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AGROSOFT 2002: GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NAS COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS

GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO EM COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS

Roberto Max Protil
PUC - Paraná
protil@ppgia.pucpr.br

Conforme dados da OCB (2002 ) há no Brasil 1.587 cooperativas agropecuárias com 822.294 agricultores associados. As cooperativas geram 108.273 empregos diretos, sendo que há respectivamente 930.567 e 4.652.835 pessoas vinculadas diretamente e indiretamente a estas organizações, ou seja, aproximadamente 5.583.402 pessoas dependem economicamente das cooperativas agropecuárias brasileiras.

Para ALBANO (2001) as cooperativas agropecuárias estão fortemente atreladas ? situação da agropecuária nacional e a atual situação deste setor causa impacto diretamente no desempenho destas organizações. Este setor talvez esteja passando por sua mais profunda reestruturação, pois seguramente migrando de uma agropecuária patrimonialista para uma agropecuária tecnologica. Segundo NICÁCIO (1997), pode-se afirmar que o setor agropecuário brasileiro vem sendo deteriorado por não acompanhar as mudanças econômicas e tecnológicas que estão ocorrendo no mundo.

OLIVEIRA (1999) destaca que a falta de percepção da mudança no ambiente competitivo foi a causa dos problemas de natureza econômico-financeiro das cooperativas, pois verifica-se na prática que essas demoraram muito para perceber tais mudanças iniciadas a partir do final da década de 80, demonstrando baixa capacidade de adaptação ? s novas variáveis econômicas e ao mercado competitivo. Entre estas mudanças, podemos citar o aumento da competitividade dos concorrentes tradicionais e novos concorrentes, uma política agrícola governamental indefinida, que provoca insegurança, a política cambial e a abertura excessiva a importações, os efeitos da globalização sobre produtos tradicionais, a representação política deficiente para os interesses do setor, as mudanças nos hábitos dos consumidores, a falta de uma estratégia de marketing e a concentração de poder através da consolidação de alguns setores econômicos.

Segundo CRÚZIO (1997), em alguns aspectos asorganizações cooperativas assemelham-se a empresas familiares, pois é comum vermos um mesmo quadro diretivo manter-se ? frente da organização por um tempo prolongado, muitas vezes sem considerar aspectos profissionais de seus dirigentes. Diversos autores apontam esta estrutura organizacional, e quot;sem profissionais e quot;, como a maior responsável por estas organizações não perceberem novas tendências mercadológicas. Esta falta de percepção de e quot;mudança ambiental e quot; levou as organizações a perderem espaço em suas áreas de atuação em ambas as pontas, ou seja, como receptora da produção de seus associados, como também de fornecedoras de produtos industrializados.

A análise destas organizações não tem sido uma tarefa fácil, haja vista que as cooperativas agropecuárias apresentam caracteristicas tanto dos setores industrial, comercial como de serviços. Esta complexidade torna as cooperativas organizações impares, cuja dinâmica organizacional ainda não é totalmente compreendida. Dentro deste contexto os professores Roberto Protil da PUC-PR, André Zambalde da UFLA-MG e Cláudi Albano da URCAMP-RS realizaram recentemente alguns pesquisas sobre o processo de implatação e gestão de TI nestas organizações, cujos resultados podem ser resumidos da seguinte forma:


Os resultados de um estudo sobre a implantação de sistemas de gestão integrados em cooperativas agroindustriais realizado por PROTIL (1999) indicam que estas organizações, a fim de obter maior legitimidade e aceitação em seu meio, frequentemente incorporam em sua cultura organizacional e em seus comunicados oficiais o discurso empresarial próprio ao modelo informacional, enquanto, na prática, adotam apenas alguns sistemas de informação, ferramentas e .práticas organizacionais que favorecem ao menos parcialmente o aprendizado e a inovação (MEYER e amp; ROWAN, 1991). A cultura organizacional e os valores oficiais desvinculam-se assim, mais do que nunca, da prática organizacional. Frequentemente as organizações, a fim de mostrarem-se atualizadas, adaptadas ? nova sociedade do conhecimento, procuram manter uma boa imagem institucional junto ao mercado, aos clientes e ? s outras organizações, buscando legitimidade em seu setor. Para tanto, elas afirmam ser organizações em aprendizagem adaptadas ao novo milênio e ? sociedade pós-industrial, incorporam parcialmente sistemas de informação, tecnologias e novas estruturas adaptadas a este novo modelo, porém continuam mantendo parte considerável de seu funcionamento e de seus sistemas de controle baseados nos pressupostos antigos como obediência estrita da regra e vigilância. Frequentemente uma mesma organização, para promover o aprendizado de circuito duplo em alguns setores, gerando informação útil para o sistema, mantém outros setores organizados de forma estritamente taylorista, com todos os problemas típicos deste sistema. Assim, departamentos inteiros são organizados e controlados de forma estrita, restringindo-se a aprendizagem a fim de permitir que outros setores tornem-se informacionais. A superestrutura organizacional – os valores oficiais, no entanto, difundem para todos os atores organizacionais a importância da aprendizagem e do aprimoramento profissional como forma de sobrevivência em nossa sociedade, enquanto apenas alguns setores se beneficiam efetivamente destes elementos. Estas contradições do sistema aumentam a percepção dos atores sociais de viverem em uma realidade cheia de paradoxos difíceis de serem geridos: a contradição entre os modelos pregados como ideais nos sistemas organizacionais e as práticas concretas da organização do trabalho.

Os resultados das pesquisas realizadas nos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul permitem inferir que a informatização nas organizações cooperativas vem ocorrendo tanto no nível estrutural como no social e os usuários são unânimes em afirmar que a TI é um instrumento que proporciona aumento do controle das atividades e das pessoas, o que pode afastá-las uma das outras, por desconfiança e/ou competição. Verifica-se, também, que nestas organizações a TI está muito mais orientada na automatização do processo administrativo do que numa informatização propriamente dita ZUBOFF (1994). Conclui-se que o sucesso da implantação de sistemas de informação em cooperativas agropecuárias irá depender principalmente do sistema social da organização e da forma como seus agentes se apropriarão desta tecnologia, seja no sentido de um maior aprendizado ou da mera automatização de funções. A dualidade e a ambiguidade são elementos naturalmente presentes no processo cognitivo e de atribuição de sentido. É necessário portanto, compreender e mapear os sentidos atribuídos pelos usuários aos sistemas a fim de implantar-se os mesmos com sucesso, adequando-os ? s necessidades concretas dos atores sociais destas organizações.

BIBLIOGRAFIA


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PUC - Paraná
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Conforme dados da OCB (2002 ) há no Brasil 1.587 cooperativas agropecuárias com 822.294 agricultores associados. As cooperativas geram 108.273 empregos diretos, sendo que há respectivamente 930.567 e 4.652.835 pessoas vinculadas diretamente e indiretamente a estas organizações, ou seja, aproximadamente 5.583.402 pessoas dependem economicamente das cooperativas agropecuárias brasileiras.

Para ALBANO (2001) as cooperativas agropecuárias estão fortemente atreladas ? situação da agropecuária nacional e a atual situação deste setor causa impacto diretamente no desempenho destas organizações. Este setor talvez esteja passando por sua mais profunda reestruturação, pois seguramente migrando de uma agropecuária patrimonialista para uma agropecuária tecnologica. Segundo NICÁCIO (1997), pode-se afirmar que o setor agropecuário brasileiro vem sendo deteriorado por não acompanhar as mudanças econômicas e tecnológicas que estão ocorrendo no mundo.

OLIVEIRA (1999) destaca que a falta de percepção da mudança no ambiente competitivo foi a causa dos problemas de natureza econômico-financeiro das cooperativas, pois verifica-se na prática que essas demoraram muito para perceber tais mudanças iniciadas a partir do final da década de 80, demonstrando baixa capacidade de adaptação ? s novas variáveis econômicas e ao mercado competitivo. Entre estas mudanças, podemos citar o aumento da competitividade dos concorrentes tradicionais e novos concorrentes, uma política agrícola governamental indefinida, que provoca insegurança, a política cambial e a abertura excessiva a importações, os efeitos da globalização sobre produtos tradicionais, a representação política deficiente para os interesses do setor, as mudanças nos hábitos dos consumidores, a falta de uma estratégia de marketing e a concentração de poder através da consolidação de alguns setores econômicos.

Segundo CRÚZIO (1997), em alguns aspectos asorganizações cooperativas assemelham-se a empresas familiares, pois é comum vermos um mesmo quadro diretivo manter-se ? frente da organização por um tempo prolongado, muitas vezes sem considerar aspectos profissionais de seus dirigentes. Diversos autores apontam esta estrutura organizacional, e quot;sem profissionais e quot;, como a maior responsável por estas organizações não perceberem novas tendências mercadológicas. Esta falta de percepção de e quot;mudança ambiental e quot; levou as organizações a perderem espaço em suas áreas de atuação em ambas as pontas, ou seja, como receptora da produção de seus associados, como também de fornecedoras de produtos industrializados.

A análise destas organizações não tem sido uma tarefa fácil, haja vista que as cooperativas agropecuárias apresentam caracteristicas tanto dos setores industrial, comercial como de serviços. Esta complexidade torna as cooperativas organizações impares, cuja dinâmica organizacional ainda não é totalmente compreendida. Dentro deste contexto os professores Roberto Protil da PUC-PR, André Zambalde da UFLA-MG e Cláudi Albano da URCAMP-RS realizaram recentemente alguns pesquisas sobre o processo de implatação e gestão de TI nestas organizações, cujos resultados podem ser resumidos da seguinte forma:


Os resultados de um estudo sobre a implantação de sistemas de gestão integrados em cooperativas agroindustriais realizado por PROTIL (1999) indicam que estas organizações, a fim de obter maior legitimidade e aceitação em seu meio, frequentemente incorporam em sua cultura organizacional e em seus comunicados oficiais o discurso empresarial próprio ao modelo informacional, enquanto, na prática, adotam apenas alguns sistemas de informação, ferramentas e .práticas organizacionais que favorecem ao menos parcialmente o aprendizado e a inovação (MEYER e amp; ROWAN, 1991). A cultura organizacional e os valores oficiais desvinculam-se assim, mais do que nunca, da prática organizacional. Frequentemente as organizações, a fim de mostrarem-se atualizadas, adaptadas ? nova sociedade do conhecimento, procuram manter uma boa imagem institucional junto ao mercado, aos clientes e ? s outras organizações, buscando legitimidade em seu setor. Para tanto, elas afirmam ser organizações em aprendizagem adaptadas ao novo milênio e ? sociedade pós-industrial, incorporam parcialmente sistemas de informação, tecnologias e novas estruturas adaptadas a este novo modelo, porém continuam mantendo parte considerável de seu funcionamento e de seus sistemas de controle baseados nos pressupostos antigos como obediência estrita da regra e vigilância. Frequentemente uma mesma organização, para promover o aprendizado de circuito duplo em alguns setores, gerando informação útil para o sistema, mantém outros setores organizados de forma estritamente taylorista, com todos os problemas típicos deste sistema. Assim, departamentos inteiros são organizados e controlados de forma estrita, restringindo-se a aprendizagem a fim de permitir que outros setores tornem-se informacionais. A superestrutura organizacional – os valores oficiais, no entanto, difundem para todos os atores organizacionais a importância da aprendizagem e do aprimoramento profissional como forma de sobrevivência em nossa sociedade, enquanto apenas alguns setores se beneficiam efetivamente destes elementos. Estas contradições do sistema aumentam a percepção dos atores sociais de viverem em uma realidade cheia de paradoxos difíceis de serem geridos: a contradição entre os modelos pregados como ideais nos sistemas organizacionais e as práticas concretas da organização do trabalho.

Os resultados das pesquisas realizadas nos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul permitem inferir que a informatização nas organizações cooperativas vem ocorrendo tanto no nível estrutural como no social e os usuários são unânimes em afirmar que a TI é um instrumento que proporciona aumento do controle das atividades e das pessoas, o que pode afastá-las uma das outras, por desconfiança e/ou competição. Verifica-se, também, que nestas organizações a TI está muito mais orientada na automatização do processo administrativo do que numa informatização propriamente dita ZUBOFF (1994). Conclui-se que o sucesso da implantação de sistemas de informação em cooperativas agropecuárias irá depender principalmente do sistema social da organização e da forma como seus agentes se apropriarão desta tecnologia, seja no sentido de um maior aprendizado ou da mera automatização de funções. A dualidade e a ambiguidade são elementos naturalmente presentes no processo cognitivo e de atribuição de sentido. É necessário portanto, compreender e mapear os sentidos atribuídos pelos usuários aos sistemas a fim de implantar-se os mesmos com sucesso, adequando-os ? s necessidades concretas dos atores sociais destas organizações.

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