mão-de-obra familiar. Entre os produtores orgânicos, a média é de 1,58 equivalente/homem por estabelecimento, enquanto que entre os convencionais são 2,26 equivalentes/homem por esta e shy;belecimento.
Quanto ao tempo de experiência nas atividades agrícolas, o grupo de agricultores convencionais tem, em média, 27 anos enquanto que entre os agricultores orgânicos, o tempo médio de experiência é de 20 anos. A experiência destes com a produção orgânica é de cerca de 4 anos na média.
Quanto aos motivos que levaram os produtores a adotar a agricultura orgânica, destacam-se, em primeiro lugar, a preocupação com a saúde da família (25%), seguida de maior rentabilidade (22,5%), preocupação ecológica (20%) e demanda do mercado (17,5%).
Em relação ao resultado econômico, medido pelo valor agregado – que é a riqueza gerada na propriedade, excluídos todos os custos com a produção -, constatou-se que a agricultura orgânica possibilita ganhos médios 25% superiores aos obtidos pelos produtores convencionais. Na média, os estabelecimentos dedicados à horticultura orgânica geram valor agregado de R$ 1.953,33/ha, enquanto que no cultivo convencional obtém-se R$ 1.562,93/ha. Em boa parte este ganho é resultante de menores custos de produção e de preços de mercado mais elevados para os produtos orgânicos. Resultado da forte demanda, os preços pagos pelos produtos orgânicos alcançam valores de 50% a 200% superiores aos produtos da agricultura convencional.
Dos 40 produtores orgânicos entrevistados, sete não possuem certificação da produção. “Isso significa que 17,5% dos produtores estão ofertando no mercado alimentos ‘orgânicos’ cujo processo de produção não segue necessariamente as normas oficiais e nem é controlado ou auditado por certificadoras credenciadas”, observa o coordenador da pesquisa, engenheiro agrônomo Rubens Altmann. Segundo ele, este fato põe em risco a segurança alimentar dos consumidores e pode facilitar fraudes. Como Santa Catarina possui legislação que normatiza a produção orgânica, o pesquisador sugere aos consumidores que exijam o selo oficial da Secretaria da Agricultura ou de certificadoras credenciadas ao comprarem produtos orgânicos.
Quanto à permanência na atividade, 95% dos produtores, tanto orgânicos quanto convencionais, declararam que pretendem continuar produzindo; 67,5% dos produtores orgânicos têm previsão de fazer novos investimentos e um número surpreendente de 45% dos produtores convencionais também está pensando em investir na produção orgânica.
Com relação ao período de conversão para a produção orgânica, este é um momento crítico. “Até que se restabeleça o equilíbrio na propriedade, os solos sejam descontaminados dos agroquímicos e se restabeleça o equilíbrio da microfauna e microflora, os níveis de produtividade costumam cair (em relação aos obtidos na agricultura convencional), com conseqüente perda de renda. Na Europa, por exemplo, existem políticas públicas de apoio aos produtores nesta fase crítica. Aqui o risco fica por conta do agricultor, até que ele domine plenamente a tecnologia. Por isso, há necessidade de políticas públicas e de assistência técnica específicas para este promissor negócio”, enfatiza Altmann. Se a conversão não resultar em ganhos econômico-financeiros concretos, há forte probabilidade do produtor retornar ao sistema convencional ou até mesmo abandonar a atividade, observou o estudo.

Mais informações:

Rubens Altmann
Engenheiro agrônomo – coordenador do estudo
Telefone: (48) 239-3907
E-mail: altmann@icepa.com.br

Paulo Zoldan
Economista e pesquisador da produção orgânica
Telefone: (48) 239-3940
E-mail: zoldan@icepa.com.br

Autora
Barbara Pettres
E-mail: a.imprensa@icepa.com.br
Fonte
Instituto Cepa/SC
http://www.icepa.com.br

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O Brasil perde anualmente mais de US$ 5 bilhões por causa dos defeitos do couro produzido no País. Para aumentar a rentabilidade do produto, o setor pretende implantar um programa de qualidade, que está em discussão com o governo. Além disso, foram investidos R$ 1,9 milhão para a construção do Centro de Tecnologia do Couro, em Campo Grande (MS), que inaugura hoje e pretende pesquisar a melhoria do produto.
Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), anualmente o País perde US$ 1 bilhão em cinco milhões de peles inutilizadas por causas de defeitos. Além disso, calcula-se que se o País tivesse um índice de qualidade semelhante ao dos Estados Unidos, poderia exportar US$ 6 bilhões frente aos quase US$ 1,5 bilhão comercializados atualmente.
De acordo com dados da Embrapa Gado de Corte, 85% do couro americano é de primeira qualidade ante a 8% no Brasil. Na avaliação do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB), se a qualidade do produto nacional fosse melhor, as exportações atuais poderiam, pelo menos, dobrar.
Segundo o coordenador do Centro de Tecnologia do Couro, Edson Espíndola Cardoso, enquanto um couro de boa qualidade pode fazer até 25 pares de sapatos e render US$ 500 a peça, um couro com defeito não produz mais que dois pares. Ou seja, o Brasil perde em agregação de valor.
“É preciso um programa que remunere o produtor pelo couro de melhor qualidade”, afirma Antenor Nogueira, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da CNA. Segundo ele, desde o governo passado discute-se um ação dessas, mas ainda não foi feito acordo com os curtumes e frigoríficos. No final de 2002, o governo federal baixou instrução normativa que estabelecia os critérios de classificação do couro. De acordo com as normas, o produto seria avaliado no animal vivo. No entanto, uma pesquisa da Embrapa tenta demostrar que é impossível classificar a pele neste estágio. Segundo a pesquisadora Mariana de Aragão Pereira, a avaliação deve ser feita na esfola, antes do produto ir para o curtume.
Para Cardoso, seria possível a peça valer até o dobro do preço atual – cerca de 7% a 10% da arroba do boi, se o produto tivesse qualidade. Mas o vice-presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Leogenio Luís Alban, afirma que o couro de melhor qualidade já está sendo remunerado. Segundo ele, nos últimos quatro anos o valor pago pelo couro passou de 7% para 12% do valor da arroba.
A instituição vem investido na melhoria da qualidade do produto, por meio de um programa que tenta conscientizar pecuaristas e frigoríficos. Foram investidos R$ 3 milhões no projeto, nos últimos dois anos, em parceira com a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex). “É preciso que o produtor se conscientize, pois ele perde dinheiro na valorização do couro e também na produtividade do animal, no caso de infestação de parasitas”, diz Alban.
Cardoso afirma que uma das maneiras de melhorar a qualidade do produto é investir na sanidade animal, pois um percentual alto dos defeitos das peles é decorrente de parasitas. Outra solução é aperfeiçoar o manejo do gado na fazenda, no que se refere a arames e marcações. Segundo dados do CICB, apenas 30% do rebanho é marcado seguindo as normas técnicas.
Pesquisa do couro
O Centro de Tecnologia do Couro será o primeiro do Centro-Oeste, região que responde por 36% do rebanho nacional, de 180 milhões de cabeças. O projeto completo está orçado em R$ 6,5 milhões, mas inicialmente foram investidos R$ 1,9 milhão para os laboratórios de curtimento e tratamento de efluentes.
No próximo ano, devem ser iniciadas as obras dos laboratórios de análise físico-química, análises mecânicas e biotecnologia. Segundo Cardoso, além de discutir a qualidade do couro, o centro se propõe a formar profissionais na área e fazer pesquisas para determinar a melhor matéria-prima para determinado fim. Além dos bovinos, estarão em estudos peles de outros animais.
O centro tem capacidade para processar até três mil peles por dia, porém não deve atingir esse volume de imediato, já que o objetivo é estudar minuciosamente as alterações que sofrem o produto em cada etapa e buscar a melhoria constante da qualidade.
Exportações
Pior que a qualidade do couro, a tributação tem sido considerada o maior problema para os curtumes. De janeiro a agosto, as vendas externas de produtos semi-acabados caíram 6,1%, totalizando US$ 111,6 milhões, enquanto as exportações de wet blue aumentaram 25,6% no período (US$ 311,98 milhões). Isso porque em janeiro foi reduzida a alíquota de exportação do wet blue de 9% para 7%. No total, as vendas externas chegaram a US$ 825,45 milhões (alta de 24,4%).
“Estamos exportando matéria-prima”, afirma Alban. Enquanto um couro acabado é comercializado a US$ 80 a peça, o wet blue é vendido a US$ 30. Segundo ele, isso significa que o País perde divisas ao não agregar valor a seu produto.
Neila Baldi

Fonte: Gazeta Mercantil

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Ante baixos preços, os produtores que ainda podem abandonam o grão. O último relatório de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) jogou um balde de água fria no ânimo do produtor brasileiro de soja. A perspectiva de uma supersafra americana, de 84 milhões de toneladas, aliada ao aumento dos custos de produção, deve reduzir a margem de lucro no campo. “O melhor adubo para o agricultor é o lucro. E como não tenho vocação para perder dinheiro, decidi reduzir pela metade o plantio de soja”, diz Romão Flores, produtor estabelecido em Canabrava do Norte (MT).
De um lado, o custo de produção subiu 30% e, do outro, os preços caíram quase pela metade. “Vamos trabalhar para cobrir custos”, diz Alberi Garaffa, de Canarana (MT). Com um custo de R$ 1,2 mil por hectare plantado, ele terá que vender a safra por um preço mínimo de R$ 25 a saca. “Abaixo disso, tenho prejuízo”, afirma. Ontem, a saca de soja estava sendo negociada na região a R$ 24, muito abaixo do pico de R$ 48 registrado no início do ano. “Estamos em plena entressafra e os preços estão nesses patamares. O que devo esperar para os próximos meses?”, diz. “Se pudesse, teria reduzido a área.”
Os poucos que podem trocar a soja por outra cultura não pensam duas vezes. Romão Flores decidiu, há uma semana, que não plantaria 4 mil hectares de soja, mas apenas 2 mil hectares. O restante da área ele utilizará para pastagens. “É a revanche do boi sobre a soja.”
Em anos anteriores, o produtor teve uma lucratividade de até 35%. Para esta safra, o quadro é outro. André Pessôa, diretor da Agroconsult, estima para 2004/05 rentabilidade inferior a 10%.
Lucia Kassai e Neila Baldi

Fonte: Gazeta Mercantil

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O resíduo da uva processada na produção do vinho poderá se tornar em um bom ingrediente para a engorda de ovinos. O seu uso na alimentação animal combinado com forrageiras tradicionais, a exemplo de raspa de mandioca, farelo de milho e farelo de palma, promoveu ganhos de peso nos animais de 71, 117 e 132 g/dia, respectivamente. É um grande resultado, revela o pesquisador Gherman Garcia Leal de Araújo, da Embrapa Semi-Árido, e responsável pelos experimentos que avaliaram o potencial forrageiro do resíduo.
A pesquisa realizada no Laboratório de Nutrição Animal da Embrapa Semi-Árido é parte de uma tese de mestrado de Daerson Dantas Barroso no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), orientada pelo pesquisador da Embrapa. Em seus objeti-vos, ela atende a uma demanda do programa “Apoio à Cadeia Produtiva da Ovinocaprinocultura Brasileira” do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): aproveitar as opções de alimentos forra-geiros disponíveis regionalmente.
O subproduto da agroindústria do vinho se enquadra nessa demanda. No Vale do São Francisco, em especial no Pólo de Irrigação de Juazeiro/Petrolina, o resíduo é um material já abundante nas vinícolas. Parte dele é usado como adubo nos parreirais e o restante é queimado. O uso desse resíduo é uma maneira de reciclar seus nutrientes e pode ser um importante fator de redução de custos de produção, afirma o pesquisador. Até agora não tinha qualquer avaliação como uso for-rageiro na região.
Aproveitamento
Na região do Submédio São Francisco está se consolidando um Pólo Vitivinícola que já está com 500 hectares plantados com variedades de uva para vinho, processa cerca de 7 milhões de litros, detém 15% do mercado nacional de vinho e gera uma grande quantidade de resíduos. O seu aproveitamento como forrageira é uma opção interessante na suplementação alimentar de ruminantes, explica Gherman Araújo.
Segundo Daerson Barroso, os ganhos de peso obtidos pelos animais sem raça definida e oriundos de sistemas de produção da caatinga, associando forrageiras tradicionais e o resíduo das viníco-las, são muitos bons. Aliás, ele se diz surpreso com o resultado dos testes. Quando começamos a avaliar as dietas, a expectativa era de apenas conseguir que os ovinos mantivessem o peso duran-te os noventa dias de duração da avaliação. Mas, o que conseguiram foi além disso: os animais engordaram em quantidades satisfatórias, explica o estudante de mestrado.
Outro aspecto relevante dos experimentos destacado por Daerson está no rendimento da carcaça dos animais abatidos em relação ao seu peso vivo. No momento logo após o abate, retirada as vísceras e a pele, a relação anotada variou de 45 a 53%. Num instante posterior, com a carcaça “fria”, os percentuais ficaram entre 43 e 52%. São resultados bons que se assemelham aos regis-trados em animais de condição corporal melhor, como os da raça Santa Inês, ressalta ele.
Fonte protéica
Esta alternativa de alimento animal pode estar disponível para os rebanhos do Sertão do Vale do São Francisco. A quantidade de animais nessa região é uma das maiores de todo o país. O desempenho produtivo, no entanto, é baixo, em conseqüência dos parcos recursos tec-nológicos a forte dependência que os sistemas de criação pecuária tem da vegetação da caatinga como fonte quase que exclusiva de forragem para os animais.
O crescimento da agroindústria do vinho aumentará o volume de resíduo. O acúmulo desse sub-produto pode vir a tornar-se um sério problema ambiental, argumenta o pesquisador da Embrapa. Pare ele, a busca de alternativas para o uso do resíduo na forma desidratada (feno) e fermentada (silagem) garante um bom aporte de nutrientes para os animais, especialmente nos períodos de maior escassez de forragem na região. O resíduo é uma excelente fonte protéica a ser convertida em leite, carne e pele, assegura Gherman.
Na opinião do pesquisador da Embrapa a integração das vinícolas e os milhares de pequenos ca-prino-ovinocultores descapitalizados em torno do resíduo formam um arranjo produtivo interes-sante e original no semi-árido. A disponibilidade de resíduo a um baixo custo beneficia os siste-mas agrícolas familiares com o aumento da produtividade. Por outro lado, permite às vinícolas se livrarem, pela doação ou mesmo venda, de um material poluente. Ganham sustentabilidade os negócios agrícolas do semi-árido, enfatiza Gherman Araújo.

Marcelino Ribeiro
E-mail: marcelrn@cpatsa.embrapa.br

Fonte
Embrapa Semi-Árido
http://www.cpatsa.embrapa.br

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O governo russo manteve o embargo à importação da carne brasileira, após receber nesta terça-feira a visita do vice-presidente brasileiro, José Alencar, que lidera uma visita comercial ao país. O primeiro-ministro russo, Mikhail Fradkov, argumentou que é preciso mais tempo para tomar uma decisão em relação à reivindicação do Brasil. Fradkov deu a declaração após a terceira reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação, em Moscou.
A questão fitossanitária da carne é o ponto de maior divergência. As autoridades russas vetaram a compra da carne depois da confirmação de um caso de febre aftosa no Amazonas, região que não é exportadora. O vice-presidente, que co-presidiu a reunião, disse que o governo não forçou uma decisão dos russos e voltou a destacar que as empresas precisam conhecer o processo brasileiro. “Esse problema não existe no Brasil e, por isso, estamos tranqüilos”, destacou Alencar.
O governo entregou aos russos um relatório com mais de 300 páginas com informações sobre os métodos sanitários adotados na produção. Durante o encontro com Alencar, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmou que visitará o Brasil ainda este ano. “Estou me preparando para viajar ao Brasil”, disse Putin, em entrevista à agência russa Interfax.
O vice-presidente disse que o primeiro-ministro russo, Mikhail Fradkov, recebeu “de forma positiva” a proposta dos brasileiros para que a Rússia crie um sistema de tarifas em substituição às cotas de importação determinadas para os países na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para o Brasil, o sistema de tarifas vai permitir competir por mais espaço no mercado russo, já que as cotas privilegiam os norte-americanos e europeus.
Nesta quarta-feira (13/10), o vice-presidente estará em São Petersburgo, onde terá encontro com o presidente da Câmara de Comércio e Indústria, Vladimir Katchonov, e participará da abertura do encontro empresarial Brasil-Rússia, onde são esperados mais de 50 empresários brasileiros.

Fonte: O Estado de São Paulo

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A exportação de frutas é das vertentes do agronegócio brasileiro que mais tem crescido nos últimos anos. No ano passado, o Brasil exportou 810 mil toneladas de frutas, principalmente para a Europa e Estados Unidos, gerando US$ 335,3 milhões em divisas. Em relação a 2002, houve um aumento de 21% no volume de vendas e de 40% no valor total comercializado. Este ano, a maçã, que registrou um crescimento de 100% no total exportado nos primeiros seis meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2003, puxou um acréscimo considerável nos dólares gerados para o país. Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil exportou 474,8 mil toneladas de frutas, contra 447,5 mil no mesmo período de 2003. O aumento da receita foi de 21,16%: entraram US$ 160,4 milhões no país no primeiro semestre de 2003, contra US$ 194,4 milhões de janeiro a agosto deste ano.
A perspectiva para 2005 é que o Brasil conquiste novos mercados, como o asiático e árabe, e amplie a venda das frutas já comercializadas, que são manga, melão, mamão papaia, uva, limão, maçã, abacaxi, banana, caqui, goiaba, castanha e figo. As últimas quatro começaram a ser exportadas recentemente, desde setembro, graças a um acordo firmado entre os exportadores brasileiros e a rede de supermercados Carrefour, via Itamaraty. O Carrefour está comprando frutas do Brasil para revendê-las em suas filiais na Europa, América Latina e nos países árabes, promovendo degustações do produto dentro do supermercado. “Em alguns locais, a venda cresceu em até 1.000%. A tendência é que os clientes de outros supermercados passem a querer que o ponto-de-venda que ele freqüenta também tenha frutas brasileiras, o quê para nós significa uma incrível ampliação do mercado”, diz Maurício de Sá, gerente de exportação do Ibraf (Instituto Brasileiro de Frutas).
A manga, que hoje é a fruta mais exportada pelo Brasil, promete crescer ainda mais no ano que vem. O país acertou com o governo japonês a exportação de 5.200 toneladas por ano da variedade Tommy Atkins, produzida principalmente no Vale do Rio São Francisco, na Bahia. É a primeira vez que o mercado japonês se abre à manga, após 32 anos de negociações. As mangas exportadas para o Japão devem render US$ 10,4 milhões para o Brasil. No ano passado, o país exportou 126 mil toneladas da fruta para os Estados Unidos e a União Européia, gerando US$ 71 milhões. A China também anunciou recentemente que deverá liberar a importação de frutas cítricas do Brasil a partir de novembro deste ano. A Ibraf acredita que se trata de um passo importante para a abertura de outros mercados asiáticos. Os citros poderão ocupar um lugar maior de destaque no ranking das frutas brasileiras mais exportadas. Hoje, eles têm venda externa de US$ 36, 8 milhões. Caipirinha Na Alemanha, o limão brasileiro já é uma das frutas mais consumidas. Uma campanha de marketing feita em conjunto pelos produtores do cítrico com os exportadores de cachaça fez com que a caipirinha se tornasse, este ano, a segunda bebida mais consumida na Alemanha, depois da cerveja.
Em 2005, a França poderá se tornar um dos mercados mais interessantes para os produtores de frutas brasileiros. Será o ano do “Brasil na França”, com promoções de diversos produtos made in Brazil. As lojas do Carrefour em todo o país farão degustações de frutas brasileiras durante dez meses. No ano que vem, o Brasil também irá promover as frutas nacionais em outros países da Europa, como a Itália, parte dos esforços de marketing da campanha Brazilian Fruit, criada em 1998 para promover as frutas brasileiras no exterior.
Veja mais no site do Instituto Brasileiro de Frutas – IBRAF
http://www.ibraf.org.br/

Fonte: Agropauta

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A Secretaria da Agricultura do Paraná e a Cocamar realizam na próxima sexta-feira a Festa do Plantio, em Maringá. O evento, que comemora a perspectiva de uma colheita de 30 milhões de toneladas de grãos na safra 2004/05, contará com a presença do governador Roberto Requião e o secretário da Agricultura e vice-governador, Orlando Pessuti. Cerca de 2 mil produtores rurais, representando todas as regiões do Estado, participam. E
ste é o segundo ano que o governo comemora, com festa, o início de mais uma safra. “É uma maneira de lembrar aos paranaenses que continuamos sendo o maior produtor de grãos do País”, explicou o secretário Orlando Pessuti. A previsão é que sejam colhidos em 2004/05, 13 milhões de toneladas de milho e 12,4 milhões de toneladas de soja.
O Paraná, mesmo produzindo numa área que corresponde a apenas 2% do território nacional, é responsável por 24% de toda a produção de grãos do país. É o primeiro produtor de milho, o primeiro de trigo, de feijão e de aveia. E o segundo maior produtor de soja e cevada, e está em quarto lugar na produção de café.
Considerando a agricultura em geral, que inclui grãos e fibras, hortaliças, cana-de-açúcar, mandioca, fumo, entre outras culturas, a produção paranaense atingiu 63,8 milhões de toneladas em 2003/04. Para a próxima safra o Deral Departamento de Economia Rural da Seab estima que o total da produção chegue a 66,5 milhões de toneladas.

Fonte: Paraná-Online

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O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e a governadora do do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria, lançam nesta quarta-feira (13/10), durante simpósio sobre agronegócio, em Parnamirim (RN), o Projeto-Piloto de Educação Sanitária Brasil Livre de Febre Aftosa no estado.
A solenidade também marcará o início da segunda etapa da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa em seis estados do Norte e Nordeste. O evento ocorrerá no Parque Aristófanes Fernandes, durante a 42ª Exposição Estadual de Animais e Máquinas Agrícolas (Festa do Boi 2004), uma das mais importantes feiras do Nordeste.
Nessa etapa, serão vacinadas 5,58 milhões de cabeças dos rebanhos de Alagoas, Amazonas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Roraima. No Rio Grande do Norte, serão investidos R$ 1,1 milhão em recursos dos governos estadual e federal para vacinar um rebanho de 714,8 mil bovinos. A primeira etapa da campanha contra a aftosa no estado cobriu 80,8% do rebanho.
“Não podemos nos descuidar, porque a febre aftosa traz prejuízos econômicos, sociais e políticos para todo o estado”, afirma a governadora Wilma de Faria. “Não podemos colocar em risco nossas conquistas por causa de uma doença que pode ser erradicada. Basta que todos participem”.
O cronograma de ações do projeto prevê reuniões do secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Pesca, Iberê Ferreira de Souza, com os prefeitos eleitos para explicar a importância sócio-econômica da atividade pecuária para a comunidade e a necessidade de melhorar o status sanitário dos rebanhos para facilitar a abertura de novos mercados, aqui e no exterior.
O Brasil Livre de Febre Aftosa busca sensibilizar lideranças empresariais, políticas e religiosas, movimentos sociais, sindicatos, gestores públicos e a sociedade civil local, especialmente crianças, para a necessidade de se levar noções de educação sanitária à população e a reestruturação do modelo de atenção à saúde animal.
Etapas
Na primeira etapa, o projeto será implantado em quatro municípios do estado – Parnamirim, Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros. Depois, deve ser estendido a mais oito municípios – Assu, João Câmara, Santa Cruz, Nova Cruz, Currais Novos, Umarizal, Lages e São Paulo do Potengi. A meta é elevar a 90% a cobertura vacinal do rebanho estadual e atingir 100% de notificação da doença e o controle total sobre o trânsito animal.
Para isso, serão capacitados em comunicação e educação sanitária os técnicos, professores e multiplicadores do estado e dos municípios beneficiados. Também serão realizadas audiências públicas nas Câmaras de Vereadores em conjunto com os Conselhos Municipais de Desenvolvimento; concursos de redação, desenho escolar, cordel, de repentistas e seminários regionais de Educação Sanitária e Comunicação; e shows folclóricos e culturais (teatro de mamulengo, violeiros, emboladores e forró). Tudo com enfoque na erradicação da febre aftosa.
O trabalho será desenvolvido pelo Ministério da Agricultura em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura e Pesca (SAPE), Associação Norte Riograndense de Criadores (Anorc), Emater-RN, Federação da Agricultura do Rio Grande do Norte (Faern), FETAG-RN, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos do Sertão Central Cabugi (ACOSC), organizações não-governamentais, Escola Agrícola de Jundiaí da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM).

Fonte: Ministéria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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O Brasil é o país com o maior rebanho bovino comercial. Dados das entidades de classe apontam que antes do ano de 2010 o abate alcançará cerca de 50 milhões de animais por ano, para um rebanho de 220 milhões de cabeças. O setor de couros está em expansão. Há uma enorme diversidade de produtos que utilizam o couro como matéria-prima, desde roupas e calçados até gelatina, que é bastante utilizada pelas indústrias de alimentos, farmacêuticas e de cosméticos.
O colágeno, presente na pele, ossos, tendões e tecido conjuntivo mole de animais, como os bovinos, por exemplo, é convertido em gelatina, utilizada em produtos como sobremesas, iogurtes, confeitos, cápsulas duras e moles, shampoos e cremes. Assim, o interesse das indústrias pela gelatina tem aumentado bastante.
Cerca de 10% a 12% do volume de couro verde, in natura, é destinado a esse mercado, que é promissor, mas necessita de mais cuidado com as questões de qualidade. Para que a gelatina chegue ao consumidor, ela precisa passar por determinadas fases, e um dos fatores mais importantes é a matéria-prima (couro).
Os frigoríficos que são responsáveis pela esfola (retirada da pele do animal), necessitam de inspeção sanitária. As regulamentações internacionais dos grandes mercados consumidores demandam um modelo de rastreabilidade para as matérias-primas, que é aprovado e certificado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. É de extrema importância que o couro saia com os devidos certificados sanitários, para que satisfaçam os requerimentos de mercado.
As peles que saem dos frigoríficos vão para os curtumes, onde serão geradas as raspas e aparas – matéria-prima para produção de gelatina. O curtume é um intermediário da relação entre o frigorífico e a indústria de gelatina e, por isso, deve estar relacionado no Serviço de Inspeção Federal, de acordo com a Instrução Normativa nº 2, de 21/01/2000.
A fatia das indústrias de gelatina ainda é pequena dentro do cenário do couro, mas para que haja um crescimento real desse segmento, é importante essa preocupação com a qualidade da matéria-prima. Oferecê-la livre de contaminação, não putrefata, sem materiais estranhos, fresca, rastreável, certificada e estocada em condições que garantam a sua integridade físico-química e bioquímica, irá gerar uma melhora na produção e também a valorização de diversos produtos que fazem parte do mercado interno e externo, já que na comunidade européia, por exemplo, também é imprescindível que as condições sanitárias dos estabelecimentos, transportes, armazenagem estejam sempre certificadas.
A cooperação entre pecuaristas, frigoríficos, curtumes e indústrias, no sentido de oferecer qualidade em seus serviços, asseguram a melhoria contínua e a competitividade, além do crescimento e modernização do cenário industrial do país.
Fonte: S.P.R.I.M. Box Brasil

Fonte: Visão Pecuária

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A indústria alimentícia do Reino Unido prevê intruduzir novas etiquetas nos alimentos com o fim de evitar a presença de pesticidas. A princípio estas etiquetas serão destinadas a 300 produtos e também indicarão a proporção de sal, gorduras e calorias.
A inciativa está sendo introduzida pela associação dos fabricantes e distribuidores de alimentos e bebidas britânico, que pretende introduzir novas normas para etiquetar os alimentos. Estas normas vão evitar a presença de pesticidas, assim como advertir das calorias que contém. O objetivo é evitar novos casos como os que foram detectados na semana passada na cadeia de supermercados britânica Co-Op, em cujas frutas e verduras foram encontrados restos de produtos químicos.
Os controles dos 300 produtos que receberão as novas etiquetas serão feitos por dez laboratórios de Londres e Glasgow, e os resultados serão confirmados pela Agência de Estudos Alimentares do Reino Unido.
Apesar dos resultados apresentados, o Comitê de Resíduos e Pesticidas do Reino Unido assegura que somente 1% dos vegetais estudados contém produtos químicos agrícloas que excedem os níveis de segurança. A associação apresentou o “Documento Branco para a Saúde”, na qual se compromete a introduzir uma etiqueta clara dos produtos.

Fonte: Consumaseguridad.com

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A novela sobre a medida provisória liberando a atual safra de soja transgênica deve se estender por mais alguns dias. Depois de duas horas de conversa com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu estudar o assunto um pouco mais adiando mais uma vez a decisão. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, só a partir de quarta poderá haver alguma decisão.
O documento já estaria pronto para ser asssinado, mas Lula preferiu, antes, conversar com Marina, que é contrária à liberação dos alimentos transgênicos. A ministra gostaria que o assunto fosse resolvido com a votação do Projeto de Lei de Biossegurança pela Câmara. No encontro desta segunda, Lula teria dito a Marina que pensa em apelar para uma decisão mais rápida, porque a votação no Congresso deve demorar e os produtores já estão plantando a soja transgênica. Após a reunião, não houve declarações à imprensa.
A edição de uma medida provisória pelo Palácio do Planalto foi a solução defendida pelo ministro da Agricultura Roberto Rodrigues para garantir legalidade à safra de soja transgênica 2004/2005. Rodrigues está otimista e, nesta segunda, disse o que ainda está em debate são os termos da MP.
Na semana passada, depois de oito meses de análise, o Senado aprovou o projeto de Lei de Biossegurança. O relatório que passou pelos senadores, porém, não agrada à ministra do Meio Ambiente, que defende mais poderes aos órgãos ambientais. O projeto, agora, precisa ser avaliado pela Câmara. O problema para o governo é que 17 medidas provisórias precisam ser votadas pelos deputados antes do projeto da Biossegurança, o que adia ainda mais uma regulamentação para a safra transgênica. Segundo membros do próprio governo, a MP já é certa e a demora em assiná-la não passa de estratégia política.
Com informações do jornal Zero Hora e Agência Brasil

Fonte: AGROL

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Enquanto a decisão de liberar o plantio e a comercialização de transgênicos se arrasta em Brasília, em Londrina a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Soja, vem desenvolvendo e aprimorando pesquisas de plantas geneticamente modificadas. Através de acordo fechado com a Monsanto, em 1996, a Embrapa já desenvolveu 11 variedades de soja transgênica resistentes ao glifosato e adaptadas para todo o território brasileiro: três que atenderiam a região Centro-Oeste e o restante melhor adaptada para o Estado de São Paulo e região Sul. Com a liberação dos transgênicos – seja por medida provisória, seja por aprovação da Lei da Biossegurança na Câmara Federal -, a Embrapa só deverá colocar as sementes à venda para os agricultores na safra 2005/2006. Este ano, só os multiplicadores receberiam.
Mas a linha de pesquisas da Embrapa não pára por aí. Com a Basf, negociou o gene ahas, resistente a imidazolinonas, que já está no programa de melhoramento da Embrapa Soja. “Esta linha deve estar no mercado em três ou quatro anos”, avisou o pesquisador da área de biotecnologia da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno. Com a entrada da soja resistente a imidazolinonas no mercado, o tão temido monopólio da Monsanto seria colocado em dúvida. “Um dos objetivos é oferecer diferentes produtos aos agricultores. Seriam duas linhas de produtos, duas classes diferentes”, ponderou Nepomuceno.
O mais recente acordo fechado pela Embrapa foi com o Japão, em fevereiro, denominada “linha de tolerância seca.” “Não chega a ser uma resistência à seca, mas a planta consegue tolerar mais a falta de água”, explicou Nepomuceno. Segundo ele, a resistência do gene já mostrou sucesso em culturas como a do milho, trigo e tabaco. “Agora, a gente está introduzindo na soja para ver se funciona tão bem como nas outras culturas”, contou Nepomuceno. Segundo ele, o objetivo da nova tecnologia é reduzir as perdas em 15% a 20% em caso de seca. Ainda não há previsão de quando a linha de produtos estará à disposição dos produtores.
Com relação aos royalties pagos no uso dessas tecnologias, Nepomuceno explicou que o contrato com a Monsanto prevê o pagamento da “taxa tecnológica”, que deverá ser negociada com os produtores. “A Embrapa vai disputar na qualidade e não nos preços”, apontou Nepomuceno. Segundo ele, o acordo com a Monsanto prevê que os royalties cobrados pelas duas empresas serão iguais.
Monsanto
A Monsanto informou através de nota à imprensa que mesmo com a aprovação da lei, ou a edição de uma medida provisória permitindo a venda de sementes transgênicas, “a Monsanto ainda não tem disponível produtos para colocar no mercado e atender a demanda. Isso só acontecerá dentro de um ou dois anos.”
A multinacional informou ainda que o faturamento bruto da Monsanto do Brasil em 2003, com a venda de herbicidas e sementes convencionais, foi de US$ 750 milhões. Com relação aos royalties cobrados, informou que o pagamento pelo uso da tecnologia é um reconhecimento do direito de propriedade intelectual e dos estudos realizados para seu desenvolvimento, além de garantir a continuidade da pesquisa e investimentos no País. “Mas, como foi o primeiro ano dessa experiência de cobrança e os pagamentos ainda não terminaram, ainda não temos o valor final arrecadado. Isso sem falar que parte desse valor é destinado a um fundo de pesquisas com variedades para o Sul do País, coordenado por cooperativas locais”, informou a nota.
A multinacional reforçou ainda que “o ideal é que, com a definição da regulamentação da biotecnologia em nosso País, as empresas possam cobrar pela tecnologia já na venda das sementes, como é feito nos países em que a tecnologia foi adotada.” Segundo a Monsanto, dados da Fundacep e declarações dos próprios agricultores indicam que os produtores que optaram pelo uso da soja RR (resistente ao glifosato) tiveram “um lucro médio adicional (além do recebido com o cultivo da soja convencional) em torno de R$ 200,00 por hectare, o que representa quase quatro vezes o valor dos royalties.” O valor a ser pago pelo uso da tecnologia é de R$ 1,20 por saca de 60 quilos e que foi anunciado pela Monsanto desde o início, sendo que para a safra passada (2003/2004) foi dado, excepcionalmente, um desconto de 50%.
Por fim, a multinacional afirmou que aguardará decisão final sobre o Projeto de Lei de Biossegurança, já que este processo ainda não terminou. “No entanto, a empresa espera que a questão da biotecnologia no País tenha uma solução definitiva o mais breve possível, para que os agricultores brasileiros possam ter acesso a novas tecnologias, produtos mais competitivos e exercer o direito de escolha entre os sistemas de cultivo convencionais ou os originários da biotecnologia, como já ocorre em outros grandes países produtores.”
Porto de Paranaguá
Até a última sexta-feira, o Porto de Paranaguá exportou 4.977.770 toneladas de soja em grãos. No ano passado, no mesmo período, foram 5.633.066 toneladas. A Appa atribui a redução à quebra de safra este ano e não ao fato de exigir certificado livre de transgenia. O governador Roberto Requião já anunciou que o Porto de Paranaguá não tem estrutura para segregar a soja e por isso deverá continuar exportando apenas a convencional.
Greenpeace diz que projeto aprovado no Senado condena o Brasil
Na avaliação da organização não-governamental de proteção ao meio ambiente Greenpeace, o Senado abriu um grave precedente ao aprovar um projeto de lei de biossegurança sem a exigência do licenciamento ambiental para que os transgênicos sejam liberados no País. Segundo a ONG, ao aprovar o substitutivo do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), os senadores põem o Brasil sob o sério risco de ver o meio ambiente simplesmente ignorado por leis e projetos futuros.
O Greenpeace fez várias manifestações diante do Congresso Nacional e Palácio do Alvorada nas últimas semanas em Brasília, contra a aprovação do projeto de lei.
Para o Greenpeace, a concessão do poder de decisão à CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) para a liberação comercial dos transgênicos é um grave problema do texto aprovado, que desfigurou a lei apresentada inicialmente pelo governo federal. O projeto de lei original assegurava que os ministérios do Meio Ambiente e da Saúde teriam a palavra final sobre o tema – depois de realizar as avaliações de impacto de cada transgênico.
“Segundo o texto que agora retornará à Câmara dos Deputados, a CTNBio passará a ter mais poderes do que os ministérios, impondo suas decisões aos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente. Isso é absolutamente inconstitucional, já que são os ministérios que possuem a competência técnica para a avaliação de riscos dos transgênicos”, afirmou Ventura Barbeiro, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. “Como poderá o Ministério da Saúde ou do Meio Ambiente atuarem em sua área de competência legal, se não terão a autonomia necessária para realizar avaliações dos produtos transgênicos? Esperamos que a Câmara dos Deputados rejeite a proposta do Senado e volte ao seu texto original, como foi aprovado anteriormente”, afirma.
Em seu site na internet (www.greenpeace.org.br), o Greenpeace apresenta alguns argumentos contrários à Lei de Biossegurança aprovada no Senado.
“A CTNBio tem um importante papel técnico consultivo a desempenhar. No entanto, não deve ter a última palavra sobre os transgênicos, já que não realiza todas as análises ou estudos sobre a interação desses organismos com o meio ambiente e a saúde da população. Além disso, a CTNBio é apenas uma comissão vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia que, por sua vez, não tem competência técnica nem legal para zelar pela saúde pública e pelo meio ambiente”, afirma a ONG.
“As consequências da liberação irrestrita de OGMs no meio ambiente são imprevisíveis e podem ser irreversíveis, pois não existe consenso nem mesmo na comunidade científica sobre sua segurança. Entre os riscos que representam para o meio ambiente, estão a poluição genética, a perda de biodiversidade, o surgimento de ervas daninhas resistentes a herbicidas, o aumento do uso de agrotóxicos e a perda da fertilidade natural do solo”, diz o texto.
Lyrian Saiki

Fonte: Paraná-Online

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