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AGROSOFT 2002: AGÊNCIA DE INFORMAÇÕES

AGÊNCIA DE PRODUTOS E SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO Kleber Xavier Sampaio de Souza Embrapa Informática Agropecuária 1. DO QUE SE TRATA A velocidade ascendente com que ocorrem as transformações nas sociedades contemporâneas tem acentuado a importância do tratamento e disseminação do conhecimento através de produtos de informação. Conforme aponta Pierre Lévy (2000, p.104) em seu livro As Árvores de Conhecimentos, embora a terra e o capital continuem a existir, é sobre o espaço do saber que se desenvolvem as estratégias dos atores sociais. O Livro Verde da Sociedade da Informação (Takahashi, 2000) também ressalta a importância do conhecimento na superação de desigualdades, agregação de valor, criação de emprego qualificado e propagação do bem-estar. Na agropecuária, as principais oportunidades se concentram na organização das cadeias produtivas e no fortalecimento das ações de pesquisa e transferência de tecnologia. A disseminação da informação por meio eletrônico, cujo volume cresce exponencialmente, deve-se ? conjunção de três fatores principais (Takahashi, 2000): a convergência da base tecnológica, pela adoção da forma digital na geração e manipulação de conteúdos; a evolução na informática, que propicia processamento mais rápido a custos cada vez menores; e a evolução dos meios de comunicação, que tem permitido a expansão da Internet. A Agência de Informações O sucesso da Web como um espaço atrativo pode ser creditado principalmente ? implementação da idéia lançada pela primeira vez por Vanevar Bush em 1945 (Rada, 1991), chamada de hipertexto. Trabalhando por associação de objetos ao invés de simplesmente classificá-los hierarquicamente, os hipertextos operam de forma próxima ao modo como pensamos. Evidentemente, os hipertextos de Bush não eram associados aos navegadores de hoje, nem ? Internet, dado que esses não existiam, e sim ao conjunto de textos de várias pessoas que eram conectados entre si, formando o que ele chamava de macrotexto. O termo hipertexto somente foi cunhado em 1967, por Ted Nelson. No entanto, ao se realizar uma busca em grandes portais de informação, observa-se que esses apresentam resultados de baixa revocação e baixa precisão . A melhoria da qualidade da informação recuperada não é uma tarefa simples, principalmente quando a relevância é associada ? correspondência entre o conceito que se procura, que é uma idéia, e as informações que estão armazenadas no sistema, que são símbolos. Não devemos esquecer que os computadores são máquinas de processamento simbólico e, assim sendo, os sistemas com os quais os usuários interagem operam no nível onde a relação entre o objeto representado e o signo (Peirce, 2000) usado para representá-lo é puramente arbitrária e convencional, fato apontado como corte semiótico (Tenório, 1998). Adicionalmente, a sensível contradição entre qualidade e quantidade da informação, a que têm acesso os usuários desses sistemas, revela o alto nível de entropia que esses possuem. Para reduzi-lo, os sistemas deveriam interagir com seus usuários de forma a obter o necessário feedback para que pudessem evoluir contínua e autonomamente. A redução da entropia de um sistema pressupõe o dispêndio de energia na reorganização contínua do mesmo. Como, neste caso, a entropia é causada pelo corte semiótico, esta energia a ser adicionada ao sistema deve ser injetada na redução da diferença entre o conceito que se procura e o que efetivamente se encontra. Na proposta da Agência de Informações, a solução para a redução desse problema é realizada de duas formas. A primeira delas é a catalogação em metadados das unidades de informação ; e a segunda é a adoção de uma ontologia comum aos elos de pesquisa, produtores de informação e consumidores. Ontologia, conforme acepção utilizada por Holsapple e amp; Joshi (2002), é uma especificação explícita de uma visão abstrata de um mundo que se deseja representar. Desta forma, se constrói uma linguagem compartilhada para o intercâmbio e reuso de conhecimentos. A materialização deste conceito se dá com o estabelecimento de uma árvore de conhecimentos, unindo os conhecimentos de pesquisadores, técnicos extensionistas e agricultores. A árvore de conhecimentos é adotada em todos os momentos no sistema: na criação da estrutura de navegação, na navegação do usuário final e na geração do conteúdo de cada um dos nós pelos quais um usuário navega. Para facilitar a incorporação dessa ontologia, utilizou-se a representação em árvore hiperbólica (ver Figura 1). A vantagem da representação hiperbólica é que ela pode ser utilizada tanto como um mapa do site quanto como uma ferramenta de navegação. À medida em que se clica em um nó, a página associada é aberta em uma nova janela do navegador. Esta técnica de visualização fornece uma visão geral da estrutura do site, mostra ao visitante a localização corrente em relação ao panorama geral, e é altamente escalável (Lamping e amp; Rao, 1994), permitindo sites com milhares de nós. Além da árvore de conhecimentos, existe uma outra estrutura informacional que deve ser representada no sistema Agência: os recursos eletrônicos, os quais, em sua grande maioria são conteúdos do estoque de informação gerada pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento. Para cada recurso, associa-se um registro expresso em metadados, definidos estes como um conjunto de elementos descritivos dos atributos e conteúdo de um documento original (Milstead e amp; Feldman, 1999). A representação da informação através de metadados obedece o padrão internacional Dublin Core (Dublin Core Metadata Initiative, 2000), concebido sob os auspícios da Online Computer Library Center (OCLC) e referendado pelo The World Wide Web Consortium (2002). As informações no sistema estão organizadas em três dimensões: pela árvore de conhecimentos, pela categorização de assuntos usando o padrão AGRICOLA (National Agricultural Library, 1999), que também pode ser expressa como uma árvore, e por tesaurus como o Agrovoc (FAO, 1995) e THESAGRO (Brasil, 1999). Assim, podemos expressar cada recurso catalogado como um conjunto de pontos em um eixo tridimensional, conforme ilustrado na Figura 2. Este conjunto de pontos será tanto maior quanto mais vezes um documento seja associado aos nós da árvore, ou quanto mais palavras dos tesauri forem utilizadas na catalogação. Figura 1: representação hiperbólica da árvore de conhecimentos em gado de corte Figura 2: Organização do conhecimento na Agência de Produtos e Serviços Os recursos são associados a um determinado nó da árvore como informações complementares ao conteúdo que se está tratando naquele nó, de modo que ao se acessar o nó, seus recursos associados possam ser vistos de imediato. Além disto, os recursos são reusáveis, podendo um mesmo recurso ser apontado a partir de múltiplos nós da árvore.Processo de Organização A construção e manutenção de um sistema de gestão de conteúdo, como a Agência, envolve várias etapas, das quais estão enumeradas abaixo apenas as de nível mais macroscópico:

  1. Definição da estrutura da árvore de conhecimentos do domínio a ser considerado;
  2. Seleção dos recursos (documentos, fotos, vídeos, figuras, tabelas e bancos de dados) relevantes ao tema, inclusive do ponto de vista temporal, pois algumas informações podem estar ultrapassadas;
  3. Obtenção de autorização, junto aos autores, para a publicação dos recursos selecionados;
  4. Digitalização dos recursos que não estiverem em formato digital;
  5. Tratamento dos recursos para conformidade com os padrões estabelecidos;
  6. Associação dos recursos aos nós da árvore. Em qualquer momento um recurso pode ser vinculado ou desvinculado, caso deixe de ter relevância;
  7. Publicação do site.
2. ONDE ESTAMOS A influência da globalização A formação de blocos econômicos transnacionais, formando uma grande rede transações envolvendo produtos e serviços, tem exigido o aumento constante na competitividade com a conseqüente implicação na demanda crescente por qualidade, produtividade e redução de custos. A competitividade para o negócio agrícola está diretamente relacionada ao aumento da eficiência nas cadeias produtivas, o que remete imediatamente ? estruturação de sistemas de informação para a transferência de informações entre seus elos e para a gestão de seus processos. Embora algumas cadeias já possuam razoável grau de organização, como a da cana-de-açúcar, laranja e café, a troca de informações estruturadas ocorre apenas entre alguns elos da cadeia. O sistema brasileiro de pesquisa agropecuária possui um enorme estoque de informação produzido ao longo de mais de um século de existência. Este fato aliado ? importância estratégica que o agronegócio representa para o Brasil, não apenas no equilíbrio da balança comercial mas também como fator de desenvolvimento regional, impõe enorme responsabilidade ? s instituições de pesquisa: fazer com que o conhecimento seja trabalhado em produtos de informação adequados ao consumo dos produtores agrícolas, contribuindo para o desenvolvimento sustentado. A construção de um projeto antropológico Atuando dessa maneira, as organizações de pesquisa estarão contribuindo para a construção de um projeto antropológico (Lévy, 1999), que promove o acesso da população em geral ? informação e a um espaço para o saber e suas interações. O aspecto da revolução nos sistemas de comunicação (infovias) que tem recebido maior destaque na mídia é a convergência da indústria do entretenimento para uma única forma, a multimídia, resultando em uma integração completa entre televisão, rádio, cinema, jornais e jogos eletrônicos. Este aspecto apenas ressalta o enfoque no consumo de mercadorias e no espetáculo, aumentando ainda mais o abismo entre ricos e pobres, ou em outra perspectiva, daqueles que têm acesso a informações condizentes com a sua realidade e dos excluídos. Não se deveria apenas avaliar o impacto que a tecnologia está causando, e sim se elaborar um projeto social. Evidentemente, faz-se necessário o estabelecimento de políticas governamentais para a redução desse abismo, visando garantir a todos os cidadãos a alfabetização digital e o acesso à informação. Uma agência para o domínio de conhecimento de gado de corte Objetivando abordar o domínio de conhecimento da cadeia produtiva de gado de corte, a Embrapa estruturou um projeto para a construção de sistema de informações via Web chamado Agência de Produtos e Serviços. Essa cadeia de conhecimento foi escolhida pela sua complexidade inerente. O sistema construído para gado de corte seria, a princípio, mais facilmente repetível/adaptável para outros domínios, e foi concebido de forma a permitir o trabalho coletivo de cientistas e produtores de informação, tal como proposto por Lévy (1999). Assim sendo, tanto quem realiza a pesquisa quanto quem a disponibiliza têm seus repertórios aproximados para que seja possível organizar a informação. A Agência Embrapa de Produtos e Serviços será o resultado de uma composição de agências abordando domínios do conhecimento pesquisados. Os domínios de mapeamento cognitivo mais direto são os correspondentes aos produtos pesquisados: como feijão, arroz, trigo, milho, coco, gado de corte, gado de leite, uva e vinho etc. Isto ocorre porque já existe uma cadeia produtiva correspondente e esta pode ser utilizada para se estabelecer a árvore de conhecimentos. Quando a pesquisa envolve temas, como Cerrado, Tabuleiros Costeiros, Amazônia Oriental etc, necessita-se de um estudo mais aprofundado para a determinação da árvore. 3. PARA ONDE VAMOS Tanto a organização de cadeias produtivas quanto as atividades de pesquisa e transferência abrem grandes possibilidades de atuação. No âmbito da pesquisa em sistemas de informação e gestão do conhecimento as pesquisas com mineração de dados, descrição de recursos de informação em metadados (RDF) , e Web Semântica permitirão a navegação inteligente, na qual os motores de busca identificam melhor o contexto no qual uma informação é solicitada. As aplicações dos conceitos da Web Semântica vão desde documentos sobre sistemas agrícolas de produção completos, até descrição de recursos de informação em bioinformática (Baker et al. 1998). Na organização de cadeias produtivas, a descrição de pacotes de informação a serem intercambiados entre os seus elos em uma linguagem comum (protocolo), metadados no padrão RDF, permitirá o exercício pleno da interoperabilidade, evolução e descentralização no projeto de sistemas de informação. O estabelecimento dessa linguagem comum passa pela organização do setor agropecuário, o qual deverá outorgar poder a um grupo representativo de entidades para este fim. Uma vez estabelecido o protocolo de intercâmbio de informações, fica-se independente de um fornecedor específico, bastando, para este fim, que se exija a conformidade com o padrão. Mercado, Trabalho e Oportunidade É preciso desenvolver padrões de interoperabilidade para os elos das diversas cadeias produtivas que compõem o negócio agrícola, de modo a que se estabeleça uma base comum de comunicação entre software produzidos por diferentes fornecedores. Esta base, a exemplo do que ocorre com os vários protocolos da Internet, propicia a inserção de múltiplos fornecedores e a livre competição de mercado. Universalização de Serviços e Cidadania É necessário definir padrões de metadados para serem utilizados na catalogação dos vários tipos de recursos eletrônicos existentes na Internet. Estes padrões tornariam mais eficientes as buscas realizadas na rede, ? medida em que fossem incorporados aos motores de busca. Vale ressaltar que alguns desses motores existentes no mercado, e de domínio público, já consideram os metadados caso as páginas geradas os contenha. A padronização dos metadados permitirá a interoperabilidade efetiva entre sistemas, fazendo com que, independente do Sistema Gerenciador de Bancos de Dados (SGBD) que uma dada instituição utilize, os dados possam ser transferidos para outro SGBD de outra instituição com grande facilidade. Este fato favorecerá a universalização do acesso ao conteúdo da informação. Conteúdos e Identidade Cultural O Livro Verde da Sociedade da Informação já propõe o estabelecimento de normas técnicas para o tratamento de conteúdos em termos de metadados, de forma a garantir a uniformidade no processo de catalogação. É preciso participar ativamente e estabelecer parceria com organismos internacionais definidores desses padrões em âmbito internacional, como o World Wide Web Consortium (W3C). Governo ao Alcance de Todos É preciso estruturar o conhecimento e adotar padrões para permitir intercâmbio de informações entre os vários agentes governamentais, evitando que as atividades de coleta, armazenamento e processamento da informação sejam replicadas desnecessariamente. Essa ação também favorecerá o cumprimento constitucional de acesso ? s informações geradas por órgãos públicos, que poderão ser livremente intercambiadas. Pesquisa e Desenvolvimento, Tecnologia e Aplicações É preciso desenvolver pesquisas em áreas relacionadas ao processamento automático de informação visando a diminuição do corte semiótico. Uma das abordagens em curso está relacionada com a construção de bases de conhecimento em Inteligência Artificial, objetivando modelagem e representação do conhecimento, de tal forma que o computador possa lidar com ele. Neste contexto vale ressaltar a atividade do W3C relacionada ? Web Semântica, cujo objetivo é evoluir a Web para uma plataforma universalmente acessível que permita o compartilhamento de dados e o seu processamento tanto por ferramentas automatizadas quanto por pessoas. 4. O QUE FAZER O programa de pesquisa ao qual este projeto está associado é bastante complexo, sendo desdobrado em várias linhas, com atividade expressiva em centros de pesquisa ao redor do mundo, tais como o processamento de linguagem natural, data mining, redes neurais, algoritmos genéticos, lógica nebulosa e raciocínio baseado em casos, somente para citar alguns. Um Working Draft do Consórcio W3C, lançado em março deste ano, avança na direção de uma linguagem ontológica para a Web, a qual permitirá que o conceito de ontologia possa ser utilizado por ferramentas automatizadas para fortalecer serviços de busca, agentes inteligentes e a gestão do conhecimento. Esta abordagem facilitará a vida do usuário ao permitir uma busca integrada e automática. Ações estruturantes Outras ações 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS NOTAS (1) Revocação: razão entre o número de documentos recuperados e relevantes, e o total de documentos relevantes (2) Precisão: razão entre o número de documentos recuperados e relevantes, e o número total recuperado (3) As unidades de informação básicas da Agência são a árvore de conhecimentos e os recursos eletrônicos que serão apresentados nos parágrafos seguintes. (4) Resource Description Framework. As RDFs suportam a descrição das estruturas comuns em metadados descritos em XML de forma que estes sejam intercambiáveis.

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AGÊNCIA DE PRODUTOS E SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO Kleber Xavier Sampaio de Souza Embrapa Informática Agropecuária 1. DO QUE SE TRATA A velocidade ascendente com que ocorrem as transformações nas sociedades contemporâneas tem acentuado a importância do tratamento e disseminação do conhecimento através de produtos de informação. Conforme aponta Pierre Lévy (2000, p.104) em seu livro As Árvores de Conhecimentos, embora a terra e o capital continuem a existir, é sobre o espaço do saber que se desenvolvem as estratégias dos atores sociais. O Livro Verde da Sociedade da Informação (Takahashi, 2000) também ressalta a importância do conhecimento na superação de desigualdades, agregação de valor, criação de emprego qualificado e propagação do bem-estar. Na agropecuária, as principais oportunidades se concentram na organização das cadeias produtivas e no fortalecimento das ações de pesquisa e transferência de tecnologia. A disseminação da informação por meio eletrônico, cujo volume cresce exponencialmente, deve-se ? conjunção de três fatores principais (Takahashi, 2000): a convergência da base tecnológica, pela adoção da forma digital na geração e manipulação de conteúdos; a evolução na informática, que propicia processamento mais rápido a custos cada vez menores; e a evolução dos meios de comunicação, que tem permitido a expansão da Internet. A Agência de Informações O sucesso da Web como um espaço atrativo pode ser creditado principalmente ? implementação da idéia lançada pela primeira vez por Vanevar Bush em 1945 (Rada, 1991), chamada de hipertexto. Trabalhando por associação de objetos ao invés de simplesmente classificá-los hierarquicamente, os hipertextos operam de forma próxima ao modo como pensamos. Evidentemente, os hipertextos de Bush não eram associados aos navegadores de hoje, nem ? Internet, dado que esses não existiam, e sim ao conjunto de textos de várias pessoas que eram conectados entre si, formando o que ele chamava de macrotexto. O termo hipertexto somente foi cunhado em 1967, por Ted Nelson. No entanto, ao se realizar uma busca em grandes portais de informação, observa-se que esses apresentam resultados de baixa revocação e baixa precisão . A melhoria da qualidade da informação recuperada não é uma tarefa simples, principalmente quando a relevância é associada ? correspondência entre o conceito que se procura, que é uma idéia, e as informações que estão armazenadas no sistema, que são símbolos. Não devemos esquecer que os computadores são máquinas de processamento simbólico e, assim sendo, os sistemas com os quais os usuários interagem operam no nível onde a relação entre o objeto representado e o signo (Peirce, 2000) usado para representá-lo é puramente arbitrária e convencional, fato apontado como corte semiótico (Tenório, 1998). Adicionalmente, a sensível contradição entre qualidade e quantidade da informação, a que têm acesso os usuários desses sistemas, revela o alto nível de entropia que esses possuem. Para reduzi-lo, os sistemas deveriam interagir com seus usuários de forma a obter o necessário feedback para que pudessem evoluir contínua e autonomamente. A redução da entropia de um sistema pressupõe o dispêndio de energia na reorganização contínua do mesmo. Como, neste caso, a entropia é causada pelo corte semiótico, esta energia a ser adicionada ao sistema deve ser injetada na redução da diferença entre o conceito que se procura e o que efetivamente se encontra. Na proposta da Agência de Informações, a solução para a redução desse problema é realizada de duas formas. A primeira delas é a catalogação em metadados das unidades de informação ; e a segunda é a adoção de uma ontologia comum aos elos de pesquisa, produtores de informação e consumidores. Ontologia, conforme acepção utilizada por Holsapple e amp; Joshi (2002), é uma especificação explícita de uma visão abstrata de um mundo que se deseja representar. Desta forma, se constrói uma linguagem compartilhada para o intercâmbio e reuso de conhecimentos. A materialização deste conceito se dá com o estabelecimento de uma árvore de conhecimentos, unindo os conhecimentos de pesquisadores, técnicos extensionistas e agricultores. A árvore de conhecimentos é adotada em todos os momentos no sistema: na criação da estrutura de navegação, na navegação do usuário final e na geração do conteúdo de cada um dos nós pelos quais um usuário navega. Para facilitar a incorporação dessa ontologia, utilizou-se a representação em árvore hiperbólica (ver Figura 1). A vantagem da representação hiperbólica é que ela pode ser utilizada tanto como um mapa do site quanto como uma ferramenta de navegação. À medida em que se clica em um nó, a página associada é aberta em uma nova janela do navegador. Esta técnica de visualização fornece uma visão geral da estrutura do site, mostra ao visitante a localização corrente em relação ao panorama geral, e é altamente escalável (Lamping e amp; Rao, 1994), permitindo sites com milhares de nós. Além da árvore de conhecimentos, existe uma outra estrutura informacional que deve ser representada no sistema Agência: os recursos eletrônicos, os quais, em sua grande maioria são conteúdos do estoque de informação gerada pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento. Para cada recurso, associa-se um registro expresso em metadados, definidos estes como um conjunto de elementos descritivos dos atributos e conteúdo de um documento original (Milstead e amp; Feldman, 1999). A representação da informação através de metadados obedece o padrão internacional Dublin Core (Dublin Core Metadata Initiative, 2000), concebido sob os auspícios da Online Computer Library Center (OCLC) e referendado pelo The World Wide Web Consortium (2002). As informações no sistema estão organizadas em três dimensões: pela árvore de conhecimentos, pela categorização de assuntos usando o padrão AGRICOLA (National Agricultural Library, 1999), que também pode ser expressa como uma árvore, e por tesaurus como o Agrovoc (FAO, 1995) e THESAGRO (Brasil, 1999). Assim, podemos expressar cada recurso catalogado como um conjunto de pontos em um eixo tridimensional, conforme ilustrado na Figura 2. Este conjunto de pontos será tanto maior quanto mais vezes um documento seja associado aos nós da árvore, ou quanto mais palavras dos tesauri forem utilizadas na catalogação. Figura 1: representação hiperbólica da árvore de conhecimentos em gado de corte Figura 2: Organização do conhecimento na Agência de Produtos e Serviços Os recursos são associados a um determinado nó da árvore como informações complementares ao conteúdo que se está tratando naquele nó, de modo que ao se acessar o nó, seus recursos associados possam ser vistos de imediato. Além disto, os recursos são reusáveis, podendo um mesmo recurso ser apontado a partir de múltiplos nós da árvore.Processo de Organização A construção e manutenção de um sistema de gestão de conteúdo, como a Agência, envolve várias etapas, das quais estão enumeradas abaixo apenas as de nível mais macroscópico:

  1. Definição da estrutura da árvore de conhecimentos do domínio a ser considerado;
  2. Seleção dos recursos (documentos, fotos, vídeos, figuras, tabelas e bancos de dados) relevantes ao tema, inclusive do ponto de vista temporal, pois algumas informações podem estar ultrapassadas;
  3. Obtenção de autorização, junto aos autores, para a publicação dos recursos selecionados;
  4. Digitalização dos recursos que não estiverem em formato digital;
  5. Tratamento dos recursos para conformidade com os padrões estabelecidos;
  6. Associação dos recursos aos nós da árvore. Em qualquer momento um recurso pode ser vinculado ou desvinculado, caso deixe de ter relevância;
  7. Publicação do site.
2. ONDE ESTAMOS A influência da globalização A formação de blocos econômicos transnacionais, formando uma grande rede transações envolvendo produtos e serviços, tem exigido o aumento constante na competitividade com a conseqüente implicação na demanda crescente por qualidade, produtividade e redução de custos. A competitividade para o negócio agrícola está diretamente relacionada ao aumento da eficiência nas cadeias produtivas, o que remete imediatamente ? estruturação de sistemas de informação para a transferência de informações entre seus elos e para a gestão de seus processos. Embora algumas cadeias já possuam razoável grau de organização, como a da cana-de-açúcar, laranja e café, a troca de informações estruturadas ocorre apenas entre alguns elos da cadeia. O sistema brasileiro de pesquisa agropecuária possui um enorme estoque de informação produzido ao longo de mais de um século de existência. Este fato aliado ? importância estratégica que o agronegócio representa para o Brasil, não apenas no equilíbrio da balança comercial mas também como fator de desenvolvimento regional, impõe enorme responsabilidade ? s instituições de pesquisa: fazer com que o conhecimento seja trabalhado em produtos de informação adequados ao consumo dos produtores agrícolas, contribuindo para o desenvolvimento sustentado. A construção de um projeto antropológico Atuando dessa maneira, as organizações de pesquisa estarão contribuindo para a construção de um projeto antropológico (Lévy, 1999), que promove o acesso da população em geral ? informação e a um espaço para o saber e suas interações. O aspecto da revolução nos sistemas de comunicação (infovias) que tem recebido maior destaque na mídia é a convergência da indústria do entretenimento para uma única forma, a multimídia, resultando em uma integração completa entre televisão, rádio, cinema, jornais e jogos eletrônicos. Este aspecto apenas ressalta o enfoque no consumo de mercadorias e no espetáculo, aumentando ainda mais o abismo entre ricos e pobres, ou em outra perspectiva, daqueles que têm acesso a informações condizentes com a sua realidade e dos excluídos. Não se deveria apenas avaliar o impacto que a tecnologia está causando, e sim se elaborar um projeto social. Evidentemente, faz-se necessário o estabelecimento de políticas governamentais para a redução desse abismo, visando garantir a todos os cidadãos a alfabetização digital e o acesso à informação. Uma agência para o domínio de conhecimento de gado de corte Objetivando abordar o domínio de conhecimento da cadeia produtiva de gado de corte, a Embrapa estruturou um projeto para a construção de sistema de informações via Web chamado Agência de Produtos e Serviços. Essa cadeia de conhecimento foi escolhida pela sua complexidade inerente. O sistema construído para gado de corte seria, a princípio, mais facilmente repetível/adaptável para outros domínios, e foi concebido de forma a permitir o trabalho coletivo de cientistas e produtores de informação, tal como proposto por Lévy (1999). Assim sendo, tanto quem realiza a pesquisa quanto quem a disponibiliza têm seus repertórios aproximados para que seja possível organizar a informação. A Agência Embrapa de Produtos e Serviços será o resultado de uma composição de agências abordando domínios do conhecimento pesquisados. Os domínios de mapeamento cognitivo mais direto são os correspondentes aos produtos pesquisados: como feijão, arroz, trigo, milho, coco, gado de corte, gado de leite, uva e vinho etc. Isto ocorre porque já existe uma cadeia produtiva correspondente e esta pode ser utilizada para se estabelecer a árvore de conhecimentos. Quando a pesquisa envolve temas, como Cerrado, Tabuleiros Costeiros, Amazônia Oriental etc, necessita-se de um estudo mais aprofundado para a determinação da árvore. 3. PARA ONDE VAMOS Tanto a organização de cadeias produtivas quanto as atividades de pesquisa e transferência abrem grandes possibilidades de atuação. No âmbito da pesquisa em sistemas de informação e gestão do conhecimento as pesquisas com mineração de dados, descrição de recursos de informação em metadados (RDF) , e Web Semântica permitirão a navegação inteligente, na qual os motores de busca identificam melhor o contexto no qual uma informação é solicitada. As aplicações dos conceitos da Web Semântica vão desde documentos sobre sistemas agrícolas de produção completos, até descrição de recursos de informação em bioinformática (Baker et al. 1998). Na organização de cadeias produtivas, a descrição de pacotes de informação a serem intercambiados entre os seus elos em uma linguagem comum (protocolo), metadados no padrão RDF, permitirá o exercício pleno da interoperabilidade, evolução e descentralização no projeto de sistemas de informação. O estabelecimento dessa linguagem comum passa pela organização do setor agropecuário, o qual deverá outorgar poder a um grupo representativo de entidades para este fim. Uma vez estabelecido o protocolo de intercâmbio de informações, fica-se independente de um fornecedor específico, bastando, para este fim, que se exija a conformidade com o padrão. Mercado, Trabalho e Oportunidade É preciso desenvolver padrões de interoperabilidade para os elos das diversas cadeias produtivas que compõem o negócio agrícola, de modo a que se estabeleça uma base comum de comunicação entre software produzidos por diferentes fornecedores. Esta base, a exemplo do que ocorre com os vários protocolos da Internet, propicia a inserção de múltiplos fornecedores e a livre competição de mercado. Universalização de Serviços e Cidadania É necessário definir padrões de metadados para serem utilizados na catalogação dos vários tipos de recursos eletrônicos existentes na Internet. Estes padrões tornariam mais eficientes as buscas realizadas na rede, ? medida em que fossem incorporados aos motores de busca. Vale ressaltar que alguns desses motores existentes no mercado, e de domínio público, já consideram os metadados caso as páginas geradas os contenha. A padronização dos metadados permitirá a interoperabilidade efetiva entre sistemas, fazendo com que, independente do Sistema Gerenciador de Bancos de Dados (SGBD) que uma dada instituição utilize, os dados possam ser transferidos para outro SGBD de outra instituição com grande facilidade. Este fato favorecerá a universalização do acesso ao conteúdo da informação. Conteúdos e Identidade Cultural O Livro Verde da Sociedade da Informação já propõe o estabelecimento de normas técnicas para o tratamento de conteúdos em termos de metadados, de forma a garantir a uniformidade no processo de catalogação. É preciso participar ativamente e estabelecer parceria com organismos internacionais definidores desses padrões em âmbito internacional, como o World Wide Web Consortium (W3C). Governo ao Alcance de Todos É preciso estruturar o conhecimento e adotar padrões para permitir intercâmbio de informações entre os vários agentes governamentais, evitando que as atividades de coleta, armazenamento e processamento da informação sejam replicadas desnecessariamente. Essa ação também favorecerá o cumprimento constitucional de acesso ? s informações geradas por órgãos públicos, que poderão ser livremente intercambiadas. Pesquisa e Desenvolvimento, Tecnologia e Aplicações É preciso desenvolver pesquisas em áreas relacionadas ao processamento automático de informação visando a diminuição do corte semiótico. Uma das abordagens em curso está relacionada com a construção de bases de conhecimento em Inteligência Artificial, objetivando modelagem e representação do conhecimento, de tal forma que o computador possa lidar com ele. Neste contexto vale ressaltar a atividade do W3C relacionada ? Web Semântica, cujo objetivo é evoluir a Web para uma plataforma universalmente acessível que permita o compartilhamento de dados e o seu processamento tanto por ferramentas automatizadas quanto por pessoas. 4. O QUE FAZER O programa de pesquisa ao qual este projeto está associado é bastante complexo, sendo desdobrado em várias linhas, com atividade expressiva em centros de pesquisa ao redor do mundo, tais como o processamento de linguagem natural, data mining, redes neurais, algoritmos genéticos, lógica nebulosa e raciocínio baseado em casos, somente para citar alguns. Um Working Draft do Consórcio W3C, lançado em março deste ano, avança na direção de uma linguagem ontológica para a Web, a qual permitirá que o conceito de ontologia possa ser utilizado por ferramentas automatizadas para fortalecer serviços de busca, agentes inteligentes e a gestão do conhecimento. Esta abordagem facilitará a vida do usuário ao permitir uma busca integrada e automática. Ações estruturantes Outras ações 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS NOTAS (1) Revocação: razão entre o número de documentos recuperados e relevantes, e o total de documentos relevantes (2) Precisão: razão entre o número de documentos recuperados e relevantes, e o número total recuperado (3) As unidades de informação básicas da Agência são a árvore de conhecimentos e os recursos eletrônicos que serão apresentados nos parágrafos seguintes. (4) Resource Description Framework. As RDFs suportam a descrição das estruturas comuns em metadados descritos em XML de forma que estes sejam intercambiáveis.

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